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Resenha: Genesis - Trespass (1970)

Por: Tiago Meneses

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Um disco transcendental para a história do Genesis.
4.5
21/11/2017

Em Trespass com certeza o Genesis deu de fato o seu primeiro passo importante dentro da música progressiva. A evolução que começa com o simples From Genesis to the Revelation e termina com o complexo Trespass é incrível. Confesso que desconheço alguma outra banda que tenha feito uma mudança tão radical em menos tempo. Trespass é muito mais consistente, cativante e viciante. As músicas são muito bem elaboradas, ótimas mudanças de ritmos e ao mesmo tempo em que encontramos partes sutis, delicadas e suaves, também somos agraciados por momentos enérgicos. 

Steve Hackett ainda não fazia parte da banda, mas é impressionante o quanto que o estilo de Anthony Phillips é parecido, tanto que qualquer pessoa que não conheça a história da banda poderia facilmente ser enganada e acreditaria que não houve mudança na guitarra em Nursery Crryme. Certamente se Phillips não fosse um cara com pânico dos palcos, jamais teríamos visto Hackett como um membro do Genesis. Em relação ao baterista John Mayhew, uma substituição realmente seria inevitável, pois os demais membros começaram a perceber que o Genesis estava ficando muito grande pra ele e as habilidades de Collins eram muito mais a cara do que a banda queria. Mas sem desmerecer ninguém, Mayhew se despediu muito bem da banda e seu trabalho na bateria em Trespass foi bastante digno. Ainda que as habilidades vocais de Gabriel não estivessem totalmente desenvolvidas, sua voz está bastante clara e mostrou grande energia. Banks faz um trabalho notável e Mike Rutherford é preciso como sempre. 

A sonoridade encontrada no álbum é um tanto obscura e agressiva, além de atmosférica, algo que viria a ser uma das marcas registradas da banda e uma das principais razões dela ter se tornado uma das minhas preferidas. 

O disco tem início com “Looking For Someone”. Começa com Gabriel “procurando alguém” em um estilo bastante acentuado, o órgão de fundo da o tom até os demais instrumentos se juntarem a ele. A canção então se cadencia com uma excelente combinação de passagens mais silenciosas e maduras e outras em um ritmo mais rápido. O trabalho de guitarra de Phillips é sensacional e caracterizou futuras afinações que o Genesis usaria em seus trabalhos posteriores de guitarra. Tony Banks também está impecável. 

“White Mountain” muda a direção musical para um conto de fadas, onde a história trata-se de um lobo solitário que desafiou as normas sagradas de sua sociedade e pagou um preço alto por isso. Acho essa música bastante subestimada. Possui um excelente trabalho de teclado e guitarra acústica. A melodia vocal de Peter Gabriel (que também toca flauta aqui) é deslumbrante e enérgica através de um desespero convincente, causando uma sensação de arrepios em determinados momentos. As peças de transição com teclados e guitarra são bastante sensíveis. Baixo e bateria fazem uma cozinha sólida e precisa. Uma faixa realmente capaz deixar o ouvinte “tocado” e absorvido pela sua belíssima harmonia/melodia.

“Visions of Angels” apresenta algumas seções muito boas, mas ao invés de uma evolução clara em relação ao disco de estreia como ocorreu nas faixas anteriores, aqui parece que há uma combinação entre os “dois Genesis”. Destaque está por volta de 2:30 quando através de uma crescente instrumental que explode com todos os instrumentos, dando à música um ponto climático, a banda mostra a sua capacidade em transformar um clima musical comum em algo mais complexo e de atmosfera diferente. 

“Stagnation” ilustra o mundo imaginativo do grupo, as preocupações de um homem que decidiu passar o resto de sua existência vivendo em um abrigo subterrâneo. Tem um belo início através das doze cordas da guitarra de Phillips em um clima pastoral e relaxante, além de serenos vocais. Os teclados de Banks são utilizados de forma bastante engenhosa, provocando algumas sonoridades que creio que eram inclusive desconhecidas até aquele momento. Os vocais lacrimosos de Gabriel edificam a canção. O final é bastante apoteótico em uma conclusão entusiasmada. 

“Dusk” é outra bela composição com ótimas letras sobre o amor e o significado da vida. A música mais pop do álbum, sem bateria, o que faz com que tenha uma estrutura mais ingênua e suave. Uma canção de atmosfera muito agradável. Guitarra acústica, um trabalho de teclado que não interfere e nem domina e Peter Gabriel em ótimas incursões de flauta. 

A última faixa, “Knife”, exemplifica na prática o significado de fechar o álbum com chave de ouro. Durante a música, Phillips replica alguns riffs e solos trovejantes que servem como uma manivela pra faixa enquanto Mayhew mostra muito groove e a pancadaria na bateria na seção rítmica nunca foi repetida nem mesmo em versões com o tecnicamente superior, Phil Collins. “Knife” recebeu grande elogio de Keith Emerson na época, principalmente o trabalho de órgão de Tony Banks que é sensacional desde os seus primeiros segundos. Mike Rutherford foi preciso no baixo de efeito fuzz e Peter Gabriel canta de maneira bastante dramática. Um triunfo do rock progressivo de alguns momentos pesados e que provou ser uma das músicas mais emocionantes e dinâmicas que a banda gravou em sua história. 

Trespass é um disco excelente e que merece muito mais créditos do que de fato recebe. Um disco transcendental para a história do Genesis, marcando o momento em que uma das mais importantes bandas de rock progressivo atingia sua maturidade, apesar da pouca idade dos membros. 

