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Resenha: Locanda Delle Fate - Forse Le Lucciole Non Si Amano Più (1977)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Obcecados pela criação de melodias incrivelmente lindas.
4.5
02/11/2017

Banda formada por sete membros, dois tecladistas, dois guitarristas, baixista, baterista e vocalista, mas que infelizmente começaram a sua carreira em um ano onde o rock progressivo da terra da bota começava a definhar. Depois que o álbum foi lançado a banda encontrou pouco ou nenhuma demanda por performances ao vivo e pouco interesse por sua música. Então depois de um par de concertos vazios eles desistiram. A música encontrada nesse disco é colorida, sinfônica e enfatiza a intensa interação melódica dos vários instrumentos. Tudo é bastante natural e inspirador, os instrumentos, as composições e a forma como a música é reproduzida é simplesmente sublime. Cada tema é muito bem desenvolvido e passam por variações de forma tão majestosa que é difícil comparar a Locanda Delle Fate com alguma outra banda, sendo esse um disco que representa somente o que ele é e nada mais.

“A Volte Un Istante Di Quiete” abre o álbum de maneira bastante forte baseada em uma performance impecável de piano e uma pompa conhecida do rock progressivo fornecida pelo resto da banda. A flauta funciona como um “alívio” entre as passagens mais vibrantes iniciais e finais, uma grande faixa de abertura que já prepara o ouvinte pra grandes momentos que ainda estão pode vir.

“Forse Le Lucciole Non Si Amano Più” começa com uma introdução de piano incrivelmente bonita que liga imediatamente a uma passagem vocal onde Leonardo Sasso faz demonstração de energia e sensibilidade com sua gama incomum, mas quando tudo parece suave, bateria e violões anunciam uma mudança. Sem modificar a atmosfera inicial os instrumentos são adicionados em uma dança de sons e humor. Impressionante como eles adicionam uma flauta quase medieval a uma balada progressiva absolutamente dolorosa e emotiva. Por volta do meio da faixa a banda se transforma radicalmente entrando em uma passagem frenética onde as teclas adicionam uma estranha seção rock a uma velocidade insana, apenas para retornar ao som inicial. Menção especial a Sasso, que fornece todo o poder que ele é capaz de trabalhar.

“Profumo Di Colla Bianca” segue fazendo o álbum manter sua incrível qualidade melódica. O piano e os vocais funcionam como se ambos fosse um novo e complexo instrumento ligados como irmãos siameses. Também possui guitarras extremamente elaboradas e baterias sombrias. Mas apesar de todas essas excelentes características, o que mais me impressiona na banda é a sensação de fluidez, a música se cadencia suavemente do começo ao fim de uma maneira lógica e coerente, sem contradições e extremamente bem elaborada.

“Cercando Un Nuovo Confine”, pela primeira vez pode-se encontrar uma influência de algo aqui, mais precisamente do Genesis, mas ainda assim remota. Mesmo quando a música é tipicamente tão italiana em atmosfera, melodia, instrumentação e vocal, Ezio Vevey toca de maneira a lembrarmos de Steve Hackett e possui um pouco de flauta ao estilo Peter Gabriel, mas não chega a ser o suficiente pra ser considerado nem mesmo uma influência moderada, apenas uma lembrança distante.

“Sogno Di Estunno” tem uma introdução pastoral baseada em teclados e flauta, mas logo se transforma em uma faixa forte com uma performance vocal deslumbrante. Mas como mudanças é algo característico da banda, a faixa salta para uma passagem orientada pro clássico com uma brilhante interação entre teclado e flauta. Aqui podemos encontrar uma semelhança com Emerson, Lake & Palmer, mas como sempre, apenas distante, porque a doçura da música é difícil de comparar com qualquer outra banda.

“Non Chiudere A Chiave Le Stelle” é um interlúdio acústico curto e romântico que liga "Sogno di Estunno" com a poderosa “Vendesi Saggezza”, faixa qual Leonardo Sasso nos concebe uma das suas performances mais memoráveis, adicionando não só sua força habitual, mas também um toque sentimental, ao contrário de qualquer faixa anterior. Mesmo quando a banda se move de um humor sonoro suave e melancólico para passagens musicais elaboradas e complexas, a voz permanece como uma constante. A seção final é absolutamente deslumbrante e frenética, adicionando um novo som à música.

Locanda Delle Fate é uma banda italiana clássica, com arranjos menos complexos do que a maioria das bandas da região, formada por músicos obcecados pela criação de melodias incrivelmente lindas onde mesmo quando há influências de alguns clássicos sinfônicos, é mais uma consequência lógica de duas bandas que tocam o mesmo subgênero do que uma tentativa de uma emular a outra, porque o trabalho encontrado aqui é absolutamente único mesmo para os moldes da Itália. 

