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Resenha: Wishbone Ash - Argus (1972)

Por: Tiago Meneses

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Um disco de musicalidade precisa e emoção honesta.
5
16/11/2017

Lembro-me exatamente da primeira vez que ouvi esse álbum. Um amigo de sala de aula me perguntou se eu já havia escutado uma banda chamada Wishbone Ash e que o pai dele adorava. Respondi que nem mesmo de nome eu a conhecia, ele então gentilmente no dia seguinte chegou à sala de aula com esse CD para que eu levasse pra casa e o ouvisse. Uma pena não ter mais contato com ele, pois me sentiria na obrigação de tempos em tempos ter que agradecê-lo por ter me apresentado algo tão sensacional (ainda que hoje eu já teria a conhecido de qualquer maneira). 

Muitos consideram Argus como o primeiro disco a apresentar guitarras gêmeas nos moldes que inspirariam bandas como Thin Lizzy e Judas Priest. Este álbum soa como um cruzamento entre Thin Lizzy, Uriah Heep, Deep Purple e Strawbs, mas claro, sem deixar de também manter a sua sonoridade própria. 

O disco é indiscutivelmente um clássico do rock melódico dos anos setenta. A capa temperamental retrata um soldado da antiguidade olhando para baixo em um vale. Embora seja uma figura com capacete e lança, parece mais evocar momentos pacíficos. Talvez outros interpretem isso como um soldado planejando atacar, mas pra mim a tonalidade quente da luz sugere calma e não raiva. Com o tempo passei a ter a impressão de que muito do material deste disco deve ter sido gravado ao vivo no estúdio, pois há tantas peças instrumentais e longas com solos de guitarra que soam de forma espontânea, que só mesmo executado de despretensiosamente pra soar da maneira que aconteceu. 

O álbum abre com o arpejo melódico de “Time Was”. Com quase dez minutos, logo de cara percebe-se que este álbum não tem medo quando se trata de solos de guitarras e longas passagens instrumentais. A música começa com uma seção acústica até que acontece uma mudança no ritmo a deixando edificante, animada e agradável. Possui um engenhoso trabalho de guitarra e lirismo. Bateria e baixo formam uma cozinha muito bem feita e que é mais que somente um pano de fundo. 

Em “Sometime World”, assim como ocorreu na faixa de abertura, a melodia vai fluindo de maneira delicada até determinado ponto, então uma mudança coloca uma cadência mais enérgica na canção. Um forte riff melódico e trabalhos de guitarras muito bem sucedidos junto a vocais de apoio dão o tom da música. Destaque também quando novamente a banda impulsiona a canção com ótimos solos de guitarra, além de uma bateria com bastante vigor e baixo pulsante. 

“Blowing Free” é um rock convencional. Guitarra em sua maioria bastante suave, linhas de baixo evidentes e bateria preenchendo a música somente com o necessário constroem uma harmonia doce. Possui uma pausa dinâmica que regressa com um excelente solo de guitarra. Em determinados momentos a aura musical, digamos assim, encontrada aqui me faz lembrar algo como Crosby, Stills Nash e Young no disco Deja Vu. 

"The King Will Come" é um tipo de música que às vezes eu mesmo a subestimo, mas sempre que a escuto é inevitável não dizer que se trata de uma das melhores já feitas na história do rock. Vai surgindo discretamente com uma bateria de marcha, uma guitarra wah-wah de fundo e outra ritmando, um baixo macio, tudo vai crescendo até que a faixa de fato inicia com um dos riffs de guitarra mais sensacionais que já ouvi. "The King Will Come" me faz lembrar mais do que nunca o porquê esse disco ser tão sensacional. Belas harmonias vocais, letras folclóricas, passagens instrumentais que trazem o riff inicial de volta, além de ótimos solos e mais solos de guitarra. Pra mim essa é a trilha clássica da banda. Vibrante e memorável. 

“Leaf and Stream” tem uma atmosfera pastoral, vocais melódicos e trabalho sensíveis de guitarra. A forma como é construída faz um bem para alma, como se anjos estivessem soprando em nossos ouvidos. Uma balada acústica e poética que serve como um interlúdio pacífico antes que a banda retroceda em mais uma música de sonoridade pulsante. 

“Warrior” é uma de suas músicas mais famosas. Bastante intensa e apaixonada, traz uma sensação de folk rock, só que com o uso de guitarras mais pesadas. A impressão que a letra passa é de que o “guerreiro” da capa derrubou o tirano e agora se encontra em paz. Tem uma passagem em seu núcleo instrumentalmente viajante em versos cantados de maneira bastante emotiva. As guitarras novamente são os destaques. “Warrior” é uma música que cresce de maneira constante até chegar a um final estelar. 

“Throw Down the Sword” finaliza o disco e me lembro até hoje quando o ouvi pela primeira vez. Enquanto a faixa passava eu falava comigo mesmo que poderiam ter finalizado o álbum com um rock menos convencional. Foi então que os dois minutos finais me fizeram ficar preso em um loop que demorei a sair. O clímax criado é brilhante. Guitarras gêmeas eram novidades pra mim e logo de cara me deparei com o trabalho que ainda hoje considero o mais bem feito dos que eu conheço dentro desses moldes. As duas guitarras solando perfeitamente sobre um cenário instrumental excelente. O que inicialmente parecia  ilustrar um final morno pra um disco sensacional, manteve o brilhantismo através de um solo apoteótico e dos mais bem feitos da história do rock. 

Um disco que consegue combinar perfeitamente uma musicalidade precisa e emoção honesta. Argus apresenta todo tipo de beleza característica de um disco de rock clássico. Um registro extremamente original onde quando menos se espera nos prende em audições seguidas que sempre nos mostram uma nova qualidade. 

