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Resenha: Whitesnake - Forevermore (2011)

Por: Carlos Frederico Pereira da Silva Gama, "Swancide"

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O último disco de estúdio, melancólico e vital
4
18/01/2018

É bizarro ouvir DAVID COVERDALE fazendo Hard Rock quase da mesma forma que fazia há pouco mais de 40 anos, quando estreava como cantor do DEEP PURPLE. O moço lançou, em 2015, um CD com músicas dessa época. Suas composições do século 21 interessam mais.

Esse sentimento não deveria ser estranho. A fidelidade ao Hard Rock poderia despertar inveja e respeito. O gênero teve seus altos e baixos. Por mais de uma vez foi comercialmente dominante, além de artisticamente provocante. 

Coverdale faz sua própria versão do Hard Rock, quando outros grandes deixaram a luta e poucos persistem, caso do AEROSMITH, AC/DC (?), KISS, SCORPIONS.

Diferindo dos grandes companheiros, Coverdale mudou loucamente a formação de sua banda preferida. Em Forevermore (2011), o WHITESNAKE contava com os guitarristas Doug Aldrich e Red Beach, o baixista Michael Devlin e o baterista Brian Tichy. Nenhum deles gravou discos com David entre 1976 e 1992, quando o Whitesnake acabou pela primeira vez.

Para quem ouvia a imprensa dizer que estava “comercialmente acabado” há duas décadas, o Whitesnake teve performance respeitável nas paradas de 2011. Top 50 nos Estados Unidos, Top 40 no Reino Unido e Top 20 no Japão e Europa (6º lugar na parada sueca).

Face à indiferença da indústria musical, Coverdale persiste, enquanto as brumas do tempo se vão. Seus passos titânicos invadem marcas registradas. “Steal Your Heart Away” desenrola um riff do ex-companheiro de Purple RITCHIE BLACKMORE (“Man on the Silver Mountain”, clássica faixa de abertura do primeiro disco do Rainbow). Puxado entre as duas guitarras, o riff chama um refrão também memorialístico – “I Want It All” do QUEEN. A soma de referências traz mais ganhos do que danos (no Whitesnake, feeling bad feels good). Coverdale notavelmente diminui refrães para adequá-los à sua voz em fuga, o que não é um problema diante das guitarras em choro. Uma harmonia vocal de toda a banda supera críticas aos vocais, chicoteando baixos e apertando baterias.

Outra lembrança do RAINBOW (cortesia do ex-guitarrista de RONNIE JAMES DIO Aldrich) reaparece em “All Out of Luck” (dessa vez, “Stargazer”). O riff que soca os ouvidos em efeito Doppler fornece teias de aranha para o vocal Bluesy de Coverdale rasgar, numa música impressionante do começo ao fim. Moinhos de guitarras se sobrepõe brevemente nos solos, retornando com destaque no decorrer da música. Até lá refrães Soul sem trucagens de estúdio aparentes se equilibram dentro do espectro denso de recursos de David. Até mesmo falsetos afetados fazem parte do mix explosivo! A faixa seria destaque em qualquer disco da banda, especialmente Slide It In (1984).

A música de trabalho/single “Love Will Set You Free” apresenta uma leveza de duas guitarras normalmente reservada ao THIN LIZZY. O baixo de Devlin se torna o centro das atenções ao passo que David se torna quase contido em meio ao zumbido – um complemento de todas as camadas de guitarras melódicas. Quando diz “you can trust me”, o diz sem ironia. Nem o solo genérico prejudica o apelo do Whitesnake 4.0.

“Easier Said than Done” alonga passagens dramáticas e desacelera o tempo para uma balada na veia Slip of the Tongue. David canta a maior parte do tempo com excesso de melação, remetendo a seu disco-solo Into the Light (2000) – ruminações quase-acústicas (mesmo com teclado!) sem refrães redentores. Prefiro quando ele tentava homenagear Jimi Hendrix. A audiência feminina que ele busca cortejar permanecerá cética ao ouvir “take me by the hand and try to understand”, se os refrães continuarem chatos desse jeito. Tirando o melódico riff principal de Beach, evite.

