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Resenha: Banco Del Mutuo Soccorso - Io Sono Nato Libero (1973)

Por: Tiago Meneses

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Uma banda oferecendo a quintessência de sua arte.
5
10/11/2017

Sem a menor sombra de dúvida, uma das maiores obras-primas do rock progressivo italiano. Um álbum cheio de variedade e que embora algumas pessoas o classifiquem até mesmo como confuso, eu vejo como algo que flui muito bem e tem a capacidade de manter a minha atenção por completo do começo ao fim. 

Io Sono nato Libero, terceiro álbum do Banco Del Mutuo Soccorso é um trabalho extremamente complexo e comprometido, por isso leva tempo para entrar em sua "arquitetura musical". Há mais espaço para as guitarras do que em no disco de estreia e em Darwin. A banda aqui parece ter “crescido”, desenvolvendo um estilo muito pessoal. Este é também o primeiro álbum com o guitarrista Rodolfo Maltese (embora nos créditos tenha aparecido apenas como músico convidado) e seu toque é bastante essencial na "alquimia musical" da banda, juntamente com o trabalho de piano e teclados dos irmãos Nocenzi e os vocais peculiares de Francesco Di Giacomo.

A música de abertura é o épico, “Canto Nomade Per Un Prigioniero Politico”, com mais de quinze minutos de duração e que começa com um teclado minimalista. Os primeiros vocais já mostram a sempre bela voz de Giacomo. Bateria e baixo começam a dar mais dinâmica à música. Durante toda a sua jornada a banda apresenta-nos um dos melhores exemplos do que o rock progressivo significa, com uma estrutura muito complexa, em que a nível comparativo eu  citaria o King Crimson com toques jazzy, mas nunca esquecendo a importância de uma melodia sólida. Uma abertura de disco com variedade de estilos, linha vocal melódica e forte influência da música clássica e de vanguarda. Em termos de estrutura é uma faixa com várias formas de música, em que cada forma compreende um seguimento complexo e bonito. Piano e teclado são usados de maneira intercambiável. Alguns seguimentos mais intrincados em algumas partes combinam perfeitamente o trabalho de guitarra, piano e bateria. Uma música com nuances única e estruturas complicadas, porém, muito bem direcionadas. 

“Non Mi Rompete” tem uma sonoridade pop bem orientada com melodias agradáveis e multicamadas. Uma abordagem mais acessível e que parece ter sido feita pra ser um single bem sucedido em algumas partes do mundo, mesmo não sendo necessariamente uma balada, afinal, sua fluidez não é comum. A abordagem simplista quebra a linha complexa da faixa anterior, dando um bom exemplo da diversidade do Banco. Mesmo quando a faixa se encontra mais rápida, a guitarra acústica serve como ritmo principal em uma música sem bateria. Destaque também, obviamente para a gama vocal de Francesco que é de longe,uma das melhores em todo o universo progressivo. 

Em “La Cittá Sottile" a banda apresenta uma mudança radical em relação ao havia feito nas duas faixas anteriores. Algo meio que um jazz sinfônico. É uma música de estrutura relativamente simples com bom toquei jazzístico através do estilo de guitarra combinado com os trabalhos de piano e teclados de vanguarda em seu meio. Por vezes o piano é tocado no melhor estilo poderoso de Rachmaninoff. Essa música é bastante surpreendente. 

“Dopo... Niente È Più Lo Stesso” fala sobre um soldado que retorna da Batalha de Stalingrado e  chega a sua pátria. A música reflete bem esse sentimento. Esta é mais uma faixa complexa trazendo uma seção dissonante em que a flauta doce entra em conflito com o resto dos instrumentos, especialmente o piano. Os vocais de Giacomo são ótimos, assim como a atmosfera ambiente. A música tem uma parte mais suave onde vocal e teclado dominam, além de conter umas colisões com a flauta. Em contraponto à esses momentos suaves a banda soa de maneira frenética na veia de King Crimson. Outro destaque fica mais para o final quando a linha de baixo se torna extremamente forte e pulsante. Uma música que contem vários tipos de emoções. 

O álbum chega ao fim através de “Traccia II”. Uma curta peça instrumental onde a banda mostra um lado quase totalmente clássico (quase, pois o moog e a bateria nos trazem de volta ao território progressivo). Ótimos usos de piano, teclados fantásticos e uma infinidade de camadas sonoras que deixam a música extremamente rica. A interação entre os irmãos Gianni e Vottorio Nocenzi é algo fantástico. 

Não há dúvida de que através de Io Sono Nato Libero o Banco Del Mutuo Soccorso nos ofereceu a quintessência de sua arte. É uma música complexa que parece muito fácil depois de algumas audições. A banda mistura folk, clássico, jazz e rock de uma maneira única. Apesar de uma gama de influências, criou uma sonoridade particular. Musicalmente são vários sentimentos criativos e distintos, tudo unido a voz de um dos melhores e mais emotivos vocalistas da história do rock progressivo. Essencial. 

