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Resenha: Yes - Going For The One (1977)

Por: Tiago Meneses

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Um bom equilíbrio entre o virtuosismo e músicas mais acessíveis.
3.5
14/11/2017

Três anos após o magnífico Relayer, a banda retorna com Rick Wakeman nos teclados através do disco Going For The One. Inicialmente eu achei um disco difícil e confesso que não me agradou, mas com o tempo ficou inevitável reparar algumas qualidades no álbum. Steve Howe carrega mais peso nos solos, Rick Wakeman desempenha um papel mais estrutural, Chris Squire toca um baixo trovejante enquanto Alan White desempenha de forma competente a bateria. A voz de Jon Anderson mantém suas qualidades etéreas, mas, como as composições presentes, está em uma linha mais rock and roll, além de mais aguda que o normal, o que acabou irritando muitas pessoas em relação a sua performance neste disco. Em termos de composição, musicalidade e produção, também acho que o álbum se desenvolve de maneira bastante redonda. 

O álbum começa com a faixa título. Quando ouvi seus primeiros segundos perguntei, “mas o que é isso?”, achei bastante estranho. A música tem umas boas mudanças, além de um forte trabalho de guitarra por parte de Steve Howe, mas isso não é o suficiente pra se fazer uma faixa. Falta a magia que a banda mostrou em seus álbuns anteriores. No geral é um rock sem nenhum vestígio de rock progressivo. 

"Turn of the Century" é uma balada linda. Algumas guitarras acústicas requintadas e atmosferas orquestrais apoiando os vocais angelicais de Anderson. Sua voz nesta faixa carrega tanta emoção que não é necessário saber exatamente sobre o que ele fala pra invocar sentimentos consideráveis no ouvinte. O solo de piano no meio da faixa também está de acordo com o resto da música, ou seja, belíssimo. Apesar de seguir uma estrutura bastante convencional para os padrões da banda, consegue manter a atenção do ouvinte por seus cerca de oito minutos. 

A próxima faixa é "Parallels". Já vi em algum lugar que se trata de uma sobra do disco solo de Chris Squire, Fish out of Water. De qualquer forma, que bom que não se transformou em uma faixa engavetada e foi aproveitada pela banda. Uma música bastante acessível e divertida com influências clássicas. Possui um órgão estilo de igreja bastante forte e vibrante, onde sem dúvida é um dos destaques da música. Outros destaques sem dúvida alguma é a guitarra de Steve Howe e os backing vocals. Uma música de melodia fascinante e cativante com potencial de ter sido um clássico presente nos shows de maneira permanente. 

“Wonderous Stories” é a outra balada do disco, mas agora mais curta. Possui umas camadas bem encaixadas, boas melodias com ricos arranjos que inclui bom trabalho de violão e harpa. A interpretação de Anderson não é tão emotiva como em "Turn of the Century". Uma faixa de boa qualidade e que mostra uma banda que consegue absorver muita complexidade, mesmo que em uma canção curta. Apesar disso, nada impressiona, mas ao mesmo tempo, tudo é ok.

Não há nenhuma dúvida de que a verdadeira experiência musical deste disco está no seu final através da faixa “Awaken”. Uma música aventureira com partes tranquilas e oníricas, mas também com incursões bombásticas. Começa com um piano excelente e vocal angelical, mas que não dura muito e a música começa a seguir em uma cacofonia frenética de vocais, teclados, guitarra, baixo e bateria. O que se segue é um solo espetacular de Steve Howe e sem seguida uma estranha mudança de tempo. Vale destacar a bateria de Alan White que impulsiona a música com grande habilidade. A próxima ruptura instrumental é brilhante, como quem prepara o terreno pra algo grandioso que virá. Parece que a banda está ilustrando o nascer do sol através de uma música de atmosfera viajante. Os primeiros raios deste sol são apenas uns toques de triangulo, mas então cada segundo que passo percebe-se o nascimento de alguma outra melodia fornecido principalmente pelos teclados e uma guitarra hipnótica. Gradualmente os sons são multiplicados e a tensão vai aumentando até um clímax de tirar o fôlego. "Awaken" é um dos momentos mais sublimes da carreira da banda, onde cada segundo é de pura magia. 

Resumindo em poucas palavras, a banda está em um bom equilíbrio entre o virtuosismo e músicas mais acessíveis. 