Correndo o risco de perder o ímpeto, o Whitesnake traz um riff digno do LED ZEPPELIN em “Tell Me How”. Coverdale canta uma melodia vagamente etérea sobre as guitarras tonitruantes, lembrando os dias com JIMMY PAGE. Excessos vocais e falta de laringe, o refrão se perde no cosmos (especialmente quando David faz backing vocals para si próprio e questiona “can I be your love?”). Pelo menos, nos arredores (Beach e Aldrich) o propósito permanece ancorado o suficiente para a banda chegar perto da linha de chegada…Até que a seção final adentra, numa correria bem-vinda.

“I Need You (Shine a Light)” traz à memória menos os ROLLING STONES do que outros depravados Glam Rockers dos anos 1970. Um riff de guitarra límpido, tão singelo para o Whitesnake, limita quaisquer danos feitos pelo gogó de David a clichés incessantes – “I’m on fire/can’t help from burning higher and higher/baby baby please/shine a light on me”. Coverdale flexiona seus músculos surpreendentamente bem para um senhor de quase 60 anos. A banda consegue vencer BON JOVI em seu jogo farofeiro – e soa mais jovem à medida que a canção prossegue. Um bom lado B para singles clássicos do SWEET.

Como se estivesse precisando de uma versão Country de “Here I Go Again” para uma reprise de Starkers in Tokyo, Coverdale traz à tona seu bardo interior. Aldrich assume o papel de ADRIAN VANDENBERG dignamente, à medida que seu chefe “supplicates the fire and the kisses on his face”. Memórias rolam no fundo dos olhos como uma velha canção de ROD STEWART – “I’ll be there on one of these days”. O Whitesnake se sente à vontade entre o Hard Rock e o Country contemporâneo – instrumentação esparsa encontra a voz de David preservada dos excessos, crescentemente melosa em refrães acachapantes, lembranças dos soldados da fortuna zarpando para longe – com uma aquiescência mais gentil do que agruras do Deep Purple. A produção datada dificilmente exagera as qualidades impressas a essa breve ruptura.

“Love and Treat me Right” torna a agenda de Coverdale explícita. No fim dos anos 1980, o Hard Rock e o “Metal Farofa” usavam tais frases para mover multidões. Elas perderam o apelo, soam bizarras ao ouvido contemporâneo, os clichés mudaram. “I’ll be your rocking man” não é mais o que esperam os corações e mentes. Chuços de guitarras estimuladas se tornam ainda mais estranhas no panorama fragmentário do desejo contemporâneo. Além da marcha dos tempos, o refrão é da lavra do KISS (Gene Simmons, não Paul Stanley – surpresa).

Era uma vez uma época (começo dos anos 1980, até 1987) em que o Whitesnake era chamado de “Heavy Metal” nos Estados Unidos. À época, a banda anfetaminava os charmes do Deep Purple com acrobacias de guitarra e produção acessível em shows frenéticos. “Dogs in the Street” teria entrado em qualquer disco da banda na época. Não particularmente inspirada, mas com pegada considerável derivada de um riff incessante (primo de “Crazy Train”, a obra-prima de Randy Rhoads para OZZY OSBOURNE), a dinâmica desacelera para refrães cantados a plenos pulmões (o que sobrou deles). Por um instante, guitarras arranham com atrito suficiente para gerar tensão (exagerada). O refrão decente é levemente enfraquecido pela perda relativa de poder vocal, que interrompe qualquer efeito “de volta para o futuro".

“Fare Thee Well” traz de volta o Folk acústico, preferido de Coverdale em 1977. Corte para o século 21. Com a voz mais esfumaçada pelo stress, os refrães se tornam refúgios e guitarras acústicas, álibis para passeios nas nuvens. Não que Beach não consiga, por vezes, lembrar os ALLMAN BROTHERS; mas David diz “sometimes I should be moving on wherever I go”. De outra sorte, ele vai atualizar “Too Many Tears” novamente – lançada em Restless Heart, reiterada em Into the Light e recuperada para as seções que antecedem os refrães.

“Whipping Boy Blues” surpreende os fãs. Menos pelo retorno das slide guitars (uma constante nos anos áureos do Whitesnake) do que pelo palavreado a la DAVE LEE ROTH de Coverdale (ou um retorno a “Pride & Joy” com Page). Soltando os cintos para um Blues Rock menos focado na nostalgia ou marketing, David deixa sua turma rosnar sobre um riff de dois andares. Muito satisfatório até a metade, quando um refrão que poderia ter sido do Deep Purple sobe a aposta: “I’m not going to be a whipping boy” (para o Hard Rock, amantes ciumentas, críticos de rock – quem mais?). Movimentados solos beirando a ferocidade teimam em persistir na memorável dinâmica de aceleração e paradas. “Crazy about you baby/I’m your whipping boy no more”. Vocais coletivos (incluindo o filho de Coverdale) uivam até o fim, num número recomendável moldado em clássicos da segunda metade dos anos 70.

