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Resenha: Magma - Mekanïk Destruktïw Kommandöh (1973)

Por: Tiago Meneses

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Música do tipo que assombra a Terra só de tempos em tempos.
5
17/10/2017

O terceiro disco do Magma foi marcado por três letras reconhecíveis: MDK. Às vezes muitos podem pensar que por isso seja o disco mais popular da banda, pois a maioria dos outros, sempre trouxeram nomes complexos na língua Kobaïan, criação de Christian Vander, líder e principal compositor do grupo. Inclusive, como está bem claro na capa, o nome deste disco também é em Kobaïan, mas ganhou popularidade através das iniciais do seu nome original, Mekanïk Destruktïw Kommandöh.

Mas o motivo da popularidade de Mekanïk Destruktïw Kommandöh (tanto quanto o gênero Zeuhl pode oferecer) não tem nada (ou muito pouco) a ver com o nome, mas com o produto encontrado dentro dele. Zeuhl é uma música extremamente única e provavelmente o seu exemplo mais claro esteja neste disco. Imagine alguém olhando para as possibilidades musicais e se sentindo em um beco sem saída, como se tudo fosse fútil e sem originalidade, pois bem, podemos dizer que Vander sentia basicamente isso e que de alguma forma precisava fazer algo que o tirasse dos limites desse universo. A princípio esse novo gênero seria visto mais ou menos como um ramo da música de vanguarda, mas basta apenas uma audição em MDK pra perceber que a única coisa de vanguarda aqui é o vocal, o resto da música é extremamente sinfônica e clara.

Zeuhl tem muitas faces, mas essa forma é a mais reconhecida: as composições extremamente complexas, as estruturas clássicas do século XX, os temas de marcha e ópera. Musicalmente, praticamente não tem nada a ver com a cena Prog do início dos anos 70. Vander expressou claramente em entrevistas que ele não sentiu nenhuma ligação com essas bandas e qualquer um que tenha ouvido este álbum, sem dúvida alguma concorda.

Embora seja separado em sete faixas diferentes, MDK é melhor apreciado quando visto apenas como uma longa peça, sendo que ouvi-las isoladamente e fora de ordem deixa o disco com menos brilho. MDK é o terceiro movimento da trilogia Theusz Hamttaahk. O primeiro e o segundo movimento são Theusz Hamttahk e Wurdah Itah, mas MDK foi gravado e lançado antes de qualquer um desses dois.

No que diz respeito à instrumentação e formação, este é o primeiro álbum "clássico" do Magma da década de 70, com os elementos centrais de Christian Vander na bateria, Jannick Top no baixo e Klaus Blasquiz e Stella Vander cantando. Tal como acontece com a maioria das músicas da banda, o violão elétrico é usado com moderação, há uma seção de metais e também de flauta e clarinete, além de claro, o inconfundível Fender Rhodes, que é essencial para o som que carrega o selo da banda. 

Curioso quando as pessoas falam sobre o progressivo ser um gênero pretensioso, bombástico e mesmo autoindulgente e usam por exemplo, uma banda como o Emerson, Lake & Palmer pra dá um exemplo disso, mas ninguém costuma lembrar do Magma. MDK soa como uma espécie de adaptação de Carmina Burana para um filme de batalhas épicas. Isso sim é pretensioso, bombástico e autoindulgente. Mas qual o problema? Dentro do progressivo vejo isso como uma virtude e particularmente adoro.

O disco abre através de "Hortz Fur Dëhn Stekëhn West", onde vários dos maravilhosos excessos que aprendemos a amar do rock progressivo estão presentes, desde os vocais fortes na linguagem fictícia Kobaian até o excelente refrão e arranjos pomposos.

"Ïma Sürï Dondaï" segue o humor da faixa anterior com uma excelente abertura de Christian e coro feminino, a música é brilhante com quase nenhuma conexão de jazz, contrário ao que poderia ser esperado, além de uma combinação entre orquestra neoclássica e sinfônica progressiva.

"Kobaïa Is De Hündïn" é uma continuação direta de "Ïma Sürï Dondaï", desta vez a introdução do piano é simplesmente deliciosa e o coro acrescente uma sonoridade bombástica, algo que é tão preeminente neste álbum. As mudanças radicais não alteram o humor da música, mas a velocidade crescente cria algum tipo de sensação claustrofóbica devido à falta de espaços silenciosos, sem tempo para descansar. "Da Zeuhl Ẁortz Mëkanïk" começa com um canto misterioso, mas os teclados adicionam algum tipo de som eletrônico que lembra um pouco Vangelis, mas quase instantaneamente retorna ao coro principal.

"Nebëhr Gudahtt" mantém a melodia principal, mas desta vez com um piano suave e uma guitarra repetitiva na veia de Mike Oldfield, os vocais são quase uma narração, com Christian Vander mostrando sua gama versátil, esta música leva sem pausa para "Mëkanïk Kömmandöh", ousaria dizer que ambas as músicas são fortemente influenciadas pelas Óperas de Wagner.

"Kreühn Köhrmahn Iss De Hündïn" é de longe a faixa mais dramática, Vander explora seus vocais de uma maneira extrema, porém, nada agradável, infelizmente, soando até irritante. Uma boa trilha arruinada pelos vocais e o efeito final. Uma maneira ruim de fechar um disco até então excepcional. Mas de qualquer forma e por tudo que foi mostrado até aqui, não tem como deixar de vê-lo como um disco perfeito do gênero. 

MDK definitivamente marcou um ponto na discografia do Magma e certamente na história da música. Enquanto um disco deste não pode ser visto como algo mais acessível, alias, muito pelo contrário, é extremamente complexo, ele também pode ser visto como uma espécie de música que nasce na cabeça de um gênio e que assombra a Terra de tempos em tempos cada vez mais distantes um do outro.  

