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Resenha: Fish - Vigil In A Wilderness Of Mirrors (1990)

Por: André Luiz Paiz

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O espetacular álbum primogênito de Fish
5
05/01/2018

Derek W. Dick, mais conhecido como Fish, é um vocalista e escritor escocês, famoso por sua marcante participação no grupo de rock progressivo Marillion. "Vigil in a Wilderness of Mirrors" é o seu álbum de estreia após sua conturbada saída da banda.

Estamos em 1987, o Marillion havia acabado de lançar "Clutching at Straws", uma pérola e um clássico do Rock Progressivo, subsequente a outro clássico ainda mais espetacular e marcante, o magnífico "Misplaced Childhood". A banda estava em uma crescente absurda em termos de criatividade e aceitação. Porém, "Clutching at Straws" sinalizava que algo de errado se passava com Fish, que nitidamente expôs problemas pessoais, principalmente com o alcoolismo, na temática de praticamente todo o trabalho. Aparentemente, não estava lidando bem com o sucesso e a pressão de estar à frente de uma banda que estava recebendo absurdo da mídia, além de enfrentar problemas pessoais em seu casamento. Insegurança talvez? Pode ser, já que o próprio Fish se denominava como um escritor que cantava e não como um cantor que escrevia. Diante dos problemas que se aglomeravam, em 1988 a situação ficou insustentável e Fish saiu do Marillion, deixando aberta uma ferida que, para alguns fãs da primeira fase da banda, jamais se cicatrizou.

Na tentativa de virar a página, Fish não esperou muito tempo e logo começou a produção de seu primeiro álbum solo. Nas composições, contou com forte participação do fantástico Mickey Simmonds, tecladista, compositor e arranjador, conhecido por colaborar com grandes nomes da música como: Mike Oldfield, Renaissance e Camel. Como resultado, "Vigil in a Wilderness of Mirrors" é uma combinação fantástica de diversos estilos musicais. Um álbum imperdível, que é o mais bem-sucedido da carreira de Fish até hoje.

"Vigil" abre os trabalhos de maneira marcante, em uma das melhores faixas da carreira de Fish. Uma combinação de Marillion da fase Seasons End com uma abordagem mais pop. Logo no início parece que ouviremos algo como a introdução de "Script for a Jester's Tear", mas a canção possui passagens lentas, algo que remete ao Pink Floyd ou talvez ao Peter Gabriel. Uma faixa que fala sobre materialismo e com uma estrutura perfeita para faixa de abertura. Inclusive, apesar de o álbum não ser conceitual, frequentemente Fish menciona nas letras o conceito "The Hill", representado na capa do álbum possivelmente como uma pilha de tranqueiras desnecessárias destacando o materialismo.
Caminhando para o pop, "Big Wedge" soa como um protesto político, assim como "State Of Mind". A primeira é um pop rock recheado de metais e com um refrão marcante e espetacular. Um hit! Já a segunda, é uma balada pop folk com elementos de música celta. Fantástica!
"The Company" é uma faixa densa, que trata novamente sobre o materialismo e soa como uma crítica à mídia. Uma balada com passagens folk e com grandes melodias e orquestrações.
Com um tema mais suave, "A Gentleman's Excuse Me" é outro grande momento, em que o destaque fica totalmente para Fish, com uma bela interpretação em uma linda canção de amor.
"The Voyeur (I Like to Watch)" foi lançada posteriormente em CD como faixa bônus. Aqui há muitas influências da carreira solo de Peter Gabriel, uma forte referência para Fish em seu início de carreira. A letra parece ser uma crítica à alienação dos programas de televisão. Uma boa faixa, mesmo tendo ficado de fora da versão original em LP.
"Family Business" é mais um grande momento. Densa e com uma temática que trata sobre violência familiar, a interpretação de Fish supera todas as expectativas. Uma balada rock com linhas de piano melancólicas e um grande refrão.
De volta ao tema sobre materialismo, "View from the Hill" traz Fish arriscando, com uma canção que começa densa, crescendo para um hard rock excelente. Detalhe: Aqui há a participação de Janick Gers, do Iron Maiden, na composição e execução. Fato bem interessante.
Encerrando os trabalhos, "Cliche" é simplesmente fantástica! Uma balada em que Fish se expõe por completo, em uma declaração de amor em forma de clichê. O instrumental é simplesmente maravilhoso e a participação de Hal Lindes (ex-Dire Straits) na composição e na guitarra transportou a faixa para outro nível.

"Vigil in a Wilderness of Mirrors" estava com lançamento planejado para o ano de 1989, porém Fish precisou aguardar, por ordens de sua gravadora, o lançamento de "Seasons End", primeiro álbum do Marillion com Steve Hogarth nos vocais, fato que gerou uma certa insatisfação. Agregando isso a mais alguns problemas de direitos autorais, Fish deixaria a gravadora EMI logo em seguida, sendo este o seu único lançamento através dela.

Outro fator interessante sobre o álbum, é que a belíssima capa foi desenhada por Mark Wilkinson, responsável por todas as capas de álbuns do Marillion da era Fish. Contém algumas referências interessantes sobre a temática das letras e algumas mensagens ocultas perceptíveis para os fãs, que encontraram as faces de Mark Kelly (Marillion) e do ex-empresário da banda, John Arnison.

"Vigil in a Wilderness of Mirrors" é um álbum clássico, que deve ser conferido por todos os fãs de Marillion e rock progressivo em geral, mas não só isso, pois deve-se considerar a proposta do autor e o caminho que escolheu seguir. Para quem gosta de acompanhar as canções com as letras, aqui há mais um ponto positivo, pois Fish é extremamente talentoso neste quesito.

