Bem-vindo ao 80 Minutos

Nós amamos música e adoramos compartilhar nossas avaliações sobre os álbuns de nossas bandas favoritas.

Resenha: Sfinx - Zalmoxe (1979)

Por: Tiago Meneses

Acessos: 123

Compartilhar:

Facebook Twitter Google +
User Photo
Album Cover
Uma grande joia principalmente pela época do seu lançamento
4
23/10/2017

A Romênia não costuma ser um país lembrado quando o assunto é rock progressivo, melhor dizendo, até na música em geral, mas em 1979 essa incrível banda lançou um dos melhores álbuns progressivos do final da década de 70. Zalmoxe é um disco conceitual com letras do poeta romeno Alexandru Basarab, baseado na figura folclórica “Zalmoxe”, que era um líder religioso divino sob o domínio do rei Burebista. O disco na época sofreu censura política, tendo a permissão para ser lançado somente três anos após suas gravações. Uma grande obra progressiva, os teclados tem o papel proeminente. Às vezes pode remeter o ouvinte ao Genesis.

O disco abre em uma mistura de tirar o fôlego da introdução barroca e quase gregoriana de “Ursitoarele”, mas depois de alguns segundos, isso muda radicalmente pra uma fluidez sinfônica, meio heavy prog com múltiplas mudanças de excelentes riffs de guitarras.

“Blana de Urs” começa com uma longa seção introdutória que se transforma em uma passagem dirigida por órgão que me remete quase que imediatamente ao Yes. Bateria e baixo são excepcionais, complementando perfeitamente o trabalho criativo de guitarra, teclado e vocais, tudo soando deliciosamente. Não bastando isso, a música se transforma em um tipo de rock clássico, com teclados fortes que parecem simples, mas são bastante interessantes.

“Mierea” lembra bandas argentinas dos anos 70 por causa da maneira que eles fazem uma música elaborada parecer tão simples. Quase como uma balada suave, mas nesse caso com fugas surpreendentes de teclado. Novamente, bonito e interessante.

É triste ouvir esta ótima música e não ser capaz de entender as letras (não sei nem uma palavra de romeno), mas a beleza e a complexidade ingênua de sua música me deixam muito pensativo com isso, e “Pestera” é um ótimo exemplo, quando eu escuto os dois minutos de ruptura instrumental com um som que parece ser um instrumento de sopro nativo e teclados exuberantes, esqueço qualquer problema linguístico e só posso me concentrar na robusteza da música.

“Epifania” é outra balada tranquila que parece fluir suavemente de um lado para o outro sem surpresas, mas quando se fala de uma banda de rock progressivo, é sempre bom esperar o inesperado, uma mudança drástica e um teclado exuberante redirecionam a faixa.

“Furtuna Cu Trup de Balour” marca um ponto de interrupção no álbum, se as músicas anteriores eram suaves e melódicas, aqui o som é frenético e até pesado, com umas estruturas bastante incomuns. Tudo é executado de maneira original, mas menção especial às seções de órgãos que dão brilho extra a uma música já excelente.

“Cãlãtorul Prin Nori” é uma mistura estranha entre sons étnicos, música eletrônica e um pouco de Vangelis, mas a medida que vai avançando, o componente folk assume o primeiro plano com a atmosfera nostálgica e calorosa, enquanto bateria e baixo dão um toque de mistério que parece levar a uma explosão de som que nunca vem, mantendo o ouvinte em suspense. Estrutura brilhante.

“Kogainon” já começa com um trabalho vocal extraordinário entre os coros de monastérios e influência em Queen, onde o próprio trabalho de guitarra também lembra Brian May. A faixa está sempre em uma crescente até chegar em um ponto que de repente para. Uma ótima preparação para o grande final do álbum.

“Epilog” fecha o álbum com uma outra combinação incomum de sons e estilos, que vão de um vocal que flui bem a algo mais sombrio e misterioso. Uma faixa curta de final atmosférico e bastante edificante.

Um disco pra fazer com que olhemos com mais carinho para a cena progressiva da Europa Oriental dos anos 70, pra percebermos sua versatilidade, suas sonoridades nativas e destreza dos músicos escondidos em uma parte pouco explorada do continente.

