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Resenha: Eloy - Ocean (1977)

Por: Tiago Meneses

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Uma obra-prima e de fácil acesso a qualquer ouvido.
5
14/10/2017

Os alemães do Eloy lá em seus primórdios, final dos anos 60, tinha como principais inspirações os Beatles e o grupo de rock instrumental The Shadows. Nessa época a banda tinha uma sonoridade mais Hard Rock e suas músicas continham uma inclinação política. Mas foi através da decisão de mudança em sua sonoridade, adentrando ao space rock e tendo como principal influência o Pink Floyd, que o grupo também foi se firmando como uma das grandes bandas de rock progressivo dos anos 70. Tendo o seu auge criativo através de obras como Ocean.

Trata-se de um trabalho conceitual inspirado no mito platônico sobre o continente de Atlântida, pormenorizando desde a criação dos oceanos por Poseidon, o despontar da sua evolução de atlante e o seu apogeu, em um mundo completamente primoroso com seletos habitantes ornados de grandes frutos de conhecimentos e riquezas com as suas deformidades a elas permanentes, provocando em seguida o declínio dessa civilização à medida que seus habitantes vão se tornando cada vez mais perversos, corruptos e gananciosos ("Incarnation of the Logos" e "Decay of the Logos"), culminando com a ira dos deuses e sua decisão de destruir aquela civilização por completo ("Atlantis' Agony At June 5th -8498, 13 P.M. Gregorian Earthtime"). Interessante como as músicas deste álbum conseguem realmente transmitir uma paisagem sonora condizente com a narrativa e uma atmosfera de apocalipse ao tema ao longo de todas as faixas.

O álbum abre com, "Poseidon's Creation", provavelmente uma das canções mais famosa da banda e apreciada por quase todos os fãs. Está para o Eloy como basicamente "Firth of Fifth" está para o Genesis, "Shine on You Crazy Diamond" para o Pink Floyd ou "Siberian Khatru" para o Yes. A música já começa de maneira linda através de uma ambientação criada por uma guitarra gilmouriana sobre uma percussão e teclado executados de maneira suave. A combinação guitarra e bateria talvez seja o maior (embora não único) atrativo dessa faixa. Outro ponto forte dessa canção inclui o seu fluxo, assim como a melodia que traz no seu decorrer uma verdadeira sensação de paz de espírito. Com uns bons fones e se entregando ao som, arrisco a dizer que podemos sentir uma sensação quase de estar planando. Uma música extremamente bem trabalhada e acessível a muitos ouvidos. Frank Bornemann não apenas mostra-se ser um grande guitarrista, como através de sua qualidade vocal faz com que a música fique mais interessante ainda de ser desfrutada. A música é tão dinâmica e nada maçante que chega a impressionar a rapidez com que os seus quase doze minutos passam. Uma abertura de álbum simplesmente fantástica.

"Incarnation Of The Logos" segue o mesmo estilo e nuance da faixa de abertura através de uma ambientação totalmente space rock. Frank Bornemann com o seu trabalho de guitarra novamente é o destaque da faixa, assim como com as partes vocais. Talvez o ponto alto aqui seja o interlúdio no meio da canção. Ela demonstra uma grande combinação de solo de teclado e seção rítmica que compreende bateria, baixo e guitarra. Falando em baixo, o trabalho feito por Klaus-Peter Matziol merece muito ser mencionado. Flui extremamente bem em linhas maravilhosas.

A terceira faixa é "Decay Of The Logos". Agora a banda se apresenta em um estilo mais otimista e com uma maior movimentação tanto instrumental quanto vocal. Então óbvio, o tempo é mais rápido do que as duas que a procederam. Possui uma levada mais enérgica, isso fez com que o álbum ficasse muito mais interessante pra desfrutar, porque nas duas primeiras faixas a música possui uma velocidade média, e desta vez demonstra muito mais energia para criar outra atmosfera emocional para os ouvintes.

"Atlantis' Agony At June 5th - 8498, 13 p.m. Gregorian Earthtime" é a faixa que fecha o álbum. Descreve um título um tanto controverso. Possui uma longa narração em seus 8 primeiros minutos sobre um teclado que me faz lembrar a introdução de "Shine on You Crazy Diamond" do Pink Floyd. Após essa intro o baixo entra maravilhosamente bem junto a um exímio e criativo trabalho de bateria seguido da excelente voz de Frank Bornemann. Os oito primeiros minutos da canção pode soar entediante, mas aos que tem um mínimo de intimidade com esse tipo de som, paciência, vai por mim. Feche os olhos durante esse tempo e deixe a música penetrar na sua mente. A experiência sem dúvida alguma não irá fazer você se arrepender. Provavelmente trata-se da faixa mais hipnotizante da banda não apenas no álbum, mas de toda a sua discografia. Uma verdadeira aula de space rock e até mesmo uma ótima opção para deixar de trilha a uma prática de yoga. Sensacional é o mínimo a se dizer.

Uma verdadeira obra prima e de fácil acesso a qualquer ouvido e não somente amantes do gênero. Um Eloy em sua mais alta forma desempenhando sua música de maneira impecável. Um dos discos que considero obrigatório a qualquer amante de prog rock.

