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Resenha: Campo di Marte - Campo Di Marte (1973)

Por: Tiago Meneses

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Riffs pesados e a finesa progressiva da escola italiana.
3.5
25/10/2017

Campo di Marte foi mais uma das inúmeras bandas one shot surgidas na Itália durante a década de 70 que após o lançamento de um disco e devido a falta de apoio pra prosseguir, tiveram que encerrar as atividades precocemente. Mas como boa parte do que aconteceu com essas bandas, o disco deixado é de qualidade ímpar. A maioria das músicas é na verdade uma ótima combinação entre riffs pesados e a finesa progressiva da escola italiana. Os músicos tocaram de forma impecável. O único ponto negativo eu diria que é a produção, mas se pegarmos o fato que o disco foi feito em 1973 e sem muito apoio é completamente compreensível.

Suas peculiaridades são a presença de um dos guitarristas mais importantes na cena italiana progressiva, Enrico Rosa, a ideia de um álbum conceitual antimilitarista, um som muito difícil com características de hard rock e a presença original de duas baterias. Uma característica muito interessante também é a particular dissonância entre o preenchimento dos sons (guitarra, baixo e bateria) e o vazio da voz de Rosa. Os textos antimilitaristas são muito poéticos e descrevem as consequências da guerra que supera a paisagem e a vida dos homens, transformando prados verdes em cemitérios.

Enrico Rosa pode ser considerado um dos guitarristas italianos mais técnicos, fato que é comprovado através de sua grande carreira desenvolvida no jazz e no rock. O nome do grupo lembra a área de Florença e o deus da guerra. A capa do álbum mostra guerreiros turcos que se auto-infligem feridas dolorosas para mostrar sua coragem. A capa também visa mostrar a loucura e o absurdo da guerra.

O disco começa com “Primo Tempo”, uma música que mais me faz lembrar Black Sabbath do que uma banda sinfônica italiana. Bateria dissonante e guitarra entrando em colisão com os teclados criam um hard progressivo. Essas passagens pesadas são contrastadas com climas pastorais de vocais reservados e órgão flutuante além de um momento acústico e de flauta muito bem direcionada. O baixo é pulsante e a bateria não deixa a música perder o oxigênio. Um belo e sinistro início de álbum.

Em “Secundo Tempo” sim eu posso dizer que começa de maneira que podemos esperar de uma banda italiana, suave e acústica com uma bela melodia em que os músicos daquele país sabem fazer muito bem, a flauta onírica cria uma atmosfera densa, mas melódica e só é interrompida com a bateria que ao entrar cria um excelente contraste a música. À medida que a música vai avançando também lhe são acrescidos um tipo de jazz latino e influência em Genesis reforçados por mellotron. Tudo flui suavemente até o maravilhoso final com guitarras distorcidas.

“Terzo Tempo” é uma verdadeira caixa de surpresa. Traz um início confuso e meio cacofônico com Enrico Rossa torturando a guitarra quase em uma veia metal, mas depois de alguns segundos, o piano e os vocais tradicionais mudam radicalmente o humor da música para uma espécie de balada melancólica, mas que logo em seguida muda novamente o seguimento através de um piano que desvia a sua direção para uma música de melodia mais sinfônica. Na verdade as mudanças são continuas nessa faixa, mantendo sempre o interesse do ouvinte, como o bom rock progressivo deve ser.

“Quarto Tempo” parece na verdade duas faixas diferentes, onde a primeira é composta por um solo de órgão barroco na veia de Johan Sebastian Bach, mas que de repente se transforma em uma canção de rock sinfônico de tirar o fôlego, onde todos os instrumentistas dão tudo que eles têm a oferecer. E se isso já não fosse o bastante, apresenta um final acústico surpreendente e que pode ser visto como a cereja do bolo.

“Quinto Tempo” tem o início com intrincados fio de guitarra, seguido por belíssima melodia de flauta, belo também são as melodias vocais. A levada da bateria, guitarra acústica e o órgão é algo fabuloso, assim como uma parte engrandecida pelo uso de mellotron. Na parte final novamente encontra-se a agradável melodia vocal antes que a faixa chegue ao fim. De certa forma uma música bastante previsível, mas que os sutis e inesperados detalhes sempre me agarram em cheio.

“Sesto Tempo” é uma música de excentricidade absurda, parece que a banda misturou todos os estilos que conseguiram criar e os juntou com o único propósito de surpreender o ouvinte despreparado, mas apesar disso, o resultado é fantástico, cada colisão entre as seções acontecem de maneira natural. Tem bastante energia, guitarra às vezes fervorosa, órgão nervoso, sintetizadores e trompetes bem encaixados, um baixo latejante e bateria extremamente bem direcionada e tocada de forma sólida. Deliciosa do começo ao fim.


“Settimo Tempo” é a última música do álbum. Apresenta bons contrastes entre uma guitarra intrincada com o órgão e bateria. Mas é uma faixa tão contraditória e complexa que possui várias mudanças de temas e estilos musicais. Confesso que descrevê-la é complicado, pois fico com receio das palavras destruírem a sua beleza. Um final extremamente digno de encerrar uma obra tão maravilhosa.

Mais uma entre tantas bandas italianas que lançaram apenas um álbum quando é nítido o quanto mais ainda tinha a oferecer. Disco obrigatório a qualquer apreciador do rock progressivo vindo da terra da bota. 

