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Resenha: Whitesnake - Slide It In (1984)

Por: Fábio Arthur

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O último da fase rock and roll
5
27/09/2019

Jon Lord (R.I.P.), diria mais tarde após a volta do Deep Purple em 1984, "No Whitesnake era diferente, não se tinha a liberdade, era faça isso, faça assim, toque dessa forma. Era difícil, apesar de Coverdale ser um cara talentoso e legal".

Jon terminou sua fase com a banda após esse álbum, o fabuloso e clássico "Slide It In". Assim, com um concerto pela Europa em uma casa de shows mais parecida com um restaurante, o músico rumou para se juntar ao Purple novamente com Ian Gillan. 

Coverdale já dava sinais de mudanças para com a banda, mas Lord não seria escolhido para sair do grupo e sim outros integrantes, e isso faria com que houvessem duas versões do mesmo disco, uma britânica ao qual foi escolhida para sair no Brasil e outra americana, que trazia um outro guitarrista John Sykes (Thin Lizzy) e um novo baixista Neil Murray (Black Sabbath), e assim a os arranjos e a ordem das canções no álbum seriam diferentes em ambos países. 

O tratamento do álbum chega a ser surreal tamanha composição e integração dos músicos, arranjos e elaborações muito consistentes. Coverdale além de compor e cantar, toca piano, faz vocal de apoio para si mesmo e arranjos para o disco e ainda algo leve com percussões, bem sutis mesmo. No outro ponto, o The Fabulosa Brothers alimenta os refrões em quase todas as faixas com vocalizações supremas e surpreendentes. 

Esse marca um dos discos preferidos de Coverdale, ele obviamente teve que rumar para outra direção com a banda, pois o hair metal e hard estavam em alta e o Whitesnake não chegaria ao sucesso extremo se não evoluísse para tal ponto, mas é fato que ainda aqui reinava o bom rock e o blue pesadão. 

Martin Birch, o genial homem por detrás dos músicos é que trouxe a notória produção e uma exímia amplitude musical, extraindo o máximo de todos. A bateria pulsante de Cozy Powell (R.I.P.) soa retumbante e muito potente entre bumbos e batidas frenéticas de caixa, valendo-se pouco dos tambores e assim deixando a marcação rígida e mantendo as canções em um nível muito agradável.

Mel Galley (R.I.P.) realizou as guitarras e vocais de apoio e logo após um período ele acabou deixando o grupo ou basicamente sendo retirado aos poucos. Coverdale queria uma banda mais americanizada e visualmente e musicalmente mas com a cara do novo que estava acontecendo no meio musical. Galley chegou em ter problemas com Sykes durante um dos períodos de ensaios e gravações; o que não seria difícil já que Sykes genioso e vindo de uma escola diferente de guitarristas, desdenhava de seu companheiro de banda. Outro músico importante para a banda que gravou o álbum mas deixou a mesma, fora Micky Moody, assim que terminaram as gravações o mesmo acabou deixando somente Galley e Sykes. Ou seja, o petardo traz três guitarristas. Enfim, para o baixo além de Murray na versão inglesa temos Colin Hodgkinson, com um swing bem bluseiro.

Com cinco singles e três vídeos gravados, a banda chegou arrasando entre 1984 e 1985. A passagem pelo Rock in Rio 1 trouxe mais uma agradável surpresa e o grupo aportou no Rio como um dos favoritos. A canção "Love Ain't no Stranger era hit aqui, tanto pela propaganda de cigarros Hollywood ao qual a mesma aparecia de fundo nas imagens radicais esportivas, quanto pelo vídeo exposto nós programas da TV brasileira. Assim, na noite de 11 janeiro o grupo tocava ao lado de Queen e Maiden. Coverdale fez o vôo de vinda junto a Freddie Mercury. Na apresentação, Coverdale aparentava alguns problemas na voz, que iriam se intensificar em meses depois; talvez o abuso de álcool e tabaco e também se valer do limite de voz ao extremo tenham contribuído para tal fator. 

Esse disco traz um Coverdale cantando em tonalidades altíssimas, a voz logicamente do mesmo transita entre o médio e grave mas é no agudo o diferencial como um todo. O que na verdade deixou as faixas bem interessantes de se ouvir. 

O Whitesnake conseguiu boa colocação com o álbum, rank nos charts e exposição em massa, atingindo o patamar de grande grupo. A EMI e a Geffen fizeram um excelente trabalho de marketing. 