Uma obra-prima e de fácil acesso a qualquer ouvido.
5
14/10/2017

Os alemães do Eloy lá em seus primórdios, final dos anos 60, tinha como principais inspirações os Beatles e o grupo de rock instrumental The Shadows. Nessa época a banda tinha uma sonoridade mais Hard Rock e suas músicas continham uma inclinação política. Mas foi através da decisão de mudança em sua sonoridade, adentrando ao space rock e tendo como principal influência o Pink Floyd, que o grupo também foi se firmando como uma das grandes bandas de rock progressivo dos anos 70. Tendo o seu auge criativo através de obras como Ocean.

Trata-se de um trabalho conceitual inspirado no mito platônico sobre o continente de Atlântida, pormenorizando desde a criação dos oceanos por Poseidon, o despontar da sua evolução de atlante e o seu apogeu, em um mundo completamente primoroso com seletos habitantes ornados de grandes frutos de conhecimentos e riquezas com as suas deformidades a elas permanentes, provocando em seguida o declínio dessa civilização à medida que seus habitantes vão se tornando cada vez mais perversos, corruptos e gananciosos ("Incarnation of the Logos" e "Decay of the Logos"), culminando com a ira dos deuses e sua decisão de destruir aquela civilização por completo ("Atlantis' Agony At June 5th -8498, 13 P.M. Gregorian Earthtime"). Interessante como as músicas deste álbum conseguem realmente transmitir uma paisagem sonora condizente com a narrativa e uma atmosfera de apocalipse ao tema ao longo de todas as faixas.

O álbum abre com, "Poseidon's Creation", provavelmente uma das canções mais famosa da banda e apreciada por quase todos os fãs. Está para o Eloy como basicamente "Firth of Fifth" está para o Genesis, "Shine on You Crazy Diamond" para o Pink Floyd ou "Siberian Khatru" para o Yes. A música já começa de maneira linda através de uma ambientação criada por uma guitarra gilmouriana sobre uma percussão e teclado executados de maneira suave. A combinação guitarra e bateria talvez seja o maior (embora não único) atrativo dessa faixa. Outro ponto forte dessa canção inclui o seu fluxo, assim como a melodia que traz no seu decorrer uma verdadeira sensação de paz de espírito. Com uns bons fones e se entregando ao som, arrisco a dizer que podemos sentir uma sensação quase de estar planando. Uma música extremamente bem trabalhada e acessível a muitos ouvidos. Frank Bornemann não apenas mostra-se ser um grande guitarrista, como através de sua qualidade vocal faz com que a música fique mais interessante ainda de ser desfrutada. A música é tão dinâmica e nada maçante que chega a impressionar a rapidez com que os seus quase doze minutos passam. Uma abertura de álbum simplesmente fantástica.

"Incarnation Of The Logos" segue o mesmo estilo e nuance da faixa de abertura através de uma ambientação totalmente space rock. Frank Bornemann com o seu trabalho de guitarra novamente é o destaque da faixa, assim como com as partes vocais. Talvez o ponto alto aqui seja o interlúdio no meio da canção. Ela demonstra uma grande combinação de solo de teclado e seção rítmica que compreende bateria, baixo e guitarra. Falando em baixo, o trabalho feito por Klaus-Peter Matziol merece muito ser mencionado. Flui extremamente bem em linhas maravilhosas.

A terceira faixa é "Decay Of The Logos". Agora a banda se apresenta em um estilo mais otimista e com uma maior movimentação tanto instrumental quanto vocal. Então óbvio, o tempo é mais rápido do que as duas que a procederam. Possui uma levada mais enérgica, isso fez com que o álbum ficasse muito mais interessante pra desfrutar, porque nas duas primeiras faixas a música possui uma velocidade média, e desta vez demonstra muito mais energia para criar outra atmosfera emocional para os ouvintes.

"Atlantis' Agony At June 5th - 8498, 13 p.m. Gregorian Earthtime" é a faixa que fecha o álbum. Descreve um título um tanto controverso. Possui uma longa narração em seus 8 primeiros minutos sobre um teclado que me faz lembrar a introdução de "Shine on You Crazy Diamond" do Pink Floyd. Após essa intro o baixo entra maravilhosamente bem junto a um exímio e criativo trabalho de bateria seguido da excelente voz de Frank Bornemann. Os oito primeiros minutos da canção pode soar entediante, mas aos que tem um mínimo de intimidade com esse tipo de som, paciência, vai por mim. Feche os olhos durante esse tempo e deixe a música penetrar na sua mente. A experiência sem dúvida alguma não irá fazer você se arrepender. Provavelmente trata-se da faixa mais hipnotizante da banda não apenas no álbum, mas de toda a sua discografia. Uma verdadeira aula de space rock e até mesmo uma ótima opção para deixar de trilha a uma prática de yoga. Sensacional é o mínimo a se dizer.

Uma verdadeira obra prima e de fácil acesso a qualquer ouvido e não somente amantes do gênero. Um Eloy em sua mais alta forma desempenhando sua música de maneira impecável. Um dos discos que considero obrigatório a qualquer amante de prog rock.

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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