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Resenha: Opeth - In Cauda Venenum (2019)

Por: Marcio Alexandre

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Se resume em uma palavra: Beleza
5
27/09/2019

Todos nós passamos por mudanças ao longo da vida. Vamos nos tornando pessoas diferentes conforme as experiências vão se acumulando como bagagem e nossas ações refletem todos esses processos. Em determinados momentos tomamos determinados rumos e fazemos certas escolhas. Mikael Åkerfeldt fez uma escolha em determinado momento, assim como seus companheiros no Opeth, e desde então, optaram por trazer novos rumos ao som da banda e coube ao ouvinte entender, compreender e assimilar que a banda que deu seus primeiros passos com o Death Metal, passou pela mescla com o Progressivo e hoje se esbalda de uma vez nesse último gênero se reformulando completamente, são os mesmos músicos formidaveis de outros momentos ainda fazendo uma música de extrema qualidade e riqueza sonora. “In Cauda Venenum” é a mais nova amostra do poderio que esses caras tem e mostra sem medo algum que a sua decisão foi extremamente acertada e qualidade exala por cada poro aqui encontrado. 

O novo disco segue exatamente do ponto onde “Sorceress” parou lá em 2016 e segue a mesma sonoridade. Mas não ache que se trata de só uma extensão, pois o novo trabalho tem a sua beleza própria e ela não é pouca. Sendo lançado em duas versões, uma sueca e outra americana, esta última o ponto de foco deste texto, o lançamento apresenta desde a sua capa criada pelo artista Travis Smith que já fez capas para o Avenged Sevenfold, Nevermore e Soilwork, uma obra que pode se resumir em uma única palavra. Beleza!
 
A abertura fica a cargo de “Garden of Earthly Delights”, um interlúdio bastante denso que aos poucos vai ganhando forma e nos faz viajar em um trabalho conjunto com a capa. "Dignity" é quem começa mesmo o andamento e aí sim estamos dentro de um disco do Opeth. A introdução é intrincada, com uma riqueza instrumental impecável e um trabalho vocal digno de um prêmio por si só. A mescla vai de momento bastante serenos à outros mais agressivos e melodias que entram no ouvido com uma sutileza que poucos sabem fazer. Notem como é belo o refrão da faixa e que sensação espetacular ele passa. 

"Heart in Hand" é a próxima e começa cheia de peso e agressividade. Um trabalho maravilhoso de entrosamento da banda e riqueza de detalhes em passagens lindamente construídas. O andamento dos versos é dinâmico e cadenciado. Aqui eles abusam do lado mais progressivo e temos mais um grande refrão esbanjando melodia e harmonias. Já de cara uma das melhores do disco. Seus quase 9 minutos passam voando com tamanha qualidade. 

A próxima traz ares de Sabbath num primeiro momento. “Next of Kin” é arrastada, pesada em seu começo e no verso cai em um momento mais brando, e no refrão a musicalidade aflora trazendo passagens com escalas musicais brincando com toda a qualidade que os músicos sabem impor num trabalho com seus nomes. As passagens com violão são divinas de tão bem compostas. A música é pura viagem, os vai e vem de ritmos são grandiosos e o final é apoteótico.

Aaaahhh...!!! “Lovelorn Crime” é a cereja do bolo todo aqui. Ainda na metade do disco, o Opeth entrega uma canção que parece ter sido esculpida pelo mais belo artista de época. A canção é linda, e não somente, se trata de uma das mais belas composições que a banda já assinou. Sua composição inteira é extremamente dramática, a voz de Mikael exala sentimentos. O andamento do piano é maravilhoso. O clima sombrio e melancólico são um charme só e a música nos envolve. Destaque para o andamento vocal que temos no pré solo, e por falar nisso, que coisa mais linda o que encontramos por aqui. Simplesmente a definição é beleza. Que coisa maravilhosa. 

Depois desse despejo de beleza, é hora de voltarmos ao lado mais agitado. “Charlatan” traz de novo uma introdução no melhor estilo prog, e com um baixo estalando na cara. O andamento é bastante groovado e tudo se amarra de vez com o vocal por cima, casando perfeitamente com o restante. Há um acompanhamento de teclado hipnótico no andamento que nos leva de vez para dentro da música. Ela só fica meio complicada de ser tão assimilada pela beleza toda da faixa anterior. O canto gregoriano no final é um charme à parte. 

