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Resenha: Mike Oldfield - Hergest Ridge (1974)

Por: Tiago Meneses

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Sem dúvida alguma uma das melhores realizações de Mike Oldfield.
5
17/01/2018

Acho que é de conhecimento de todos que o sucesso de Tubullar Bells, disco de estreia de Mike, foi muito maior do que o esperado. Isso fez com que o músico fosse se “esconder” em uma casa de campo na fronteira entre País de Gales e Inglaterra e que ficava a beira da magnífica colina de Hergest Ridge e que viria a ser também o nome do disco. Muito provável que estava emocionalmente despreparado por tal demanda de sua influência ou pra quantidade de entrevistas e outras pressões que acabou sofrendo, o que de certa forma o amedrontou e por isso a escolha em se refugiar para escrever sua próxima obra. 

Então que livre de pressão por conta própria e recebendo apenas as visitas de músicos convidados, começou a por a mão na massa. Eu tenho uma ligeira suspeita de que ele chegou a passar seu tempo livre vagando pela bela costa e transferiu suas impressões para a música, pois não é difícil o ouvinte ao fechar os olhos durante o álbum, viajar por montanhas, visualizar um belo pôr do sol ou nuvens se deslocando no céu. 

Literalmente uma paixão a primeira vista (ou audição), nada mais pode explicar melhor meu sentimento em relação ao primeiro contato que tive com Hergest Ridge. Rapidamente percebi quão grandiosa e marcante era sua música, tanto que me peguei assobiando constantemente partes aleatórias do disco por várias semanas. 

Hergest Ridge parte 1 abre o disco de forma abrupta com um coro sustentado por instrumento de sopro em uma sonoridade estranha, quase mágica e que introduz o ouvinte para a consciência penetrante de Oldfield, construída com o tilintar da percussão antes que a melodia principal do registro venha a emergir. O tema é bastante forte, otimista e explorado dentro de uma das maneiras mais delicadas de Oldfield soar em toda a sua carreira. Através de ondas de metais, seguidos por guitarra acústica, a peça flutua maravilhosamente com uma atmosfera de soledade e clareza. Por volta da metade da música, o ouvinte chega à certeza plena de que está diante de uma obra de arte verdadeiramente única e intrigante, quando o fluxo da música cai em um riff de baixo pulsante e ondulações de sintetizador que cria uma atmosfera de mistério e busca curiosa. Isso impulsiona ao longo clímax da primeira metade do álbum, que se constrói com sinos e órgãos de sonoridade onírica, além de um coral edificante. O faixa termina desaparecendo no caminho que começou, os sinos desta vez tendo o eco distinto de despedida. 

Hergest Ridge parte 2 começa de maneira bastante sutil, delicada e triste. Depois de um curto período as guitarras rasgadas começam a assumir o controle, dando a ideia ao ouvinte de embarcar em uma viagem contada por uma melodia de superação. Isso é enfatizado pelo coro, que novamente tem uma presença seminal, deslocando sob os outros instrumentos com uma reverberação natural. Da mesma maneira como ocorreu na primeira parte, a sensação de incerteza também cobre a atmosfera da música, à medida que o tema principal retorna em um órgão solitário e a peça muda novamente para um território mais obscuro, com uma trabalho de órgão inseguro e flauta. Inesperadamente então a música entra em uma frenesi conhecida entre os fãs de Mike Oldfield como “a tempestade de Hergest Ridge”, uma luta prolongada implacável de guitarras distorcidas e fuzz em camadas, dando um ar de frustração e estresse, mas dentro de um timing firme, sugerindo que apesar do caos ainda há um senso de controle. Por fim quando a tempestade parece chegar a um estado insuportável, a música retorna a um último capítulo sereno através de guitarra acústica, cordas e coro. Pode haver uma interpretação como se fosse um resumo e talvez uma referência a um futuro que olhe pra trás em relação a tudo o que foi feito antes. Os últimos momentos de Hergest Ridge são sombrios, antes de um fim introspectivo. 

Sem dúvida alguma uma das melhores realizações de Mike Oldfield. Cheio de emoção, rico em texturas únicas, brilhantes instrumentações e performances extremamente bem dotadas. Impressionante como Oldfield mesmo com músicas instrumentais aguçam meu senso interpretativo, me fazendo ter a certeza que não se trata apenas de uma música para se ouvida, mas sentida e entendida. 

