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Resenha: Sinkadus - Cirkus (1999)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Introspectivo e extremamente singular
4
06/12/2017

Apesar de terem entrado em um hiato tão longo que fez com que deixassem todos desacreditados em relação à continuidade da banda, o ano de 2015 acendeu uma luz no fim do túnel daqueles que gostaram dos dois álbuns lançados na segunda metade dos anos 90 pela Sinkadus, afinal, o grupo voltou a fazer shows. Sendo o segundo, Cirkus, uma incrível obra de rock progressivo. Teve sua origem através dos músicos Fredrik Karlsson e Robert Sjoback, que começaram tocando em uma banda cover de rock clássico na segunda metade dos anos 80. Com o tempo, eles adicionaram canções mais progressivas em seu setlist. Depois que a banda foi parcialmente dissolvida no começo dos anos 90, logo eles retornaram com um novo baterista e novo vocalista. Com esta formação, continuaram a fazer covers de bandas de progressivo, mas também a compor suas próprias músicas.

Tocar dois instrumentos estava sendo bastante desgastante pra Karlsson, então adicionaram uma flautista chamada Linda Johansson. Encontrar o vocalista também foi um problema, logo o trabalho foi para o baterista que haviam colocado na banda tempos antes, Rickard Biström, e pra flautista Linda Johansson. Foi quando eles decidiram que se chamariam Sinkadus. Pouco depois, o baixista saiu. Mas ao invés de encontrar um novo baixista, eles encontraram outro baterista, Bo Guting. Biström então trocou de posição e assumiu o baixo. Em 1995 a violoncelista Lena Petterson se juntou ao grupo e Bo Guting foi substituído por Mats Svensson na bateria (Biström permaneceu no baixo mesmo). Foi uma banda cheia de reviravoltas até que lançassem oficialmente o seu primeiro trabalho. Mas o foco aqui será o já elogiado inicialmente, Cirkus, lançado em 1999

O álbum abre com, "Jag, Änglamarks Bane", através de uma melodia de flauta um tanto sinistra até que acontece uma explosão sonora depois de cerca do primeiro minuto de música. Um órgão poderoso além de um mellotron junto de uma bateria lenta como se fosse de marcha fúnebre. Próximo aos três minutos a sonoridade entra pra um clima mais intrincado que faz lembrar os também suecos do Änglagård. Guitarra e baixo fazem uma linha angular impressionante. A banda vai seguindo com uma linha furiosa de baixo em destaque. Tudo se estabelece até que a sonoridade fica mais amena, com flautas e um vocal suave. Essa calma é encerrada somente quando de maneira abrupta e dramática todos os instrumentos entram em combustão. O baixo segue matador. Destaque também para o retorno do mellotron. Os temas se repetem até que a música fique calma mais uma vez. A faixa vai crescendo, ganhando um corpo em sua sonoridade e subitamente chega ao seu fim.

"Positivhalaren" abre poderosamente através de órgão, bateria e mellotron. Em seguida vai se construindo uma flauta enquanto o mellotron continua a sua base, mas agora junto de linhas de baixo inspiradoras. A chama da música é amenizada (no sentido de carregar uma melodia mais serena) ficando como base apenas uma bela flauta. Após isso a música mostra-se mais encorpada onde o mellotron faz toda diferença. Falando nele, ele é simplesmente glorioso em uma parte mais a frente. Possui um minuto final simplesmente fantástico, de beleza única. Notas maravilhosas e muito bem encaixadas. 

A terceira faixa é, "Kakafonia". Abre com  vocais tristes seguindo de uma linha de flauta e guitarra de fundo. Após isso o restante da banda entra pra desempenhar cada um o seu papel em um agradável seguimento. Novamente eles mostram adorar quebrar o clima da canção através de suaves flautas, mas aqui tudo acontece rapidamente. Possui um exímio trabalho de mellotron (sempre ele). Também possui um coral que ajuda no clima épico da canção enquanto os vocais são executados em uma atmosfera bastante, "down", digamos assim. Mais uma excelente faixa.