A próxima é mais um grande momento. "Universal Truth" é grandiosa no seu todo. Mais um petardo do disco e candidata à listar entre as melhores por aqui. Mais uma vez, os arranjos de violão são maravilhosos e o trabalho de voz magnifico, e dessa vez eles estão por todos os lados preenchendo todos os espaços. O teclado ganha contornos muito bem elaborados de novo. A calmaria na metade é maravilhosa, parece que somos jogados em outra canção e ela segue assim por um momento e aí caímos numa alternância entre calmaria e agitação e que nunca deixa a bola cair. Simplesmente maravilhosa. 

Com uma introdução que invoca de longe um violão flamenco, "The Garroter" é sombria com uma acompanhamento vocal dinâmico e notem como o instrumental vai flertando com diversos estilos musicais. A faixa segue nessa variações instrumentais até seu fim e parece um longo interlúdio e comprar esta viagem é algo que traz muito bons resultados pois é a banda se diversificando ainda mais dentro de si mesma. 

“Continuum” é a seguinte e vem chegando aos poucos, subindo aos poucos e alcançando seu lugar e quando você acha que nada irá surpreender ali, a música muda para um andamento mais carregado e o peso predomina ali. O solo é uma explosão de fúria, muito bem executado e com uma baita dinâmica. A euforia surge ali com todos os seus poderes e há uma linha vocal em seguida majestosa. 

Encerrando temos "All Things Will Pass" começa soturna, criando terreno antes de chegar com tudo, e quando chega, não é para brincar. Cheia de groove, um baixo marcante e guitarras poderosas. O refrão é carregado, forte e cheio de força. Os versos já trazem momento mais delicados e compostos com várias harmonias e que dedilhado de violão mais lindo. Um final grandioso e digno de todo o trabalho realizado aqui. 

É isso meus caros. Mais uma vez o Opeth conseguiu lançar uma obra repleta de beleza, qualidade e riqueza. Aos que julgam a banda pela mudança sonora e torcem a cara só deixo aqui um lamento, pois melhor que nunca a banda se encontra em harmonia perfeita consigo mesmo e traz uma obra prima e um dos melhores discos de sua carreira. Mais uma vez, maravilhoso!

Se resume em uma palavra: Beleza
5
27/09/2019

Todos nós passamos por mudanças ao longo da vida. Vamos nos tornando pessoas diferentes conforme as experiências vão se acumulando como bagagem e nossas ações refletem todos esses processos. Em determinados momentos tomamos determinados rumos e fazemos certas escolhas. Mikael Åkerfeldt fez uma escolha em determinado momento, assim como seus companheiros no Opeth, e desde então, optaram por trazer novos rumos ao som da banda e coube ao ouvinte entender, compreender e assimilar que a banda que deu seus primeiros passos com o Death Metal, passou pela mescla com o Progressivo e hoje se esbalda de uma vez nesse último gênero se reformulando completamente, são os mesmos músicos formidaveis de outros momentos ainda fazendo uma música de extrema qualidade e riqueza sonora. “In Cauda Venenum” é a mais nova amostra do poderio que esses caras tem e mostra sem medo algum que a sua decisão foi extremamente acertada e qualidade exala por cada poro aqui encontrado. 

O novo disco segue exatamente do ponto onde “Sorceress” parou lá em 2016 e segue a mesma sonoridade. Mas não ache que se trata de só uma extensão, pois o novo trabalho tem a sua beleza própria e ela não é pouca. Sendo lançado em duas versões, uma sueca e outra americana, esta última o ponto de foco deste texto, o lançamento apresenta desde a sua capa criada pelo artista Travis Smith que já fez capas para o Avenged Sevenfold, Nevermore e Soilwork, uma obra que pode se resumir em uma única palavra. Beleza!
 
A abertura fica a cargo de “Garden of Earthly Delights”, um interlúdio bastante denso que aos poucos vai ganhando forma e nos faz viajar em um trabalho conjunto com a capa. "Dignity" é quem começa mesmo o andamento e aí sim estamos dentro de um disco do Opeth. A introdução é intrincada, com uma riqueza instrumental impecável e um trabalho vocal digno de um prêmio por si só. A mescla vai de momento bastante serenos à outros mais agressivos e melodias que entram no ouvido com uma sutileza que poucos sabem fazer. Notem como é belo o refrão da faixa e que sensação espetacular ele passa. 