Aumente o volume e prepare-se, pois vai se emocionar.

O espetacular álbum primogênito de Fish
5
05/01/2018

Derek W. Dick, mais conhecido como Fish, é um vocalista e escritor escocês, famoso por sua marcante participação no grupo de rock progressivo Marillion. "Vigil in a Wilderness of Mirrors" é o seu álbum de estreia após sua conturbada saída da banda.

Estamos em 1987, o Marillion havia acabado de lançar "Clutching at Straws", uma pérola e um clássico do Rock Progressivo, subsequente a outro clássico ainda mais espetacular e marcante, o magnífico "Misplaced Childhood". A banda estava em uma crescente absurda em termos de criatividade e aceitação. Porém, "Clutching at Straws" sinalizava que algo de errado se passava com Fish, que nitidamente expôs problemas pessoais, principalmente com o alcoolismo, na temática de praticamente todo o trabalho. Aparentemente, não estava lidando bem com o sucesso e a pressão de estar à frente de uma banda que estava recebendo absurdo da mídia, além de enfrentar problemas pessoais em seu casamento. Insegurança talvez? Pode ser, já que o próprio Fish se denominava como um escritor que cantava e não como um cantor que escrevia. Diante dos problemas que se aglomeravam, em 1988 a situação ficou insustentável e Fish saiu do Marillion, deixando aberta uma ferida que, para alguns fãs da primeira fase da banda, jamais se cicatrizou.

Na tentativa de virar a página, Fish não esperou muito tempo e logo começou a produção de seu primeiro álbum solo. Nas composições, contou com forte participação do fantástico Mickey Simmonds, tecladista, compositor e arranjador, conhecido por colaborar com grandes nomes da música como: Mike Oldfield, Renaissance e Camel. Como resultado, "Vigil in a Wilderness of Mirrors" é uma combinação fantástica de diversos estilos musicais. Um álbum imperdível, que é o mais bem-sucedido da carreira de Fish até hoje.

"Vigil" abre os trabalhos de maneira marcante, em uma das melhores faixas da carreira de Fish. Uma combinação de Marillion da fase Seasons End com uma abordagem mais pop. Logo no início parece que ouviremos algo como a introdução de "Script for a Jester's Tear", mas a canção possui passagens lentas, algo que remete ao Pink Floyd ou talvez ao Peter Gabriel. Uma faixa que fala sobre materialismo e com uma estrutura perfeita para faixa de abertura. Inclusive, apesar de o álbum não ser conceitual, frequentemente Fish menciona nas letras o conceito "The Hill", representado na capa do álbum possivelmente como uma pilha de tranqueiras desnecessárias destacando o materialismo.
Caminhando para o pop, "Big Wedge" soa como um protesto político, assim como "State Of Mind". A primeira é um pop rock recheado de metais e com um refrão marcante e espetacular. Um hit! Já a segunda, é uma balada pop folk com elementos de música celta. Fantástica!
"The Company" é uma faixa densa, que trata novamente sobre o materialismo e soa como uma crítica à mídia. Uma balada com passagens folk e com grandes melodias e orquestrações.
Com um tema mais suave, "A Gentleman's Excuse Me" é outro grande momento, em que o destaque fica totalmente para Fish, com uma bela interpretação em uma linda canção de amor.
"The Voyeur (I Like to Watch)" foi lançada posteriormente em CD como faixa bônus. Aqui há muitas influências da carreira solo de Peter Gabriel, uma forte referência para Fish em seu início de carreira. A letra parece ser uma crítica à alienação dos programas de televisão. Uma boa faixa, mesmo tendo ficado de fora da versão original em LP.
"Family Business" é mais um grande momento. Densa e com uma temática que trata sobre violência familiar, a interpretação de Fish supera todas as expectativas. Uma balada rock com linhas de piano melancólicas e um grande refrão.
De volta ao tema sobre materialismo, "View from the Hill" traz Fish arriscando, com uma canção que começa densa, crescendo para um hard rock excelente. Detalhe: Aqui há a participação de Janick Gers, do Iron Maiden, na composição e execução. Fato bem interessante.
Encerrando os trabalhos, "Cliche" é simplesmente fantástica! Uma balada em que Fish se expõe por completo, em uma declaração de amor em forma de clichê. O instrumental é simplesmente maravilhoso e a participação de Hal Lindes (ex-Dire Straits) na composição e na guitarra transportou a faixa para outro nível.

"Vigil in a Wilderness of Mirrors" estava com lançamento planejado para o ano de 1989, porém Fish precisou aguardar, por ordens de sua gravadora, o lançamento de "Seasons End", primeiro álbum do Marillion com Steve Hogarth nos vocais, fato que gerou uma certa insatisfação. Agregando isso a mais alguns problemas de direitos autorais, Fish deixaria a gravadora EMI logo em seguida, sendo este o seu único lançamento através dela.

Outro fator interessante sobre o álbum, é que a belíssima capa foi desenhada por Mark Wilkinson, responsável por todas as capas de álbuns do Marillion da era Fish. Contém algumas referências interessantes sobre a temática das letras e algumas mensagens ocultas perceptíveis para os fãs, que encontraram as faces de Mark Kelly (Marillion) e do ex-empresário da banda, John Arnison.

"Vigil in a Wilderness of Mirrors" é um álbum clássico, que deve ser conferido por todos os fãs de Marillion e rock progressivo em geral, mas não só isso, pois deve-se considerar a proposta do autor e o caminho que escolheu seguir. Para quem gosta de acompanhar as canções com as letras, aqui há mais um ponto positivo, pois Fish é extremamente talentoso neste quesito.

Aumente o volume e prepare-se, pois vai se emocionar.

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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