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Resenha: The Neal Morse Band - The Similitude Of A Dream (2016)

Por: André Luiz Paiz

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Mais um clássico para as carreiras de Morse e Portnoy
5
20/12/2017

Confesso que, surpreso fiquei, quando li o comentário de Mike Portnoy nas redes sociais sobre o novo álbum da The Neal Morse Band, "The Similitude Of A Dream". "The greatest album of my career...our Tommy meets The Wall.", disse ele. Uma declaração de impacto vinda de um sujeito com uma extensa lista de álbuns clássicos em seu currículo. A pergunta que fica é: Portnoy exagerou? Pois é, meus amigos. Não!
Acrescentando ao meu comentário no parágrafo anterior, é claro que a parceria entre Neal Morse e Mike Portnoy nunca produzirá um "Images And Words" ou qualquer outro clássico da carreira de Portnoy, principalmente porque o som que fazia o Dream Theater nos tempos de glória é totalmente diferente do que é proposto por Norse em seus trabalhos. Mas, após ouvir este novo trabalho por várias e várias vezes, pude realmente concluir que de fato está entre os melhores.

Segundo Neal Morse, alguns de seus fãs que compartilham de suas opções religiosas viviam lhe sugerindo que desenvolvesse um trabalho baseado no livro "The Pilgrim's Progress", escrito por John Bunyan e publicado na Inglaterra em 1678. O trabalho é considerado com uma das obras mais importantes da literatura inglesa religiosa e foi traduzido para mais de 200 idiomas. O livro é composto por duas partes - assim como o álbum - e relata basicamente a história de um jovem peregrino chamado Cristão, que deseja se livrar do grande fardo que carrega e parte para uma jornada cheia de adversidades, orientada por um homem de nome Evangelista. Tudo é relatado como uma alegoria em forma de sonho, aplicando ensinamentos bíblicos em cada obstáculo enfrentado.

Com o conceito definido e algumas ideias a serem trabalhadas, Morse juntou seu time e o álbum começou a tomar forma. O único a se juntar posteriormente foi Mike Portnoy, provavelmente por conflitos de agenda. Mesmo assim, participou ativamente das decisões, o que é perceptível ao assistir o documentário "The Making Of A Dream", que acompanha uma versão especial do CD. Inclusive, sou tão fã de Mike e Neal que consegui ser um dos primeiros na pré-venda e acabei ganhando um esboço da letra de "City Of Destruction" autografada por Neal Morse. Não acrescenta em nada na resenha, mas gostaria de compartilhar :P
Durante as gravações da parte um, já é possível notar que algo mágico estava sendo criado. É notável a dedicação de Neal Morse, que ainda mantém as rédeas da banda. Sinceramente, acredito que as críticas do trabalho anterior, “The Grand Experiment”, tenham lhe motivado a caprichar um pouco mais. Realmente o álbum de estreia da banda ficou um pouco abaixo e termos de letras e ideias, sendo que poderia ter sido melhor lapidado. Na conclusão da primeira metade, um impasse...
Mike Portnoy não queria um álbum duplo. Hipótese que nem chegou a considerar. Inclusive, sua opinião pessoal ficou à frente dos demais músicos da banda e essa individualidade causou um certo desconforto com os demais membros, principalmente com Neal Morse. O motivo: o Dream Theater estava para lançar "The Astonishing", álbum conceitual duplo. Mike não podia nem cogitar a possibilidade de sofrer comparações com sua antiga banda. Impressionante como o Dream Theater ainda é um assunto delicado para ele e como as feridas ainda estão abertas.
Após um período nebuloso e de reflexão por parte de Mike, ele voltou atrás. Decidiu impedir que sua opinião pessoal interferisse no projeto e definiu que, se tudo o que produzissem necessitasse ser dividido em um álbum duplo, que assim seria. Diante das desculpas e aceitação de Mike, a banda voltou com inspiração máxima para concluir os trabalhos.
Neal Morse disse em entrevista, que finalizar a segunda parte foi um pouco mais complicada que a primeira, pois havia uma certa dúvida se a metade dois seria tão boa quanto a metade um. Com mais alguns ajustes e mais algumas ideias saindo do forno, o problema também foi rapidamente resolvido.

Percebi que passei a maior parte da resenha contando história do que avaliando as faixas do álbum. Na verdade isso é intencional. O álbum não merece destaques individuais, pois as faixas se completam e estão distribuídas com máxima precisão. Aqui é possível encontrar muita qualidade, além de inovação, que é o fator que mais me chamou a atenção. É notável que Neal tentou com sucesso explorar novos elementos e novas melodias, tanto que não há muito que nos faça lembrar de trabalhos anteriores. Ainda há seu estilo cravado aqui, é claro, mas está muito bem lapidado, diferenciado e aprimorado.
A equipe que o acompanha ainda é a mesma e todos tiveram desempenho muito acima do nível apresentado no trabalho anterior. Aplausos para eles também.

Para quem quiser uma pitada da temática do álbum, as espetaculares "City Of Destruction", "The Man in the Iron Cage" e "So Far Gone" possuem vídeos oficiais e estão disponíveis no You Tube. Detalhe: elas ficam bem melhores quando conectadas com os demais temas do álbum, apreciando o trabalho como um todo.

Na minha opinião, "The Similitude Of A Dream" é um álbum que definitivamente será lembrado, e está, acompanhado de "Snow" (Spock's Beard) e "The Whirlwind" (Transatlantic), como parte dos melhores álbuns progressivos da carreira de Neal Morse. Já para Mike Portnoy, faz companhia para "Images And Words" (Dream Theater), "Scenes From a Memory" (Dream Theater) e "The Whirlwind" (Transatlantic).

