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Resenha: Big Big Train - English Electric Part One (2012)

Por: Tiago Meneses

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Excelente na estrutura das músicas e nos fluxos de como elas se desenvolvem.
5
21/12/2017

Quando ouvi este disco pela primeira vez tive a certeza de que Dave Longdon era a mais nova e brilhante estrela do rock progressivo moderno. Suas contribuições vocais e composições de flauta elevaram a banda a um nível completamente novo, um nível que poderia incluir a Big Big Train junto a grandes mestres dos anos 70, algo raríssimo quando falamos de bandas mais modernas. Um álbum recheado de composições incríveis e linhas estilísticas diversificadas, lideradas sempre pela incrível voz de Longdon. Um trabalho que liricamente também é belíssimo, enriquecido ainda mais pela paixão vocal e músicas extremamente bem construídas. Cada componente das canções funcionam como determinada cor de um quadro pintado por um talentosíssimo artista. 

"The First Rebreather" abre o disco me lembrando à maneira como “Dance on a Volcano” ou “A Musical Box” abriram seus respectivos álbuns. Nick D'Virgilio logo de cara mostra o quanto é um baterista incrível. A música apresenta mudanças dinâmicas e contribuições individuais que são essenciais para o encaixe perfeito de cada peça da obra. Arranjos vocais belíssimos, letras muito bem escritas e instrumentistas criando uma paisagem sonora maravilhosa. Uma música tecnicamente perfeita, mesmo que a anuência em Genesis seja um pouco mais forte que o necessário. 

A segunda faixa é “Uncle Jack”, uma daquelas músicas capaz de colocar um sorriso no rosto do ouvinte. Belas harmonias vocais e sonoridade bastante otimista. O instrumento principal é o banjo que é tocado de maneira muito criativa. No geral uma música alto astral. 

Na minha primeira audição do disco, “Winchester from St. Giles' Hill" foi a que nomeei instantaneamente como minha favorita. Hoje considero todas. Possui um ritmo agradável e atmosférico. Novamente as melodias e arranjos vocais são incríveis, possui momentos belíssimos de guitarras jazzísticas, uma parte influenciada pela cena de Canterbury antes de se transformar novamente em uma peça sinfônica quase clássica. Uma música de beleza que não é sempre que podemos ver por aí. 

Logo nos primeiros segundos da introdução de “Judas Unrepentant” eu confesso que foi o único momento que senti algo ruim, pois me lembrou à música do Genesis que menos gosto, “Illegal Alien”. Felizmente isso durou somente uns segundos e logo o coro e as pontes mostraram que elas divergem bastante. Tem uma seção suave e quase clássica na sua metade que é magistral. No geral é uma música leve, animada, de ritmo acelerado e às vezes complexa. Possui o refrão mais viciante do disco, fiquei com ele dias na cabeça quando tive contato pela primeira vez. 

“Summoned by Bells” tem um começo ao piano que remete ao Tears For Fears, em especial a música “Everybody Wants to Rule the World", o que não é demérito nenhum, pois é uma das grandes bandas pop da história. O baixo é bastante, melódico, perceptível, criativo e de técnicas inesperadas. Nick D'Virgilio realmente é um baterista que conhece e sabe usar os seus domínios como poucos. A guitarra é outro ingrediente que se encontra em doses perfeitas nesta faixa. Em sua parte final a música muda de direção e apresenta uma melodia suave liderada por um riff de baixo assistido por trombetas e uma guitarra bastante melodiosa, deixando o encerramento da faixa repleto de amor, delicadeza e carga emocional. 

"Upton Hill" é uma daquelas músicas que conseguem evocar um sentimento de nostalgia, mesmo que eu não consiga explicar exatamente o porquê disso. Belíssima balada onde tudo funciona muito bem, violão, banjo, flauta, cordas e as segundas vozes femininas. Uma união que como resultado consegue transmitir uma sensação única. 

Se eu tivesse que dar a uma das faixas do disco o título de mais sombria, certamente a escolhida seria “A Boy in Darkness".  Possui uma seção instrumental de alta velocidade, quase jazzística e com grande performance de todos os músicos, bateria, guitarra, flauta, cordas, percussão, órgão, mas principalmente o violino que é quem define o clima da música. As harmonias vocais aperfeiçoam o tom emocional. Novamente mais uma música brilhante. 

O disco termina com a faixa, “Hedgerow". Possui arranjos vocais surpreendentes. A parte mais bela da música certamente está no meio, uma mudança de direção a faz cair em uma linha profundamente sinfônica e com enormes ondas de emoção, principalmente devido aos trabalhos de flauta, violino e teclado. Final apoteótico para um disco que consegue ser espetacular do seu primeiro ao último acorde. 

Um disco bem sucedido em todos os seus departamentos, sendo excelente na estrutura das músicas e nos fluxos de como elas se desenvolvem. Ao mesmo tempo em que fazem um som progressivo, conseguem trazer em sua música algumas atmosferas infecciosas e acessíveis capaz de capturar ouvidos mais populares, digamos assim. Não se trata apenas de músicos tocando em um estúdio, mas artesãos da música moldando o que de melhor eles são capazes de fazer. 