Um disco de musicalidade precisa e emoção honesta.
5
16/11/2017

Lembro-me exatamente da primeira vez que ouvi esse álbum. Um amigo de sala de aula me perguntou se eu já havia escutado uma banda chamada Wishbone Ash e que o pai dele adorava. Respondi que nem mesmo de nome eu a conhecia, ele então gentilmente no dia seguinte chegou à sala de aula com esse CD para que eu levasse pra casa e o ouvisse. Uma pena não ter mais contato com ele, pois me sentiria na obrigação de tempos em tempos ter que agradecê-lo por ter me apresentado algo tão sensacional (ainda que hoje eu já teria a conhecido de qualquer maneira). 

Muitos consideram Argus como o primeiro disco a apresentar guitarras gêmeas nos moldes que inspirariam bandas como Thin Lizzy e Judas Priest. Este álbum soa como um cruzamento entre Thin Lizzy, Uriah Heep, Deep Purple e Strawbs, mas claro, sem deixar de também manter a sua sonoridade própria. 

O disco é indiscutivelmente um clássico do rock melódico dos anos setenta. A capa temperamental retrata um soldado da antiguidade olhando para baixo em um vale. Embora seja uma figura com capacete e lança, parece mais evocar momentos pacíficos. Talvez outros interpretem isso como um soldado planejando atacar, mas pra mim a tonalidade quente da luz sugere calma e não raiva. Com o tempo passei a ter a impressão de que muito do material deste disco deve ter sido gravado ao vivo no estúdio, pois há tantas peças instrumentais e longas com solos de guitarra que soam de forma espontânea, que só mesmo executado de despretensiosamente pra soar da maneira que aconteceu. 

O álbum abre com o arpejo melódico de “Time Was”. Com quase dez minutos, logo de cara percebe-se que este álbum não tem medo quando se trata de solos de guitarras e longas passagens instrumentais. A música começa com uma seção acústica até que acontece uma mudança no ritmo a deixando edificante, animada e agradável. Possui um engenhoso trabalho de guitarra e lirismo. Bateria e baixo formam uma cozinha muito bem feita e que é mais que somente um pano de fundo. 

Em “Sometime World”, assim como ocorreu na faixa de abertura, a melodia vai fluindo de maneira delicada até determinado ponto, então uma mudança coloca uma cadência mais enérgica na canção. Um forte riff melódico e trabalhos de guitarras muito bem sucedidos junto a vocais de apoio dão o tom da música. Destaque também quando novamente a banda impulsiona a canção com ótimos solos de guitarra, além de uma bateria com bastante vigor e baixo pulsante. 

“Blowing Free” é um rock convencional. Guitarra em sua maioria bastante suave, linhas de baixo evidentes e bateria preenchendo a música somente com o necessário constroem uma harmonia doce. Possui uma pausa dinâmica que regressa com um excelente solo de guitarra. Em determinados momentos a aura musical, digamos assim, encontrada aqui me faz lembrar algo como Crosby, Stills Nash e Young no disco Deja Vu. 

"The King Will Come" é um tipo de música que às vezes eu mesmo a subestimo, mas sempre que a escuto é inevitável não dizer que se trata de uma das melhores já feitas na história do rock. Vai surgindo discretamente com uma bateria de marcha, uma guitarra wah-wah de fundo e outra ritmando, um baixo macio, tudo vai crescendo até que a faixa de fato inicia com um dos riffs de guitarra mais sensacionais que já ouvi. "The King Will Come" me faz lembrar mais do que nunca o porquê esse disco ser tão sensacional. Belas harmonias vocais, letras folclóricas, passagens instrumentais que trazem o riff inicial de volta, além de ótimos solos e mais solos de guitarra. Pra mim essa é a trilha clássica da banda. Vibrante e memorável. 

“Leaf and Stream” tem uma atmosfera pastoral, vocais melódicos e trabalho sensíveis de guitarra. A forma como é construída faz um bem para alma, como se anjos estivessem soprando em nossos ouvidos. Uma balada acústica e poética que serve como um interlúdio pacífico antes que a banda retroceda em mais uma música de sonoridade pulsante. 

“Warrior” é uma de suas músicas mais famosas. Bastante intensa e apaixonada, traz uma sensação de folk rock, só que com o uso de guitarras mais pesadas. A impressão que a letra passa é de que o “guerreiro” da capa derrubou o tirano e agora se encontra em paz. Tem uma passagem em seu núcleo instrumentalmente viajante em versos cantados de maneira bastante emotiva. As guitarras novamente são os destaques. “Warrior” é uma música que cresce de maneira constante até chegar a um final estelar. 

“Throw Down the Sword” finaliza o disco e me lembro até hoje quando o ouvi pela primeira vez. Enquanto a faixa passava eu falava comigo mesmo que poderiam ter finalizado o álbum com um rock menos convencional. Foi então que os dois minutos finais me fizeram ficar preso em um loop que demorei a sair. O clímax criado é brilhante. Guitarras gêmeas eram novidades pra mim e logo de cara me deparei com o trabalho que ainda hoje considero o mais bem feito dos que eu conheço dentro desses moldes. As duas guitarras solando perfeitamente sobre um cenário instrumental excelente. O que inicialmente parecia  ilustrar um final morno pra um disco sensacional, manteve o brilhantismo através de um solo apoteótico e dos mais bem feitos da história do rock. 

Um disco que consegue combinar perfeitamente uma musicalidade precisa e emoção honesta. Argus apresenta todo tipo de beleza característica de um disco de rock clássico. Um registro extremamente original onde quando menos se espera nos prende em audições seguidas que sempre nos mostram uma nova qualidade. 

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