Um disco transcendental para a história do Genesis.
4.5
21/11/2017

Em Trespass com certeza o Genesis deu de fato o seu primeiro passo importante dentro da música progressiva. A evolução que começa com o simples From Genesis to the Revelation e termina com o complexo Trespass é incrível. Confesso que desconheço alguma outra banda que tenha feito uma mudança tão radical em menos tempo. Trespass é muito mais consistente, cativante e viciante. As músicas são muito bem elaboradas, ótimas mudanças de ritmos e ao mesmo tempo em que encontramos partes sutis, delicadas e suaves, também somos agraciados por momentos enérgicos. 

Steve Hackett ainda não fazia parte da banda, mas é impressionante o quanto que o estilo de Anthony Phillips é parecido, tanto que qualquer pessoa que não conheça a história da banda poderia facilmente ser enganada e acreditaria que não houve mudança na guitarra em Nursery Crryme. Certamente se Phillips não fosse um cara com pânico dos palcos, jamais teríamos visto Hackett como um membro do Genesis. Em relação ao baterista John Mayhew, uma substituição realmente seria inevitável, pois os demais membros começaram a perceber que o Genesis estava ficando muito grande pra ele e as habilidades de Collins eram muito mais a cara do que a banda queria. Mas sem desmerecer ninguém, Mayhew se despediu muito bem da banda e seu trabalho na bateria em Trespass foi bastante digno. Ainda que as habilidades vocais de Gabriel não estivessem totalmente desenvolvidas, sua voz está bastante clara e mostrou grande energia. Banks faz um trabalho notável e Mike Rutherford é preciso como sempre. 

A sonoridade encontrada no álbum é um tanto obscura e agressiva, além de atmosférica, algo que viria a ser uma das marcas registradas da banda e uma das principais razões dela ter se tornado uma das minhas preferidas. 

O disco tem início com “Looking For Someone”. Começa com Gabriel “procurando alguém” em um estilo bastante acentuado, o órgão de fundo da o tom até os demais instrumentos se juntarem a ele. A canção então se cadencia com uma excelente combinação de passagens mais silenciosas e maduras e outras em um ritmo mais rápido. O trabalho de guitarra de Phillips é sensacional e caracterizou futuras afinações que o Genesis usaria em seus trabalhos posteriores de guitarra. Tony Banks também está impecável. 

“White Mountain” muda a direção musical para um conto de fadas, onde a história trata-se de um lobo solitário que desafiou as normas sagradas de sua sociedade e pagou um preço alto por isso. Acho essa música bastante subestimada. Possui um excelente trabalho de teclado e guitarra acústica. A melodia vocal de Peter Gabriel (que também toca flauta aqui) é deslumbrante e enérgica através de um desespero convincente, causando uma sensação de arrepios em determinados momentos. As peças de transição com teclados e guitarra são bastante sensíveis. Baixo e bateria fazem uma cozinha sólida e precisa. Uma faixa realmente capaz deixar o ouvinte “tocado” e absorvido pela sua belíssima harmonia/melodia.

“Visions of Angels” apresenta algumas seções muito boas, mas ao invés de uma evolução clara em relação ao disco de estreia como ocorreu nas faixas anteriores, aqui parece que há uma combinação entre os “dois Genesis”. Destaque está por volta de 2:30 quando através de uma crescente instrumental que explode com todos os instrumentos, dando à música um ponto climático, a banda mostra a sua capacidade em transformar um clima musical comum em algo mais complexo e de atmosfera diferente. 

“Stagnation” ilustra o mundo imaginativo do grupo, as preocupações de um homem que decidiu passar o resto de sua existência vivendo em um abrigo subterrâneo. Tem um belo início através das doze cordas da guitarra de Phillips em um clima pastoral e relaxante, além de serenos vocais. Os teclados de Banks são utilizados de forma bastante engenhosa, provocando algumas sonoridades que creio que eram inclusive desconhecidas até aquele momento. Os vocais lacrimosos de Gabriel edificam a canção. O final é bastante apoteótico em uma conclusão entusiasmada. 

“Dusk” é outra bela composição com ótimas letras sobre o amor e o significado da vida. A música mais pop do álbum, sem bateria, o que faz com que tenha uma estrutura mais ingênua e suave. Uma canção de atmosfera muito agradável. Guitarra acústica, um trabalho de teclado que não interfere e nem domina e Peter Gabriel em ótimas incursões de flauta. 

A última faixa, “Knife”, exemplifica na prática o significado de fechar o álbum com chave de ouro. Durante a música, Phillips replica alguns riffs e solos trovejantes que servem como uma manivela pra faixa enquanto Mayhew mostra muito groove e a pancadaria na bateria na seção rítmica nunca foi repetida nem mesmo em versões com o tecnicamente superior, Phil Collins. “Knife” recebeu grande elogio de Keith Emerson na época, principalmente o trabalho de órgão de Tony Banks que é sensacional desde os seus primeiros segundos. Mike Rutherford foi preciso no baixo de efeito fuzz e Peter Gabriel canta de maneira bastante dramática. Um triunfo do rock progressivo de alguns momentos pesados e que provou ser uma das músicas mais emocionantes e dinâmicas que a banda gravou em sua história. 

Trespass é um disco excelente e que merece muito mais créditos do que de fato recebe. Um disco transcendental para a história do Genesis, marcando o momento em que uma das mais importantes bandas de rock progressivo atingia sua maturidade, apesar da pouca idade dos membros. 

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