Mais um clássico para as carreiras de Morse e Portnoy
5
20/12/2017

Confesso que, surpreso fiquei, quando li o comentário de Mike Portnoy nas redes sociais sobre o novo álbum da The Neal Morse Band, "The Similitude Of A Dream". "The greatest album of my career...our Tommy meets The Wall.", disse ele. Uma declaração de impacto vinda de um sujeito com uma extensa lista de álbuns clássicos em seu currículo. A pergunta que fica é: Portnoy exagerou? Pois é, meus amigos. Não!
Acrescentando ao meu comentário no parágrafo anterior, é claro que a parceria entre Neal Morse e Mike Portnoy nunca produzirá um "Images And Words" ou qualquer outro clássico da carreira de Portnoy, principalmente porque o som que fazia o Dream Theater nos tempos de glória é totalmente diferente do que é proposto por Norse em seus trabalhos. Mas, após ouvir este novo trabalho por várias e várias vezes, pude realmente concluir que de fato está entre os melhores.

Segundo Neal Morse, alguns de seus fãs que compartilham de suas opções religiosas viviam lhe sugerindo que desenvolvesse um trabalho baseado no livro "The Pilgrim's Progress", escrito por John Bunyan e publicado na Inglaterra em 1678. O trabalho é considerado com uma das obras mais importantes da literatura inglesa religiosa e foi traduzido para mais de 200 idiomas. O livro é composto por duas partes - assim como o álbum - e relata basicamente a história de um jovem peregrino chamado Cristão, que deseja se livrar do grande fardo que carrega e parte para uma jornada cheia de adversidades, orientada por um homem de nome Evangelista. Tudo é relatado como uma alegoria em forma de sonho, aplicando ensinamentos bíblicos em cada obstáculo enfrentado.

Com o conceito definido e algumas ideias a serem trabalhadas, Morse juntou seu time e o álbum começou a tomar forma. O único a se juntar posteriormente foi Mike Portnoy, provavelmente por conflitos de agenda. Mesmo assim, participou ativamente das decisões, o que é perceptível ao assistir o documentário "The Making Of A Dream", que acompanha uma versão especial do CD. Inclusive, sou tão fã de Mike e Neal que consegui ser um dos primeiros na pré-venda e acabei ganhando um esboço da letra de "City Of Destruction" autografada por Neal Morse. Não acrescenta em nada na resenha, mas gostaria de compartilhar :P
Durante as gravações da parte um, já é possível notar que algo mágico estava sendo criado. É notável a dedicação de Neal Morse, que ainda mantém as rédeas da banda. Sinceramente, acredito que as críticas do trabalho anterior, “The Grand Experiment”, tenham lhe motivado a caprichar um pouco mais. Realmente o álbum de estreia da banda ficou um pouco abaixo e termos de letras e ideias, sendo que poderia ter sido melhor lapidado. Na conclusão da primeira metade, um impasse...
Mike Portnoy não queria um álbum duplo. Hipótese que nem chegou a considerar. Inclusive, sua opinião pessoal ficou à frente dos demais músicos da banda e essa individualidade causou um certo desconforto com os demais membros, principalmente com Neal Morse. O motivo: o Dream Theater estava para lançar "The Astonishing", álbum conceitual duplo. Mike não podia nem cogitar a possibilidade de sofrer comparações com sua antiga banda. Impressionante como o Dream Theater ainda é um assunto delicado para ele e como as feridas ainda estão abertas.
Após um período nebuloso e de reflexão por parte de Mike, ele voltou atrás. Decidiu impedir que sua opinião pessoal interferisse no projeto e definiu que, se tudo o que produzissem necessitasse ser dividido em um álbum duplo, que assim seria. Diante das desculpas e aceitação de Mike, a banda voltou com inspiração máxima para concluir os trabalhos.
Neal Morse disse em entrevista, que finalizar a segunda parte foi um pouco mais complicada que a primeira, pois havia uma certa dúvida se a metade dois seria tão boa quanto a metade um. Com mais alguns ajustes e mais algumas ideias saindo do forno, o problema também foi rapidamente resolvido.

Percebi que passei a maior parte da resenha contando história do que avaliando as faixas do álbum. Na verdade isso é intencional. O álbum não merece destaques individuais, pois as faixas se completam e estão distribuídas com máxima precisão. Aqui é possível encontrar muita qualidade, além de inovação, que é o fator que mais me chamou a atenção. É notável que Neal tentou com sucesso explorar novos elementos e novas melodias, tanto que não há muito que nos faça lembrar de trabalhos anteriores. Ainda há seu estilo cravado aqui, é claro, mas está muito bem lapidado, diferenciado e aprimorado.
A equipe que o acompanha ainda é a mesma e todos tiveram desempenho muito acima do nível apresentado no trabalho anterior. Aplausos para eles também.

Para quem quiser uma pitada da temática do álbum, as espetaculares "City Of Destruction", "The Man in the Iron Cage" e "So Far Gone" possuem vídeos oficiais e estão disponíveis no You Tube. Detalhe: elas ficam bem melhores quando conectadas com os demais temas do álbum, apreciando o trabalho como um todo.

Na minha opinião, "The Similitude Of A Dream" é um álbum que definitivamente será lembrado, e está, acompanhado de "Snow" (Spock's Beard) e "The Whirlwind" (Transatlantic), como parte dos melhores álbuns progressivos da carreira de Neal Morse. Já para Mike Portnoy, faz companhia para "Images And Words" (Dream Theater), "Scenes From a Memory" (Dream Theater) e "The Whirlwind" (Transatlantic).

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