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Resenha: John Lennon - Plastic Ono Band (1970)

Por: André Luiz Paiz

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O grande primeiro registro solo de John Lennon
4.5
10/01/2018

Em 1970, após o dramático e conturbado término dos Beatles, John Lennon viria a lançar uma de suas melhores obras: "John Lennon/Plastic Ono Band", seu primeiro trabalho solo de estúdio após alguns lançamentos experimentais.

A dissolução dos Beatles causou traumas por todos os lados, gerando desgastes psicológicos, causando afastamento dos membros e um tremendo abalo nas amizades dos integrantes, principalmente entre John Lennon e Paul McCartney. O único aparentemente a ficar em campo neutro seria Ringo - que inclusive participa de algumas canções deste álbum e também do primeiro álbum solo de George. Logo após o término dos Fab Four, John e Yoko fizeram sessões de terapia com o famoso terapeuta Arthur Janov durante alguns meses. Nas sessões, Lennon precisou lidar com problemas relacionados à sua infância, adolescência e problemas familiares. Assim, muita da temática que circula o conteúdo do álbum está relacionada com estas experiências vividas no período.
"John Lennon/Plastic Ono Band" é considerado por muitos o melhor trabalho solo de John. Na minha opinião, está sim no topo da lista, mas possui a companhia de outros trabalhos que também me encantaram por igual, como "Imagine" e "Mind Games". Para os aventureiros de primeira viagem, "John Lennon/Plastic Ono Band" é definitivamente um ótimo começo.

O trabalho começa com a famosa e marcante balada "Mother", em que Lennon implora lamentando de início e aos berros em seguida, que sua mãe não se vá e que seu pai volte para casa. Uma faixa tocante.
"Hold On" é uma canção com pouco menos de dois minutos. Para mim, uma das melhores. Uma faixa tão simples e ao mesmo tempo encantadora, com mensagens motivacionais entre John e Yoko.
A primeira faixa mais rock é "I Found Out", em que John mostra certa desilusão com a propagação mal-intencionada de algumas religiões com base em outros interesses. Uma ótima faixa.
Dentre as melhores do disco está: "Working Class Hero". Uma balada acústica meio folk e que desperta uma curiosidade: como teria sido sua execução ao vivo com somente Lennon e a platéia? Arrepia de imaginar. Excelente faixa, que trata da diferença entre as classes sociais.
De volta ao rock, "Remember" soa densa e traz lembranças de Lennon do período em que fez terapia.
A balada "Love" também é figura fácil nas coletâneas de Lennon. Uma linda faixa, que fala simplesmente o que é o amor sob a visão de Lennon.
"Well Well Well" traz o rock de volta. Uma faixa um pouco polêmica devido ao conteúdo das letras, que tratam basicamente sobre o dia a dia de Lennon e Yoko, que participavam de diversos movimentos políticos e sociais naquele período.
"Look at Me" é mais uma balada acústica que nos faz lembrar "Julia", do "White Album" dos Beatles. Curiosamente, descobri recentemente que a composição é remanescente das faixas criadas por Lennon naquele período. Realmente está abaixo das contribuições de John para o álbum lançado em 1968 pelos Beatles, mas a canção ainda sim é interessante.
Preparados para um dos maiores clássicos de John Lennon? "God" é um desabafo magnífico de John, em que ele questiona a existência de alguns ídolos no início da canção e, por fim, questiona a existência dos Beatles, dizendo não acreditar em nenhum deles. Mais próximo do final, deixa a famosa mensagem "The Dream Is Over" soar de maneira triste. É facilmente notável que John se emocionou durante as gravações.
Outro detalhe interessante, ainda sobre "God", é que ela conta com a participação do saudoso e fantástico cantor/tecladista/pianista Billy Preston.
Encerrando o álbum, há ainda a faixa "My Mummy's Dead", uma gravação curtinha e com sonoridade caseira, provavelmente proposital, em que Lennon fala novamente sobre sua mãe.

Um álbum intimista e introspectivo, em que Lennon compartilha os seus conflitos e dúvidas. Um grande início de uma carreira solo extremamente interessante, porém infelizmente curta.