A gravação se deu por iniciada em 1983, Cozy Powell tinha a referência de querer também trazer um som mais moderno para a banda, mais heavy digamos, ele ostentava a vontade de tirar o Whitesnake do bluesy e rumar para a linha Hard mesmo. Essa veia culminou com a pegada das novas faixas ensaiadas em 1983; de fato a canção clássica e single "Guilty of Love" já estava pronta desde a turnê passada. Ela somente foi renovada em estúdio e ao vivo acabou sendo uma canção bem diferente da versão do álbum original. Dentro destas mudanças temos também a última vez em que o logo original do Whitesnake aparece na arte de capa. Ainda falando da mesma, a foto de face da modelo foi alterada pois os olhos ficavam expostos em iluminações e assim preferiram cortar deixando da maçã do rosto para baixo, o que ficou muito bem aliás. Na contra capa, as costas desnudas seriam de outra modelo e assim nasceria uma das mais chamativas artes do grupo. Talvez a última em apresentar algo distinto e sem ser repetitivo ou seja criativo mesmo.

Ouvindo o disco você sente os arranjos e mudanças em algumas faixas, toques sutis, riffs e solos foram diferenciados nas gravações póstumas para versão americana. De fato, creio eu ser a original britânica excelente mas a dos EUA parece soar mais moderna e hard. 

O disco é totalmente envolvido em emoções e nos traz o melhor em canções muito bem elaboradas. Jon Lord traz solos e arranjos notáveis nesse álbum, brilhantes. Cada faixa tem seu tom bem conduzido, canções como; "Slow an' Easy", "Standing in the Shadows", que obteve uma versão para o disco "87" é uma das melhores do álbum, ainda assim, "Spit Out" e "Hungry for Love" trazem o Whitesnake clássico de volta e "Gambler" ousada e pesado na abre o disco e os shows da tour nessa fase. Aliás, o grupo chegou a participar do Super Rock no Japão ao lado de Scorpions e Dio. Enfim, um deleite para os fãs e o disco é tão intenso que o ouvinte acaba deixando rolar sem pular faixa alguma. Em "ALL or Nothing" David Coverdale mostra todo seu potencial em um vocal supremo e vigoroso. 

E assim em pouco mais de 40 minutos o clássico consegue prender o ouvinte de forma arrebatadora. 

O meu preferido da banda, com certeza!

O último da fase rock and roll
5
27/09/2019

Jon Lord (R.I.P.), diria mais tarde após a volta do Deep Purple em 1984, "No Whitesnake era diferente, não se tinha a liberdade, era faça isso, faça assim, toque dessa forma. Era difícil, apesar de Coverdale ser um cara talentoso e legal".

Jon terminou sua fase com a banda após esse álbum, o fabuloso e clássico "Slide It In". Assim, com um concerto pela Europa em uma casa de shows mais parecida com um restaurante, o músico rumou para se juntar ao Purple novamente com Ian Gillan. 

Coverdale já dava sinais de mudanças para com a banda, mas Lord não seria escolhido para sair do grupo e sim outros integrantes, e isso faria com que houvessem duas versões do mesmo disco, uma britânica ao qual foi escolhida para sair no Brasil e outra americana, que trazia um outro guitarrista John Sykes (Thin Lizzy) e um novo baixista Neil Murray (Black Sabbath), e assim a os arranjos e a ordem das canções no álbum seriam diferentes em ambos países. 

O tratamento do álbum chega a ser surreal tamanha composição e integração dos músicos, arranjos e elaborações muito consistentes. Coverdale além de compor e cantar, toca piano, faz vocal de apoio para si mesmo e arranjos para o disco e ainda algo leve com percussões, bem sutis mesmo. No outro ponto, o The Fabulosa Brothers alimenta os refrões em quase todas as faixas com vocalizações supremas e surpreendentes. 

Esse marca um dos discos preferidos de Coverdale, ele obviamente teve que rumar para outra direção com a banda, pois o hair metal e hard estavam em alta e o Whitesnake não chegaria ao sucesso extremo se não evoluísse para tal ponto, mas é fato que ainda aqui reinava o bom rock e o blue pesadão. 

Martin Birch, o genial homem por detrás dos músicos é que trouxe a notória produção e uma exímia amplitude musical, extraindo o máximo de todos. A bateria pulsante de Cozy Powell (R.I.P.) soa retumbante e muito potente entre bumbos e batidas frenéticas de caixa, valendo-se pouco dos tambores e assim deixando a marcação rígida e mantendo as canções em um nível muito agradável.

