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Resenha: Focus - Hamburger Concerto (1974)

Por: Tiago Meneses

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Um disco de música requintada e de beleza ímpar.
5
14/10/2017

Que o Reino Unido é onde se concentra os maiores e mais importantes nomes do rock progressivo não tem nem o que discutir, assim como ir contra essa afirmação é forçar a barra tentando nadar contra uma forte maré. Mas praticamente o mundo inteiro tem bandas que deixaram sejam algumas ou mesmo apenas uma pérola do gênero. Na Holanda, mesmo não sendo o único, o principal nome com certeza é o Focus. Liderada pelo genial multi-instrumentista Thijs van Leer (órgão, piano, cravo, flauta, mellotron, acordeão, gaita de boca, sintetizadores, vibraphone e todos os vocais) e tendo como principal companhia o excelente guitarrista Jan Akkerman (que também toca Alaúde), a banda tem em sua discografia grandes discos, mas nada comparado a “Hamburguer Concerto”. 

Focus sempre foi uma banda que pregou um senso de humor em suas músicas, não apenas pelas misturas sonoras emitidas por Thijs van Leer, mas na escolha dos seus temas. Por exemplo, uma curiosidade é o nome do álbum, “Hambuguer Concerto”, que nada mais é do que uma referência bem humorada a peça, “Brandenburg Concerto” do músico alemão da era barroca, Johann Sebastian Bach. Mas apesar de levarem o seu som de maneira alegre e descontraída, o acabamento final é extremamente requintado e de beleza ímpar. 

O álbum começa através da pequena, “Delicate Musicae”, um som que realmente soa de maneira bem delicada e branda, de influência barroca é somente uma simples introdução para o resto do disco.

“Harem Scarem” dá continuidade ao disco já de maneira mais enérgica. Com batidas graves e firmes, possui um riff de piano bastante alto astral. Difícil não gostar dessa faixa, tanto pela energia que ela passa como pela sua qualidade instrumental. Sem dúvida alguma que fãs de Dixie Dregs provavelmente irão se sentir em casa aqui. Os solos de guitarra e flauta na seção do meio da faixa são bastantes melódicos e também merecem destaque.

"La Cathedrale de Strasbourg" começa com um belo e inspirado piano clássico, acompanhado por um suave violão perfeitamente em síncope. A canção, eventualmente, dá lugar a um som que é um pouco jazzy com vocais soando de maneira espacial e alguns dos melhores assobios em músicas que já ouvi. Não há muito mais a dizer sobre essa canção sem ser redundante, com certeza é absolutamente linda. Sem mais.

A influência barroca encontra-se logo no início de “Birth” através do cravo o qual é usado em sua introdução. Logo tem a entrada da bateria com um órgão de fundo que em seguida tem como acompanhamento a flauta. Contém peças pesadas de flautas, melodias psicodélicas suaves e um forte trabalho de órgão. Aqui sem dúvida que a banda desempenha o seu papel de maneira extremamente inspirada, com texturas de músicas clássicas principalmente por parte do cravo. Sem deixar jamais de esquecer os movimentos virtuosos da guitarra de Akkerman, com direito a solos pesados. 

“Hamburger Concerto”, música homônima ao disco, é uma verdadeira aula. A faixa central do trabalho é simplesmente maravilhosa em seus mais de vinte minutos de puro rock progressivo, misturas incríveis de estilos e gêneros que vão desde o barroco puro a versão holandesa do Flamenco. O som sinfônico é proeminente, Leer e Akkerman estão em suas melhores formas aqui. Em momento algum da carreira da banda podemos desfrutar de tamanha genialidade como nesse caso. Em cerca de seis minutos e meio, Leer tem algumas performances idiossincrática e altas divagações de falsete campais. Seu estilo basicamente inimitável que ficou famoso em "Hocus Pocus". Seu solo de hammond que vem a seguir é um verdadeiro deleite. Tudo vai sendo cadenciado como uma obra prima e mal notamos o tempo passar. Os solos de guitarra de Akkerman também são de arrepiar. A faixa mesmo sendo instrumental, além das "brincadeiras" vocais de Leer, também possui em sua parte mais do fim coros que ajudam a aumentar a suas grandeza épica.

O álbum finaliza com outra música curta, mas bastante inspirada (pena que muitas vezes esquecida por conta do impacto causado pelo épico da faixa anterior). “Early Birth” possui ótimos órgãos e um trabalho de guitarra de extrema beleza. 

É isso, uma das maiores joias do progressivo a serem produzidas fora do seu principal (mas não único) berço e que merece ser sem dúvida alguma apreciada pelo amante de uma boa música em geral.

