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Resenha: Rory Gallagher - Blueprint (1973)

Por: Tiago Meneses

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O começo de uma nova fase do guitarrista
4
24/12/2017

Se Rory Gallagher fosse um daqueles músicos que aparecem, “queimam” todo o seu talento e nunca mais conseguem repetir nada parecido, com seu potencial certamente teria gravado a maior obra-prima da história do blues-rock. Mas acontece que Rory Gallagher era consistente e foi diluindo seu talento e capacidade por toda a sua discografia. 

Apesar de gostar de tudo lançado pelo guitarrista, tenho um apreço maior pelas criações da formação de quatro membros, em que os teclados de Lou Martin são acrescentados a banda. Blueprint é exatamente o primeiro álbum com esse tipo de formação e que seguiu pelos próximos quatro discos de estúdio, dando início a nova e a que considero mais criativa fase de Gallagher, dando uma demonstração clara do seu ecletismo. Blueprint é um disco fenomenal, cheio de alma e encharcado de blues, rock and roll e muito mais, onde o único propósito do guitarrista parece de absorver todos os belos sons que ele desfrutava na sua juventude, claro, os recriando e adicionando toda a sua singularidade. Tinha o conhecimento perfeito de sua guitarra e era inspirador ao tocar com uma habilidade que unida à sensibilidade era capaz de fazer com que cada ouvinte fosse atingido em cheio no coração. 

O disco abre através da ardente “Walk on Hot Coals”, faixa cheia de vida, energia e que mostra uma banda brilhantemente bem afiada. Outro ponto interessante é que Gallagher além de desfilar um bom solo de guitarra também já deixa claro que a ideia de inclusão de um tecladista não foi apenas para dar volume à banda, mas encorpar sua sonoridade. 

A segunda faixa é “Daughter of the Everglades”. Vejo nela um contraponto perfeito em relação à primeira. Tem um excelente trabalho de teclado e que adiciona uma profundidade a faixa enquanto os solos cristalinos de Gallagher purificam a alma do ouvinte. O álbum segue com "Banker's Blues", faixa que originalmente foi escrita por Big Bill Broonzy, um blues tradicional com ótimo uso de harmônica, piano e guitarra acústica. 

Certamente que Rory Gallagher sempre será o destaque em seus discos, mas “Hands Off” é mais uma faixa que mostra que o guitarrista estava disposto a dividir os holofotes e escolheu Lou Martin pra isso. Um rock direto e empolgante com uma base e também solo de piano delicioso de ouvir. 

“Race the Breeze” é mais um excelente exemplo de como a adição de um quarto membro fez com que o guitarrista se “livrasse” das restrições musicais impostas pela formação em trio. Possui alguns finos e imaginativos riffs de guitarra em uma linha meio country que aumentam o astral da música, além de uma base de teclado novamente deixando a música mais encorpada. 

“The Seventh Son Of A Seventh Son” começa com uma atmosfera de certa forma até meio progressiva, uns sons de címbalos e uns ruídos antes de se transformar em uma faixa de cadencia ótima. Esta música apesar de ainda estar enraizada no blues, pode ser considerada pelo menos uma das mais excêntricas de Gallagher, principalmente devido ao tempo estranho para os padrões de suas músicas. 

Como diz o ditado, “depois da tempestade à bonança”. “Unmilitary Two-Step" pode ser chamada de bonança depois da tempestade da música anterior. Faixa instrumental acústica tocada lindamente e solitariamente por Gallagher. Em menos de três minutos o guitarrista emana sensibilidade.

O disco chega ao fim através de “I f I Had a Reason". Acho esta música linda, uma balada com um uso minimalista e romântico de slide guitar, dando um ar meio havaiano, guitarra acústica e piano em grande harmonia. Um belo desfecho pra um disco esplêndido. 

Blueprint talvez não seja do mesmo nível de outros álbuns desta fase do guitarrista, mas ainda assim soa maravilhosamente bem e sem falhas, ao contrário do que já cheguei a ler de pessoas que consideram este um dos seus trabalhos menos inspirados. 