“My Evil Ways” irrompe com uma demonstração de força de Tichy antes de Coverdale reiterar – “nobody ain’t gonna change my evil ways”. Buscar problemas é ruim. Falhar em chegar lá é bom – então o Whitesnake provoca os ouvintes através do Hard Blues “no matter what they do”, conquistando chão para a incessante alternância de solos. Beach soa quase invisível próximo das pirotecnias de Aldrich, mas os gritos vigorosos de David roubam o show. Missão cumprida, come and get it – “I’ve always been a son of a bitch”.

Sons pastorais preenchem a introdução da faixa-título, “Forevermore”. “The good times and the bad echo” na mente de Coverdale, “sweet and bitter memories left behind”, bem como vocais densos. Restam apenas fluidos acústicos trazendo melancholia por um breve agora. Essa nostalgia se torna uma maravilhosa Power Ballad no calar de um suspiro. O pedido teimoso de David se torna mais romântico do que insistente, correndo sem guarida pelo universe, modulando através das emoções – “be my love, I’ll feel your heartbeat forevermore, rest in my arms” e finalmente, “gimme all your love”. Em meio a uma noite triste, uma imensa onda rítmica funde expectativas e performance. Algumas pessoas pensaram em “Kashmir” do Led Zeppelin, ou ainda em “Still of the Night” ou “Looking for Love” – de todo modo, “Forevermore” merece status épico. Uma pérola encerra de forma clássica um excelente álbum.

Tracklist:

(8) Steal My Heart Away
(9) All Out of Luck
(8) Love Will Set You Free
(6) Easier Said than Done
(8) I Need You (Shine a Light)
(9) One of These Days
(7) Love Me and Treat Me Right
(7) Dogs in the Street
(7) Fare Thee Well
(9) Whipping Boy Blues
(8) My Evil Ways
(9) Forevermore

O último disco de estúdio, melancólico e vital
4
18/01/2018

É bizarro ouvir DAVID COVERDALE fazendo Hard Rock quase da mesma forma que fazia há pouco mais de 40 anos, quando estreava como cantor do DEEP PURPLE. O moço lançou, em 2015, um CD com músicas dessa época. Suas composições do século 21 interessam mais.

Esse sentimento não deveria ser estranho. A fidelidade ao Hard Rock poderia despertar inveja e respeito. O gênero teve seus altos e baixos. Por mais de uma vez foi comercialmente dominante, além de artisticamente provocante. 

Coverdale faz sua própria versão do Hard Rock, quando outros grandes deixaram a luta e poucos persistem, caso do AEROSMITH, AC/DC (?), KISS, SCORPIONS.

Diferindo dos grandes companheiros, Coverdale mudou loucamente a formação de sua banda preferida. Em Forevermore (2011), o WHITESNAKE contava com os guitarristas Doug Aldrich e Red Beach, o baixista Michael Devlin e o baterista Brian Tichy. Nenhum deles gravou discos com David entre 1976 e 1992, quando o Whitesnake acabou pela primeira vez.

Para quem ouvia a imprensa dizer que estava “comercialmente acabado” há duas décadas, o Whitesnake teve performance respeitável nas paradas de 2011. Top 50 nos Estados Unidos, Top 40 no Reino Unido e Top 20 no Japão e Europa (6º lugar na parada sueca).

Face à indiferença da indústria musical, Coverdale persiste, enquanto as brumas do tempo se vão. Seus passos titânicos invadem marcas registradas. “Steal Your Heart Away” desenrola um riff do ex-companheiro de Purple RITCHIE BLACKMORE (“Man on the Silver Mountain”, clássica faixa de abertura do primeiro disco do Rainbow). Puxado entre as duas guitarras, o riff chama um refrão também memorialístico – “I Want It All” do QUEEN. A soma de referências traz mais ganhos do que danos (no Whitesnake, feeling bad feels good). Coverdale notavelmente diminui refrães para adequá-los à sua voz em fuga, o que não é um problema diante das guitarras em choro. Uma harmonia vocal de toda a banda supera críticas aos vocais, chicoteando baixos e apertando baterias.

