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Resenha: Le Orme - Felona e Sorona (1973)

Por: Tiago Meneses

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Um disco sublime e de conceito profundo.
5
19/10/2017

Durante os anos setenta, a Le Orme passou de uma banda “somente” inspirada em Emerson, Lake & Palmer, pra uma formação de um rock mais refinado e com um som distinto ainda que claro, sem perder a sua principal influência de vista. Muito consideram esse disco o ápice da pirâmide criativa da banda com nove composições alternadas e bem elaboradas com teclados exuberantes e variados (órgão, piano, sintetizadores e conjunto de cordas) climas maravilhosos e forte, dinâmicas e uma incrível seção rítmica.

O disco é conceitual e trata-se da história de dois planetas que estão sempre girando um ao redor do outro, planetas esses denominados justamente Felona e Sorona, onde enquanto o primeiro é uma espécie de paraíso brilhante o segundo é negro e impregnado de desgraças. Só que nem sempre as coisas permanecem assim, pois na segunda metade da suíte as situações deles se invertem. O disco no mesmo ano do seu lançamento também teve uma versão em inglês, mas sem a mesma carga emocional, sendo a versão em italiano bem melhor. Musicalmente e liricamente belíssimo do começo ao fim, colocando o ouvinte a par das emoções que acontecem na história.

O álbum tem início de forma bastante complexa através da faixa “Sospesi Nell'Incredibile”, com mudanças radicais não apenas de tempo, mas também de humor e volume. A performance do teclado é excelente e o vocal é assombroso, cercado por um órgão atmosférico, marca já de início um momento cheio de drama no disco. Ainda dá tempo de ter um final de humor mais melódico reminiscente ao Emerson, Lake & Palmer e uma pirotecnia de teclado inspirada claramente em Keith Emerson.

“Felona” é curta e brilhante. Começa com sinos tocando, tem vocais encantadores e o acréscimo de flauta em uma parte mais adiante. Um tipo de faixa que me faz ter vontade de caminhar por uma manhã ensolarada enquanto eu a assobio. Uma poesia que descreve todo o paraíso encontrado em Felona até então.

“La Solitudine Di Chi Protegge Il Mondo” é outra curta canção. Sonoridade onírica e imaginativa de vocais tristes e suaves sobre um piano que descreve a solidão do criador.

“L'Equilbrio” é uma das melhores faixas, com excelente contribuição de todos os membros, mas com destaque para a bateria e os sintetizadores. É uma faixa sobre como em certo momento as coisas serão equilibradas. Vibrante novamente com grande influência em Emerson, Lake & Palmer. Termina de forma suave e calma ao dizer ao ouvinte que as coisas podem e mudarão em algum momento quando Deus virar o rosto para o outro lado, mas o segredo do equilíbrio é que nenhum dos planetas conhece a existência do outro.

“Sorona” ao contrário da sonoridade apresentada em “Felona”, aqui a música soa extremamente sombria. As pessoas têm rostos atormentados por causa do sofrimento e a música faz o ouvinte sentir o que se passa no local. Um grito de desespero, medo e solidão bastante forte.

“Attesa Inerte” é uma faixa quase na mesma veia obscura que a anterior, mas praticamente narrada ao invés de cantada e descreve como os habitantes de Sorona se reúnem pra rezar pelo milagre, mas sem fazer nada. Tem uma linha de baixo bastante marcante e o órgão tem uma atmosfera perfeita, quase religiosa.

“Ritratto Di Un Mattino”, novamente uma faixa que inicia-se de maneira sombria com efeitos de teclados e no meio um pequeno verso que diz algo como, “você não consegue encontrar a felicidade em você, mas no que você dá aos outros”. Depois a música muda pra uma suave e linda melodia com um sabor do clássico italiano.

“All'infuori Del Tempo” outra maravilhosa música acústica que começa com um violão que ganha companhia de uma voz angelical e depois pelos teclados e bateria. Descreve como as coisas estão melhorando em Sorona, mas também piorando em Felona, fazendo o equilíbrio logo terminar. A música descreve essa situação perfeitamente, a primeira parte é suave e dá uma sensação de tranquilidade à medida que as coisas mudam, mas a segunda parte, apesar da música manter a mesma melodia, tem um humor mais sombrio, mais lento e finaliza com um órgão final de certa forma assombroso.

“Ritorno Al Nulla” é instrumental e explosiva, dando a sensação de uma viagem intergaláctica chegando ao seu desfecho de maneira apoteótica. As coisas são equilibradas por um instante no tempo, Sorona caminhando para a felicidade e Felona no caminho para o destino sombrio que uma vez teve o outro planeta. Tudo em uma sonoridade caótica sendo feita através de um som de teclado de longa sustentação, seguido de excelente trabalho de órgão e bateria.

Existe também uma versão em inglês, mas se for escolher, fique com a italiana mesmo, pois a estrutura e fonética assim como a carga emotiva são simplesmente perfeitas. Talvez somente Aldo Tagliapietra possa dizer o que de fato representa Sorona e Felona para a banda, mas uma coisa eu sei, eles juntos nesse álbum são os personagens de uma música sublime de conceito profundo. Um "defeito"? Poderia ser mais longo.

