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Resenha: Sonata Arctica - Talviyö (2019)

Por: Diógenes Ferreira

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Expandindo os horizontes
4
08/09/2019

Confesso que nunca fui um fã ardoroso de Sonata Arctica pois no início enxergava a banda mais como uma mera cópia do Stratovarius, um gigante do Power Metal Finlandês e também mundialmente bem sucedido em um determinado período de auge do estilo. O que eu entendia tempos atrás era que o Sonata era apenas uma banda que vinha na onda do grupo de Timmo Tolkki, mas sem a mesma classe. Os primeiros discos do Sonata me passavam essa idéia e de repente até era isso mesmo, porém, nada como o tempo para evoluir a sonoridade do grupo, agora de forma mais amadurecida e com identidade própria, como também a concepção que eu tinha sobre a banda em relação a vários aspectos. Depois de álbuns como Pariah’s Child (2014) e The Ninth Hour (2016), minha visão sobre o grupo expandiu-se consideravelmente.
A banda ao longo dos anos vem inovando e transformando seu som, experimentando sem ficar preso a uma fórmula que antes parecia uma receita de bolo. Talvez seja resultado das mudanças de formação que o grupo sofreu em meados de sua trajetória, onde parte do núcleo criativo e de destaque da banda em outrora, Jani Limatainen (guitarra) e Mikko Härkin (teclados), deram lugar a novos membros nas figuras de Henrik Klingenberg (teclados) e Elias Viljanen (guitarra), que completam o time ainda com o baterista original Tommy Portimo e o baixista Pasi Kauppinen, além é claro do vocalista e principal compositor, Tony Kakko. 

O certo é que aos poucos, de maneira gradativa, a cada novo álbum, a banda vem flertando com experimentações e elementos que não se limitam somente ao power metal sinfônico praticado nos primeiros discos. É óbvio que as características “power” ainda estão lá e irão permanecer pois faz parte da essência do grupo e também da história construída com os fãs do estilo, mas é notório também que a banda vem injetando toques progressivos, não de uma maneira complexa, mas de uma forma bem costurada como fazia o Shadow Gallery, com a incursão de melodias clássicas, delicadas e sutis dentro do contexto das composições, bem alinhadas ao metal, também com nuances de ‘melodic hard’, até pitadas pop e sem falar que a parte lírica se mostra cada vez mais elaborada e de certa forma, bem representativa, pois pode-se dizer que a banda busca inserir sempre elementos da cultura de seu país, contos e até a língua-pátria em suas canções, algo que eu sempre acho interessante em uma banda para criar sua própria identidade e estilo. 

A parte lírica sempre ficou a cargo de Tony Kakko, que antes eu enxergava como um vocalista de timbre esquisito, meio fanho, mas que hoje entendo possuir um estilo próprio não só de cantar, mas também de representar suas composições ao vivo, no palco, onde ele deixa um pouco o lado teatral fluir. Quem lembra da participação dele na canção “The Beauty and The Beast” no DVD From Wishes To Eternity (2001) do Nightwish, no dueto com Tarja Turunen, ou nas apresentações do próprio Sonata em seus DVDs reconhece tal característica. Não é nenhum Fish ou Peter Gabriel (geniais nesse quesito), mas Tony Kakko consegue sentir a música e interpretá-la de maneira peculiar. 

O grupo chega em 2019 com Talviyö, apostando mais uma vez em algo diversificado e bem trabalhado, que talvez não seja tão palatável para o fã comum do power metal sinfônico do início de carreira e principalmente para o ouvinte não familiarizado com o som da banda. Os álbuns recentes são daqueles que precisam de algumas audições para se acostumar com sua musicalidade, mas que funcionam quando o ouvinte compreende o conceito em torno dos mesmos e se deixa levar apenas pela obra musical e não pelo estilo da banda. Talviyö apresenta os já citados toques progressivos, as melodias singelas, as influências clássicas e claro, o power metal, mas de maneira bem mais moderada. Não se engane com a introdução meio “coral de igreja” de Message From The Sun, pois a música depois se manifesta no formato power metal, embora com um refrão meio sem sal, mas os ventos vão mudando com “Whirlwind” que lembra até algo de Threshold, mostrando-se uma ótima canção e com uma linha cabulosa de baixo na hora do refrão e até uma parte semi-acústica que precede tempos quebrados típicos do Prog Metal. Depois “Cold” vem de maneira versátil com um andamento meio Pop e o peso do Metal. “Storm The Armada” inicia com dedilhados belíssimos, mas que logo dão espaço a um peso tipicamente Prog aliado a coros que dão uma amplitude à canção. “The Last of The Lambs” traz um clima soturno, sendo bem arrastada do começo ao fim, em seguida entra a quase gótica “Who Failed The Most” lembrando os também finlandeses do Sentenced, exceto pelos vocais, é claro. “You Won’t Fall” promove toques mais atuais, enquanto que “Ismo’s God Good Reactors” recorre ao velho Power mas de maneira instrumental, portanto estão lá teclados e guitarras em profusão. “Demon’s Cage” vem num mix Power/Prog/Neoclássico com pianos muito bem encaixados que trazem uma leveza em meio a riffs ganchudos em certos momentos da canção. O peso se mostra presente novamente com “ A Little Less Understanding” mas que no refrão dispara melodias vocais mais serenas. “The Raven Still Flies With You” traz uma certa suavidade operística, até que começa uma quebradeira que mistura influências de Kansas e Spock’s Beard. A faixa “The Garden” é uma balada bem sentimental com doses eruditas, que baixa bastante a pressão do álbum e que dessa forma encerra a “noite de inverno” (Talviyö), um álbum que alimenta o Sonata Arctica de mais diversidade em sua busca por revitalização.

