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Resenha: Il Balletto di Bronzo - Ys (1972)

Por: Tiago Meneses

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Extremamente agressivo e bastante dissonante.
5
03/11/2017

Excelente, mas nada fácil, talvez assim seja a melhor maneira de descrever a música encontrada no disco, YS, segundo dos italianos da Il Balletto Di Bronzo. O disco é conceitual baseado em uma lenda medieval da ilha de YS, coberta pelas águas do oceano e submersa para sempre, relata a história do último homem na Terra e que tem o dever de encontrar algum indivíduo ainda vivo, mas depois de dificuldades, suas forças vão deixá-lo e ele acaba eventualmente e tragicamente desaparecendo na escuridão. Tudo é feito em um incrível desenvolvimento teatral de atmosfera sombria e variação de humor sonoro que vai do jazz-rock e avant-garde para o sinfônico e clássico em um piscar de olhos, mas sempre de forma bem cadenciada. 

Quando alguém nos pede pra criar uma imagem que caracteriza o rock progressivo italiano 70's, a primeira coisas que nos vem em mente é algo de musculatura forte, sinfônica, melódica, provavelmente algumas influências em bandas como Genesis e Emerson Lake & Palmer, algumas atmosferas pastorais e vocais tradicionais e emotivos como costuma ser. Isso pode servir pra infinitas bandas, mas Il Balletto di Bronzo não entra nesse meio, trata-se de uma banda muito pouco em comum com este estereótipo. 

YS é extremamente agressivo, além de bastante dissonante, quase nenhuma reminiscência sinfônica nas bandas supracitadas. Digamos que Il Balletto di Bronzo soa exclusivamente como Il Balletto di Bronzo e nada mais que isso. Uma fusão psicodélica ao melhor estilo Jimi Hendrix, hard rock, alguns elementos jazzy e a forma mais original, digamos assim, da linha progressiva italiana. Tudo é bastante insano e esquizofrênico.

O começo do disco é através do épico, "Introduzione", a faixa abre com suaves vozes femininas, seguido por longos acordes de órgão, até que Gianni Leone começa a desenvolver a história lentamente. A música então logo entra em uma “quarta marcha” aumentando completamente o ritmo. Possui bastante tensão e agressividade, ficando cada vez mais intensa durante seu desenvolvimento. Guitarra explosiva e melodia que progride mostrando vários aspectos. Uma composição esmagadora e que poderia ser usado muito mais caracteres para uma melhor explanação, mas com pouco se resume e atiça a curiosidade. 

“Primo Incontro” é uma continuação da última sessão de “Introduzione”. Tem uma linha barroca e uma guitarra de poder ofensivo que avança muito bem. Os vocais são sólidos e consistentes. A faixa é executada em uma sintonia digna de grandes mestres virtuoses, mas sem perder sua aura sentimental que a deixa condizente com o momento do enredo. 

“Secondo Incontro” começa com uns gritos a capela que segue pra um ataque instrumental, sendo depois silenciado apenas por vocais sobre acordes de teclado. A música segue em uma linha de bonança e tempestade, vocais sobre arranjos atmosféricos e mudanças de ritmo para algo mais pesado e jazzístico. O fluxo com que esta faixa se cadencia não é menos que sensacional. 

Sem nem meio segundo pra uma respiração em relação a faixa anterior, “Terzo Incontro" já emenda sendo introduzida por uma linha de baixo. A guitarra elétrica se desloca em modo solo contínuo, embora todas as suas notas estejam sendo presas em um efeito eletrônico chiando fortemente e oscilante enquanto, baixo, bateria, piano, órgãos e vocais dão forte melodia a música, este último em um “boom boom” que dentro das letras simbolizam anjos. Baterias jazzísticas, queda instrumental com ponte vocal e “alucinações” soando um pouco como Emerson, Lake & Palmer.

“Epilogo” abre em ritmo vertiginoso com destaque principalmente ao ritmo mantido pelo baixo e bateria. Guitarra elétrica e outros sons elétricos de teclado e órgão são introduzidos com uma nova base de ritmo de estilo militar. As interjeições instrumentais intermitentes e sincopadas continuam enquanto o vocalista parece atuar estressado. Quando ele finalmente começa a cantar, ele parece tão cansado, talvez derrotado. Enquanto isso a música desenha algo que acontece em melodia de cores tristes. Nesta atmosfera a música segue por cerca de cinco minutos até piano e bateria começar a “duelar” loucamente, vozes angelicais cantam em uníssonos como quem encoraja alguém a vida. No fim, vozes flutuantes finalizam de maneira arrepiante o disco. 

Confesso nunca ter compreendido bem esse final. Nosso personagem entrou ao Purgatória? Tem a ver com vida após a morte? Gianni Leone com certeza saberia responder, mas talvez ele seja a favor da mesma coisa que eu, criação de discos conceituais de fáceis interpretações de conceito e de final aberto a imaginação de qualquer ouvinte que se interesse por viajar. 

