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Resenha: David Bowie - Blackstar (2016)

Por: Tiago Meneses

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Uma despedida bela, melancólica, verdadeira e musicalmente fascinante.
5
29/12/2017

Desde quando comecei a ler em sites sobre o até então novo álbum de Bowie que estava por vir, já despertou em mim aquela curiosidade acerca do resultado. O fato de todos os envolvidos estarem ouvindo bastante o rapper Kendrick Lamar durante o processo de gravação, além de logo depois ter de fato assumido que ele foi uma das fontes de inspiração e ao mesmo tempo conter músicos de jazz, já me fez querer saber como seria o resultado final deste trabalho. 

Mais uma vez, mostrou-se um músico inclassificável, algo que não chega a ser uma novidade, já que tudo vem lá dos anos 70 e suas incríveis e geniais mudanças de um disco para o outro, de um personagem para o outro. A cada álbum se mostrando um visionário que não caminhava sozinho, sempre soube federar seus companheiros de banda dentro das suas escolhas ecléticas. 

Obviamente que a primeira coisa que eu iria querer observar no álbum seria onde, por exemplo, houve influência de hip hop. Achei isso nos fluxos dos versos de "Girl Loves Me", mas claro, desenvolvida de uma maneira peculiar dentro do universo de Bowie. Mas no geral o álbum tem um clima bem próprio e sem influência (ou influência em si mesmo). Um Bowie soando Bowie como a tempos não soava. Um disco cheio de mudanças de refletividade através de ritmos oscilantes. 

Por um lado, observamos faixas introspectivas e arrepiantes como, "Lazarus", uma canção bipolar que consegue ser simultaneamente reconfortante e perturbadora, assim como "Dollar Days", quando a aurora e o crepúsculo se encontram em uma canção que parece passar o estado de alguém conformado com a morte que está mais próxima. Por outro lado, o álbum também nos "convida a dançar" em um breakbeat com a faixa "Sue (Or In a Season of Crime)" e um electro-pop através de, "I Can't Give Everything Away". Existem também incursões de funk na faixa título, alem do seu clima art rock. Essas abordagens variadas dos ambientes descritos, através de um álbum multifacetado, nos faz voltar em um disco lançado a pouco mais de 20 anos, o ótimo, Outside, de 1995. Blackstar é um álbum incrivelmente bem trabalhado do começo ao fim e eu não deixaria de mencionar a faixa que faltava, "'Tis a Pity She Was a Whore". Possui um vocal que Bowie parece parodiar a si mesmo e um saxofone quase que desequilibrado deixando um clima frenético na canção.

Mais uma vez Bowie mostrou-se um pouco a frente do seu tempo, mas sempre mantendo a elegância do passado. Um álbum que é uma mistura de pressentimento com aceitação do que está por vir. Claramente consciente de sua própria mortalidade, Bowie conseguiu criar um álbum de despedida que pode com certeza figurar entre os melhores de sua carreira ou da música pop como um todo. Belo, melancólico, verdadeiro e musicalmente fascinante. 

Uma despedida bela, melancólica, verdadeira e musicalmente fascinante.
5
29/12/2017

Desde quando comecei a ler em sites sobre o até então novo álbum de Bowie que estava por vir, já despertou em mim aquela curiosidade acerca do resultado. O fato de todos os envolvidos estarem ouvindo bastante o rapper Kendrick Lamar durante o processo de gravação, além de logo depois ter de fato assumido que ele foi uma das fontes de inspiração e ao mesmo tempo conter músicos de jazz, já me fez querer saber como seria o resultado final deste trabalho. 

Mais uma vez, mostrou-se um músico inclassificável, algo que não chega a ser uma novidade, já que tudo vem lá dos anos 70 e suas incríveis e geniais mudanças de um disco para o outro, de um personagem para o outro. A cada álbum se mostrando um visionário que não caminhava sozinho, sempre soube federar seus companheiros de banda dentro das suas escolhas ecléticas. 

Obviamente que a primeira coisa que eu iria querer observar no álbum seria onde, por exemplo, houve influência de hip hop. Achei isso nos fluxos dos versos de "Girl Loves Me", mas claro, desenvolvida de uma maneira peculiar dentro do universo de Bowie. Mas no geral o álbum tem um clima bem próprio e sem influência (ou influência em si mesmo). Um Bowie soando Bowie como a tempos não soava. Um disco cheio de mudanças de refletividade através de ritmos oscilantes. 

Por um lado, observamos faixas introspectivas e arrepiantes como, "Lazarus", uma canção bipolar que consegue ser simultaneamente reconfortante e perturbadora, assim como "Dollar Days", quando a aurora e o crepúsculo se encontram em uma canção que parece passar o estado de alguém conformado com a morte que está mais próxima. Por outro lado, o álbum também nos "convida a dançar" em um breakbeat com a faixa "Sue (Or In a Season of Crime)" e um electro-pop através de, "I Can't Give Everything Away". Existem também incursões de funk na faixa título, alem do seu clima art rock. Essas abordagens variadas dos ambientes descritos, através de um álbum multifacetado, nos faz voltar em um disco lançado a pouco mais de 20 anos, o ótimo, Outside, de 1995. Blackstar é um álbum incrivelmente bem trabalhado do começo ao fim e eu não deixaria de mencionar a faixa que faltava, "'Tis a Pity She Was a Whore". Possui um vocal que Bowie parece parodiar a si mesmo e um saxofone quase que desequilibrado deixando um clima frenético na canção.

Mais uma vez Bowie mostrou-se um pouco a frente do seu tempo, mas sempre mantendo a elegância do passado. Um álbum que é uma mistura de pressentimento com aceitação do que está por vir. Claramente consciente de sua própria mortalidade, Bowie conseguiu criar um álbum de despedida que pode com certeza figurar entre os melhores de sua carreira ou da música pop como um todo. Belo, melancólico, verdadeiro e musicalmente fascinante. 

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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