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Resenha: Yes - Relayer (1974)

Por: Tiago Meneses

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O mais melódico e emocionalmente satisfatório do Yes
4.5
08/10/2017

Após o controverso, Tales From Topographic Oceans, a decisão de Rick Wakeman em seguir sozinho levou à sua substituição pelo (na época) relativamente desconhecido Patrick Moraz. O tecladista já havia substituído Keith Emerson efetivamente na The Nice, quando se tornaram Refugee, com isso, uma coisa era fato, suas credenciais eram bastante sólidas. Seu estilo, no entanto, é um pouco diferente de Emerson e Wakeman, já que Moraz tem um som mais jazzístico. Ele é menos solista e contribui mais para o som geral de cada música. Isso dá a Relayer uma sensação diferente do que havia sido apresentado pela banda até então.

Cada membro da banda pode ser colocado em destaque aqui. Jon Anderson apresenta umas de suas melhores performances vocais e suas letras têm muito mais sentido que o habitual. Steve Howe está afiadíssimo em sua guitarra, complementada por um baixo igualmente energizado de Chris Squire. Alan White apresenta incríveis habilidades podendo colocar sua participação em Relayer com uma das mais inspiradas de sua carreira. Patrick Moraz, como já dito, é menos virtuoso, mas ao mesmo tempo, contribui de maneira requintada e criativa em todas as músicas.

O álbum contém apenas três faixas onde a de abertura é “Gates of Delirium”. Começa de maneira amena através de pratos, teclado, guitarra e baixo acessível. É diferente das introduções de outros épicos da banda. São cerca de dois minutos de preparação antes do vocal de Anderson entrar e a música de fato começar. Logo no início nota-se a diferença nos trabalho das teclas, onde ao contrário de Wakeman que quando toca os demais membros tendem a deixa-lo sozinho pra que ele faça sua viagem, Moraz convida todos os músicos pra se juntar a ele para criar uma peça de maquinaria complexa, mas bem oleada, na qual cada elemento tem a mesma importância. Depois de uma curta seção vocal de Anderson muito bem acompanhado por Squire, vem o festival de loucura com Howe liderando a “bagunça”, mas sempre complementado por Moraz, Squire e a bateria forte e precisa de Alan White, inclusive, ao ouvi-lo tocar percebe-se o quanto ele parece mais confortável devido a liberdade que lhe foi dada nesse disco. Por volta dos seis minutos de música o ouvinte pode esperar qualquer coisa, quando qualquer membro está tentando fazer um solo, outro membro irrompe em um caos musical bem intencionado, como se eles compartilhassem o controle de um pelo outro, Howe, Squire e Moraz criam um conflito maravilhoso de sons com mudanças radicais e inesperadas, além de ataques violentos aos instrumentos desafiando o ouvinte e eles mesmos como poucas bandas se atrevem. Uma música perfeita desde o seu início suave, o desenvolvimento complexo e o final brilhante com o delicado “Soon” que coloca novamente um ar nessa canção que é simplesmente de tirar o fôlego.

Em “Sound Chaser”, ao contrário do que foi visto na faixa anterior, começa de maneira perturbadora sem aviso prévio. Uma maravilhosa sonoridade entre o jazz e o progressivo que é um verdadeiro ataque aos sentidos, fazendo com que pareça que cada músico foi autorizado a fazer o que quiser em uma espécie de free jazz, mas se você notar com atenção existe uma estrutura muito bem elaborada no fundo em que cada nota e som têm um motivo de estar no seu lugar. Guitarras nervosas, teclados que servem como excelente paisagem sonora, baixo e bateria formam uma cozinha requintada e de pura técnica. A única coisa que não acrescenta muito na música são os “cha cha cha”cantado por Jon Anderson algumas vezes, mas ainda assim, pouco pra tirar dessa música o seu status de obra grandiosa.

“To Be Over”, depois da tempestade a bonança. Teclado e guitarra de maneira bela e serena dão início a música. Tem alguns dos vocais mais bonitos da história discográfica da banda e as melhores letras do álbum. Depois de quase dois minutos de introdução os vocais e a bateria ingressam na faixa, a cadencia da música vai continuando em um clima suave até ficar mais dramática e enérgica, também tem um excelente solo de guitarra sobre uma cama instrumental muito bem estruturada, os vocais retornam de maneira dramática e bela. Há um curto solo de teclado que soa bastante refrescante, já que ao contrário de discos anteriores, não se ouviu algo desse tipo até então vindo deste instrumento. O álbum termina de maneira vibrante.

Um dos álbuns mais espetaculares da história do rock progressivo, tudo é muito bem elaborado. Provavelmente o disco mais melódico e emocionalmente satisfatório do Yes, a banda em um dos seus mais inspirados momentos. Não é apenas essencial, mas obrigatório. 