Obcecados pela criação de melodias incrivelmente lindas.
4.5
02/11/2017

Banda formada por sete membros, dois tecladistas, dois guitarristas, baixista, baterista e vocalista, mas que infelizmente começaram a sua carreira em um ano onde o rock progressivo da terra da bota começava a definhar. Depois que o álbum foi lançado a banda encontrou pouco ou nenhuma demanda por performances ao vivo e pouco interesse por sua música. Então depois de um par de concertos vazios eles desistiram. A música encontrada nesse disco é colorida, sinfônica e enfatiza a intensa interação melódica dos vários instrumentos. Tudo é bastante natural e inspirador, os instrumentos, as composições e a forma como a música é reproduzida é simplesmente sublime. Cada tema é muito bem desenvolvido e passam por variações de forma tão majestosa que é difícil comparar a Locanda Delle Fate com alguma outra banda, sendo esse um disco que representa somente o que ele é e nada mais.

“A Volte Un Istante Di Quiete” abre o álbum de maneira bastante forte baseada em uma performance impecável de piano e uma pompa conhecida do rock progressivo fornecida pelo resto da banda. A flauta funciona como um “alívio” entre as passagens mais vibrantes iniciais e finais, uma grande faixa de abertura que já prepara o ouvinte pra grandes momentos que ainda estão pode vir.

“Forse Le Lucciole Non Si Amano Più” começa com uma introdução de piano incrivelmente bonita que liga imediatamente a uma passagem vocal onde Leonardo Sasso faz demonstração de energia e sensibilidade com sua gama incomum, mas quando tudo parece suave, bateria e violões anunciam uma mudança. Sem modificar a atmosfera inicial os instrumentos são adicionados em uma dança de sons e humor. Impressionante como eles adicionam uma flauta quase medieval a uma balada progressiva absolutamente dolorosa e emotiva. Por volta do meio da faixa a banda se transforma radicalmente entrando em uma passagem frenética onde as teclas adicionam uma estranha seção rock a uma velocidade insana, apenas para retornar ao som inicial. Menção especial a Sasso, que fornece todo o poder que ele é capaz de trabalhar.

“Profumo Di Colla Bianca” segue fazendo o álbum manter sua incrível qualidade melódica. O piano e os vocais funcionam como se ambos fosse um novo e complexo instrumento ligados como irmãos siameses. Também possui guitarras extremamente elaboradas e baterias sombrias. Mas apesar de todas essas excelentes características, o que mais me impressiona na banda é a sensação de fluidez, a música se cadencia suavemente do começo ao fim de uma maneira lógica e coerente, sem contradições e extremamente bem elaborada.

“Cercando Un Nuovo Confine”, pela primeira vez pode-se encontrar uma influência de algo aqui, mais precisamente do Genesis, mas ainda assim remota. Mesmo quando a música é tipicamente tão italiana em atmosfera, melodia, instrumentação e vocal, Ezio Vevey toca de maneira a lembrarmos de Steve Hackett e possui um pouco de flauta ao estilo Peter Gabriel, mas não chega a ser o suficiente pra ser considerado nem mesmo uma influência moderada, apenas uma lembrança distante.

“Sogno Di Estunno” tem uma introdução pastoral baseada em teclados e flauta, mas logo se transforma em uma faixa forte com uma performance vocal deslumbrante. Mas como mudanças é algo característico da banda, a faixa salta para uma passagem orientada pro clássico com uma brilhante interação entre teclado e flauta. Aqui podemos encontrar uma semelhança com Emerson, Lake & Palmer, mas como sempre, apenas distante, porque a doçura da música é difícil de comparar com qualquer outra banda.

“Non Chiudere A Chiave Le Stelle” é um interlúdio acústico curto e romântico que liga "Sogno di Estunno" com a poderosa “Vendesi Saggezza”, faixa qual Leonardo Sasso nos concebe uma das suas performances mais memoráveis, adicionando não só sua força habitual, mas também um toque sentimental, ao contrário de qualquer faixa anterior. Mesmo quando a banda se move de um humor sonoro suave e melancólico para passagens musicais elaboradas e complexas, a voz permanece como uma constante. A seção final é absolutamente deslumbrante e frenética, adicionando um novo som à música.

Locanda Delle Fate é uma banda italiana clássica, com arranjos menos complexos do que a maioria das bandas da região, formada por músicos obcecados pela criação de melodias incrivelmente lindas onde mesmo quando há influências de alguns clássicos sinfônicos, é mais uma consequência lógica de duas bandas que tocam o mesmo subgênero do que uma tentativa de uma emular a outra, porque o trabalho encontrado aqui é absolutamente único mesmo para os moldes da Itália. 

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