Excelente na estrutura das músicas e nos fluxos de como elas se desenvolvem.
5
21/12/2017

Quando ouvi este disco pela primeira vez tive a certeza de que Dave Longdon era a mais nova e brilhante estrela do rock progressivo moderno. Suas contribuições vocais e composições de flauta elevaram a banda a um nível completamente novo, um nível que poderia incluir a Big Big Train junto a grandes mestres dos anos 70, algo raríssimo quando falamos de bandas mais modernas. Um álbum recheado de composições incríveis e linhas estilísticas diversificadas, lideradas sempre pela incrível voz de Longdon. Um trabalho que liricamente também é belíssimo, enriquecido ainda mais pela paixão vocal e músicas extremamente bem construídas. Cada componente das canções funcionam como determinada cor de um quadro pintado por um talentosíssimo artista. 

"The First Rebreather" abre o disco me lembrando à maneira como “Dance on a Volcano” ou “A Musical Box” abriram seus respectivos álbuns. Nick D'Virgilio logo de cara mostra o quanto é um baterista incrível. A música apresenta mudanças dinâmicas e contribuições individuais que são essenciais para o encaixe perfeito de cada peça da obra. Arranjos vocais belíssimos, letras muito bem escritas e instrumentistas criando uma paisagem sonora maravilhosa. Uma música tecnicamente perfeita, mesmo que a anuência em Genesis seja um pouco mais forte que o necessário. 

A segunda faixa é “Uncle Jack”, uma daquelas músicas capaz de colocar um sorriso no rosto do ouvinte. Belas harmonias vocais e sonoridade bastante otimista. O instrumento principal é o banjo que é tocado de maneira muito criativa. No geral uma música alto astral. 

Na minha primeira audição do disco, “Winchester from St. Giles' Hill" foi a que nomeei instantaneamente como minha favorita. Hoje considero todas. Possui um ritmo agradável e atmosférico. Novamente as melodias e arranjos vocais são incríveis, possui momentos belíssimos de guitarras jazzísticas, uma parte influenciada pela cena de Canterbury antes de se transformar novamente em uma peça sinfônica quase clássica. Uma música de beleza que não é sempre que podemos ver por aí. 

Logo nos primeiros segundos da introdução de “Judas Unrepentant” eu confesso que foi o único momento que senti algo ruim, pois me lembrou à música do Genesis que menos gosto, “Illegal Alien”. Felizmente isso durou somente uns segundos e logo o coro e as pontes mostraram que elas divergem bastante. Tem uma seção suave e quase clássica na sua metade que é magistral. No geral é uma música leve, animada, de ritmo acelerado e às vezes complexa. Possui o refrão mais viciante do disco, fiquei com ele dias na cabeça quando tive contato pela primeira vez. 

“Summoned by Bells” tem um começo ao piano que remete ao Tears For Fears, em especial a música “Everybody Wants to Rule the World", o que não é demérito nenhum, pois é uma das grandes bandas pop da história. O baixo é bastante, melódico, perceptível, criativo e de técnicas inesperadas. Nick D'Virgilio realmente é um baterista que conhece e sabe usar os seus domínios como poucos. A guitarra é outro ingrediente que se encontra em doses perfeitas nesta faixa. Em sua parte final a música muda de direção e apresenta uma melodia suave liderada por um riff de baixo assistido por trombetas e uma guitarra bastante melodiosa, deixando o encerramento da faixa repleto de amor, delicadeza e carga emocional. 

"Upton Hill" é uma daquelas músicas que conseguem evocar um sentimento de nostalgia, mesmo que eu não consiga explicar exatamente o porquê disso. Belíssima balada onde tudo funciona muito bem, violão, banjo, flauta, cordas e as segundas vozes femininas. Uma união que como resultado consegue transmitir uma sensação única. 

Se eu tivesse que dar a uma das faixas do disco o título de mais sombria, certamente a escolhida seria “A Boy in Darkness".  Possui uma seção instrumental de alta velocidade, quase jazzística e com grande performance de todos os músicos, bateria, guitarra, flauta, cordas, percussão, órgão, mas principalmente o violino que é quem define o clima da música. As harmonias vocais aperfeiçoam o tom emocional. Novamente mais uma música brilhante. 

O disco termina com a faixa, “Hedgerow". Possui arranjos vocais surpreendentes. A parte mais bela da música certamente está no meio, uma mudança de direção a faz cair em uma linha profundamente sinfônica e com enormes ondas de emoção, principalmente devido aos trabalhos de flauta, violino e teclado. Final apoteótico para um disco que consegue ser espetacular do seu primeiro ao último acorde. 

Um disco bem sucedido em todos os seus departamentos, sendo excelente na estrutura das músicas e nos fluxos de como elas se desenvolvem. Ao mesmo tempo em que fazem um som progressivo, conseguem trazer em sua música algumas atmosferas infecciosas e acessíveis capaz de capturar ouvidos mais populares, digamos assim. Não se trata apenas de músicos tocando em um estúdio, mas artesãos da música moldando o que de melhor eles são capazes de fazer. 

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