Sem dúvida alguma uma das melhores realizações de Mike Oldfield.
5
17/01/2018

Acho que é de conhecimento de todos que o sucesso de Tubullar Bells, disco de estreia de Mike, foi muito maior do que o esperado. Isso fez com que o músico fosse se “esconder” em uma casa de campo na fronteira entre País de Gales e Inglaterra e que ficava a beira da magnífica colina de Hergest Ridge e que viria a ser também o nome do disco. Muito provável que estava emocionalmente despreparado por tal demanda de sua influência ou pra quantidade de entrevistas e outras pressões que acabou sofrendo, o que de certa forma o amedrontou e por isso a escolha em se refugiar para escrever sua próxima obra. 

Então que livre de pressão por conta própria e recebendo apenas as visitas de músicos convidados, começou a por a mão na massa. Eu tenho uma ligeira suspeita de que ele chegou a passar seu tempo livre vagando pela bela costa e transferiu suas impressões para a música, pois não é difícil o ouvinte ao fechar os olhos durante o álbum, viajar por montanhas, visualizar um belo pôr do sol ou nuvens se deslocando no céu. 

Literalmente uma paixão a primeira vista (ou audição), nada mais pode explicar melhor meu sentimento em relação ao primeiro contato que tive com Hergest Ridge. Rapidamente percebi quão grandiosa e marcante era sua música, tanto que me peguei assobiando constantemente partes aleatórias do disco por várias semanas. 

Hergest Ridge parte 1 abre o disco de forma abrupta com um coro sustentado por instrumento de sopro em uma sonoridade estranha, quase mágica e que introduz o ouvinte para a consciência penetrante de Oldfield, construída com o tilintar da percussão antes que a melodia principal do registro venha a emergir. O tema é bastante forte, otimista e explorado dentro de uma das maneiras mais delicadas de Oldfield soar em toda a sua carreira. Através de ondas de metais, seguidos por guitarra acústica, a peça flutua maravilhosamente com uma atmosfera de soledade e clareza. Por volta da metade da música, o ouvinte chega à certeza plena de que está diante de uma obra de arte verdadeiramente única e intrigante, quando o fluxo da música cai em um riff de baixo pulsante e ondulações de sintetizador que cria uma atmosfera de mistério e busca curiosa. Isso impulsiona ao longo clímax da primeira metade do álbum, que se constrói com sinos e órgãos de sonoridade onírica, além de um coral edificante. O faixa termina desaparecendo no caminho que começou, os sinos desta vez tendo o eco distinto de despedida. 

Hergest Ridge parte 2 começa de maneira bastante sutil, delicada e triste. Depois de um curto período as guitarras rasgadas começam a assumir o controle, dando a ideia ao ouvinte de embarcar em uma viagem contada por uma melodia de superação. Isso é enfatizado pelo coro, que novamente tem uma presença seminal, deslocando sob os outros instrumentos com uma reverberação natural. Da mesma maneira como ocorreu na primeira parte, a sensação de incerteza também cobre a atmosfera da música, à medida que o tema principal retorna em um órgão solitário e a peça muda novamente para um território mais obscuro, com uma trabalho de órgão inseguro e flauta. Inesperadamente então a música entra em uma frenesi conhecida entre os fãs de Mike Oldfield como “a tempestade de Hergest Ridge”, uma luta prolongada implacável de guitarras distorcidas e fuzz em camadas, dando um ar de frustração e estresse, mas dentro de um timing firme, sugerindo que apesar do caos ainda há um senso de controle. Por fim quando a tempestade parece chegar a um estado insuportável, a música retorna a um último capítulo sereno através de guitarra acústica, cordas e coro. Pode haver uma interpretação como se fosse um resumo e talvez uma referência a um futuro que olhe pra trás em relação a tudo o que foi feito antes. Os últimos momentos de Hergest Ridge são sombrios, antes de um fim introspectivo. 

Sem dúvida alguma uma das melhores realizações de Mike Oldfield. Cheio de emoção, rico em texturas únicas, brilhantes instrumentações e performances extremamente bem dotadas. Impressionante como Oldfield mesmo com músicas instrumentais aguçam meu senso interpretativo, me fazendo ter a certeza que não se trata apenas de uma música para se ouvida, mas sentida e entendida. 

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