O grande primeiro registro solo de John Lennon
4.5
10/01/2018

Em 1970, após o dramático e conturbado término dos Beatles, John Lennon viria a lançar uma de suas melhores obras: "John Lennon/Plastic Ono Band", seu primeiro trabalho solo de estúdio após alguns lançamentos experimentais.

A dissolução dos Beatles causou traumas por todos os lados, gerando desgastes psicológicos, causando afastamento dos membros e um tremendo abalo nas amizades dos integrantes, principalmente entre John Lennon e Paul McCartney. O único aparentemente a ficar em campo neutro seria Ringo - que inclusive participa de algumas canções deste álbum e também do primeiro álbum solo de George. Logo após o término dos Fab Four, John e Yoko fizeram sessões de terapia com o famoso terapeuta Arthur Janov durante alguns meses. Nas sessões, Lennon precisou lidar com problemas relacionados à sua infância, adolescência e problemas familiares. Assim, muita da temática que circula o conteúdo do álbum está relacionada com estas experiências vividas no período.
"John Lennon/Plastic Ono Band" é considerado por muitos o melhor trabalho solo de John. Na minha opinião, está sim no topo da lista, mas possui a companhia de outros trabalhos que também me encantaram por igual, como "Imagine" e "Mind Games". Para os aventureiros de primeira viagem, "John Lennon/Plastic Ono Band" é definitivamente um ótimo começo.

O trabalho começa com a famosa e marcante balada "Mother", em que Lennon implora lamentando de início e aos berros em seguida, que sua mãe não se vá e que seu pai volte para casa. Uma faixa tocante.
"Hold On" é uma canção com pouco menos de dois minutos. Para mim, uma das melhores. Uma faixa tão simples e ao mesmo tempo encantadora, com mensagens motivacionais entre John e Yoko.
A primeira faixa mais rock é "I Found Out", em que John mostra certa desilusão com a propagação mal-intencionada de algumas religiões com base em outros interesses. Uma ótima faixa.
Dentre as melhores do disco está: "Working Class Hero". Uma balada acústica meio folk e que desperta uma curiosidade: como teria sido sua execução ao vivo com somente Lennon e a platéia? Arrepia de imaginar. Excelente faixa, que trata da diferença entre as classes sociais.
De volta ao rock, "Remember" soa densa e traz lembranças de Lennon do período em que fez terapia.
A balada "Love" também é figura fácil nas coletâneas de Lennon. Uma linda faixa, que fala simplesmente o que é o amor sob a visão de Lennon.
"Well Well Well" traz o rock de volta. Uma faixa um pouco polêmica devido ao conteúdo das letras, que tratam basicamente sobre o dia a dia de Lennon e Yoko, que participavam de diversos movimentos políticos e sociais naquele período.
"Look at Me" é mais uma balada acústica que nos faz lembrar "Julia", do "White Album" dos Beatles. Curiosamente, descobri recentemente que a composição é remanescente das faixas criadas por Lennon naquele período. Realmente está abaixo das contribuições de John para o álbum lançado em 1968 pelos Beatles, mas a canção ainda sim é interessante.
Preparados para um dos maiores clássicos de John Lennon? "God" é um desabafo magnífico de John, em que ele questiona a existência de alguns ídolos no início da canção e, por fim, questiona a existência dos Beatles, dizendo não acreditar em nenhum deles. Mais próximo do final, deixa a famosa mensagem "The Dream Is Over" soar de maneira triste. É facilmente notável que John se emocionou durante as gravações.
Outro detalhe interessante, ainda sobre "God", é que ela conta com a participação do saudoso e fantástico cantor/tecladista/pianista Billy Preston.
Encerrando o álbum, há ainda a faixa "My Mummy's Dead", uma gravação curtinha e com sonoridade caseira, provavelmente proposital, em que Lennon fala novamente sobre sua mãe.

Um álbum intimista e introspectivo, em que Lennon compartilha os seus conflitos e dúvidas. Um grande início de uma carreira solo extremamente interessante, porém infelizmente curta.

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