Um disco sublime e de conceito profundo.
5
19/10/2017

Durante os anos setenta, a Le Orme passou de uma banda “somente” inspirada em Emerson, Lake & Palmer, pra uma formação de um rock mais refinado e com um som distinto ainda que claro, sem perder a sua principal influência de vista. Muito consideram esse disco o ápice da pirâmide criativa da banda com nove composições alternadas e bem elaboradas com teclados exuberantes e variados (órgão, piano, sintetizadores e conjunto de cordas) climas maravilhosos e forte, dinâmicas e uma incrível seção rítmica.

O disco é conceitual e trata-se da história de dois planetas que estão sempre girando um ao redor do outro, planetas esses denominados justamente Felona e Sorona, onde enquanto o primeiro é uma espécie de paraíso brilhante o segundo é negro e impregnado de desgraças. Só que nem sempre as coisas permanecem assim, pois na segunda metade da suíte as situações deles se invertem. O disco no mesmo ano do seu lançamento também teve uma versão em inglês, mas sem a mesma carga emocional, sendo a versão em italiano bem melhor. Musicalmente e liricamente belíssimo do começo ao fim, colocando o ouvinte a par das emoções que acontecem na história.

O álbum tem início de forma bastante complexa através da faixa “Sospesi Nell'Incredibile”, com mudanças radicais não apenas de tempo, mas também de humor e volume. A performance do teclado é excelente e o vocal é assombroso, cercado por um órgão atmosférico, marca já de início um momento cheio de drama no disco. Ainda dá tempo de ter um final de humor mais melódico reminiscente ao Emerson, Lake & Palmer e uma pirotecnia de teclado inspirada claramente em Keith Emerson.

“Felona” é curta e brilhante. Começa com sinos tocando, tem vocais encantadores e o acréscimo de flauta em uma parte mais adiante. Um tipo de faixa que me faz ter vontade de caminhar por uma manhã ensolarada enquanto eu a assobio. Uma poesia que descreve todo o paraíso encontrado em Felona até então.

“La Solitudine Di Chi Protegge Il Mondo” é outra curta canção. Sonoridade onírica e imaginativa de vocais tristes e suaves sobre um piano que descreve a solidão do criador.

“L'Equilbrio” é uma das melhores faixas, com excelente contribuição de todos os membros, mas com destaque para a bateria e os sintetizadores. É uma faixa sobre como em certo momento as coisas serão equilibradas. Vibrante novamente com grande influência em Emerson, Lake & Palmer. Termina de forma suave e calma ao dizer ao ouvinte que as coisas podem e mudarão em algum momento quando Deus virar o rosto para o outro lado, mas o segredo do equilíbrio é que nenhum dos planetas conhece a existência do outro.

“Sorona” ao contrário da sonoridade apresentada em “Felona”, aqui a música soa extremamente sombria. As pessoas têm rostos atormentados por causa do sofrimento e a música faz o ouvinte sentir o que se passa no local. Um grito de desespero, medo e solidão bastante forte.

“Attesa Inerte” é uma faixa quase na mesma veia obscura que a anterior, mas praticamente narrada ao invés de cantada e descreve como os habitantes de Sorona se reúnem pra rezar pelo milagre, mas sem fazer nada. Tem uma linha de baixo bastante marcante e o órgão tem uma atmosfera perfeita, quase religiosa.

“Ritratto Di Un Mattino”, novamente uma faixa que inicia-se de maneira sombria com efeitos de teclados e no meio um pequeno verso que diz algo como, “você não consegue encontrar a felicidade em você, mas no que você dá aos outros”. Depois a música muda pra uma suave e linda melodia com um sabor do clássico italiano.

“All'infuori Del Tempo” outra maravilhosa música acústica que começa com um violão que ganha companhia de uma voz angelical e depois pelos teclados e bateria. Descreve como as coisas estão melhorando em Sorona, mas também piorando em Felona, fazendo o equilíbrio logo terminar. A música descreve essa situação perfeitamente, a primeira parte é suave e dá uma sensação de tranquilidade à medida que as coisas mudam, mas a segunda parte, apesar da música manter a mesma melodia, tem um humor mais sombrio, mais lento e finaliza com um órgão final de certa forma assombroso.

“Ritorno Al Nulla” é instrumental e explosiva, dando a sensação de uma viagem intergaláctica chegando ao seu desfecho de maneira apoteótica. As coisas são equilibradas por um instante no tempo, Sorona caminhando para a felicidade e Felona no caminho para o destino sombrio que uma vez teve o outro planeta. Tudo em uma sonoridade caótica sendo feita através de um som de teclado de longa sustentação, seguido de excelente trabalho de órgão e bateria.

Existe também uma versão em inglês, mas se for escolher, fique com a italiana mesmo, pois a estrutura e fonética assim como a carga emotiva são simplesmente perfeitas. Talvez somente Aldo Tagliapietra possa dizer o que de fato representa Sorona e Felona para a banda, mas uma coisa eu sei, eles juntos nesse álbum são os personagens de uma música sublime de conceito profundo. Um "defeito"? Poderia ser mais longo.

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