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Resenha: Björk - Homogenic (1997)

Por: Tiago Meneses

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Um bom trabalho musical e lírico.
3
16/10/2017

Antes de desenvolver esta resenha, devo confessar que minha relação com a música da Bjork, apesar de existir, nunca foi muito próxima, o que faz com que explanar sobre um dos seus discos seja um pouco mais difícil, mas ao mesmo tempo, e pelo tipo de música que é abordado, um desafio interessante. Homogenic é o álbum lançado após um famoso caso em que ela acabou sendo perseguida por um fã louco e que inclusive depois viria a cometer suicídio. Percebo que as músicas parecem refletir seu estado de espírito, mais paranoico, digamos assim, que em circunstâncias normais. Algo que deve ser destacado neste disco sem dúvida alguma é o trabalho lírico. 

O disco começa com a faixa, “Hunter”, já fazendo referência ao maluco que a perseguiu. O vocal com alguns efeitos é de causar calafrios, além de possuir uma cadência rítmica eletrônica. Uma música de atmosfera ameaçadora e que ganha um ar mais sinistro ainda com os usos bem feitos de violoncelo e cordas. 

A seção de corda de “Jóga” é bastante interessante. De maneira extremamente emocional, Bjork fala sobre a natureza mais obscura da mente. Confesso que se eu fosse fazer uma coletânea de melhores músicas dela que conheço, provavelmente seria a primeira na qual pensaria. O trabalho de percussão é etéreo e combina muito bem com as linhas de cordas, dando uma sensação de medo à canção. 

O início de “Unravel” é através de suaves metais e uma melodia vocal improvisada por Bjork. Seus versos estão cheios de perguntas e pensamentos de alienação, lembranças ruins e isolamento inescapável. Quando está se sentindo pra baixo uma boa ideia é relaxar, e é exatamente sobre isso que de maneira sombria ela parece falar. O uso de múltiplos vocais no refrão com a simplicidade das batidas a torna muito emocional.

“Bachelorette” tem um trabalho orquestral maravilhoso, parecendo trilha sonora de cinema, além de um ritmo mais rápido que das músicas anteriores. Em se tratando de música que representa bem os elementos encontrados em seus trabalhos, essa deva ser uma das principais.  De maneira metafórica ela faz o ouvinte captar sentimentos de perda e saudade. Bjork usa muito bem expressões idiomáticas. 

“All Neon Like” começa primeiramente com uma capela. Confesso que nunca gostei muito deste tipo de ofício dela quando a vi fazer. A faixa então tende a pulsar em uma batida eletrônica repetidamente, mas que devido ao aumento de intensidade dos vocais a deixa cada vez mais emocional. Em determinado momento ela diz que cortará uma fenda aberta para permitir a luminescência, dando a ideia de suicídio. 

“5 Years” tem um som de teclado de sonoridade fosca e percussão eletrônica distorcida. A voz de Bjork é mais alta enquanto ela canta sobre covardes que dizem que querem o que não podem ter. A impressão que passa é que ela parece gritar para o seu perseguidor, pois isso faz sentido como fonte de inspiração. 

“Immature” como de costume possui batida eletrônica. Também é tomada por uma atmosfera assombrada. Bjork pergunta, “como eu poderia ser tão imatura?”, no caso, pra suportar um amante sem nome e acreditar que ele seria capaz de substituir o elemento que falta nela. Nem sempre costumo gostar de músicas feitas em loop, mas alguns podem ficar muito bons e esse é um caso. Em determinados momentos ela é agressiva com seu grito, externando uma raiva reprimida.

“Alarm Call” possui sons eletrônicos mais fortes, mas muito semelhante ao que se viu no álbum até agora. Apesar de umas “rosnadas” de Bjork, seu desempenho, ao contrário de outros, não me soa como destaque. Mas de qualquer maneira, a letra otimista aumenta o valor da música, ainda mais em meio a um disco tão sombrio. Parece que nem tudo está perdido e como ela diz, “você não pode dizer não à esperança e nem à felicidade”.

“Pluto” é o momento mais agressivo do álbum. Os vocais começam bastante fortes. Uma curiosidade é que já pude ver vídeos desta música e ela funciona bem melhor ao vivo, principalmente se você estiver de fato no show. Apenas ouvindo a versão de estúdio ela soa irritante muitas vezes seja pelo vocal, seja pelas batidas que dão dor de cabeça. 

“All Is Full Of Love”, música que fecha o álbum possui duas versões diferentes, a versão do álbum e a versão de vídeo. Falarei obviamente somente da versão do álbum. Tem uma textura sinfônica e parte de sintetizadores sobre os vocais místicos de Bjork. A letra mostra uma cantora bastante confiante e alegando o quanto o amor está presente em todos os lugares, onde basta saber perceber pra recebe-lo. 

Em suma, talvez este seja um disco muito bom para aqueles que queiram iniciar na música da cantora. Bastante introspectivo, de boa atmosfera e que dentro de uma proposta conseguiu preencher bem todos os itens. 