Música do tipo que assombra a Terra só de tempos em tempos.
5
17/10/2017

O terceiro disco do Magma foi marcado por três letras reconhecíveis: MDK. Às vezes muitos podem pensar que por isso seja o disco mais popular da banda, pois a maioria dos outros, sempre trouxeram nomes complexos na língua Kobaïan, criação de Christian Vander, líder e principal compositor do grupo. Inclusive, como está bem claro na capa, o nome deste disco também é em Kobaïan, mas ganhou popularidade através das iniciais do seu nome original, Mekanïk Destruktïw Kommandöh.

Mas o motivo da popularidade de Mekanïk Destruktïw Kommandöh (tanto quanto o gênero Zeuhl pode oferecer) não tem nada (ou muito pouco) a ver com o nome, mas com o produto encontrado dentro dele. Zeuhl é uma música extremamente única e provavelmente o seu exemplo mais claro esteja neste disco. Imagine alguém olhando para as possibilidades musicais e se sentindo em um beco sem saída, como se tudo fosse fútil e sem originalidade, pois bem, podemos dizer que Vander sentia basicamente isso e que de alguma forma precisava fazer algo que o tirasse dos limites desse universo. A princípio esse novo gênero seria visto mais ou menos como um ramo da música de vanguarda, mas basta apenas uma audição em MDK pra perceber que a única coisa de vanguarda aqui é o vocal, o resto da música é extremamente sinfônica e clara.

Zeuhl tem muitas faces, mas essa forma é a mais reconhecida: as composições extremamente complexas, as estruturas clássicas do século XX, os temas de marcha e ópera. Musicalmente, praticamente não tem nada a ver com a cena Prog do início dos anos 70. Vander expressou claramente em entrevistas que ele não sentiu nenhuma ligação com essas bandas e qualquer um que tenha ouvido este álbum, sem dúvida alguma concorda.

Embora seja separado em sete faixas diferentes, MDK é melhor apreciado quando visto apenas como uma longa peça, sendo que ouvi-las isoladamente e fora de ordem deixa o disco com menos brilho. MDK é o terceiro movimento da trilogia Theusz Hamttaahk. O primeiro e o segundo movimento são Theusz Hamttahk e Wurdah Itah, mas MDK foi gravado e lançado antes de qualquer um desses dois.

No que diz respeito à instrumentação e formação, este é o primeiro álbum "clássico" do Magma da década de 70, com os elementos centrais de Christian Vander na bateria, Jannick Top no baixo e Klaus Blasquiz e Stella Vander cantando. Tal como acontece com a maioria das músicas da banda, o violão elétrico é usado com moderação, há uma seção de metais e também de flauta e clarinete, além de claro, o inconfundível Fender Rhodes, que é essencial para o som que carrega o selo da banda. 

Curioso quando as pessoas falam sobre o progressivo ser um gênero pretensioso, bombástico e mesmo autoindulgente e usam por exemplo, uma banda como o Emerson, Lake & Palmer pra dá um exemplo disso, mas ninguém costuma lembrar do Magma. MDK soa como uma espécie de adaptação de Carmina Burana para um filme de batalhas épicas. Isso sim é pretensioso, bombástico e autoindulgente. Mas qual o problema? Dentro do progressivo vejo isso como uma virtude e particularmente adoro.

O disco abre através de "Hortz Fur Dëhn Stekëhn West", onde vários dos maravilhosos excessos que aprendemos a amar do rock progressivo estão presentes, desde os vocais fortes na linguagem fictícia Kobaian até o excelente refrão e arranjos pomposos.

"Ïma Sürï Dondaï" segue o humor da faixa anterior com uma excelente abertura de Christian e coro feminino, a música é brilhante com quase nenhuma conexão de jazz, contrário ao que poderia ser esperado, além de uma combinação entre orquestra neoclássica e sinfônica progressiva.

"Kobaïa Is De Hündïn" é uma continuação direta de "Ïma Sürï Dondaï", desta vez a introdução do piano é simplesmente deliciosa e o coro acrescente uma sonoridade bombástica, algo que é tão preeminente neste álbum. As mudanças radicais não alteram o humor da música, mas a velocidade crescente cria algum tipo de sensação claustrofóbica devido à falta de espaços silenciosos, sem tempo para descansar. "Da Zeuhl Ẁortz Mëkanïk" começa com um canto misterioso, mas os teclados adicionam algum tipo de som eletrônico que lembra um pouco Vangelis, mas quase instantaneamente retorna ao coro principal.

"Nebëhr Gudahtt" mantém a melodia principal, mas desta vez com um piano suave e uma guitarra repetitiva na veia de Mike Oldfield, os vocais são quase uma narração, com Christian Vander mostrando sua gama versátil, esta música leva sem pausa para "Mëkanïk Kömmandöh", ousaria dizer que ambas as músicas são fortemente influenciadas pelas Óperas de Wagner.

"Kreühn Köhrmahn Iss De Hündïn" é de longe a faixa mais dramática, Vander explora seus vocais de uma maneira extrema, porém, nada agradável, infelizmente, soando até irritante. Uma boa trilha arruinada pelos vocais e o efeito final. Uma maneira ruim de fechar um disco até então excepcional. Mas de qualquer forma e por tudo que foi mostrado até aqui, não tem como deixar de vê-lo como um disco perfeito do gênero. 

MDK definitivamente marcou um ponto na discografia do Magma e certamente na história da música. Enquanto um disco deste não pode ser visto como algo mais acessível, alias, muito pelo contrário, é extremamente complexo, ele também pode ser visto como uma espécie de música que nasce na cabeça de um gênio e que assombra a Terra de tempos em tempos cada vez mais distantes um do outro.  

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