Uma banda oferecendo a quintessência de sua arte.
5
10/11/2017

Sem a menor sombra de dúvida, uma das maiores obras-primas do rock progressivo italiano. Um álbum cheio de variedade e que embora algumas pessoas o classifiquem até mesmo como confuso, eu vejo como algo que flui muito bem e tem a capacidade de manter a minha atenção por completo do começo ao fim. 

Io Sono nato Libero, terceiro álbum do Banco Del Mutuo Soccorso é um trabalho extremamente complexo e comprometido, por isso leva tempo para entrar em sua "arquitetura musical". Há mais espaço para as guitarras do que em no disco de estreia e em Darwin. A banda aqui parece ter “crescido”, desenvolvendo um estilo muito pessoal. Este é também o primeiro álbum com o guitarrista Rodolfo Maltese (embora nos créditos tenha aparecido apenas como músico convidado) e seu toque é bastante essencial na "alquimia musical" da banda, juntamente com o trabalho de piano e teclados dos irmãos Nocenzi e os vocais peculiares de Francesco Di Giacomo.

A música de abertura é o épico, “Canto Nomade Per Un Prigioniero Politico”, com mais de quinze minutos de duração e que começa com um teclado minimalista. Os primeiros vocais já mostram a sempre bela voz de Giacomo. Bateria e baixo começam a dar mais dinâmica à música. Durante toda a sua jornada a banda apresenta-nos um dos melhores exemplos do que o rock progressivo significa, com uma estrutura muito complexa, em que a nível comparativo eu  citaria o King Crimson com toques jazzy, mas nunca esquecendo a importância de uma melodia sólida. Uma abertura de disco com variedade de estilos, linha vocal melódica e forte influência da música clássica e de vanguarda. Em termos de estrutura é uma faixa com várias formas de música, em que cada forma compreende um seguimento complexo e bonito. Piano e teclado são usados de maneira intercambiável. Alguns seguimentos mais intrincados em algumas partes combinam perfeitamente o trabalho de guitarra, piano e bateria. Uma música com nuances única e estruturas complicadas, porém, muito bem direcionadas. 

“Non Mi Rompete” tem uma sonoridade pop bem orientada com melodias agradáveis e multicamadas. Uma abordagem mais acessível e que parece ter sido feita pra ser um single bem sucedido em algumas partes do mundo, mesmo não sendo necessariamente uma balada, afinal, sua fluidez não é comum. A abordagem simplista quebra a linha complexa da faixa anterior, dando um bom exemplo da diversidade do Banco. Mesmo quando a faixa se encontra mais rápida, a guitarra acústica serve como ritmo principal em uma música sem bateria. Destaque também, obviamente para a gama vocal de Francesco que é de longe,uma das melhores em todo o universo progressivo. 

Em “La Cittá Sottile" a banda apresenta uma mudança radical em relação ao havia feito nas duas faixas anteriores. Algo meio que um jazz sinfônico. É uma música de estrutura relativamente simples com bom toquei jazzístico através do estilo de guitarra combinado com os trabalhos de piano e teclados de vanguarda em seu meio. Por vezes o piano é tocado no melhor estilo poderoso de Rachmaninoff. Essa música é bastante surpreendente. 

“Dopo... Niente È Più Lo Stesso” fala sobre um soldado que retorna da Batalha de Stalingrado e  chega a sua pátria. A música reflete bem esse sentimento. Esta é mais uma faixa complexa trazendo uma seção dissonante em que a flauta doce entra em conflito com o resto dos instrumentos, especialmente o piano. Os vocais de Giacomo são ótimos, assim como a atmosfera ambiente. A música tem uma parte mais suave onde vocal e teclado dominam, além de conter umas colisões com a flauta. Em contraponto à esses momentos suaves a banda soa de maneira frenética na veia de King Crimson. Outro destaque fica mais para o final quando a linha de baixo se torna extremamente forte e pulsante. Uma música que contem vários tipos de emoções. 

O álbum chega ao fim através de “Traccia II”. Uma curta peça instrumental onde a banda mostra um lado quase totalmente clássico (quase, pois o moog e a bateria nos trazem de volta ao território progressivo). Ótimos usos de piano, teclados fantásticos e uma infinidade de camadas sonoras que deixam a música extremamente rica. A interação entre os irmãos Gianni e Vottorio Nocenzi é algo fantástico. 

Não há dúvida de que através de Io Sono Nato Libero o Banco Del Mutuo Soccorso nos ofereceu a quintessência de sua arte. É uma música complexa que parece muito fácil depois de algumas audições. A banda mistura folk, clássico, jazz e rock de uma maneira única. Apesar de uma gama de influências, criou uma sonoridade particular. Musicalmente são vários sentimentos criativos e distintos, tudo unido a voz de um dos melhores e mais emotivos vocalistas da história do rock progressivo. Essencial. 

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