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Resenha: Yes - Time And A Word (1970)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Alguns momentos excelentes, outros fracos e até muito abaixo da média.
2.5
07/12/2017

Há quem considere os dois primeiros álbuns do Yes basicamente trabalhos do mesmo nível, mas eu vejo certa diferença. Depois de uma estreia aceitável, digamos assim, porém irrelevante para o mundo do progressivo, o Yes teve que lançar um álbum de musicalidade mais forte para ficar no olho da tempestade e resistir a comparações com ícones como King Crimson. Então a banda contratou uma orquestra para desenvolver um disco mais ambicioso. 

Não diria que a banda chegou a dar um salto em relação ao seu álbum de estreia, mas sem dúvida houve ao menos um grande passo, embora, continuando sendo fraco se comparado a discos lançados no mesmo ano por outros gigantes do progressivo como Emerson, Lake & Palmer e o seu debut homônimo, ou Genesis e seu Trespass, obras estas com uma criatividade muito mais elevada, além de possuir mais complexidade e originalidade. No geral e durante suas oito faixas, Time and Word se mostra um álbum muito bom, com alguns momentos excelentes, outros fracos e até muito abaixo da média. 

A faixa que abre o disco é “No Opportunity Necessary, No Experience Needed", cover de Richie Havens combinada com a trilha sonora do filme “Da Terra Nascem os Homens” lançado em 1958 e composta por Jerome Moross. Claro que os arranjos são originais e fluem bem. A mistura com orquestra deixa a faixa mais forte, mas mesmo assim não consigo deixar de imaginar o ator Gregory Peck em um filme de cowboy toda vez que ouço a música, o que acaba fazendo com que pareça ainda mais datada do que quando lançada. Confesso que no geral é um mau começo para um álbum médio, porém, desigual. 

“Then” sem a menor dúvida apresenta uma grande melhoria, ouvimos uma música excelente, complexa, bem elaborada, com estruturas interessantes, além de mudanças radicais. A voz de Anderson é mais doce e menos aguda que o habitual. Destaque também para os violinos que são um complemento perfeito para os teclados de Kaye. Faixa magnífica. 

"Everydays" é uma excelente música, muito jazzística e bem elaborada, mas novamente um cover, desta vez da Buffalo Springfield. A bateria de Bruford é brilhante, a orquestra fornece um contraponto agradável para a voz de Jon. O meio da música é mais pesado e rápido com ótimo solo de guitarra de Peter Banks.

“Sweet Dreams” é mais um bom momento do álbum. Com vocais agudos de Jon Anderson, tem um baixo bastante profundo, belos arranjos dos teclados e uma guitarra imaginativa, além da bateria dando uma energia rítmica e a deixando quase com uma sensação de marcha. 

Se Tony Kaye tivesse tocado em todas as faixas junto a banda o que tocou em “The Prophet”, acho que o recrutamento de Rick Wakeman ou não teria acontecido, ou ao menos teria sigo algo mais pensado. Seu desempenho é bastante barroco e dramático, liderando a banda em uma linha jazzy. Rimas frenéticas que se acumulam sempre em mudanças que acompanham um vocal claro de Jon. A considero bastante subestimada. 

Como eu já disse lá no começo, Time and A World é um álbum desigual, onde "Clear Days" mostra claramente um bom exemplo disso. Até que possui uns vocais legais, mas só. No mais é um interlúdio orquestral curto e bastante chato que não consigo perceber qual foi a sua real função no disco. 

"Astral Traveler" é uma excelente música em que existe uma mistura dos teclados barrocos com uma estrutura 100% de rock progressivo, novamente Peter Banks desempenha excelentes seções de guitarra que se fundem perfeitamente com o resto da banda, especialmente com a sempre magnifica bateria de Bruford. 

O álbum chega ao seu fim através da faixa título, um clássico atemporal, suave, mas ao mesmo tempo complexo. Outro fator importante é que pela primeira vez no álbum os vocais de apoio são excelentes, absolutamente melancólicos. 

Bom, primeiramente queria dizer que nunca gostei da inclusão de covers em álbuns de estúdio, por mais que fiquem boas versões como foi o caso aqui, isso faz com que eu implique com o disco. Time and A Word no fim das conta tem uma melhoria que nos permite escutar pela primeira vez algo que faz ecoar a grandeza do futuro da banda. 

Longe de ser uma obra-prima e tão pouco um disco obrigatório em uma coleção de rock progressivo, mas tem seus momentos. Tendo em vista a grandeza dos discos que a banda viria a gravar, e o fato de que neste caso uma banda só pode ser comparada com ela mesma, não vejo que Time and A Word possa ser classificado com algo além de mediano. Mas não se enganem, apesar de eu classifica-lo com a mesma nota que o disco de estreia, os motivos são outros e esse aqui vale mais a pena. 

