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Resenha: Yes - The Yes Album (1971)

Por: Tiago Meneses

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O primeiro passo rumo à estratosfera da criatividade musical.
5
09/11/2017

Costumo dizer que aqui foi onde de fato tudo começou para o Yes, sendo sempre sempre execrado por pessoas que dizem que eu não gosto dos dois primeiros álbuns da banda. De fato não me agradam muito, salvo alguns momentos, acho que eram discos feitos por um grupo ainda a procura de uma direção e que começou a ficar mais nítida com a primeira mudança sofrida na banda, a de Steve Howe assumindo as guitarras no lugar de Peter Banks. 

The Yes Album viu uma banda evoluindo de seus álbuns anteriores bastante parciais e ajustando-se para o seu som único e progressivo. Acho esse álbum uma verdadeira maravilha, pois segue o seu próprio conceito o deixando original e fascinante. Talvez não tenha tanta exploração em som e progressão como os álbuns que seguiram, mas as composições aqui são fantásticas. Letra e música ainda estavam evoluindo e pareciam um pouco atenuadas e simplistas em relação, por exemplo, um épico como “Close to the Edge”, porém, muito da pureza do que é o Yes já pode facilmente ser respirada no disco. 

“Yours Is No Disgrace" abre os trabalhos de maneira brilhante. Sem dúvida que se trata de umas das faixas mais acessíveis do rock progressivo clássico, pois, por exemplo, a música não possui uma pompa na produção. As letras são bastante simplistas, assim como o baixo e a bateria, mas ainda assim eles conseguem puxar o ouvinte pra dentro da música. Tem algumas partes de violão extremamente lindas e Jon consegue ir melhorando a cada segundo da faixa. 

“The Clap” embora não seja uma má ideia, eu a vejo como um momento desnecessário do disco. Uma pequena e divertida peça acústica, mas meio deslocada. Por ser em versão ao vivo, poderia ser um momento a aparecer apenas nos shows ou discos live da banda, não em um álbum de estúdio. 

"Starship Trooper" é a primeira suíte da história do Yes, maravilhosa, tão cativante quanto os maiores épicos da banda, mas provavelmente por não ser tão longa, é mais acessível a ouvintes que não costumam gostar de músicas enormes. O baixo é fabuloso, guitarra e bateria rítmica constroem a primeira parte da música com uma seção maciça e melódica. Na parte mais para o final possui guitarras repetitivas e hipnotizantes sendo construídas lentamente em direção a um rock mais enérgico e pesado, mas sem mudar muitas notas, embora haja mudança na intensidade do arranjo. 

"I've Seen All Good People" é outra excelente faixa com letras ótimas que relacionam metaforicamente a vida com um jogo de xadrez. Emocional possui uma das grandes marcas registradas da banda, ou seja, a disposição vocal e que está simplesmente incrível. O começo é suave e dominado principalmente pelo órgão pesado de Kaye. Possui uma sublime harmonia antes da segunda metade e que tem uma cadencia mais roqueira que também é excelente. Ótima base e solo de guitarra, trabalhos discretos e preciso de teclados e uma cozinha sólida e enérgica segue até o final.

“A Venture” é uma faixa suave e tranquila que acalma o álbum e, mas ainda, mantém a atenção do ouvinte. Possui uma estrutura mais tranquila sem muitas aventuras progressivas. O coro mostra um trabalho vocal brilhante de Anderson. Kaye toca um piano maravilhoso, também tem ótimas linhas de baixo, além de guitarra e bateria muito bem ritmadas.

O álbum chega ao fim através de “Perpetual Change". Começa com um teclado que depois tem a companhia de baixo e bateria, além de um suave solo de guitarra. O começo em si da faixa não é tão interessante, mas conforme ela progride, cresce em uma qualidade considerável, tem um solo de guitarra jazz, passagem instrumental intrincada e experimental, Anderson derrama o seu coração enquanto canta. O faixa finaliza com um pequeno, porém, sensacional solo de guitarra de Steve Howe, mostrando porque sua entrada na banda seria um dos principais motivos de um novo direcionamento para o seu som e que a transformaria na talvez maior banda de rock progressivo da história. 

Indispensável e crucial, não apenas dentro de uma coleção de rock progressivo, mas para qualquer coleção de música popular da época. Até então o ponto alto de uma banda que não se contentaria e subiria rumo à estratosfera em seus discos seguintes. Uma escuta essencial que resistiu a prova do tempo. 

A coisa mais incrível aqui é que depois desta obra-prima, o Yes percebeu que eles ganharam uma reputação inédita e que gostariam de mantê-la, então suas expectativas aumentaram ainda mais. Como Kaye tinha dúvida em sua própria musicalidade após Howe ter sido trazido, o resto da banda sabia que a insegurança não melhoraria sua música e a única maneira de continuar progredindo era encontrar um tecladista que corresponderia ao nível que eles estavam esperando. Eles o encontraram e, acredite ou não, as coisas melhoraram ainda mais. Mas isso é outra história. 

