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Resenha: Black Sabbath - Master Of Reality (1971)

Por: Tiago Meneses

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Master of Reality é o álbum mais sombrio da era Ozzy.
5
23/10/2017

Meu disco preferido do Black Sabbath. Um álbum relativamente curto, mas que é preenchido em sua totalidade por um material de primeira grandeza, onde nenhum segundo deve ser ignorado. Há uma abundância de grandes ideias musicais que estão abarrotadas em um período de tempo tão curto que não há um único momento do álbum onde eu sinto que eles poderiam ter feito algo diferente do que foi. O disco traz cada riff, cada solo e cada melodia sendo explorada dentro do seu máximo de possibilidade. 

Não costumo dizer que se trata de um disco tipicamente de heavy metal, mas um dos melhores discos de hard rock já feito em todos os tempos. Digo isso por conta de ser um trabalho de peças muito pesadas, contrastando de forma absoluta com momentos dramáticos de paz na forma de interlúdios acústicos. Master of Reality é um disco melhor compreendido se pensado como um todo ao invés de músicas separadas. O considero o ponto alto da mistura entre delicadeza e relevância. Talvez não esteja dentro da técnica bruta comumente apresentada pela banda, mas certamente se considerarmos apenas a questão artística do legado, o coloco no topo das produções do grupo. 

“Sweet Leaf” começa com a famosa tosse de Iommi. Mas logo em seguida dá lugar a um riff de guitarra de bastante peso e cativante, também possui muito groove junto de suas letras sobre a legalização da maconha cantada como quem sente um verdadeiro amor pela erva. A seção rítmica da cozinha formada por Ward e Buttler também é ótima, sempre mantendo a complexidade da música. Um verdadeiro clássico já na abertura do disco. 

“After Forever” foi uma música que causou um pouco de estranheza pelo fato de ser de cunho cristão, o que acabava contradizendo aqueles que celebravam a banda como sendo satânica. Musicalmente tem uma introdução com sintetizadores seguida por um ritmo constante que a acompanha por praticamente toda a sua extensão. Baixo e bateria novamente completam a faixa com muita energia.

“Embryo” é um interlúdio que me soa como alguma música de origem escocesa, uma espécie de introdução ao lado mais dramático da faixa seguinte. 

“Children of the Grave” talvez seja a minha música preferida da banda, digo talvez, pois quando falamos de uma banda com essa excelência as preferências podem variar. Iommi atingiu um dos seus picos criativos em termos de riff. Também possui ritmo e mudança de tempo impecável, a bateria com um swing perfeito, baixo cavalar e Ozzy em melodias vocais surpreendentes. Um verdadeiro petardo. 

“Orchid” é um dos poucos momentos do Black Sabbath que podemos chamar de pacífico. Uma belíssima peça de violão acústico que mostra a habilidade de Iommi fora do território de sonoridade densa. A tranquilidade termina dando lugar a mais um clássico. 

“Lord of This World” é bastante sinistra e traz alguns riffs apocalípticos em ritmo de marcha. Solos de guitarra memoráveis e mudanças de tempos perfeitamente bem executadas, além de boas melodias vocais de Ozzy. Ouvir essa música atentamente é perceber o tamanho da influência do Black Sabbath na sonoridade pesada surgida nas décadas seguintes. Atmosfera extremamente obscura. 

Vejo certa semelhança de “Solitude” com “Planet Caravan”, mas a considero melhor. Uma música bastante intimista e triste. Algumas lendas já foram ditas sobre “Solitude”, como o fato dos vocais da música ser de Geezer Buttler, mas não passa de lenda mesmo,  pois se tratado do próprio Ozzy, mas mostrando o seu lado melódico, ao diminuir o tom da voz para acompanhar os arranjos acústicos de Iommi. O guitarrista inclusive também tocou flauta nessa faixa. 

O disco termina com “Into the Void”. Provavelmente o melhor uso do clássico C# de Iommi em toda a sua carreira. O começo já é através de um riff brutal que em seguida dá lugar a uma cadência mais pesada ainda e rápida. Ozzy canta sobre a destruição da humanidade de uma maneira bastante pesada. Baixo e bateria perfeitos como sempre jamais são apenas um pano de fundo, estão sempre elevados dentro da música ajudando a deixa-la com uma atmosfera sombria. 

Master of Reality é o álbum mais sombrio da era Ozzy e muito bem pensado pra ser uma obra-prima do começo ao fim. 

