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Resenha: Genesis - The Lamb Lies Down on Broadway (1974)

Por: Tiago Meneses

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Músicas e letras com sabor "urbano" que dão à banda uma sonoridade seminova.
4.5
18/01/2018

Certamente que The Lamb Lies Down On Broadway é um dos mais importantes álbuns conceituais de todos os tempos. Uma parada obrigatória a qualquer um que goste deste tipo de trabalho. Esse disco é daqueles que funcionam bem em vários níveis diferentes, onde a cada audição se nota quantos detalhes ele possui, as letras são extremamente inteligentes e em nenhum outro álbum da banda elas possuem um papel de importância tão grande. A banda vinha de um álbum mais obscuro e imaginativo e outro de sonoridade suave e amigável. The Lamb Lies Down On Broadway é agressivo e de certa forma até kafkiano. As músicas de modo geral são mais curtas, mas ainda assim muito complexas. Já o conceito do álbum é algo que é discutido ainda hoje por fãs da banda e que nunca chegaram a um denominador comum sobre o seu desfecho.  Mas grosso modo o conceito gira em torno de um jovem de Porto Rico e que muda para os Estados Unidos, assumindo a partir disto a identidade de Rael, aliando-se a gangues da cidade e cometendo vários crimes até que sofre um acidente. Daí em diante Rael dá início a uma viagem no plano metafísico em busca do seu irmão John (que se trata do seu verdadeiro eu). 

Sendo bastante rígido na avaliação o considero um pouco inferior aos dois discos anteriores, ainda assim uma obra essencial em qualquer discografia de rock progressivo clássico. Possui a maior parte dos mesmos instrumentos e sons usados anteriormente, os temas são ligeiramente alterados, embora algumas partes retém o estilo narrativo de história de fantasia e/ou mitologia. 

Mesmo que eu não tenha vivido a época do seu lançamento e com isso, claro, também não tenha testemunhado sua turnê, algo que eu sempre gosto de expressar em relação a este álbum são os seus shows. Infelizmente quando o Genesis realizou a Lamb Live em 1974-1975, houve pouquíssimas filmagens, tendo como o principal motivo os problemas que a banda às vezes possuía com o show como sincronização de slides, equipamentos e etc. Foi o show mais complexo que a banda havia feito até o momento. 

Pelo que já pude ler pesquisando a respeito da história da banda e seus discos, todo o aspecto do show dá um novo significado ao álbum. Talvez o fato de muitas pessoas (que me incluo) não conseguir captar bem todas as letras e a estória no geral, seja pelo fato de apenas ter escutado o disco, já que relatos de pessoas que puderam assistir as apresentações da banda dizem que a estória de Rael fica muito mais clara depois de assistir a um show. O ponto de vista lírico que Gabriel coloca no disco é de um ponto de vista muito existencial. Em suas entrevistas Gabriel nunca revelou muito sobre as letras, escolhendo sempre deixar a cabo do ouvinte seus significados. 

A música e as letras de The Lamb Lies Down On Broadway possui um sabor “urbano” que dão a banda uma sonoridade seminova. Algumas faixas possuem ótimas seções individuais de teclados, principalmente “The Cage” e “Riding The Scree”. Tony Banks sempre soou bem como solista nos sintetizadores com o órgão em segundo plano. Seu mellotron em “Fly On A Windshield” é incrível criando paredes sonoras magnificas, já em “Silent Sorrow In Empty Boats” ele consegue reproduzir um dos sons mais angelicais já feitos na história deste instrumento essencial no rock progressivo. 

Em relação a Steve Hackett, eu acho que os seus melhores solos de guitarra estão na segunda metade do álbum. Embora seja o seu ponto mais obscuro. Às vezes pode passar meio despercebido, mas são ótimos os solos de guitarra em faixas como “Anyway”, “Here Comes The Supernatural Anaesthetist” e “The Lamia”. Seu solo em “Hairless Heart” tem uma atmosfera que faz lembrar a encontrada em “Firth of Fifth”. Já vi muitos comentários falando sobre uma pouca participação do guitarrista no álbum, porém, eu discordo plenamente tendo em vista que é nítida a sua influência na música encontrada. Seus efeitos de sintetizadores na guitarra, por exemplo, são excelentes e engrandecem muitos o fundo de alguns versos.
 