Riffs pesados e a finesa progressiva da escola italiana.
3.5
25/10/2017

Campo di Marte foi mais uma das inúmeras bandas one shot surgidas na Itália durante a década de 70 que após o lançamento de um disco e devido a falta de apoio pra prosseguir, tiveram que encerrar as atividades precocemente. Mas como boa parte do que aconteceu com essas bandas, o disco deixado é de qualidade ímpar. A maioria das músicas é na verdade uma ótima combinação entre riffs pesados e a finesa progressiva da escola italiana. Os músicos tocaram de forma impecável. O único ponto negativo eu diria que é a produção, mas se pegarmos o fato que o disco foi feito em 1973 e sem muito apoio é completamente compreensível.

Suas peculiaridades são a presença de um dos guitarristas mais importantes na cena italiana progressiva, Enrico Rosa, a ideia de um álbum conceitual antimilitarista, um som muito difícil com características de hard rock e a presença original de duas baterias. Uma característica muito interessante também é a particular dissonância entre o preenchimento dos sons (guitarra, baixo e bateria) e o vazio da voz de Rosa. Os textos antimilitaristas são muito poéticos e descrevem as consequências da guerra que supera a paisagem e a vida dos homens, transformando prados verdes em cemitérios.

Enrico Rosa pode ser considerado um dos guitarristas italianos mais técnicos, fato que é comprovado através de sua grande carreira desenvolvida no jazz e no rock. O nome do grupo lembra a área de Florença e o deus da guerra. A capa do álbum mostra guerreiros turcos que se auto-infligem feridas dolorosas para mostrar sua coragem. A capa também visa mostrar a loucura e o absurdo da guerra.

O disco começa com “Primo Tempo”, uma música que mais me faz lembrar Black Sabbath do que uma banda sinfônica italiana. Bateria dissonante e guitarra entrando em colisão com os teclados criam um hard progressivo. Essas passagens pesadas são contrastadas com climas pastorais de vocais reservados e órgão flutuante além de um momento acústico e de flauta muito bem direcionada. O baixo é pulsante e a bateria não deixa a música perder o oxigênio. Um belo e sinistro início de álbum.

Em “Secundo Tempo” sim eu posso dizer que começa de maneira que podemos esperar de uma banda italiana, suave e acústica com uma bela melodia em que os músicos daquele país sabem fazer muito bem, a flauta onírica cria uma atmosfera densa, mas melódica e só é interrompida com a bateria que ao entrar cria um excelente contraste a música. À medida que a música vai avançando também lhe são acrescidos um tipo de jazz latino e influência em Genesis reforçados por mellotron. Tudo flui suavemente até o maravilhoso final com guitarras distorcidas.

“Terzo Tempo” é uma verdadeira caixa de surpresa. Traz um início confuso e meio cacofônico com Enrico Rossa torturando a guitarra quase em uma veia metal, mas depois de alguns segundos, o piano e os vocais tradicionais mudam radicalmente o humor da música para uma espécie de balada melancólica, mas que logo em seguida muda novamente o seguimento através de um piano que desvia a sua direção para uma música de melodia mais sinfônica. Na verdade as mudanças são continuas nessa faixa, mantendo sempre o interesse do ouvinte, como o bom rock progressivo deve ser.

“Quarto Tempo” parece na verdade duas faixas diferentes, onde a primeira é composta por um solo de órgão barroco na veia de Johan Sebastian Bach, mas que de repente se transforma em uma canção de rock sinfônico de tirar o fôlego, onde todos os instrumentistas dão tudo que eles têm a oferecer. E se isso já não fosse o bastante, apresenta um final acústico surpreendente e que pode ser visto como a cereja do bolo.

“Quinto Tempo” tem o início com intrincados fio de guitarra, seguido por belíssima melodia de flauta, belo também são as melodias vocais. A levada da bateria, guitarra acústica e o órgão é algo fabuloso, assim como uma parte engrandecida pelo uso de mellotron. Na parte final novamente encontra-se a agradável melodia vocal antes que a faixa chegue ao fim. De certa forma uma música bastante previsível, mas que os sutis e inesperados detalhes sempre me agarram em cheio.

“Sesto Tempo” é uma música de excentricidade absurda, parece que a banda misturou todos os estilos que conseguiram criar e os juntou com o único propósito de surpreender o ouvinte despreparado, mas apesar disso, o resultado é fantástico, cada colisão entre as seções acontecem de maneira natural. Tem bastante energia, guitarra às vezes fervorosa, órgão nervoso, sintetizadores e trompetes bem encaixados, um baixo latejante e bateria extremamente bem direcionada e tocada de forma sólida. Deliciosa do começo ao fim.


“Settimo Tempo” é a última música do álbum. Apresenta bons contrastes entre uma guitarra intrincada com o órgão e bateria. Mas é uma faixa tão contraditória e complexa que possui várias mudanças de temas e estilos musicais. Confesso que descrevê-la é complicado, pois fico com receio das palavras destruírem a sua beleza. Um final extremamente digno de encerrar uma obra tão maravilhosa.

Mais uma entre tantas bandas italianas que lançaram apenas um álbum quando é nítido o quanto mais ainda tinha a oferecer. Disco obrigatório a qualquer apreciador do rock progressivo vindo da terra da bota. 

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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