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Resenha: Big Big Train - English Electric Part Two (2013)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Belo, nostálgico, melancólico e cheio de energia
5
22/12/2017

Quando eu ouvi e fiquei extremamente extasiado com a beleza de Electric Part One, com o tempo também me preocupei em relação à parte dois, se a banda conseguiria manter a mesma excelência, ainda que demorasse a lança-la. Não precisei nem mesmo de um ano completo para que minhas dúvidas fossem todas respondidas. Provavelmente as duas partes tenham sido escritas inclusive na mesma época, o que realmente me causou um grande espanto. Como uma banda conseguiu criar tanto material de uma qualidade absurdamente alta em tão pouco tempo? Isso não causaria nenhum espanto nos anos 60 ou 70, basta ver tantas bandas que lançavam discos sensacionais seguidamente por quatro, cinco ou seis anos, mas em pleno século XXI é um caso bastante raro. 

O disco abre com a belíssima, “East Coast Race”, que considero não apenas o destaque do álbum, mas de toda a carreira da banda. Uma combinação perfeita de energia e beleza pura. A primeira metade é um exemplo clássico da banda em sua típica sonoridade divertida e enérgica, preenchida com guitarra nervosa, bateria dinâmica e linhas de baixo bastante sólidas. Mas em meio a este “caos” sempre estão conseguindo criar melodias atraentes. Na segunda metade a banda mostra o seu lado mais sereno e atmosférico, com trabalho de metais antes de uma conclusão dramática, repetindo o final da faixa, “Summoned By Bells”, mas de maneira grandiosa. Um dos finais musicais mais arrepiantes de que eu tenho notícia. 

“Swan Hunter” é mais uma balada muito bonita da banda. A instrumentação junto com os vocais emotivos de Longdon lhe dá uma daquelas sensações nostálgicas sem motivo ao certo, algo inclusive que costuma ser bem representado no trabalho geral da banda. Costumam sempre relacionar a banda com Genesis, mas nesta faixa eu consigo captar Crosby, Stills e Nash em sua concepção, pensamento e execução. Quem sabe até uma sutil homenagem ao trio. De qualquer forma, muito bem construída. 

“Worked Out” é uma música bastante divertida e com algumas linhas vocais muito atraentes, além de um forte trabalho instrumental. Passa aquela sensação de que estamos ouvindo uma banda profundamente a vontade para fazer música que envolve a mente e nos prende pelas nossas emoções. As linhas de guitarras são os destaques, mas também possui teclados e flauta muito bem encaixados. 

“Leopards” é a música mais curta do álbum e basicamente um esforço solo de David Longdon, que mais do que somente cantar, também tocou quase todos os instrumentos. Uma música de abordagem um pouco diferente, mas novamente de belos vocais, além de ótimos e dramáticos trabalhos de corda. Melodicamente não é tão completa como as demais do disco, mas certamente também é um registro atraente. 

“Keeper of Abbeys” a princípio tem uma linha extremamente otimista e feliz, refrão alegre até por volta dos dois primeiros minutos, quando a música oferece uma mudança extremamente maravilhosa e harmonias vocais ditam um novo tema. Mas o maior destaque mesmo fica por conta da seção instrumental, não existe outra palavra diferente de perplexidade que defina a minha reação. Sem dúvida alguma o solo de violino de Rachel Hall mostra o seu melhor desempenho na carreira e como se não o bastasse é seguido por outro de sitar também sensacional. 

No disco anterior o piano não chegou a ser um instrumento muito acionado, mas aqui ele se mostrou bem mais presente. “The Permanent Way” tem ótimo trabalho de piano desde sua introdução até todo o seu andamento, trazendo consigo repetições de “Hedgerow” e 'The First Rebreather”, música de Electric Part One, dando uma sensação conclusiva ao ouvinte. 

O álbum chega ao fim com “Curator of Butterflies”, inclusive, bastante adequada pra esse posto e nos fazendo entender do porquê de apesar da sensação criada por “The Permanent Way”, ela não fechou o disco. Dramática em sua natureza, carrega algumas das mais belas melodias da banda, tanto instrumental quanto vocais são extremamente atraentes. Piano, flauta e cordas também estabelecem uma atmosfera dramática e sólida, culminando em uma conclusão aventureira para uma viagem musical fenomenal. 

Acho que por tudo que eu disse até aqui, fica evidente que se trata de um álbum excelente do começo ao fim. Belo, nostálgico, melancólico e cheio de energia. Tanto English Electric Part Two quanto o seu antecessor jamais podem ficar de fora de qualquer conversa sobre progressivo moderno. 

