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Resenha: Yes - The Ladder (1999)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
The Ladder explora vários tipos de música, mas muitas vezes de maneira confusa.
2.5
17/11/2017

Quando se tem o primeiro contato com este disco é passada uma sensação de que estaremos diante de uma música ao menos diferente da que havia sido feita em discos anteriores. O novato Igor Khoroshev, por exemplo, conseguiu fornecer alguns teclados criativos.  Este não é o tipo de som que eu definiria como o mais "tradicional" do Yes, mas certamente é uma tentativa decente de expressão artística menos comercial e que havia afastado alguns fãs menos abertos a novas tendências musicais que a banda estava seguindo. 

Seria exagero dizer que se tratava de uma ressureição da sonoridade mais progressiva da banda e que havia sido enterrada nos anos 70. Mas também não acho justo dizer que é um disco ruim. The Ladder consegue fazer eu me encontrar em um lugar que não costumo ficar, ou seja, em cima do muro. Digo até que se o disco fosse de alguma banda de rock progressivo que estava dando seus primeiros passos nos anos 90 seria algo digno de muitos elogios, mas como falamos de um dos maiores (e pra muitos o maior) dinossauros do gênero, sempre vamos esperar mais do que isso. 

“Homeworld (The Ladder)” é a faixa que dá início ao álbum e de certa forma mostra uma tentativa da banda em realmente voltar a navegar em suas ideias 70’s. Trata-se da canção mais longa do disco, boas harmonias vocais, algumas quebras de guitarras elétricas e acústicas, além de agradáveis teclados. Não chega a ser espetacular ou mesmo impressionante, mas possui seus valores. 

“It Will Be A Good Day” é uma balada pop sinfônica novamente com boas harmonias vocais. Algumas seções agradáveis de teclado, embora seja nítida a tentativa de Igor em tentar emular o estilo de Wakeman, porém, sem muito sucesso. Trata-se de uma faixa tão inofensiva que eu não sei exatamente o que dizer sobre ela, somente que não acrescente e nem atrapalha. 

“Lightning Strikes” eu acho horrível. Uma introdução meio mambo e melodia pop que consegue ficar mais irritante a cada escuta. Olhar os créditos do CD e ser obrigado a ler no line-up, “dance loops”, me pergunto, “isso realmente é um álbum do Yes?”. Faixa completamente esquecível. 

"Can I?" é outro momento dispensável. Trata-se de uma reformulação de We Have Heaven, mas infelizmente e ao contrário da faixa dos anos 70, bastante sem inspiração. Seria como eu fazer uma reformulação do quadro da Mona Lisa. 

“Face to Face” foi a primeira faixa do álbum que me despertou um interesse maior, me chamou a atenção. Bastante vibrante e interessante com um duo de guitarra feito de maneira perfeita pra encaixar na voz de Anderson. Chris Squire pela primeira vez mostra de maneira evidente suas duas facetas, excelente vocalista de apoio e baixista. 

Após um momento tão interessante, "If Only You Knew" apaga a chama da empolgação acendida na faixa anterior. Letras fracas, “orientada” demais para o amor e parece (inclusive deve ser mesmo) uma declaração de Jon para a sua esposa. Nada soa nem mesmo remotamente interessante. Um tipo de música muito boa pra banda como Boston, mas não para o Yes. 

“To Be Alive” também não parece uma música boa quando falamos de Yes, mas caso tivesse sido feita pelo Sting até arriscaria dizer que tocaria bastante nas rádios. Mas antes de continuar, queria deixar claro que nada tenho contra Boston ou Sting, os citei nestas duas faixas anteriores apenas pra um comparativo, quando percebo que em se tratando de Yes tudo parece meio forçado.

"Finally" é uma música que começa de maneira de certa forma promissora, problema é que vai se desenvolvendo como e fosse uma introdução que não tem fim, nunca chegando a capturar um som essencial. Fácil perceber uma reminiscência em 90125, principalmente se pensarmos na famosa "Owner of a Lonely Heart". Apesar disso, tem uma bonita seção melódica de guitarras e teclado, além de Anderson apresentar bons vocais. 

"The Messenger" é outro momento que sinceramente, só preencheu o disco. O começo parece um tributo a algum grupo de reggae. Até tem um bom bandolim e refrão, mas pouco demais pra salvar a faixa de um total desperdício de tempo. 

Olhando a capa do CD na primeira vez que o ouvi, vi que “New Language” tinha mais de nove minutos de duração e isso me animou, músicas mais longas na minha concepção podem ter mais chances de surpreender em um disco tão morno até então. A introdução realmente me fez pensar que a banda estava voltando às raízes, apesar de serem mais pesados que nos anos 70. Começa com uma boa instrumental de maneira forte e violenta, mas após dois minutos percebemos que era apenas uma miragem em meio a um grande deserto. Mas também não é de todo o mal, no seu decorrer tem bons vocais e uma banda de apoio forte, porém, que não sustenta com boas ideias seus quase dez minutos, fazendo com que seus melhores momentos mantenham-se distantes um do outro. 

Como já era de imaginar, o disco acaba mais fraco do que quando começou. “Nine Voices” é uma faixa totalmente acústica, mas sem muita profundidade com exceção de algum violão ou talvez bandolim que a livra de não ir a lugar algum. 

Mesmo que eu diga que é o melhor disco da banda desde Drama, não quer dizer que se trata de uma obra digna de mais elogios do que crítica. Às vezes com mais audições vamos compreendendo melhor algo que não gostamos de cara, mas isso não é uma lei, por isso não acontece aqui. The Ladder explora vários tipos de música, mas muitas vezes de maneira confusa. Apesar de ser um disco de muito otimismo, cheio de esperança e amor, não consegue entrar na alma do ouvinte como vários discos da banda lançados em outrora. 

