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Resenha: Monarch Trail - Sand (2017)

Por: Tiago Meneses

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Rock progressivo sinfônico de personalidade própria.
4
19/10/2017

O nome de Ken Baird não é uma novidade no progressivo canadense, esteve de maneira solo na cena por quase quinze anos, quando decidiu após o lançamento do seu quinto disco, Further Out, expandir suas atividades e apresentar o trio Monarch Trail, um projeto formado pela necessidade de Baird produzir música em um maior status de trabalho em equipe. Após uma estreia bastante promissora em 2014 a banda está de volta com Sand, um trabalho que certamente poderá ser visto como um dos melhores do ano dentro do universo musical progressivo. Como o último álbum, temos um trio aqui de teclados, baixo e bateria e mais três convidados ajudando nas guitarras. A mesma formação que foi na estreia.

O disco inicia com “Station Theme”, com baixo, piano e bateria que se juntam rapidamente com sintetizadores, formando uma sonoridade espacial retro meio perturbadora, meio como um jingle para um programa de ficção científica no History Channel. O piano apresenta uma destreza que lembra Rick Wakeman. Os sintetizadores voltam junto do baixo e bateria “energizando” a música novamente antes de chegar ao fim.

Em “First Thoughts” os que desconhecem a voz de Ken logo de cara irão perceber que se trata de uma voz extremamente humilde, expressiva e de grande apelo emocional. Além do belo vocal, trata-se de uma breve canção de ninar, lavada em cascatas de sintetizadores de cordas e uma incursão de guitarra acústica que é simplesmente encantadora. Uma música brilhantemente simples e perfeita.

Digamos que o desembarque orbital completo ocorre em “Back to the Start'”, onde são sete minutos de um desenrolar de unidade sinfônica esplendorosa quase ritualística, teclados colossais liderados por um violento ataque de baixo. Ken revela seu ofício nas várias nuances de tecladas à sua disposição, passando de delicado para bombástico, de despretensioso para complexo, com inegável afluência. O guitarrista John Mamone cuspiu alguns bons lick para manter o impulso, outra peça cinematográfica.

“Missing” tece um caminho angustiante através de refluxos vocais e fluxos instrumentais, todos os teclados de Ken ardendo furiosamente, os sintetizadores em particular em chamas através de uma infinidade de solos que desafiam a lógica. Há um leve sentimento de IQ nas melodias e na entrega vocal, embora não seja perto do mesmo timbre de voz do que Peter Nicholls, o que acaba ilustrando uma banda que apesar das influências, tem um estilo próprio e gosta de cumpri-lo.

“Charlie's Kitchen” é uma canção de piano bar bem jazz que acrescenta guitarra cortante e uma seção de ritmo que se desloca que é legal e louco ao mesmo tempo. Ela se transforma vagarosamente em um passeio sinfônico bastante animado, cheio de pompa e circunstância, decorado com plumas de sintetizador floridos, por um lado, e complexidades métricas da batente no outro (sei que esse disco está me fazendo poetizar, mas não tenho culpa se a música me deixa assim). Todos os instrumentos simplesmente fascinantes.

“Another Silent World" é uma peça curta com sintetizadores e atmosfera em toda parte que serve como uma introdução inteligente para o épico que fecha o álbum. “Sand” é um épico ambicioso, começa com uma fragilidade musical como a de Anthony Phillips, uma criação de ambiente bucólico e pastoral que evolui para uma paisagem mais sinfônica, carregada de tons ameaçadores, medo delicado e solidão desavisada, chegando a às vezes a uma linha teatral. O humor da faixa é sempre um enigma colidindo entre a promessa do futuro e o conforto relativo do passado, certamente uma definição bastante adequada de música progressiva moderna. A música segue com toda a sua exuberância em uma passagem instrumental maravilhosa liderada pelas teclas de Ken, crescendo em espirito com solo de guitarra, desafiado constantemente pelos sintetizadores estridentes e pianos persuasivos por baixo de tudo. Tudo entra em serenidade instrumental de belos vocais até crescerem em uma viagem emocionante de som e estilo que não deixa de impressionar até o ouvinte mais casual. O final é apoteótico, influência clássica que apenas eleva o prazer se deixou levar até aqui na música, ultrapassando a norma comum de composição, dando a sensação onírica como se estivéssemos empunhados a um passeio de tapete mágico em direção as estrelas. Simplesmente sensacional.

Se o primeiro álbum já foi um grande sucesso, aqui os arranjos, o desempenho dos músicos e a produção são muito superiores, o que significa que só podemos esperar um crescimento e a maior firmação da banda no cenário progressivo. Além disso, os ouvintes serão testemunhas de um dos mais proeminentes tecladistas atuais em ação, Ken Baird, podendo juntar a outros grandes nomes da era moderna como por exemplo. Clive Nolan, Fred Schendel, Andy Tillison, Neal Morse e Robert Reed. Em termo de sinfônico puro quem sabe até o melhor de 2017, em termos de progressivo em geral, sem dúvida alguma, um dos melhores. Imperdível.