O primeiro passo rumo à estratosfera da criatividade musical.
5
09/11/2017

Costumo dizer que aqui foi onde de fato tudo começou para o Yes, sendo sempre sempre execrado por pessoas que dizem que eu não gosto dos dois primeiros álbuns da banda. De fato não me agradam muito, salvo alguns momentos, acho que eram discos feitos por um grupo ainda a procura de uma direção e que começou a ficar mais nítida com a primeira mudança sofrida na banda, a de Steve Howe assumindo as guitarras no lugar de Peter Banks. 

The Yes Album viu uma banda evoluindo de seus álbuns anteriores bastante parciais e ajustando-se para o seu som único e progressivo. Acho esse álbum uma verdadeira maravilha, pois segue o seu próprio conceito o deixando original e fascinante. Talvez não tenha tanta exploração em som e progressão como os álbuns que seguiram, mas as composições aqui são fantásticas. Letra e música ainda estavam evoluindo e pareciam um pouco atenuadas e simplistas em relação, por exemplo, um épico como “Close to the Edge”, porém, muito da pureza do que é o Yes já pode facilmente ser respirada no disco. 

“Yours Is No Disgrace" abre os trabalhos de maneira brilhante. Sem dúvida que se trata de umas das faixas mais acessíveis do rock progressivo clássico, pois, por exemplo, a música não possui uma pompa na produção. As letras são bastante simplistas, assim como o baixo e a bateria, mas ainda assim eles conseguem puxar o ouvinte pra dentro da música. Tem algumas partes de violão extremamente lindas e Jon consegue ir melhorando a cada segundo da faixa. 

“The Clap” embora não seja uma má ideia, eu a vejo como um momento desnecessário do disco. Uma pequena e divertida peça acústica, mas meio deslocada. Por ser em versão ao vivo, poderia ser um momento a aparecer apenas nos shows ou discos live da banda, não em um álbum de estúdio. 

"Starship Trooper" é a primeira suíte da história do Yes, maravilhosa, tão cativante quanto os maiores épicos da banda, mas provavelmente por não ser tão longa, é mais acessível a ouvintes que não costumam gostar de músicas enormes. O baixo é fabuloso, guitarra e bateria rítmica constroem a primeira parte da música com uma seção maciça e melódica. Na parte mais para o final possui guitarras repetitivas e hipnotizantes sendo construídas lentamente em direção a um rock mais enérgico e pesado, mas sem mudar muitas notas, embora haja mudança na intensidade do arranjo. 

"I've Seen All Good People" é outra excelente faixa com letras ótimas que relacionam metaforicamente a vida com um jogo de xadrez. Emocional possui uma das grandes marcas registradas da banda, ou seja, a disposição vocal e que está simplesmente incrível. O começo é suave e dominado principalmente pelo órgão pesado de Kaye. Possui uma sublime harmonia antes da segunda metade e que tem uma cadencia mais roqueira que também é excelente. Ótima base e solo de guitarra, trabalhos discretos e preciso de teclados e uma cozinha sólida e enérgica segue até o final.

“A Venture” é uma faixa suave e tranquila que acalma o álbum e, mas ainda, mantém a atenção do ouvinte. Possui uma estrutura mais tranquila sem muitas aventuras progressivas. O coro mostra um trabalho vocal brilhante de Anderson. Kaye toca um piano maravilhoso, também tem ótimas linhas de baixo, além de guitarra e bateria muito bem ritmadas.

O álbum chega ao fim através de “Perpetual Change". Começa com um teclado que depois tem a companhia de baixo e bateria, além de um suave solo de guitarra. O começo em si da faixa não é tão interessante, mas conforme ela progride, cresce em uma qualidade considerável, tem um solo de guitarra jazz, passagem instrumental intrincada e experimental, Anderson derrama o seu coração enquanto canta. O faixa finaliza com um pequeno, porém, sensacional solo de guitarra de Steve Howe, mostrando porque sua entrada na banda seria um dos principais motivos de um novo direcionamento para o seu som e que a transformaria na talvez maior banda de rock progressivo da história. 

Indispensável e crucial, não apenas dentro de uma coleção de rock progressivo, mas para qualquer coleção de música popular da época. Até então o ponto alto de uma banda que não se contentaria e subiria rumo à estratosfera em seus discos seguintes. Uma escuta essencial que resistiu a prova do tempo. 

A coisa mais incrível aqui é que depois desta obra-prima, o Yes percebeu que eles ganharam uma reputação inédita e que gostariam de mantê-la, então suas expectativas aumentaram ainda mais. Como Kaye tinha dúvida em sua própria musicalidade após Howe ter sido trazido, o resto da banda sabia que a insegurança não melhoraria sua música e a única maneira de continuar progredindo era encontrar um tecladista que corresponderia ao nível que eles estavam esperando. Eles o encontraram e, acredite ou não, as coisas melhoraram ainda mais. Mas isso é outra história. 

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