O mais melódico e emocionalmente satisfatório do Yes
4.5
08/10/2017

Após o controverso, Tales From Topographic Oceans, a decisão de Rick Wakeman em seguir sozinho levou à sua substituição pelo (na época) relativamente desconhecido Patrick Moraz. O tecladista já havia substituído Keith Emerson efetivamente na The Nice, quando se tornaram Refugee, com isso, uma coisa era fato, suas credenciais eram bastante sólidas. Seu estilo, no entanto, é um pouco diferente de Emerson e Wakeman, já que Moraz tem um som mais jazzístico. Ele é menos solista e contribui mais para o som geral de cada música. Isso dá a Relayer uma sensação diferente do que havia sido apresentado pela banda até então.

Cada membro da banda pode ser colocado em destaque aqui. Jon Anderson apresenta umas de suas melhores performances vocais e suas letras têm muito mais sentido que o habitual. Steve Howe está afiadíssimo em sua guitarra, complementada por um baixo igualmente energizado de Chris Squire. Alan White apresenta incríveis habilidades podendo colocar sua participação em Relayer com uma das mais inspiradas de sua carreira. Patrick Moraz, como já dito, é menos virtuoso, mas ao mesmo tempo, contribui de maneira requintada e criativa em todas as músicas.

O álbum contém apenas três faixas onde a de abertura é “Gates of Delirium”. Começa de maneira amena através de pratos, teclado, guitarra e baixo acessível. É diferente das introduções de outros épicos da banda. São cerca de dois minutos de preparação antes do vocal de Anderson entrar e a música de fato começar. Logo no início nota-se a diferença nos trabalho das teclas, onde ao contrário de Wakeman que quando toca os demais membros tendem a deixa-lo sozinho pra que ele faça sua viagem, Moraz convida todos os músicos pra se juntar a ele para criar uma peça de maquinaria complexa, mas bem oleada, na qual cada elemento tem a mesma importância. Depois de uma curta seção vocal de Anderson muito bem acompanhado por Squire, vem o festival de loucura com Howe liderando a “bagunça”, mas sempre complementado por Moraz, Squire e a bateria forte e precisa de Alan White, inclusive, ao ouvi-lo tocar percebe-se o quanto ele parece mais confortável devido a liberdade que lhe foi dada nesse disco. Por volta dos seis minutos de música o ouvinte pode esperar qualquer coisa, quando qualquer membro está tentando fazer um solo, outro membro irrompe em um caos musical bem intencionado, como se eles compartilhassem o controle de um pelo outro, Howe, Squire e Moraz criam um conflito maravilhoso de sons com mudanças radicais e inesperadas, além de ataques violentos aos instrumentos desafiando o ouvinte e eles mesmos como poucas bandas se atrevem. Uma música perfeita desde o seu início suave, o desenvolvimento complexo e o final brilhante com o delicado “Soon” que coloca novamente um ar nessa canção que é simplesmente de tirar o fôlego.

Em “Sound Chaser”, ao contrário do que foi visto na faixa anterior, começa de maneira perturbadora sem aviso prévio. Uma maravilhosa sonoridade entre o jazz e o progressivo que é um verdadeiro ataque aos sentidos, fazendo com que pareça que cada músico foi autorizado a fazer o que quiser em uma espécie de free jazz, mas se você notar com atenção existe uma estrutura muito bem elaborada no fundo em que cada nota e som têm um motivo de estar no seu lugar. Guitarras nervosas, teclados que servem como excelente paisagem sonora, baixo e bateria formam uma cozinha requintada e de pura técnica. A única coisa que não acrescenta muito na música são os “cha cha cha”cantado por Jon Anderson algumas vezes, mas ainda assim, pouco pra tirar dessa música o seu status de obra grandiosa.

“To Be Over”, depois da tempestade a bonança. Teclado e guitarra de maneira bela e serena dão início a música. Tem alguns dos vocais mais bonitos da história discográfica da banda e as melhores letras do álbum. Depois de quase dois minutos de introdução os vocais e a bateria ingressam na faixa, a cadencia da música vai continuando em um clima suave até ficar mais dramática e enérgica, também tem um excelente solo de guitarra sobre uma cama instrumental muito bem estruturada, os vocais retornam de maneira dramática e bela. Há um curto solo de teclado que soa bastante refrescante, já que ao contrário de discos anteriores, não se ouviu algo desse tipo até então vindo deste instrumento. O álbum termina de maneira vibrante.

Um dos álbuns mais espetaculares da história do rock progressivo, tudo é muito bem elaborado. Provavelmente o disco mais melódico e emocionalmente satisfatório do Yes, a banda em um dos seus mais inspirados momentos. Não é apenas essencial, mas obrigatório. 

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