Uma grande joia principalmente pela época do seu lançamento
4
23/10/2017

A Romênia não costuma ser um país lembrado quando o assunto é rock progressivo, melhor dizendo, até na música em geral, mas em 1979 essa incrível banda lançou um dos melhores álbuns progressivos do final da década de 70. Zalmoxe é um disco conceitual com letras do poeta romeno Alexandru Basarab, baseado na figura folclórica “Zalmoxe”, que era um líder religioso divino sob o domínio do rei Burebista. O disco na época sofreu censura política, tendo a permissão para ser lançado somente três anos após suas gravações. Uma grande obra progressiva, os teclados tem o papel proeminente. Às vezes pode remeter o ouvinte ao Genesis.

O disco abre em uma mistura de tirar o fôlego da introdução barroca e quase gregoriana de “Ursitoarele”, mas depois de alguns segundos, isso muda radicalmente pra uma fluidez sinfônica, meio heavy prog com múltiplas mudanças de excelentes riffs de guitarras.

“Blana de Urs” começa com uma longa seção introdutória que se transforma em uma passagem dirigida por órgão que me remete quase que imediatamente ao Yes. Bateria e baixo são excepcionais, complementando perfeitamente o trabalho criativo de guitarra, teclado e vocais, tudo soando deliciosamente. Não bastando isso, a música se transforma em um tipo de rock clássico, com teclados fortes que parecem simples, mas são bastante interessantes.

“Mierea” lembra bandas argentinas dos anos 70 por causa da maneira que eles fazem uma música elaborada parecer tão simples. Quase como uma balada suave, mas nesse caso com fugas surpreendentes de teclado. Novamente, bonito e interessante.

É triste ouvir esta ótima música e não ser capaz de entender as letras (não sei nem uma palavra de romeno), mas a beleza e a complexidade ingênua de sua música me deixam muito pensativo com isso, e “Pestera” é um ótimo exemplo, quando eu escuto os dois minutos de ruptura instrumental com um som que parece ser um instrumento de sopro nativo e teclados exuberantes, esqueço qualquer problema linguístico e só posso me concentrar na robusteza da música.

“Epifania” é outra balada tranquila que parece fluir suavemente de um lado para o outro sem surpresas, mas quando se fala de uma banda de rock progressivo, é sempre bom esperar o inesperado, uma mudança drástica e um teclado exuberante redirecionam a faixa.

“Furtuna Cu Trup de Balour” marca um ponto de interrupção no álbum, se as músicas anteriores eram suaves e melódicas, aqui o som é frenético e até pesado, com umas estruturas bastante incomuns. Tudo é executado de maneira original, mas menção especial às seções de órgãos que dão brilho extra a uma música já excelente.

“Cãlãtorul Prin Nori” é uma mistura estranha entre sons étnicos, música eletrônica e um pouco de Vangelis, mas a medida que vai avançando, o componente folk assume o primeiro plano com a atmosfera nostálgica e calorosa, enquanto bateria e baixo dão um toque de mistério que parece levar a uma explosão de som que nunca vem, mantendo o ouvinte em suspense. Estrutura brilhante.

“Kogainon” já começa com um trabalho vocal extraordinário entre os coros de monastérios e influência em Queen, onde o próprio trabalho de guitarra também lembra Brian May. A faixa está sempre em uma crescente até chegar em um ponto que de repente para. Uma ótima preparação para o grande final do álbum.

“Epilog” fecha o álbum com uma outra combinação incomum de sons e estilos, que vão de um vocal que flui bem a algo mais sombrio e misterioso. Uma faixa curta de final atmosférico e bastante edificante.

Um disco pra fazer com que olhemos com mais carinho para a cena progressiva da Europa Oriental dos anos 70, pra percebermos sua versatilidade, suas sonoridades nativas e destreza dos músicos escondidos em uma parte pouco explorada do continente.

Sample photo

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Quer Mais?

Veja as nossas recomendações:

Album Cover

King Crimson - In The Court Of The Crimson King (1969)

Uma das mais inovadoras e inventivas criações do prog rock.
5
Por: Tiago Meneses
02/10/2017
Album Cover

Traffic - Mr. Fantasy (1967)

Música bastante criativa e agradável.
3.5
Por: Tiago Meneses
29/03/2018
Album Cover

Tracey Thorn - Record (2018)

Ex-Everything But The Girl Continua Afiada
4
Por: Roberto Rillo Bíscaro
25/04/2018