Outra lembrança do RAINBOW (cortesia do ex-guitarrista de RONNIE JAMES DIO Aldrich) reaparece em “All Out of Luck” (dessa vez, “Stargazer”). O riff que soca os ouvidos em efeito Doppler fornece teias de aranha para o vocal Bluesy de Coverdale rasgar, numa música impressionante do começo ao fim. Moinhos de guitarras se sobrepõe brevemente nos solos, retornando com destaque no decorrer da música. Até lá refrães Soul sem trucagens de estúdio aparentes se equilibram dentro do espectro denso de recursos de David. Até mesmo falsetos afetados fazem parte do mix explosivo! A faixa seria destaque em qualquer disco da banda, especialmente Slide It In (1984).

A música de trabalho/single “Love Will Set You Free” apresenta uma leveza de duas guitarras normalmente reservada ao THIN LIZZY. O baixo de Devlin se torna o centro das atenções ao passo que David se torna quase contido em meio ao zumbido – um complemento de todas as camadas de guitarras melódicas. Quando diz “you can trust me”, o diz sem ironia. Nem o solo genérico prejudica o apelo do Whitesnake 4.0.

“Easier Said than Done” alonga passagens dramáticas e desacelera o tempo para uma balada na veia Slip of the Tongue. David canta a maior parte do tempo com excesso de melação, remetendo a seu disco-solo Into the Light (2000) – ruminações quase-acústicas (mesmo com teclado!) sem refrães redentores. Prefiro quando ele tentava homenagear Jimi Hendrix. A audiência feminina que ele busca cortejar permanecerá cética ao ouvir “take me by the hand and try to understand”, se os refrães continuarem chatos desse jeito. Tirando o melódico riff principal de Beach, evite.

Correndo o risco de perder o ímpeto, o Whitesnake traz um riff digno do LED ZEPPELIN em “Tell Me How”. Coverdale canta uma melodia vagamente etérea sobre as guitarras tonitruantes, lembrando os dias com JIMMY PAGE. Excessos vocais e falta de laringe, o refrão se perde no cosmos (especialmente quando David faz backing vocals para si próprio e questiona “can I be your love?”). Pelo menos, nos arredores (Beach e Aldrich) o propósito permanece ancorado o suficiente para a banda chegar perto da linha de chegada…Até que a seção final adentra, numa correria bem-vinda.

“I Need You (Shine a Light)” traz à memória menos os ROLLING STONES do que outros depravados Glam Rockers dos anos 1970. Um riff de guitarra límpido, tão singelo para o Whitesnake, limita quaisquer danos feitos pelo gogó de David a clichés incessantes – “I’m on fire/can’t help from burning higher and higher/baby baby please/shine a light on me”. Coverdale flexiona seus músculos surpreendentamente bem para um senhor de quase 60 anos. A banda consegue vencer BON JOVI em seu jogo farofeiro – e soa mais jovem à medida que a canção prossegue. Um bom lado B para singles clássicos do SWEET.

Como se estivesse precisando de uma versão Country de “Here I Go Again” para uma reprise de Starkers in Tokyo, Coverdale traz à tona seu bardo interior. Aldrich assume o papel de ADRIAN VANDENBERG dignamente, à medida que seu chefe “supplicates the fire and the kisses on his face”. Memórias rolam no fundo dos olhos como uma velha canção de ROD STEWART – “I’ll be there on one of these days”. O Whitesnake se sente à vontade entre o Hard Rock e o Country contemporâneo – instrumentação esparsa encontra a voz de David preservada dos excessos, crescentemente melosa em refrães acachapantes, lembranças dos soldados da fortuna zarpando para longe – com uma aquiescência mais gentil do que agruras do Deep Purple. A produção datada dificilmente exagera as qualidades impressas a essa breve ruptura.

“Love and Treat me Right” torna a agenda de Coverdale explícita. No fim dos anos 1980, o Hard Rock e o “Metal Farofa” usavam tais frases para mover multidões. Elas perderam o apelo, soam bizarras ao ouvido contemporâneo, os clichés mudaram. “I’ll be your rocking man” não é mais o que esperam os corações e mentes. Chuços de guitarras estimuladas se tornam ainda mais estranhas no panorama fragmentário do desejo contemporâneo. Além da marcha dos tempos, o refrão é da lavra do KISS (Gene Simmons, não Paul Stanley – surpresa).