Rock progressivo sinfônico de personalidade própria.
4
19/10/2017

O nome de Ken Baird não é uma novidade no progressivo canadense, esteve de maneira solo na cena por quase quinze anos, quando decidiu após o lançamento do seu quinto disco, Further Out, expandir suas atividades e apresentar o trio Monarch Trail, um projeto formado pela necessidade de Baird produzir música em um maior status de trabalho em equipe. Após uma estreia bastante promissora em 2014 a banda está de volta com Sand, um trabalho que certamente poderá ser visto como um dos melhores do ano dentro do universo musical progressivo. Como o último álbum, temos um trio aqui de teclados, baixo e bateria e mais três convidados ajudando nas guitarras. A mesma formação que foi na estreia.

O disco inicia com “Station Theme”, com baixo, piano e bateria que se juntam rapidamente com sintetizadores, formando uma sonoridade espacial retro meio perturbadora, meio como um jingle para um programa de ficção científica no History Channel. O piano apresenta uma destreza que lembra Rick Wakeman. Os sintetizadores voltam junto do baixo e bateria “energizando” a música novamente antes de chegar ao fim.

Em “First Thoughts” os que desconhecem a voz de Ken logo de cara irão perceber que se trata de uma voz extremamente humilde, expressiva e de grande apelo emocional. Além do belo vocal, trata-se de uma breve canção de ninar, lavada em cascatas de sintetizadores de cordas e uma incursão de guitarra acústica que é simplesmente encantadora. Uma música brilhantemente simples e perfeita.

Digamos que o desembarque orbital completo ocorre em “Back to the Start'”, onde são sete minutos de um desenrolar de unidade sinfônica esplendorosa quase ritualística, teclados colossais liderados por um violento ataque de baixo. Ken revela seu ofício nas várias nuances de tecladas à sua disposição, passando de delicado para bombástico, de despretensioso para complexo, com inegável afluência. O guitarrista John Mamone cuspiu alguns bons lick para manter o impulso, outra peça cinematográfica.

“Missing” tece um caminho angustiante através de refluxos vocais e fluxos instrumentais, todos os teclados de Ken ardendo furiosamente, os sintetizadores em particular em chamas através de uma infinidade de solos que desafiam a lógica. Há um leve sentimento de IQ nas melodias e na entrega vocal, embora não seja perto do mesmo timbre de voz do que Peter Nicholls, o que acaba ilustrando uma banda que apesar das influências, tem um estilo próprio e gosta de cumpri-lo.

“Charlie's Kitchen” é uma canção de piano bar bem jazz que acrescenta guitarra cortante e uma seção de ritmo que se desloca que é legal e louco ao mesmo tempo. Ela se transforma vagarosamente em um passeio sinfônico bastante animado, cheio de pompa e circunstância, decorado com plumas de sintetizador floridos, por um lado, e complexidades métricas da batente no outro (sei que esse disco está me fazendo poetizar, mas não tenho culpa se a música me deixa assim). Todos os instrumentos simplesmente fascinantes.

“Another Silent World" é uma peça curta com sintetizadores e atmosfera em toda parte que serve como uma introdução inteligente para o épico que fecha o álbum. “Sand” é um épico ambicioso, começa com uma fragilidade musical como a de Anthony Phillips, uma criação de ambiente bucólico e pastoral que evolui para uma paisagem mais sinfônica, carregada de tons ameaçadores, medo delicado e solidão desavisada, chegando a às vezes a uma linha teatral. O humor da faixa é sempre um enigma colidindo entre a promessa do futuro e o conforto relativo do passado, certamente uma definição bastante adequada de música progressiva moderna. A música segue com toda a sua exuberância em uma passagem instrumental maravilhosa liderada pelas teclas de Ken, crescendo em espirito com solo de guitarra, desafiado constantemente pelos sintetizadores estridentes e pianos persuasivos por baixo de tudo. Tudo entra em serenidade instrumental de belos vocais até crescerem em uma viagem emocionante de som e estilo que não deixa de impressionar até o ouvinte mais casual. O final é apoteótico, influência clássica que apenas eleva o prazer se deixou levar até aqui na música, ultrapassando a norma comum de composição, dando a sensação onírica como se estivéssemos empunhados a um passeio de tapete mágico em direção as estrelas. Simplesmente sensacional.

Se o primeiro álbum já foi um grande sucesso, aqui os arranjos, o desempenho dos músicos e a produção são muito superiores, o que significa que só podemos esperar um crescimento e a maior firmação da banda no cenário progressivo. Além disso, os ouvintes serão testemunhas de um dos mais proeminentes tecladistas atuais em ação, Ken Baird, podendo juntar a outros grandes nomes da era moderna como por exemplo. Clive Nolan, Fred Schendel, Andy Tillison, Neal Morse e Robert Reed. Em termo de sinfônico puro quem sabe até o melhor de 2017, em termos de progressivo em geral, sem dúvida alguma, um dos melhores. Imperdível.

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