Um disco de música requintada e de beleza ímpar.
5
14/10/2017

Que o Reino Unido é onde se concentra os maiores e mais importantes nomes do rock progressivo não tem nem o que discutir, assim como ir contra essa afirmação é forçar a barra tentando nadar contra uma forte maré. Mas praticamente o mundo inteiro tem bandas que deixaram sejam algumas ou mesmo apenas uma pérola do gênero. Na Holanda, mesmo não sendo o único, o principal nome com certeza é o Focus. Liderada pelo genial multi-instrumentista Thijs van Leer (órgão, piano, cravo, flauta, mellotron, acordeão, gaita de boca, sintetizadores, vibraphone e todos os vocais) e tendo como principal companhia o excelente guitarrista Jan Akkerman (que também toca Alaúde), a banda tem em sua discografia grandes discos, mas nada comparado a “Hamburguer Concerto”. 

Focus sempre foi uma banda que pregou um senso de humor em suas músicas, não apenas pelas misturas sonoras emitidas por Thijs van Leer, mas na escolha dos seus temas. Por exemplo, uma curiosidade é o nome do álbum, “Hambuguer Concerto”, que nada mais é do que uma referência bem humorada a peça, “Brandenburg Concerto” do músico alemão da era barroca, Johann Sebastian Bach. Mas apesar de levarem o seu som de maneira alegre e descontraída, o acabamento final é extremamente requintado e de beleza ímpar. 

O álbum começa através da pequena, “Delicate Musicae”, um som que realmente soa de maneira bem delicada e branda, de influência barroca é somente uma simples introdução para o resto do disco.

“Harem Scarem” dá continuidade ao disco já de maneira mais enérgica. Com batidas graves e firmes, possui um riff de piano bastante alto astral. Difícil não gostar dessa faixa, tanto pela energia que ela passa como pela sua qualidade instrumental. Sem dúvida alguma que fãs de Dixie Dregs provavelmente irão se sentir em casa aqui. Os solos de guitarra e flauta na seção do meio da faixa são bastantes melódicos e também merecem destaque.

"La Cathedrale de Strasbourg" começa com um belo e inspirado piano clássico, acompanhado por um suave violão perfeitamente em síncope. A canção, eventualmente, dá lugar a um som que é um pouco jazzy com vocais soando de maneira espacial e alguns dos melhores assobios em músicas que já ouvi. Não há muito mais a dizer sobre essa canção sem ser redundante, com certeza é absolutamente linda. Sem mais.

A influência barroca encontra-se logo no início de “Birth” através do cravo o qual é usado em sua introdução. Logo tem a entrada da bateria com um órgão de fundo que em seguida tem como acompanhamento a flauta. Contém peças pesadas de flautas, melodias psicodélicas suaves e um forte trabalho de órgão. Aqui sem dúvida que a banda desempenha o seu papel de maneira extremamente inspirada, com texturas de músicas clássicas principalmente por parte do cravo. Sem deixar jamais de esquecer os movimentos virtuosos da guitarra de Akkerman, com direito a solos pesados. 

“Hamburger Concerto”, música homônima ao disco, é uma verdadeira aula. A faixa central do trabalho é simplesmente maravilhosa em seus mais de vinte minutos de puro rock progressivo, misturas incríveis de estilos e gêneros que vão desde o barroco puro a versão holandesa do Flamenco. O som sinfônico é proeminente, Leer e Akkerman estão em suas melhores formas aqui. Em momento algum da carreira da banda podemos desfrutar de tamanha genialidade como nesse caso. Em cerca de seis minutos e meio, Leer tem algumas performances idiossincrática e altas divagações de falsete campais. Seu estilo basicamente inimitável que ficou famoso em "Hocus Pocus". Seu solo de hammond que vem a seguir é um verdadeiro deleite. Tudo vai sendo cadenciado como uma obra prima e mal notamos o tempo passar. Os solos de guitarra de Akkerman também são de arrepiar. A faixa mesmo sendo instrumental, além das "brincadeiras" vocais de Leer, também possui em sua parte mais do fim coros que ajudam a aumentar a suas grandeza épica.

O álbum finaliza com outra música curta, mas bastante inspirada (pena que muitas vezes esquecida por conta do impacto causado pelo épico da faixa anterior). “Early Birth” possui ótimos órgãos e um trabalho de guitarra de extrema beleza. 

É isso, uma das maiores joias do progressivo a serem produzidas fora do seu principal (mas não único) berço e que merece ser sem dúvida alguma apreciada pelo amante de uma boa música em geral.

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