Alguns momentos excelentes, outros fracos e até muito abaixo da média.
2.5
07/12/2017

Há quem considere os dois primeiros álbuns do Yes basicamente trabalhos do mesmo nível, mas eu vejo certa diferença. Depois de uma estreia aceitável, digamos assim, porém irrelevante para o mundo do progressivo, o Yes teve que lançar um álbum de musicalidade mais forte para ficar no olho da tempestade e resistir a comparações com ícones como King Crimson. Então a banda contratou uma orquestra para desenvolver um disco mais ambicioso. 

Não diria que a banda chegou a dar um salto em relação ao seu álbum de estreia, mas sem dúvida houve ao menos um grande passo, embora, continuando sendo fraco se comparado a discos lançados no mesmo ano por outros gigantes do progressivo como Emerson, Lake & Palmer e o seu debut homônimo, ou Genesis e seu Trespass, obras estas com uma criatividade muito mais elevada, além de possuir mais complexidade e originalidade. No geral e durante suas oito faixas, Time and Word se mostra um álbum muito bom, com alguns momentos excelentes, outros fracos e até muito abaixo da média. 

A faixa que abre o disco é “No Opportunity Necessary, No Experience Needed", cover de Richie Havens combinada com a trilha sonora do filme “Da Terra Nascem os Homens” lançado em 1958 e composta por Jerome Moross. Claro que os arranjos são originais e fluem bem. A mistura com orquestra deixa a faixa mais forte, mas mesmo assim não consigo deixar de imaginar o ator Gregory Peck em um filme de cowboy toda vez que ouço a música, o que acaba fazendo com que pareça ainda mais datada do que quando lançada. Confesso que no geral é um mau começo para um álbum médio, porém, desigual. 

“Then” sem a menor dúvida apresenta uma grande melhoria, ouvimos uma música excelente, complexa, bem elaborada, com estruturas interessantes, além de mudanças radicais. A voz de Anderson é mais doce e menos aguda que o habitual. Destaque também para os violinos que são um complemento perfeito para os teclados de Kaye. Faixa magnífica. 

"Everydays" é uma excelente música, muito jazzística e bem elaborada, mas novamente um cover, desta vez da Buffalo Springfield. A bateria de Bruford é brilhante, a orquestra fornece um contraponto agradável para a voz de Jon. O meio da música é mais pesado e rápido com ótimo solo de guitarra de Peter Banks.

“Sweet Dreams” é mais um bom momento do álbum. Com vocais agudos de Jon Anderson, tem um baixo bastante profundo, belos arranjos dos teclados e uma guitarra imaginativa, além da bateria dando uma energia rítmica e a deixando quase com uma sensação de marcha. 

Se Tony Kaye tivesse tocado em todas as faixas junto a banda o que tocou em “The Prophet”, acho que o recrutamento de Rick Wakeman ou não teria acontecido, ou ao menos teria sigo algo mais pensado. Seu desempenho é bastante barroco e dramático, liderando a banda em uma linha jazzy. Rimas frenéticas que se acumulam sempre em mudanças que acompanham um vocal claro de Jon. A considero bastante subestimada. 

Como eu já disse lá no começo, Time and A World é um álbum desigual, onde "Clear Days" mostra claramente um bom exemplo disso. Até que possui uns vocais legais, mas só. No mais é um interlúdio orquestral curto e bastante chato que não consigo perceber qual foi a sua real função no disco. 

"Astral Traveler" é uma excelente música em que existe uma mistura dos teclados barrocos com uma estrutura 100% de rock progressivo, novamente Peter Banks desempenha excelentes seções de guitarra que se fundem perfeitamente com o resto da banda, especialmente com a sempre magnifica bateria de Bruford. 

O álbum chega ao seu fim através da faixa título, um clássico atemporal, suave, mas ao mesmo tempo complexo. Outro fator importante é que pela primeira vez no álbum os vocais de apoio são excelentes, absolutamente melancólicos. 

Bom, primeiramente queria dizer que nunca gostei da inclusão de covers em álbuns de estúdio, por mais que fiquem boas versões como foi o caso aqui, isso faz com que eu implique com o disco. Time and A Word no fim das conta tem uma melhoria que nos permite escutar pela primeira vez algo que faz ecoar a grandeza do futuro da banda. 

Longe de ser uma obra-prima e tão pouco um disco obrigatório em uma coleção de rock progressivo, mas tem seus momentos. Tendo em vista a grandeza dos discos que a banda viria a gravar, e o fato de que neste caso uma banda só pode ser comparada com ela mesma, não vejo que Time and A Word possa ser classificado com algo além de mediano. Mas não se enganem, apesar de eu classifica-lo com a mesma nota que o disco de estreia, os motivos são outros e esse aqui vale mais a pena. 

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