Um bom trabalho musical e lírico.
3
16/10/2017

Antes de desenvolver esta resenha, devo confessar que minha relação com a música da Bjork, apesar de existir, nunca foi muito próxima, o que faz com que explanar sobre um dos seus discos seja um pouco mais difícil, mas ao mesmo tempo, e pelo tipo de música que é abordado, um desafio interessante. Homogenic é o álbum lançado após um famoso caso em que ela acabou sendo perseguida por um fã louco e que inclusive depois viria a cometer suicídio. Percebo que as músicas parecem refletir seu estado de espírito, mais paranoico, digamos assim, que em circunstâncias normais. Algo que deve ser destacado neste disco sem dúvida alguma é o trabalho lírico. 

O disco começa com a faixa, “Hunter”, já fazendo referência ao maluco que a perseguiu. O vocal com alguns efeitos é de causar calafrios, além de possuir uma cadência rítmica eletrônica. Uma música de atmosfera ameaçadora e que ganha um ar mais sinistro ainda com os usos bem feitos de violoncelo e cordas. 

A seção de corda de “Jóga” é bastante interessante. De maneira extremamente emocional, Bjork fala sobre a natureza mais obscura da mente. Confesso que se eu fosse fazer uma coletânea de melhores músicas dela que conheço, provavelmente seria a primeira na qual pensaria. O trabalho de percussão é etéreo e combina muito bem com as linhas de cordas, dando uma sensação de medo à canção. 

O início de “Unravel” é através de suaves metais e uma melodia vocal improvisada por Bjork. Seus versos estão cheios de perguntas e pensamentos de alienação, lembranças ruins e isolamento inescapável. Quando está se sentindo pra baixo uma boa ideia é relaxar, e é exatamente sobre isso que de maneira sombria ela parece falar. O uso de múltiplos vocais no refrão com a simplicidade das batidas a torna muito emocional.

“Bachelorette” tem um trabalho orquestral maravilhoso, parecendo trilha sonora de cinema, além de um ritmo mais rápido que das músicas anteriores. Em se tratando de música que representa bem os elementos encontrados em seus trabalhos, essa deva ser uma das principais.  De maneira metafórica ela faz o ouvinte captar sentimentos de perda e saudade. Bjork usa muito bem expressões idiomáticas. 

“All Neon Like” começa primeiramente com uma capela. Confesso que nunca gostei muito deste tipo de ofício dela quando a vi fazer. A faixa então tende a pulsar em uma batida eletrônica repetidamente, mas que devido ao aumento de intensidade dos vocais a deixa cada vez mais emocional. Em determinado momento ela diz que cortará uma fenda aberta para permitir a luminescência, dando a ideia de suicídio. 

“5 Years” tem um som de teclado de sonoridade fosca e percussão eletrônica distorcida. A voz de Bjork é mais alta enquanto ela canta sobre covardes que dizem que querem o que não podem ter. A impressão que passa é que ela parece gritar para o seu perseguidor, pois isso faz sentido como fonte de inspiração. 

“Immature” como de costume possui batida eletrônica. Também é tomada por uma atmosfera assombrada. Bjork pergunta, “como eu poderia ser tão imatura?”, no caso, pra suportar um amante sem nome e acreditar que ele seria capaz de substituir o elemento que falta nela. Nem sempre costumo gostar de músicas feitas em loop, mas alguns podem ficar muito bons e esse é um caso. Em determinados momentos ela é agressiva com seu grito, externando uma raiva reprimida.

“Alarm Call” possui sons eletrônicos mais fortes, mas muito semelhante ao que se viu no álbum até agora. Apesar de umas “rosnadas” de Bjork, seu desempenho, ao contrário de outros, não me soa como destaque. Mas de qualquer maneira, a letra otimista aumenta o valor da música, ainda mais em meio a um disco tão sombrio. Parece que nem tudo está perdido e como ela diz, “você não pode dizer não à esperança e nem à felicidade”.

“Pluto” é o momento mais agressivo do álbum. Os vocais começam bastante fortes. Uma curiosidade é que já pude ver vídeos desta música e ela funciona bem melhor ao vivo, principalmente se você estiver de fato no show. Apenas ouvindo a versão de estúdio ela soa irritante muitas vezes seja pelo vocal, seja pelas batidas que dão dor de cabeça. 

“All Is Full Of Love”, música que fecha o álbum possui duas versões diferentes, a versão do álbum e a versão de vídeo. Falarei obviamente somente da versão do álbum. Tem uma textura sinfônica e parte de sintetizadores sobre os vocais místicos de Bjork. A letra mostra uma cantora bastante confiante e alegando o quanto o amor está presente em todos os lugares, onde basta saber perceber pra recebe-lo. 

Em suma, talvez este seja um disco muito bom para aqueles que queiram iniciar na música da cantora. Bastante introspectivo, de boa atmosfera e que dentro de uma proposta conseguiu preencher bem todos os itens. 

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