A penúltima é, “Valkyria", uma música instrumental com cerca de 10 minutos. Tem seu início através de uma flauta doce junto de um violão. Após esse momento de total imperturbabilidade sonora, entra os demais instrumentos da banda, liderado por uma linha de baixo de sonoridade robusta. Mellotron inunda a cena até chegar a um momento suave de guitarra junto com a flauta que está de volta. O mellotron regressa de maneira majestosamente explosiva. Essas seções calmas e mais enérgicas vão sempre se contrastando. A banda nessa música faz em certos momentos o bom uso de pianos. Tem o seu último minuto uma cadência triste e que segue de maneira continua até que chega ao seu final.

O álbum encerra com, "Ulv I Farakläder". A música começa com a guitarra tocada de maneira mais, "alegre" do que de toda a forma apresentada no álbum até agora. Vão sendo incluídos vocais até que lá por volta dos dois minutos a faixa entra em "ação" completa. Passado um tempo, flauta e mellotron seguem como carro chefe sobre uma linha de baixo sempre veemente. O órgão também segue com um som lindo. A música tem uma quebrada em seu ritmo para uma sonoridade quase que unicamente da flauta e um leve baixo de fundo. Logo em seguida o violoncelo também dá as caras. O Mellotron faz com que a faixa ganhe por uns segundos mais corpo, mas logo se cadencia de maneira suave novamente. Uma orquestração de fundo sobrenatural. Provavelmente a parte instrumental mais linda de todo o álbum, simplesmente surreal, hipnotizante. Os vocais então voltam de maneira amena, mas a música vai apenas crescendo em um dos mais belos arranjos já criados na história do rock progressivo sinfônico. Até que chega ao seu fim. Um final apoteótico pra uma obra de extrema grandeza.

Sem dúvida alguma uma das maiores obras criadas dentro do rock progressivo pós anos 90. Sensacional, introspectivo e extremamente singular, no geral diferente até mesmo de conterrâneos suecos que também possuem obras primas produzidas na mesma década como, Änglagård e seu álbum Hybris ou Anekdoten e o seu Vemod. 

Introspectivo e extremamente singular
4
06/12/2017

Apesar de terem entrado em um hiato tão longo que fez com que deixassem todos desacreditados em relação à continuidade da banda, o ano de 2015 acendeu uma luz no fim do túnel daqueles que gostaram dos dois álbuns lançados na segunda metade dos anos 90 pela Sinkadus, afinal, o grupo voltou a fazer shows. Sendo o segundo, Cirkus, uma incrível obra de rock progressivo. Teve sua origem através dos músicos Fredrik Karlsson e Robert Sjoback, que começaram tocando em uma banda cover de rock clássico na segunda metade dos anos 80. Com o tempo, eles adicionaram canções mais progressivas em seu setlist. Depois que a banda foi parcialmente dissolvida no começo dos anos 90, logo eles retornaram com um novo baterista e novo vocalista. Com esta formação, continuaram a fazer covers de bandas de progressivo, mas também a compor suas próprias músicas.

Tocar dois instrumentos estava sendo bastante desgastante pra Karlsson, então adicionaram uma flautista chamada Linda Johansson. Encontrar o vocalista também foi um problema, logo o trabalho foi para o baterista que haviam colocado na banda tempos antes, Rickard Biström, e pra flautista Linda Johansson. Foi quando eles decidiram que se chamariam Sinkadus. Pouco depois, o baixista saiu. Mas ao invés de encontrar um novo baixista, eles encontraram outro baterista, Bo Guting. Biström então trocou de posição e assumiu o baixo. Em 1995 a violoncelista Lena Petterson se juntou ao grupo e Bo Guting foi substituído por Mats Svensson na bateria (Biström permaneceu no baixo mesmo). Foi uma banda cheia de reviravoltas até que lançassem oficialmente o seu primeiro trabalho. Mas o foco aqui será o já elogiado inicialmente, Cirkus, lançado em 1999