Extremamente agressivo e bastante dissonante.
5
03/11/2017

Excelente, mas nada fácil, talvez assim seja a melhor maneira de descrever a música encontrada no disco, YS, segundo dos italianos da Il Balletto Di Bronzo. O disco é conceitual baseado em uma lenda medieval da ilha de YS, coberta pelas águas do oceano e submersa para sempre, relata a história do último homem na Terra e que tem o dever de encontrar algum indivíduo ainda vivo, mas depois de dificuldades, suas forças vão deixá-lo e ele acaba eventualmente e tragicamente desaparecendo na escuridão. Tudo é feito em um incrível desenvolvimento teatral de atmosfera sombria e variação de humor sonoro que vai do jazz-rock e avant-garde para o sinfônico e clássico em um piscar de olhos, mas sempre de forma bem cadenciada. 

Quando alguém nos pede pra criar uma imagem que caracteriza o rock progressivo italiano 70's, a primeira coisas que nos vem em mente é algo de musculatura forte, sinfônica, melódica, provavelmente algumas influências em bandas como Genesis e Emerson Lake & Palmer, algumas atmosferas pastorais e vocais tradicionais e emotivos como costuma ser. Isso pode servir pra infinitas bandas, mas Il Balletto di Bronzo não entra nesse meio, trata-se de uma banda muito pouco em comum com este estereótipo. 

YS é extremamente agressivo, além de bastante dissonante, quase nenhuma reminiscência sinfônica nas bandas supracitadas. Digamos que Il Balletto di Bronzo soa exclusivamente como Il Balletto di Bronzo e nada mais que isso. Uma fusão psicodélica ao melhor estilo Jimi Hendrix, hard rock, alguns elementos jazzy e a forma mais original, digamos assim, da linha progressiva italiana. Tudo é bastante insano e esquizofrênico.

O começo do disco é através do épico, "Introduzione", a faixa abre com suaves vozes femininas, seguido por longos acordes de órgão, até que Gianni Leone começa a desenvolver a história lentamente. A música então logo entra em uma “quarta marcha” aumentando completamente o ritmo. Possui bastante tensão e agressividade, ficando cada vez mais intensa durante seu desenvolvimento. Guitarra explosiva e melodia que progride mostrando vários aspectos. Uma composição esmagadora e que poderia ser usado muito mais caracteres para uma melhor explanação, mas com pouco se resume e atiça a curiosidade. 

“Primo Incontro” é uma continuação da última sessão de “Introduzione”. Tem uma linha barroca e uma guitarra de poder ofensivo que avança muito bem. Os vocais são sólidos e consistentes. A faixa é executada em uma sintonia digna de grandes mestres virtuoses, mas sem perder sua aura sentimental que a deixa condizente com o momento do enredo. 

“Secondo Incontro” começa com uns gritos a capela que segue pra um ataque instrumental, sendo depois silenciado apenas por vocais sobre acordes de teclado. A música segue em uma linha de bonança e tempestade, vocais sobre arranjos atmosféricos e mudanças de ritmo para algo mais pesado e jazzístico. O fluxo com que esta faixa se cadencia não é menos que sensacional. 

Sem nem meio segundo pra uma respiração em relação a faixa anterior, “Terzo Incontro" já emenda sendo introduzida por uma linha de baixo. A guitarra elétrica se desloca em modo solo contínuo, embora todas as suas notas estejam sendo presas em um efeito eletrônico chiando fortemente e oscilante enquanto, baixo, bateria, piano, órgãos e vocais dão forte melodia a música, este último em um “boom boom” que dentro das letras simbolizam anjos. Baterias jazzísticas, queda instrumental com ponte vocal e “alucinações” soando um pouco como Emerson, Lake & Palmer.

“Epilogo” abre em ritmo vertiginoso com destaque principalmente ao ritmo mantido pelo baixo e bateria. Guitarra elétrica e outros sons elétricos de teclado e órgão são introduzidos com uma nova base de ritmo de estilo militar. As interjeições instrumentais intermitentes e sincopadas continuam enquanto o vocalista parece atuar estressado. Quando ele finalmente começa a cantar, ele parece tão cansado, talvez derrotado. Enquanto isso a música desenha algo que acontece em melodia de cores tristes. Nesta atmosfera a música segue por cerca de cinco minutos até piano e bateria começar a “duelar” loucamente, vozes angelicais cantam em uníssonos como quem encoraja alguém a vida. No fim, vozes flutuantes finalizam de maneira arrepiante o disco. 

Confesso nunca ter compreendido bem esse final. Nosso personagem entrou ao Purgatória? Tem a ver com vida após a morte? Gianni Leone com certeza saberia responder, mas talvez ele seja a favor da mesma coisa que eu, criação de discos conceituais de fáceis interpretações de conceito e de final aberto a imaginação de qualquer ouvinte que se interesse por viajar. 

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