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Resenha: Sieges Even - The Art Of Navigating By The Stars (2005)

Por: Tiago Meneses

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Metal progressivo de sonoridade mais inventiva e suave.
4.5
04/11/2017

Não seria exagero dizer que quando falamos dos irmãos Holzwarth, estamos falando de dois capítulos essenciais da história do metal progressivo europeu. As habilidades e criatividade tanto de Oliver (baixo) quanto Alex (bateria) é excepcional. O metal progressivo em si costuma ser um gênero sofisticado (apesar de nem todos enxergarem assim). Existe uma miríade de adjetivos que podem ser usados para descrever muitos álbuns feitos por incríveis músicos neste gênero. No entanto, quando falamos deste álbum, é o único que eu descreveria como se fosse uma espécie de “belo mundo”, sim, nada musical, mas tem explicação, a sensações causadas fazem parecer que tudo ao redor está resolvido e belo. Um disco de música bonita e que pode ser absorvida até mesmo por pessoas que passaram longe de metal a vida inteira.

Nem sempre vejo que a melhor maneira de fazer uma resenha é dissecando o álbum música por música e aqui é exatamente um destes casos. A composição em The Art Of Navigating By The Stars é diferente de tudo feito pela banda nos discos anteriores ou no único posterior. Este álbum é muito mais focado na criação de uma conexão intrínseca com o ouvinte. Um disco conceitual onde o fio condutor gira em torno de amadurecimento e envelhecimento, ou seja, um conceito maravilhoso para acompanhar uma música emocional e íntima. Existe uma grande profundidade harmônica e assinaturas do tempo musical ao longo de todo o álbum. As transições são realmente trazidas pela bateria de Alex Holzwarth, logo, o ouvinte nunca vai perder uma mudança musical, a menos que ele sequer esteja prestando atenção na música e com isso renunciando o papel de ouvinte. 

Oliver Holzwarth coloca umas exímias performances de baixo artístico em um gênero onde nem sempre se encontra baixistas com esta característica. Suas escalas rápidas e as polirritmias fortes podem fascinar facilmente aqueles que se consideram surdos quando o assunto é baixo. Mostra grande habilidade para mudar linhas. Oliver é um músico diferenciado por mostrar a capacidade em fazer muitas coisas estilísticas que muitos baixistas do gênero não fazem. Sua maneira de tocar é suave, nítida, leve ou pesada, tanto faz, tudo depende do que a situação vai pedir. Um músico de grande técnica e excelente sentido artístico, duas coisas que não é fácil de misturar. 

Markus Steffen foi a estreia na guitarra e com certeza um ajuste bastante interessante para a banda. Suas habilidades não refletem exatamente a de um típico guitarrista de metal progressivo, mas o barato pode estar justamente nisso, sendo uma das coisas que deixam o disco tão especial. Steffen tem uma ótima habilidade para tocar arpejos e faz grandes transições de acordes. Possui excelente técnica e ao invés de mostra-la chamando os holofotes pra si em solos mirabolantes, mostra também ótima química tocando com a banda. Um músico experiente que chama atenção pela discrição. 

Arno Menses não teve exatamente o mesmo impacto positivo que Markus Steffen. Muitas vezes sua voz não parece ter a química com o resto da banda, mas que fique claro, não estou falando mal da sua voz, tanto que na Subsignals o trabalho dele é lindo, problema é que simplesmente o casamento aqui não foi como o esperado. Mas com algumas escutas seguidas, os vocais parecem cair mais no lugar certo. Suas habilidades vocais são extraordinárias e com grande entonação e beleza na voz, mas tudo em um tom não convencional para o gênero. Tanto que como eu já disse, na Subsignal que é uma banda de neo progressivo, o encaixe é soberbo. 

A produção é cristalina. A coisa que mais me impressionou em relação à produção é a variedade de sons que cada instrumento mantém com clareza. As baterias, baixos, guitarras e vocais sempre mudam ao longo do álbum. Uma verdadeira obra-prima tonal que qualquer fã de produção deveria conhecer. 

Fãs de metal progressivo de sonoridade mais rápida podem não apreciar tanto este álbum. Já fãs de formas mais inventivas e suaves de metal progressivo vão apreciar certamente este álbum. Mas não falo como uma regra, pois, por exemplo, no meu caso sou fã de ambas as linhas musicais. Mas independente disso, trata-se de um álbum que apresenta instrumentistas com grandes habilidades combinado a ótima técnica e sensibilidade. Dentro de uma vertente como o metal progressivo onde os mais puristas adoram dizer que são apenas “robôs” tocando, nada melhor que um disco extremamente humano como  The Art Of Navigating By The Stars pra desmentir tais afirmações. 