Expandindo os horizontes
4
08/09/2019

Confesso que nunca fui um fã ardoroso de Sonata Arctica pois no início enxergava a banda mais como uma mera cópia do Stratovarius, um gigante do Power Metal Finlandês e também mundialmente bem sucedido em um determinado período de auge do estilo. O que eu entendia tempos atrás era que o Sonata era apenas uma banda que vinha na onda do grupo de Timmo Tolkki, mas sem a mesma classe. Os primeiros discos do Sonata me passavam essa idéia e de repente até era isso mesmo, porém, nada como o tempo para evoluir a sonoridade do grupo, agora de forma mais amadurecida e com identidade própria, como também a concepção que eu tinha sobre a banda em relação a vários aspectos. Depois de álbuns como Pariah’s Child (2014) e The Ninth Hour (2016), minha visão sobre o grupo expandiu-se consideravelmente.
A banda ao longo dos anos vem inovando e transformando seu som, experimentando sem ficar preso a uma fórmula que antes parecia uma receita de bolo. Talvez seja resultado das mudanças de formação que o grupo sofreu em meados de sua trajetória, onde parte do núcleo criativo e de destaque da banda em outrora, Jani Limatainen (guitarra) e Mikko Härkin (teclados), deram lugar a novos membros nas figuras de Henrik Klingenberg (teclados) e Elias Viljanen (guitarra), que completam o time ainda com o baterista original Tommy Portimo e o baixista Pasi Kauppinen, além é claro do vocalista e principal compositor, Tony Kakko. 

O certo é que aos poucos, de maneira gradativa, a cada novo álbum, a banda vem flertando com experimentações e elementos que não se limitam somente ao power metal sinfônico praticado nos primeiros discos. É óbvio que as características “power” ainda estão lá e irão permanecer pois faz parte da essência do grupo e também da história construída com os fãs do estilo, mas é notório também que a banda vem injetando toques progressivos, não de uma maneira complexa, mas de uma forma bem costurada como fazia o Shadow Gallery, com a incursão de melodias clássicas, delicadas e sutis dentro do contexto das composições, bem alinhadas ao metal, também com nuances de ‘melodic hard’, até pitadas pop e sem falar que a parte lírica se mostra cada vez mais elaborada e de certa forma, bem representativa, pois pode-se dizer que a banda busca inserir sempre elementos da cultura de seu país, contos e até a língua-pátria em suas canções, algo que eu sempre acho interessante em uma banda para criar sua própria identidade e estilo. 

A parte lírica sempre ficou a cargo de Tony Kakko, que antes eu enxergava como um vocalista de timbre esquisito, meio fanho, mas que hoje entendo possuir um estilo próprio não só de cantar, mas também de representar suas composições ao vivo, no palco, onde ele deixa um pouco o lado teatral fluir. Quem lembra da participação dele na canção “The Beauty and The Beast” no DVD From Wishes To Eternity (2001) do Nightwish, no dueto com Tarja Turunen, ou nas apresentações do próprio Sonata em seus DVDs reconhece tal característica. Não é nenhum Fish ou Peter Gabriel (geniais nesse quesito), mas Tony Kakko consegue sentir a música e interpretá-la de maneira peculiar. 

O grupo chega em 2019 com Talviyö, apostando mais uma vez em algo diversificado e bem trabalhado, que talvez não seja tão palatável para o fã comum do power metal sinfônico do início de carreira e principalmente para o ouvinte não familiarizado com o som da banda. Os álbuns recentes são daqueles que precisam de algumas audições para se acostumar com sua musicalidade, mas que funcionam quando o ouvinte compreende o conceito em torno dos mesmos e se deixa levar apenas pela obra musical e não pelo estilo da banda. Talviyö apresenta os já citados toques progressivos, as melodias singelas, as influências clássicas e claro, o power metal, mas de maneira bem mais moderada. Não se engane com a introdução meio “coral de igreja” de Message From The Sun, pois a música depois se manifesta no formato power metal, embora com um refrão meio sem sal, mas os ventos vão mudando com “Whirlwind” que lembra até algo de Threshold, mostrando-se uma ótima canção e com uma linha cabulosa de baixo na hora do refrão e até uma parte semi-acústica que precede tempos quebrados típicos do Prog Metal. Depois “Cold” vem de maneira versátil com um andamento meio Pop e o peso do Metal. “Storm The Armada” inicia com dedilhados belíssimos, mas que logo dão espaço a um peso tipicamente Prog aliado a coros que dão uma amplitude à canção. “The Last of The Lambs” traz um clima soturno, sendo bem arrastada do começo ao fim, em seguida entra a quase gótica “Who Failed The Most” lembrando os também finlandeses do Sentenced, exceto pelos vocais, é claro. “You Won’t Fall” promove toques mais atuais, enquanto que “Ismo’s God Good Reactors” recorre ao velho Power mas de maneira instrumental, portanto estão lá teclados e guitarras em profusão. “Demon’s Cage” vem num mix Power/Prog/Neoclássico com pianos muito bem encaixados que trazem uma leveza em meio a riffs ganchudos em certos momentos da canção. O peso se mostra presente novamente com “ A Little Less Understanding” mas que no refrão dispara melodias vocais mais serenas. “The Raven Still Flies With You” traz uma certa suavidade operística, até que começa uma quebradeira que mistura influências de Kansas e Spock’s Beard. A faixa “The Garden” é uma balada bem sentimental com doses eruditas, que baixa bastante a pressão do álbum e que dessa forma encerra a “noite de inverno” (Talviyö), um álbum que alimenta o Sonata Arctica de mais diversidade em sua busca por revitalização.

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