"Heart in Hand" é a próxima e começa cheia de peso e agressividade. Um trabalho maravilhoso de entrosamento da banda e riqueza de detalhes em passagens lindamente construídas. O andamento dos versos é dinâmico e cadenciado. Aqui eles abusam do lado mais progressivo e temos mais um grande refrão esbanjando melodia e harmonias. Já de cara uma das melhores do disco. Seus quase 9 minutos passam voando com tamanha qualidade. 

A próxima traz ares de Sabbath num primeiro momento. “Next of Kin” é arrastada, pesada em seu começo e no verso cai em um momento mais brando, e no refrão a musicalidade aflora trazendo passagens com escalas musicais brincando com toda a qualidade que os músicos sabem impor num trabalho com seus nomes. As passagens com violão são divinas de tão bem compostas. A música é pura viagem, os vai e vem de ritmos são grandiosos e o final é apoteótico.

Aaaahhh...!!! “Lovelorn Crime” é a cereja do bolo todo aqui. Ainda na metade do disco, o Opeth entrega uma canção que parece ter sido esculpida pelo mais belo artista de época. A canção é linda, e não somente, se trata de uma das mais belas composições que a banda já assinou. Sua composição inteira é extremamente dramática, a voz de Mikael exala sentimentos. O andamento do piano é maravilhoso. O clima sombrio e melancólico são um charme só e a música nos envolve. Destaque para o andamento vocal que temos no pré solo, e por falar nisso, que coisa mais linda o que encontramos por aqui. Simplesmente a definição é beleza. Que coisa maravilhosa. 

Depois desse despejo de beleza, é hora de voltarmos ao lado mais agitado. “Charlatan” traz de novo uma introdução no melhor estilo prog, e com um baixo estalando na cara. O andamento é bastante groovado e tudo se amarra de vez com o vocal por cima, casando perfeitamente com o restante. Há um acompanhamento de teclado hipnótico no andamento que nos leva de vez para dentro da música. Ela só fica meio complicada de ser tão assimilada pela beleza toda da faixa anterior. O canto gregoriano no final é um charme à parte. 

A próxima é mais um grande momento. "Universal Truth" é grandiosa no seu todo. Mais um petardo do disco e candidata à listar entre as melhores por aqui. Mais uma vez, os arranjos de violão são maravilhosos e o trabalho de voz magnifico, e dessa vez eles estão por todos os lados preenchendo todos os espaços. O teclado ganha contornos muito bem elaborados de novo. A calmaria na metade é maravilhosa, parece que somos jogados em outra canção e ela segue assim por um momento e aí caímos numa alternância entre calmaria e agitação e que nunca deixa a bola cair. Simplesmente maravilhosa. 

Com uma introdução que invoca de longe um violão flamenco, "The Garroter" é sombria com uma acompanhamento vocal dinâmico e notem como o instrumental vai flertando com diversos estilos musicais. A faixa segue nessa variações instrumentais até seu fim e parece um longo interlúdio e comprar esta viagem é algo que traz muito bons resultados pois é a banda se diversificando ainda mais dentro de si mesma. 

“Continuum” é a seguinte e vem chegando aos poucos, subindo aos poucos e alcançando seu lugar e quando você acha que nada irá surpreender ali, a música muda para um andamento mais carregado e o peso predomina ali. O solo é uma explosão de fúria, muito bem executado e com uma baita dinâmica. A euforia surge ali com todos os seus poderes e há uma linha vocal em seguida majestosa. 

Encerrando temos "All Things Will Pass" começa soturna, criando terreno antes de chegar com tudo, e quando chega, não é para brincar. Cheia de groove, um baixo marcante e guitarras poderosas. O refrão é carregado, forte e cheio de força. Os versos já trazem momento mais delicados e compostos com várias harmonias e que dedilhado de violão mais lindo. Um final grandioso e digno de todo o trabalho realizado aqui. 

É isso meus caros. Mais uma vez o Opeth conseguiu lançar uma obra repleta de beleza, qualidade e riqueza. Aos que julgam a banda pela mudança sonora e torcem a cara só deixo aqui um lamento, pois melhor que nunca a banda se encontra em harmonia perfeita consigo mesmo e traz uma obra prima e um dos melhores discos de sua carreira. Mais uma vez, maravilhoso!

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