Era uma vez uma época (começo dos anos 1980, até 1987) em que o Whitesnake era chamado de “Heavy Metal” nos Estados Unidos. À época, a banda anfetaminava os charmes do Deep Purple com acrobacias de guitarra e produção acessível em shows frenéticos. “Dogs in the Street” teria entrado em qualquer disco da banda na época. Não particularmente inspirada, mas com pegada considerável derivada de um riff incessante (primo de “Crazy Train”, a obra-prima de Randy Rhoads para OZZY OSBOURNE), a dinâmica desacelera para refrães cantados a plenos pulmões (o que sobrou deles). Por um instante, guitarras arranham com atrito suficiente para gerar tensão (exagerada). O refrão decente é levemente enfraquecido pela perda relativa de poder vocal, que interrompe qualquer efeito “de volta para o futuro".

“Fare Thee Well” traz de volta o Folk acústico, preferido de Coverdale em 1977. Corte para o século 21. Com a voz mais esfumaçada pelo stress, os refrães se tornam refúgios e guitarras acústicas, álibis para passeios nas nuvens. Não que Beach não consiga, por vezes, lembrar os ALLMAN BROTHERS; mas David diz “sometimes I should be moving on wherever I go”. De outra sorte, ele vai atualizar “Too Many Tears” novamente – lançada em Restless Heart, reiterada em Into the Light e recuperada para as seções que antecedem os refrães.

“Whipping Boy Blues” surpreende os fãs. Menos pelo retorno das slide guitars (uma constante nos anos áureos do Whitesnake) do que pelo palavreado a la DAVE LEE ROTH de Coverdale (ou um retorno a “Pride & Joy” com Page). Soltando os cintos para um Blues Rock menos focado na nostalgia ou marketing, David deixa sua turma rosnar sobre um riff de dois andares. Muito satisfatório até a metade, quando um refrão que poderia ter sido do Deep Purple sobe a aposta: “I’m not going to be a whipping boy” (para o Hard Rock, amantes ciumentas, críticos de rock – quem mais?). Movimentados solos beirando a ferocidade teimam em persistir na memorável dinâmica de aceleração e paradas. “Crazy about you baby/I’m your whipping boy no more”. Vocais coletivos (incluindo o filho de Coverdale) uivam até o fim, num número recomendável moldado em clássicos da segunda metade dos anos 70.

“My Evil Ways” irrompe com uma demonstração de força de Tichy antes de Coverdale reiterar – “nobody ain’t gonna change my evil ways”. Buscar problemas é ruim. Falhar em chegar lá é bom – então o Whitesnake provoca os ouvintes através do Hard Blues “no matter what they do”, conquistando chão para a incessante alternância de solos. Beach soa quase invisível próximo das pirotecnias de Aldrich, mas os gritos vigorosos de David roubam o show. Missão cumprida, come and get it – “I’ve always been a son of a bitch”.

Sons pastorais preenchem a introdução da faixa-título, “Forevermore”. “The good times and the bad echo” na mente de Coverdale, “sweet and bitter memories left behind”, bem como vocais densos. Restam apenas fluidos acústicos trazendo melancholia por um breve agora. Essa nostalgia se torna uma maravilhosa Power Ballad no calar de um suspiro. O pedido teimoso de David se torna mais romântico do que insistente, correndo sem guarida pelo universe, modulando através das emoções – “be my love, I’ll feel your heartbeat forevermore, rest in my arms” e finalmente, “gimme all your love”. Em meio a uma noite triste, uma imensa onda rítmica funde expectativas e performance. Algumas pessoas pensaram em “Kashmir” do Led Zeppelin, ou ainda em “Still of the Night” ou “Looking for Love” – de todo modo, “Forevermore” merece status épico. Uma pérola encerra de forma clássica um excelente álbum.

Tracklist:

(8) Steal My Heart Away
(9) All Out of Luck
(8) Love Will Set You Free
(6) Easier Said than Done
(8) I Need You (Shine a Light)
(9) One of These Days
(7) Love Me and Treat Me Right
(7) Dogs in the Street
(7) Fare Thee Well
(9) Whipping Boy Blues
(8) My Evil Ways
(9) Forevermore

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