O álbum abre com, "Jag, Änglamarks Bane", através de uma melodia de flauta um tanto sinistra até que acontece uma explosão sonora depois de cerca do primeiro minuto de música. Um órgão poderoso além de um mellotron junto de uma bateria lenta como se fosse de marcha fúnebre. Próximo aos três minutos a sonoridade entra pra um clima mais intrincado que faz lembrar os também suecos do Änglagård. Guitarra e baixo fazem uma linha angular impressionante. A banda vai seguindo com uma linha furiosa de baixo em destaque. Tudo se estabelece até que a sonoridade fica mais amena, com flautas e um vocal suave. Essa calma é encerrada somente quando de maneira abrupta e dramática todos os instrumentos entram em combustão. O baixo segue matador. Destaque também para o retorno do mellotron. Os temas se repetem até que a música fique calma mais uma vez. A faixa vai crescendo, ganhando um corpo em sua sonoridade e subitamente chega ao seu fim.

"Positivhalaren" abre poderosamente através de órgão, bateria e mellotron. Em seguida vai se construindo uma flauta enquanto o mellotron continua a sua base, mas agora junto de linhas de baixo inspiradoras. A chama da música é amenizada (no sentido de carregar uma melodia mais serena) ficando como base apenas uma bela flauta. Após isso a música mostra-se mais encorpada onde o mellotron faz toda diferença. Falando nele, ele é simplesmente glorioso em uma parte mais a frente. Possui um minuto final simplesmente fantástico, de beleza única. Notas maravilhosas e muito bem encaixadas. 

A terceira faixa é, "Kakafonia". Abre com  vocais tristes seguindo de uma linha de flauta e guitarra de fundo. Após isso o restante da banda entra pra desempenhar cada um o seu papel em um agradável seguimento. Novamente eles mostram adorar quebrar o clima da canção através de suaves flautas, mas aqui tudo acontece rapidamente. Possui um exímio trabalho de mellotron (sempre ele). Também possui um coral que ajuda no clima épico da canção enquanto os vocais são executados em uma atmosfera bastante, "down", digamos assim. Mais uma excelente faixa.

A penúltima é, “Valkyria", uma música instrumental com cerca de 10 minutos. Tem seu início através de uma flauta doce junto de um violão. Após esse momento de total imperturbabilidade sonora, entra os demais instrumentos da banda, liderado por uma linha de baixo de sonoridade robusta. Mellotron inunda a cena até chegar a um momento suave de guitarra junto com a flauta que está de volta. O mellotron regressa de maneira majestosamente explosiva. Essas seções calmas e mais enérgicas vão sempre se contrastando. A banda nessa música faz em certos momentos o bom uso de pianos. Tem o seu último minuto uma cadência triste e que segue de maneira continua até que chega ao seu final.

O álbum encerra com, "Ulv I Farakläder". A música começa com a guitarra tocada de maneira mais, "alegre" do que de toda a forma apresentada no álbum até agora. Vão sendo incluídos vocais até que lá por volta dos dois minutos a faixa entra em "ação" completa. Passado um tempo, flauta e mellotron seguem como carro chefe sobre uma linha de baixo sempre veemente. O órgão também segue com um som lindo. A música tem uma quebrada em seu ritmo para uma sonoridade quase que unicamente da flauta e um leve baixo de fundo. Logo em seguida o violoncelo também dá as caras. O Mellotron faz com que a faixa ganhe por uns segundos mais corpo, mas logo se cadencia de maneira suave novamente. Uma orquestração de fundo sobrenatural. Provavelmente a parte instrumental mais linda de todo o álbum, simplesmente surreal, hipnotizante. Os vocais então voltam de maneira amena, mas a música vai apenas crescendo em um dos mais belos arranjos já criados na história do rock progressivo sinfônico. Até que chega ao seu fim. Um final apoteótico pra uma obra de extrema grandeza.

Sem dúvida alguma uma das maiores obras criadas dentro do rock progressivo pós anos 90. Sensacional, introspectivo e extremamente singular, no geral diferente até mesmo de conterrâneos suecos que também possuem obras primas produzidas na mesma década como, Änglagård e seu álbum Hybris ou Anekdoten e o seu Vemod. 

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