Os trabalhos de bateria e as harmonias criadas por Phil Collins são o que de mais complexo tem no disco. Phil adiciona alguns sons novos especialmente para este álbum e até mesmo reproduz um pouco de vibrafone como em “The Chamber Of 32 Doors”. Maravilhosa é a quebra de bateria que ele faz em “Riding The Scree”. Phil usa novos sons que são um pouco étnicos da natureza, limitações a parte na comparação, como se batesse em crânios de macacos. Inclusive, sendo uma sonoridade que Peter Gabriel abraçou nos seus primeiros discos solos. A dinâmica com que a bateria é cadenciada no álbum faz com que tenha um papel muito importante. Outro elemento que separa este álbum dos demais que a banda havia feito até então é o uso de alguns curtos tempos em certas faixas. Embora o Genesis tenha usado estranhos timings em álbuns anteriores, eles só pareciam está em determinados momentos das músicas, por sua vez, aqui temos músicas completas como “Back in NYC” que está em 7/8 durante praticamente toda a sua extensão, ou “Riding The Scree” que tem o tempo sempre popular, 9/8 e que é o preferido da banda entre os foras dos padrões, digamos assim. 

Por último, mas não menos importante, Mike Rutherford e o seu uso excessivo dos pedais moog e que está em toda parte do álbum. Sempre com a sua maneira discreta, o baixista é como uma cola que mantém todos os demais instrumentos atados. Vale lembrar que a sua participação também sempre foi destacada por aqueles que assistiram ao show da banda na época, onde Mike às vezes era explosivo no baixo e em outros momentos no uso de 12 cordas, isso quando não combinava os dois, qualidade que nenhum outro músico da era de ouro do progressivo dominava igual a ele. 

Um disco sensacional e que eu só não dou a nota máxima por conta de achar os dois anteriores ainda melhor. Mas sem dúvida que The Lamb Lies Down On Broadway apesar de idealizado por Peter Gabriel, jamais teria o resultado que teve se não fosse pelos seus companheiros que procuraram fazer o seu melhor. Suas sempre brilhantes interpretações ganharam ainda mais brilho sobre a bela camada musical criada pela banda. Obrigatório aos amantes de rock progressivo, porém, não indicado pra quem queira começar no gênero. 

Músicas e letras com sabor "urbano" que dão à banda uma sonoridade seminova.
4.5
18/01/2018

Certamente que The Lamb Lies Down On Broadway é um dos mais importantes álbuns conceituais de todos os tempos. Uma parada obrigatória a qualquer um que goste deste tipo de trabalho. Esse disco é daqueles que funcionam bem em vários níveis diferentes, onde a cada audição se nota quantos detalhes ele possui, as letras são extremamente inteligentes e em nenhum outro álbum da banda elas possuem um papel de importância tão grande. A banda vinha de um álbum mais obscuro e imaginativo e outro de sonoridade suave e amigável. The Lamb Lies Down On Broadway é agressivo e de certa forma até kafkiano. As músicas de modo geral são mais curtas, mas ainda assim muito complexas. Já o conceito do álbum é algo que é discutido ainda hoje por fãs da banda e que nunca chegaram a um denominador comum sobre o seu desfecho.  Mas grosso modo o conceito gira em torno de um jovem de Porto Rico e que muda para os Estados Unidos, assumindo a partir disto a identidade de Rael, aliando-se a gangues da cidade e cometendo vários crimes até que sofre um acidente. Daí em diante Rael dá início a uma viagem no plano metafísico em busca do seu irmão John (que se trata do seu verdadeiro eu). 

Sendo bastante rígido na avaliação o considero um pouco inferior aos dois discos anteriores, ainda assim uma obra essencial em qualquer discografia de rock progressivo clássico. Possui a maior parte dos mesmos instrumentos e sons usados anteriormente, os temas são ligeiramente alterados, embora algumas partes retém o estilo narrativo de história de fantasia e/ou mitologia. 

Mesmo que eu não tenha vivido a época do seu lançamento e com isso, claro, também não tenha testemunhado sua turnê, algo que eu sempre gosto de expressar em relação a este álbum são os seus shows. Infelizmente quando o Genesis realizou a Lamb Live em 1974-1975, houve pouquíssimas filmagens, tendo como o principal motivo os problemas que a banda às vezes possuía com o show como sincronização de slides, equipamentos e etc. Foi o show mais complexo que a banda havia feito até o momento. 