Metal progressivo de sonoridade mais inventiva e suave.
4.5
04/11/2017

Não seria exagero dizer que quando falamos dos irmãos Holzwarth, estamos falando de dois capítulos essenciais da história do metal progressivo europeu. As habilidades e criatividade tanto de Oliver (baixo) quanto Alex (bateria) é excepcional. O metal progressivo em si costuma ser um gênero sofisticado (apesar de nem todos enxergarem assim). Existe uma miríade de adjetivos que podem ser usados para descrever muitos álbuns feitos por incríveis músicos neste gênero. No entanto, quando falamos deste álbum, é o único que eu descreveria como se fosse uma espécie de “belo mundo”, sim, nada musical, mas tem explicação, a sensações causadas fazem parecer que tudo ao redor está resolvido e belo. Um disco de música bonita e que pode ser absorvida até mesmo por pessoas que passaram longe de metal a vida inteira.

Nem sempre vejo que a melhor maneira de fazer uma resenha é dissecando o álbum música por música e aqui é exatamente um destes casos. A composição em The Art Of Navigating By The Stars é diferente de tudo feito pela banda nos discos anteriores ou no único posterior. Este álbum é muito mais focado na criação de uma conexão intrínseca com o ouvinte. Um disco conceitual onde o fio condutor gira em torno de amadurecimento e envelhecimento, ou seja, um conceito maravilhoso para acompanhar uma música emocional e íntima. Existe uma grande profundidade harmônica e assinaturas do tempo musical ao longo de todo o álbum. As transições são realmente trazidas pela bateria de Alex Holzwarth, logo, o ouvinte nunca vai perder uma mudança musical, a menos que ele sequer esteja prestando atenção na música e com isso renunciando o papel de ouvinte. 

Oliver Holzwarth coloca umas exímias performances de baixo artístico em um gênero onde nem sempre se encontra baixistas com esta característica. Suas escalas rápidas e as polirritmias fortes podem fascinar facilmente aqueles que se consideram surdos quando o assunto é baixo. Mostra grande habilidade para mudar linhas. Oliver é um músico diferenciado por mostrar a capacidade em fazer muitas coisas estilísticas que muitos baixistas do gênero não fazem. Sua maneira de tocar é suave, nítida, leve ou pesada, tanto faz, tudo depende do que a situação vai pedir. Um músico de grande técnica e excelente sentido artístico, duas coisas que não é fácil de misturar. 

Markus Steffen foi a estreia na guitarra e com certeza um ajuste bastante interessante para a banda. Suas habilidades não refletem exatamente a de um típico guitarrista de metal progressivo, mas o barato pode estar justamente nisso, sendo uma das coisas que deixam o disco tão especial. Steffen tem uma ótima habilidade para tocar arpejos e faz grandes transições de acordes. Possui excelente técnica e ao invés de mostra-la chamando os holofotes pra si em solos mirabolantes, mostra também ótima química tocando com a banda. Um músico experiente que chama atenção pela discrição. 

Arno Menses não teve exatamente o mesmo impacto positivo que Markus Steffen. Muitas vezes sua voz não parece ter a química com o resto da banda, mas que fique claro, não estou falando mal da sua voz, tanto que na Subsignals o trabalho dele é lindo, problema é que simplesmente o casamento aqui não foi como o esperado. Mas com algumas escutas seguidas, os vocais parecem cair mais no lugar certo. Suas habilidades vocais são extraordinárias e com grande entonação e beleza na voz, mas tudo em um tom não convencional para o gênero. Tanto que como eu já disse, na Subsignal que é uma banda de neo progressivo, o encaixe é soberbo. 

A produção é cristalina. A coisa que mais me impressionou em relação à produção é a variedade de sons que cada instrumento mantém com clareza. As baterias, baixos, guitarras e vocais sempre mudam ao longo do álbum. Uma verdadeira obra-prima tonal que qualquer fã de produção deveria conhecer. 

Fãs de metal progressivo de sonoridade mais rápida podem não apreciar tanto este álbum. Já fãs de formas mais inventivas e suaves de metal progressivo vão apreciar certamente este álbum. Mas não falo como uma regra, pois, por exemplo, no meu caso sou fã de ambas as linhas musicais. Mas independente disso, trata-se de um álbum que apresenta instrumentistas com grandes habilidades combinado a ótima técnica e sensibilidade. Dentro de uma vertente como o metal progressivo onde os mais puristas adoram dizer que são apenas “robôs” tocando, nada melhor que um disco extremamente humano como  The Art Of Navigating By The Stars pra desmentir tais afirmações. 

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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