Um bom equilíbrio entre o virtuosismo e músicas mais acessíveis.
3.5
14/11/2017

Três anos após o magnífico Relayer, a banda retorna com Rick Wakeman nos teclados através do disco Going For The One. Inicialmente eu achei um disco difícil e confesso que não me agradou, mas com o tempo ficou inevitável reparar algumas qualidades no álbum. Steve Howe carrega mais peso nos solos, Rick Wakeman desempenha um papel mais estrutural, Chris Squire toca um baixo trovejante enquanto Alan White desempenha de forma competente a bateria. A voz de Jon Anderson mantém suas qualidades etéreas, mas, como as composições presentes, está em uma linha mais rock and roll, além de mais aguda que o normal, o que acabou irritando muitas pessoas em relação a sua performance neste disco. Em termos de composição, musicalidade e produção, também acho que o álbum se desenvolve de maneira bastante redonda. 

O álbum começa com a faixa título. Quando ouvi seus primeiros segundos perguntei, “mas o que é isso?”, achei bastante estranho. A música tem umas boas mudanças, além de um forte trabalho de guitarra por parte de Steve Howe, mas isso não é o suficiente pra se fazer uma faixa. Falta a magia que a banda mostrou em seus álbuns anteriores. No geral é um rock sem nenhum vestígio de rock progressivo. 

"Turn of the Century" é uma balada linda. Algumas guitarras acústicas requintadas e atmosferas orquestrais apoiando os vocais angelicais de Anderson. Sua voz nesta faixa carrega tanta emoção que não é necessário saber exatamente sobre o que ele fala pra invocar sentimentos consideráveis no ouvinte. O solo de piano no meio da faixa também está de acordo com o resto da música, ou seja, belíssimo. Apesar de seguir uma estrutura bastante convencional para os padrões da banda, consegue manter a atenção do ouvinte por seus cerca de oito minutos. 

A próxima faixa é "Parallels". Já vi em algum lugar que se trata de uma sobra do disco solo de Chris Squire, Fish out of Water. De qualquer forma, que bom que não se transformou em uma faixa engavetada e foi aproveitada pela banda. Uma música bastante acessível e divertida com influências clássicas. Possui um órgão estilo de igreja bastante forte e vibrante, onde sem dúvida é um dos destaques da música. Outros destaques sem dúvida alguma é a guitarra de Steve Howe e os backing vocals. Uma música de melodia fascinante e cativante com potencial de ter sido um clássico presente nos shows de maneira permanente. 

“Wonderous Stories” é a outra balada do disco, mas agora mais curta. Possui umas camadas bem encaixadas, boas melodias com ricos arranjos que inclui bom trabalho de violão e harpa. A interpretação de Anderson não é tão emotiva como em "Turn of the Century". Uma faixa de boa qualidade e que mostra uma banda que consegue absorver muita complexidade, mesmo que em uma canção curta. Apesar disso, nada impressiona, mas ao mesmo tempo, tudo é ok.

Não há nenhuma dúvida de que a verdadeira experiência musical deste disco está no seu final através da faixa “Awaken”. Uma música aventureira com partes tranquilas e oníricas, mas também com incursões bombásticas. Começa com um piano excelente e vocal angelical, mas que não dura muito e a música começa a seguir em uma cacofonia frenética de vocais, teclados, guitarra, baixo e bateria. O que se segue é um solo espetacular de Steve Howe e sem seguida uma estranha mudança de tempo. Vale destacar a bateria de Alan White que impulsiona a música com grande habilidade. A próxima ruptura instrumental é brilhante, como quem prepara o terreno pra algo grandioso que virá. Parece que a banda está ilustrando o nascer do sol através de uma música de atmosfera viajante. Os primeiros raios deste sol são apenas uns toques de triangulo, mas então cada segundo que passo percebe-se o nascimento de alguma outra melodia fornecido principalmente pelos teclados e uma guitarra hipnótica. Gradualmente os sons são multiplicados e a tensão vai aumentando até um clímax de tirar o fôlego. "Awaken" é um dos momentos mais sublimes da carreira da banda, onde cada segundo é de pura magia. 

Resumindo em poucas palavras, a banda está em um bom equilíbrio entre o virtuosismo e músicas mais acessíveis. 

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