Master of Reality é o álbum mais sombrio da era Ozzy.
5
23/10/2017

Meu disco preferido do Black Sabbath. Um álbum relativamente curto, mas que é preenchido em sua totalidade por um material de primeira grandeza, onde nenhum segundo deve ser ignorado. Há uma abundância de grandes ideias musicais que estão abarrotadas em um período de tempo tão curto que não há um único momento do álbum onde eu sinto que eles poderiam ter feito algo diferente do que foi. O disco traz cada riff, cada solo e cada melodia sendo explorada dentro do seu máximo de possibilidade. 

Não costumo dizer que se trata de um disco tipicamente de heavy metal, mas um dos melhores discos de hard rock já feito em todos os tempos. Digo isso por conta de ser um trabalho de peças muito pesadas, contrastando de forma absoluta com momentos dramáticos de paz na forma de interlúdios acústicos. Master of Reality é um disco melhor compreendido se pensado como um todo ao invés de músicas separadas. O considero o ponto alto da mistura entre delicadeza e relevância. Talvez não esteja dentro da técnica bruta comumente apresentada pela banda, mas certamente se considerarmos apenas a questão artística do legado, o coloco no topo das produções do grupo. 

“Sweet Leaf” começa com a famosa tosse de Iommi. Mas logo em seguida dá lugar a um riff de guitarra de bastante peso e cativante, também possui muito groove junto de suas letras sobre a legalização da maconha cantada como quem sente um verdadeiro amor pela erva. A seção rítmica da cozinha formada por Ward e Buttler também é ótima, sempre mantendo a complexidade da música. Um verdadeiro clássico já na abertura do disco. 

“After Forever” foi uma música que causou um pouco de estranheza pelo fato de ser de cunho cristão, o que acabava contradizendo aqueles que celebravam a banda como sendo satânica. Musicalmente tem uma introdução com sintetizadores seguida por um ritmo constante que a acompanha por praticamente toda a sua extensão. Baixo e bateria novamente completam a faixa com muita energia.

“Embryo” é um interlúdio que me soa como alguma música de origem escocesa, uma espécie de introdução ao lado mais dramático da faixa seguinte. 

“Children of the Grave” talvez seja a minha música preferida da banda, digo talvez, pois quando falamos de uma banda com essa excelência as preferências podem variar. Iommi atingiu um dos seus picos criativos em termos de riff. Também possui ritmo e mudança de tempo impecável, a bateria com um swing perfeito, baixo cavalar e Ozzy em melodias vocais surpreendentes. Um verdadeiro petardo. 

“Orchid” é um dos poucos momentos do Black Sabbath que podemos chamar de pacífico. Uma belíssima peça de violão acústico que mostra a habilidade de Iommi fora do território de sonoridade densa. A tranquilidade termina dando lugar a mais um clássico. 

“Lord of This World” é bastante sinistra e traz alguns riffs apocalípticos em ritmo de marcha. Solos de guitarra memoráveis e mudanças de tempos perfeitamente bem executadas, além de boas melodias vocais de Ozzy. Ouvir essa música atentamente é perceber o tamanho da influência do Black Sabbath na sonoridade pesada surgida nas décadas seguintes. Atmosfera extremamente obscura. 

Vejo certa semelhança de “Solitude” com “Planet Caravan”, mas a considero melhor. Uma música bastante intimista e triste. Algumas lendas já foram ditas sobre “Solitude”, como o fato dos vocais da música ser de Geezer Buttler, mas não passa de lenda mesmo,  pois se tratado do próprio Ozzy, mas mostrando o seu lado melódico, ao diminuir o tom da voz para acompanhar os arranjos acústicos de Iommi. O guitarrista inclusive também tocou flauta nessa faixa. 

O disco termina com “Into the Void”. Provavelmente o melhor uso do clássico C# de Iommi em toda a sua carreira. O começo já é através de um riff brutal que em seguida dá lugar a uma cadência mais pesada ainda e rápida. Ozzy canta sobre a destruição da humanidade de uma maneira bastante pesada. Baixo e bateria perfeitos como sempre jamais são apenas um pano de fundo, estão sempre elevados dentro da música ajudando a deixa-la com uma atmosfera sombria. 

Master of Reality é o álbum mais sombrio da era Ozzy e muito bem pensado pra ser uma obra-prima do começo ao fim. 

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