Mel Galley (R.I.P.) realizou as guitarras e vocais de apoio e logo após um período ele acabou deixando o grupo ou basicamente sendo retirado aos poucos. Coverdale queria uma banda mais americanizada e visualmente e musicalmente mas com a cara do novo que estava acontecendo no meio musical. Galley chegou em ter problemas com Sykes durante um dos períodos de ensaios e gravações; o que não seria difícil já que Sykes genioso e vindo de uma escola diferente de guitarristas, desdenhava de seu companheiro de banda. Outro músico importante para a banda que gravou o álbum mas deixou a mesma, fora Micky Moody, assim que terminaram as gravações o mesmo acabou deixando somente Galley e Sykes. Ou seja, o petardo traz três guitarristas. Enfim, para o baixo além de Murray na versão inglesa temos Colin Hodgkinson, com um swing bem bluseiro.

Com cinco singles e três vídeos gravados, a banda chegou arrasando entre 1984 e 1985. A passagem pelo Rock in Rio 1 trouxe mais uma agradável surpresa e o grupo aportou no Rio como um dos favoritos. A canção "Love Ain't no Stranger era hit aqui, tanto pela propaganda de cigarros Hollywood ao qual a mesma aparecia de fundo nas imagens radicais esportivas, quanto pelo vídeo exposto nós programas da TV brasileira. Assim, na noite de 11 janeiro o grupo tocava ao lado de Queen e Maiden. Coverdale fez o vôo de vinda junto a Freddie Mercury. Na apresentação, Coverdale aparentava alguns problemas na voz, que iriam se intensificar em meses depois; talvez o abuso de álcool e tabaco e também se valer do limite de voz ao extremo tenham contribuído para tal fator. 

Esse disco traz um Coverdale cantando em tonalidades altíssimas, a voz logicamente do mesmo transita entre o médio e grave mas é no agudo o diferencial como um todo. O que na verdade deixou as faixas bem interessantes de se ouvir. 

O Whitesnake conseguiu boa colocação com o álbum, rank nos charts e exposição em massa, atingindo o patamar de grande grupo. A EMI e a Geffen fizeram um excelente trabalho de marketing. 

A gravação se deu por iniciada em 1983, Cozy Powell tinha a referência de querer também trazer um som mais moderno para a banda, mais heavy digamos, ele ostentava a vontade de tirar o Whitesnake do bluesy e rumar para a linha Hard mesmo. Essa veia culminou com a pegada das novas faixas ensaiadas em 1983; de fato a canção clássica e single "Guilty of Love" já estava pronta desde a turnê passada. Ela somente foi renovada em estúdio e ao vivo acabou sendo uma canção bem diferente da versão do álbum original. Dentro destas mudanças temos também a última vez em que o logo original do Whitesnake aparece na arte de capa. Ainda falando da mesma, a foto de face da modelo foi alterada pois os olhos ficavam expostos em iluminações e assim preferiram cortar deixando da maçã do rosto para baixo, o que ficou muito bem aliás. Na contra capa, as costas desnudas seriam de outra modelo e assim nasceria uma das mais chamativas artes do grupo. Talvez a última em apresentar algo distinto e sem ser repetitivo ou seja criativo mesmo.

Ouvindo o disco você sente os arranjos e mudanças em algumas faixas, toques sutis, riffs e solos foram diferenciados nas gravações póstumas para versão americana. De fato, creio eu ser a original britânica excelente mas a dos EUA parece soar mais moderna e hard. 

O disco é totalmente envolvido em emoções e nos traz o melhor em canções muito bem elaboradas. Jon Lord traz solos e arranjos notáveis nesse álbum, brilhantes. Cada faixa tem seu tom bem conduzido, canções como; "Slow an' Easy", "Standing in the Shadows", que obteve uma versão para o disco "87" é uma das melhores do álbum, ainda assim, "Spit Out" e "Hungry for Love" trazem o Whitesnake clássico de volta e "Gambler" ousada e pesado na abre o disco e os shows da tour nessa fase. Aliás, o grupo chegou a participar do Super Rock no Japão ao lado de Scorpions e Dio. Enfim, um deleite para os fãs e o disco é tão intenso que o ouvinte acaba deixando rolar sem pular faixa alguma. Em "ALL or Nothing" David Coverdale mostra todo seu potencial em um vocal supremo e vigoroso. 

E assim em pouco mais de 40 minutos o clássico consegue prender o ouvinte de forma arrebatadora. 

O meu preferido da banda, com certeza!

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