Pelo que já pude ler pesquisando a respeito da história da banda e seus discos, todo o aspecto do show dá um novo significado ao álbum. Talvez o fato de muitas pessoas (que me incluo) não conseguir captar bem todas as letras e a estória no geral, seja pelo fato de apenas ter escutado o disco, já que relatos de pessoas que puderam assistir as apresentações da banda dizem que a estória de Rael fica muito mais clara depois de assistir a um show. O ponto de vista lírico que Gabriel coloca no disco é de um ponto de vista muito existencial. Em suas entrevistas Gabriel nunca revelou muito sobre as letras, escolhendo sempre deixar a cabo do ouvinte seus significados. 

A música e as letras de The Lamb Lies Down On Broadway possui um sabor “urbano” que dão a banda uma sonoridade seminova. Algumas faixas possuem ótimas seções individuais de teclados, principalmente “The Cage” e “Riding The Scree”. Tony Banks sempre soou bem como solista nos sintetizadores com o órgão em segundo plano. Seu mellotron em “Fly On A Windshield” é incrível criando paredes sonoras magnificas, já em “Silent Sorrow In Empty Boats” ele consegue reproduzir um dos sons mais angelicais já feitos na história deste instrumento essencial no rock progressivo. 

Em relação a Steve Hackett, eu acho que os seus melhores solos de guitarra estão na segunda metade do álbum. Embora seja o seu ponto mais obscuro. Às vezes pode passar meio despercebido, mas são ótimos os solos de guitarra em faixas como “Anyway”, “Here Comes The Supernatural Anaesthetist” e “The Lamia”. Seu solo em “Hairless Heart” tem uma atmosfera que faz lembrar a encontrada em “Firth of Fifth”. Já vi muitos comentários falando sobre uma pouca participação do guitarrista no álbum, porém, eu discordo plenamente tendo em vista que é nítida a sua influência na música encontrada. Seus efeitos de sintetizadores na guitarra, por exemplo, são excelentes e engrandecem muitos o fundo de alguns versos.
 
Os trabalhos de bateria e as harmonias criadas por Phil Collins são o que de mais complexo tem no disco. Phil adiciona alguns sons novos especialmente para este álbum e até mesmo reproduz um pouco de vibrafone como em “The Chamber Of 32 Doors”. Maravilhosa é a quebra de bateria que ele faz em “Riding The Scree”. Phil usa novos sons que são um pouco étnicos da natureza, limitações a parte na comparação, como se batesse em crânios de macacos. Inclusive, sendo uma sonoridade que Peter Gabriel abraçou nos seus primeiros discos solos. A dinâmica com que a bateria é cadenciada no álbum faz com que tenha um papel muito importante. Outro elemento que separa este álbum dos demais que a banda havia feito até então é o uso de alguns curtos tempos em certas faixas. Embora o Genesis tenha usado estranhos timings em álbuns anteriores, eles só pareciam está em determinados momentos das músicas, por sua vez, aqui temos músicas completas como “Back in NYC” que está em 7/8 durante praticamente toda a sua extensão, ou “Riding The Scree” que tem o tempo sempre popular, 9/8 e que é o preferido da banda entre os foras dos padrões, digamos assim. 

Por último, mas não menos importante, Mike Rutherford e o seu uso excessivo dos pedais moog e que está em toda parte do álbum. Sempre com a sua maneira discreta, o baixista é como uma cola que mantém todos os demais instrumentos atados. Vale lembrar que a sua participação também sempre foi destacada por aqueles que assistiram ao show da banda na época, onde Mike às vezes era explosivo no baixo e em outros momentos no uso de 12 cordas, isso quando não combinava os dois, qualidade que nenhum outro músico da era de ouro do progressivo dominava igual a ele. 

Um disco sensacional e que eu só não dou a nota máxima por conta de achar os dois anteriores ainda melhor. Mas sem dúvida que The Lamb Lies Down On Broadway apesar de idealizado por Peter Gabriel, jamais teria o resultado que teve se não fosse pelos seus companheiros que procuraram fazer o seu melhor. Suas sempre brilhantes interpretações ganharam ainda mais brilho sobre a bela camada musical criada pela banda. Obrigatório aos amantes de rock progressivo, porém, não indicado pra quem queira começar no gênero. 

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