O começo de uma nova fase do guitarrista
4
24/12/2017

Se Rory Gallagher fosse um daqueles músicos que aparecem, “queimam” todo o seu talento e nunca mais conseguem repetir nada parecido, com seu potencial certamente teria gravado a maior obra-prima da história do blues-rock. Mas acontece que Rory Gallagher era consistente e foi diluindo seu talento e capacidade por toda a sua discografia. 

Apesar de gostar de tudo lançado pelo guitarrista, tenho um apreço maior pelas criações da formação de quatro membros, em que os teclados de Lou Martin são acrescentados a banda. Blueprint é exatamente o primeiro álbum com esse tipo de formação e que seguiu pelos próximos quatro discos de estúdio, dando início a nova e a que considero mais criativa fase de Gallagher, dando uma demonstração clara do seu ecletismo. Blueprint é um disco fenomenal, cheio de alma e encharcado de blues, rock and roll e muito mais, onde o único propósito do guitarrista parece de absorver todos os belos sons que ele desfrutava na sua juventude, claro, os recriando e adicionando toda a sua singularidade. Tinha o conhecimento perfeito de sua guitarra e era inspirador ao tocar com uma habilidade que unida à sensibilidade era capaz de fazer com que cada ouvinte fosse atingido em cheio no coração. 

O disco abre através da ardente “Walk on Hot Coals”, faixa cheia de vida, energia e que mostra uma banda brilhantemente bem afiada. Outro ponto interessante é que Gallagher além de desfilar um bom solo de guitarra também já deixa claro que a ideia de inclusão de um tecladista não foi apenas para dar volume à banda, mas encorpar sua sonoridade. 

A segunda faixa é “Daughter of the Everglades”. Vejo nela um contraponto perfeito em relação à primeira. Tem um excelente trabalho de teclado e que adiciona uma profundidade a faixa enquanto os solos cristalinos de Gallagher purificam a alma do ouvinte. O álbum segue com "Banker's Blues", faixa que originalmente foi escrita por Big Bill Broonzy, um blues tradicional com ótimo uso de harmônica, piano e guitarra acústica. 

Certamente que Rory Gallagher sempre será o destaque em seus discos, mas “Hands Off” é mais uma faixa que mostra que o guitarrista estava disposto a dividir os holofotes e escolheu Lou Martin pra isso. Um rock direto e empolgante com uma base e também solo de piano delicioso de ouvir. 

“Race the Breeze” é mais um excelente exemplo de como a adição de um quarto membro fez com que o guitarrista se “livrasse” das restrições musicais impostas pela formação em trio. Possui alguns finos e imaginativos riffs de guitarra em uma linha meio country que aumentam o astral da música, além de uma base de teclado novamente deixando a música mais encorpada. 

“The Seventh Son Of A Seventh Son” começa com uma atmosfera de certa forma até meio progressiva, uns sons de címbalos e uns ruídos antes de se transformar em uma faixa de cadencia ótima. Esta música apesar de ainda estar enraizada no blues, pode ser considerada pelo menos uma das mais excêntricas de Gallagher, principalmente devido ao tempo estranho para os padrões de suas músicas. 

Como diz o ditado, “depois da tempestade à bonança”. “Unmilitary Two-Step" pode ser chamada de bonança depois da tempestade da música anterior. Faixa instrumental acústica tocada lindamente e solitariamente por Gallagher. Em menos de três minutos o guitarrista emana sensibilidade.

O disco chega ao fim através de “I f I Had a Reason". Acho esta música linda, uma balada com um uso minimalista e romântico de slide guitar, dando um ar meio havaiano, guitarra acústica e piano em grande harmonia. Um belo desfecho pra um disco esplêndido. 

Blueprint talvez não seja do mesmo nível de outros álbuns desta fase do guitarrista, mas ainda assim soa maravilhosamente bem e sem falhas, ao contrário do que já cheguei a ler de pessoas que consideram este um dos seus trabalhos menos inspirados. 

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