Belo, nostálgico, melancólico e cheio de energia
5
22/12/2017

Quando eu ouvi e fiquei extremamente extasiado com a beleza de Electric Part One, com o tempo também me preocupei em relação à parte dois, se a banda conseguiria manter a mesma excelência, ainda que demorasse a lança-la. Não precisei nem mesmo de um ano completo para que minhas dúvidas fossem todas respondidas. Provavelmente as duas partes tenham sido escritas inclusive na mesma época, o que realmente me causou um grande espanto. Como uma banda conseguiu criar tanto material de uma qualidade absurdamente alta em tão pouco tempo? Isso não causaria nenhum espanto nos anos 60 ou 70, basta ver tantas bandas que lançavam discos sensacionais seguidamente por quatro, cinco ou seis anos, mas em pleno século XXI é um caso bastante raro. 

O disco abre com a belíssima, “East Coast Race”, que considero não apenas o destaque do álbum, mas de toda a carreira da banda. Uma combinação perfeita de energia e beleza pura. A primeira metade é um exemplo clássico da banda em sua típica sonoridade divertida e enérgica, preenchida com guitarra nervosa, bateria dinâmica e linhas de baixo bastante sólidas. Mas em meio a este “caos” sempre estão conseguindo criar melodias atraentes. Na segunda metade a banda mostra o seu lado mais sereno e atmosférico, com trabalho de metais antes de uma conclusão dramática, repetindo o final da faixa, “Summoned By Bells”, mas de maneira grandiosa. Um dos finais musicais mais arrepiantes de que eu tenho notícia. 

“Swan Hunter” é mais uma balada muito bonita da banda. A instrumentação junto com os vocais emotivos de Longdon lhe dá uma daquelas sensações nostálgicas sem motivo ao certo, algo inclusive que costuma ser bem representado no trabalho geral da banda. Costumam sempre relacionar a banda com Genesis, mas nesta faixa eu consigo captar Crosby, Stills e Nash em sua concepção, pensamento e execução. Quem sabe até uma sutil homenagem ao trio. De qualquer forma, muito bem construída. 

“Worked Out” é uma música bastante divertida e com algumas linhas vocais muito atraentes, além de um forte trabalho instrumental. Passa aquela sensação de que estamos ouvindo uma banda profundamente a vontade para fazer música que envolve a mente e nos prende pelas nossas emoções. As linhas de guitarras são os destaques, mas também possui teclados e flauta muito bem encaixados. 

“Leopards” é a música mais curta do álbum e basicamente um esforço solo de David Longdon, que mais do que somente cantar, também tocou quase todos os instrumentos. Uma música de abordagem um pouco diferente, mas novamente de belos vocais, além de ótimos e dramáticos trabalhos de corda. Melodicamente não é tão completa como as demais do disco, mas certamente também é um registro atraente. 

“Keeper of Abbeys” a princípio tem uma linha extremamente otimista e feliz, refrão alegre até por volta dos dois primeiros minutos, quando a música oferece uma mudança extremamente maravilhosa e harmonias vocais ditam um novo tema. Mas o maior destaque mesmo fica por conta da seção instrumental, não existe outra palavra diferente de perplexidade que defina a minha reação. Sem dúvida alguma o solo de violino de Rachel Hall mostra o seu melhor desempenho na carreira e como se não o bastasse é seguido por outro de sitar também sensacional. 

No disco anterior o piano não chegou a ser um instrumento muito acionado, mas aqui ele se mostrou bem mais presente. “The Permanent Way” tem ótimo trabalho de piano desde sua introdução até todo o seu andamento, trazendo consigo repetições de “Hedgerow” e 'The First Rebreather”, música de Electric Part One, dando uma sensação conclusiva ao ouvinte. 

O álbum chega ao fim com “Curator of Butterflies”, inclusive, bastante adequada pra esse posto e nos fazendo entender do porquê de apesar da sensação criada por “The Permanent Way”, ela não fechou o disco. Dramática em sua natureza, carrega algumas das mais belas melodias da banda, tanto instrumental quanto vocais são extremamente atraentes. Piano, flauta e cordas também estabelecem uma atmosfera dramática e sólida, culminando em uma conclusão aventureira para uma viagem musical fenomenal. 

Acho que por tudo que eu disse até aqui, fica evidente que se trata de um álbum excelente do começo ao fim. Belo, nostálgico, melancólico e cheio de energia. Tanto English Electric Part Two quanto o seu antecessor jamais podem ficar de fora de qualquer conversa sobre progressivo moderno. 

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