The Ladder explora vários tipos de música, mas muitas vezes de maneira confusa.
2.5
17/11/2017

Quando se tem o primeiro contato com este disco é passada uma sensação de que estaremos diante de uma música ao menos diferente da que havia sido feita em discos anteriores. O novato Igor Khoroshev, por exemplo, conseguiu fornecer alguns teclados criativos.  Este não é o tipo de som que eu definiria como o mais "tradicional" do Yes, mas certamente é uma tentativa decente de expressão artística menos comercial e que havia afastado alguns fãs menos abertos a novas tendências musicais que a banda estava seguindo. 

Seria exagero dizer que se tratava de uma ressureição da sonoridade mais progressiva da banda e que havia sido enterrada nos anos 70. Mas também não acho justo dizer que é um disco ruim. The Ladder consegue fazer eu me encontrar em um lugar que não costumo ficar, ou seja, em cima do muro. Digo até que se o disco fosse de alguma banda de rock progressivo que estava dando seus primeiros passos nos anos 90 seria algo digno de muitos elogios, mas como falamos de um dos maiores (e pra muitos o maior) dinossauros do gênero, sempre vamos esperar mais do que isso. 

“Homeworld (The Ladder)” é a faixa que dá início ao álbum e de certa forma mostra uma tentativa da banda em realmente voltar a navegar em suas ideias 70’s. Trata-se da canção mais longa do disco, boas harmonias vocais, algumas quebras de guitarras elétricas e acústicas, além de agradáveis teclados. Não chega a ser espetacular ou mesmo impressionante, mas possui seus valores. 

“It Will Be A Good Day” é uma balada pop sinfônica novamente com boas harmonias vocais. Algumas seções agradáveis de teclado, embora seja nítida a tentativa de Igor em tentar emular o estilo de Wakeman, porém, sem muito sucesso. Trata-se de uma faixa tão inofensiva que eu não sei exatamente o que dizer sobre ela, somente que não acrescente e nem atrapalha. 

“Lightning Strikes” eu acho horrível. Uma introdução meio mambo e melodia pop que consegue ficar mais irritante a cada escuta. Olhar os créditos do CD e ser obrigado a ler no line-up, “dance loops”, me pergunto, “isso realmente é um álbum do Yes?”. Faixa completamente esquecível. 

"Can I?" é outro momento dispensável. Trata-se de uma reformulação de We Have Heaven, mas infelizmente e ao contrário da faixa dos anos 70, bastante sem inspiração. Seria como eu fazer uma reformulação do quadro da Mona Lisa. 

“Face to Face” foi a primeira faixa do álbum que me despertou um interesse maior, me chamou a atenção. Bastante vibrante e interessante com um duo de guitarra feito de maneira perfeita pra encaixar na voz de Anderson. Chris Squire pela primeira vez mostra de maneira evidente suas duas facetas, excelente vocalista de apoio e baixista. 

Após um momento tão interessante, "If Only You Knew" apaga a chama da empolgação acendida na faixa anterior. Letras fracas, “orientada” demais para o amor e parece (inclusive deve ser mesmo) uma declaração de Jon para a sua esposa. Nada soa nem mesmo remotamente interessante. Um tipo de música muito boa pra banda como Boston, mas não para o Yes. 

“To Be Alive” também não parece uma música boa quando falamos de Yes, mas caso tivesse sido feita pelo Sting até arriscaria dizer que tocaria bastante nas rádios. Mas antes de continuar, queria deixar claro que nada tenho contra Boston ou Sting, os citei nestas duas faixas anteriores apenas pra um comparativo, quando percebo que em se tratando de Yes tudo parece meio forçado.

"Finally" é uma música que começa de maneira de certa forma promissora, problema é que vai se desenvolvendo como e fosse uma introdução que não tem fim, nunca chegando a capturar um som essencial. Fácil perceber uma reminiscência em 90125, principalmente se pensarmos na famosa "Owner of a Lonely Heart". Apesar disso, tem uma bonita seção melódica de guitarras e teclado, além de Anderson apresentar bons vocais. 

"The Messenger" é outro momento que sinceramente, só preencheu o disco. O começo parece um tributo a algum grupo de reggae. Até tem um bom bandolim e refrão, mas pouco demais pra salvar a faixa de um total desperdício de tempo. 

Olhando a capa do CD na primeira vez que o ouvi, vi que “New Language” tinha mais de nove minutos de duração e isso me animou, músicas mais longas na minha concepção podem ter mais chances de surpreender em um disco tão morno até então. A introdução realmente me fez pensar que a banda estava voltando às raízes, apesar de serem mais pesados que nos anos 70. Começa com uma boa instrumental de maneira forte e violenta, mas após dois minutos percebemos que era apenas uma miragem em meio a um grande deserto. Mas também não é de todo o mal, no seu decorrer tem bons vocais e uma banda de apoio forte, porém, que não sustenta com boas ideias seus quase dez minutos, fazendo com que seus melhores momentos mantenham-se distantes um do outro. 

Como já era de imaginar, o disco acaba mais fraco do que quando começou. “Nine Voices” é uma faixa totalmente acústica, mas sem muita profundidade com exceção de algum violão ou talvez bandolim que a livra de não ir a lugar algum. 

Mesmo que eu diga que é o melhor disco da banda desde Drama, não quer dizer que se trata de uma obra digna de mais elogios do que crítica. Às vezes com mais audições vamos compreendendo melhor algo que não gostamos de cara, mas isso não é uma lei, por isso não acontece aqui. The Ladder explora vários tipos de música, mas muitas vezes de maneira confusa. Apesar de ser um disco de muito otimismo, cheio de esperança e amor, não consegue entrar na alma do ouvinte como vários discos da banda lançados em outrora. 

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