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Resenha: Genesis - Nursery Cryme (1971)

Por: Tiago Meneses

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Disco de sonoridade poderosa e evocativa
5
08/10/2017

Em Nursery Cryme as substituições ocorridas na banda não foram situações simples com que os músicos remanescentes tiveram que conviver. Ao menos não como um todo. John Meyhew de fato já estava ficando pequeno demais pra banda, era um baterista muito dependente e não correspondia com a edição final das sessões. Ainda que na época foi dito a muitos que sua saída estava ligada a problemas de saúde, era uma desculpa que ficava muito a desejar a todos. Agora em relação a Anthony Phillips, sem sombra de dúvida a preocupação foi muito maior, primeiro porque ele era membro fundador do Genesis, segundo porque tinha bom relacionamento com todos os companheiros da banda, afinal, eram amigos de adolescência desde a época de escola na metade dos anos 60 e terceiro por causa do virtuosismo de Phillips que começava a se tornar cada vez mais gradual e complexo, sem contar no desenvolvimento musical criativo que o guitarrista possuía, aliás isso é comprovado na carreira solo dos trabalhos de Anthony Phillips. Phillips alegava que sua permanência na banda o deixou frustrado, além de desgastado com aquilo que estavam fazendo, mas confesso que é muito difícil de entender este motivo dele até hoje. Naquela altura do campeonato eles não acreditavam em jogar fora tudo aquilo que sonhavam desde os tempos de adolescentes, por isso vão à procura do que necessitavam. Primeiramente a procura foi a um baterista onde em meio à cerca de cinquenta candidatos surgiu Phil Collins, que na época era de uma banda chamada Flaming Youth e tinha gravado um disco intitulado, Ark II e lançado em 1969, além de dois compactos. Collins tinha muita precisão e ritmo na bateria e percussão, além de um vocal melodioso que no decorrer do tempo dividiria com Gabriel. Em relação ao guitarrista o trabalho foi um pouco mais difícil, chegaram a recrutar um chamado Mike Bernard, mas que ficou pouco tempo fazendo apenas ensaios, foi então que eles encontram um anúncio musical de um guitarrista que estava procurando uma banda que correspondesse o seus "instintos" e Peter Gabriel faz contato com este que era nada menos que Steve Hackett. Hackett tinha muito talento como guitarrista que variava desde o estilo clássico/erudito, folk, acústico também havia feito um álbum antes de se ingressar no Genesis numa banda chamada Quiet World intitulado como The Road e lançado no ano de 1970. 

Assim como ocorreu com o disco anterior, Trespass, e ocorreria com o posterior, Foxtrot, a arte da capa ficou por conta de Paul Whitehead. A ilustração que estampava Nursery Crime teve muita repercussão na época porque foi considerada muito ousada para um disco, contendo a ilustração de uma garotinha segurando um martelo de críquete e insinuando que as cabeças de outras crianças eram as bolas espalhadas no campo de jogo. 

O certo é que a partir deste trabalho eles começaram a ter uma presença forte em outros países europeus, incluindo a Itália onde as paradas musicais nas primeiras colocações os apontavam como os melhores e também pelo fato de que os artistas italianos de rock da época estavam se baseando em bandas inglesas do gênero, e no caso do Genesis, o próprio país de origem, a Inglaterra, não observava isto cautelosamente. Mais tarde Anthony Phillips elogiou o resultado do trabalho, embora devido as suas características, não seria este tipo de coisa que gravaria com o grupo, além de Keith Emerson, que os recomendavam a todo o público que gostava de rock progressivo. Enfim, a estreia deste line-up foi muito bem recebida tanto pelo público como pela crítica, com músicas muito bem elaboradas, criativas, originais, estruturadas, onde mesmo com os dois novatos no Genesis, a interação parecia está mais forte do que nunca.

A primeira faixa do disco é também a que ilustra a famosa capa, “The Musical Box”, uma das maiores obras prima da história do rock progressivo. A jovem Cynthia Blaise-William de nove anos através de uma martelada de críquete arranca a cabeça de Henry Hamilton-Smythe de oito. Passado duas semanas do acidente, Cynthia vai ao quarto de Henry onde encontra uma caixinha musical que quando abre toca uma música chamada “Old King Cole” e surge um "espectro fantasmagórico" do garotinho que vai ficando envelhecido conforme a musiquinha da caixa vai tocando e ele a vai desejando de maneira pervertida, então uma enfermeira ao notar algo estranho no quarto vai ver do que se tratava, ao ver a cena, arremessa uma caixinha de música no velho que se insinuava para Cynthia. Com isso, Henry e a caixinha são destruídos, mas apesar de um clima meio perturbador, Gabriel saber ser sutil como ninguém com suas letras. A faixa começa com algumas notas de guitarra acústica seguida pelas primeiras frases pronunciadas por Peter Gabriel. A flauta tocada de maneira suave, em dueto com a guitarra, dá à música um gosto antiquado. Essa faixa em si transmite uma sensação de um mundo infantil. A música então começa a ganhar mais força com bateria e baixo pulsante, riff e solo de guitarra além de um trabalho enérgico de órgão a fazendo entrar no seu momento mais progressivo. Em seguida tudo suaviza novamente por um instante antes de pela segunda vez a musicalidade ganhar paredes sonoras robustas. Seu final apresenta a catarse de toda a música, a famosa interpretação de Gabriel, "Por que você não me toca? Toque-me, toque-me, TOQUE-ME. Agora! Agora! Agora! Agora! AGORA!”. É impressionante como uma música de temática tão delicada como o abuso sexual pode ser tão boa. Sempre irei me questionar em relação a isso. 

“For Absent Friends” é a faixa mais curta do álbum. Simples e extremamente linda, além de ser a primeira música da banda em que a liderança vocal fica por conta de Phil Collins. Sonoridade acústica e edificante, dá ao ouvinte uma sensação de passeio no campo. 

“The Return of the Giant Hogweed" tem um conceito que eu definiria até mesmo como bobo, Peter Gabriel na perspectiva de um humano, narra sobre, Giant Hogweed, uma planta invasiva encontrada em morros da Rússia e trazida por um explorador britânico para o Kew Gardens, jardim botânico de Londres e que ameaça dominar a humanidade. Mas musicalmente é maravilhosa e onde Steve Hackett usa a técnica do “tapping” pela primeira vez na sua carreira. Carrega toda a carga obscura que é algo clássico do Genesis. O início é pesado (para os padrões da banda) em uníssono entre Hackett e Banks, tem ótimos vocais e uma cozinha consistente. Mas o destaque mesmo está na proeminência do teclado e belas linhas de guitarra. 

“Seven Stones” é uma faixa que admito não ter me atingido inicialmente, tendo crescido com o tempo e a sua sonoridade pacífica hoje simplesmente me hipnotiza cada vez que eu a escuto. Hoje considero inclusive subestimada, a melodia vocal de Peter Gabriel e as progressões acompanhantes soa dolorosas, o conceito gira em torno da lenda da terra perdida de Lyonesse, onde a letra é sobre um velho que provavelmente foi o único sobrevivente do ocorrido. Musicalmente é bastante emotiva, possui uma introdução de mellotron um tanto mística e requintada, além de uma orquestração por volta dos quatro minutos que é sublime. 

“Harold the Barrel” tem uma sonoridade bem Broadway, digamos assim, com um piano sendo tocado ao estilo honky-tonk. A princípio podemos encarar a música como se fosse o alívio “cômico” do álbum. O trabalho de guitarra de fundo apesar de sutil também é marcante. Mas voltando a sensação “cômica”, ela vai embora quando prestamos atenção na letra da canção, onde o tema é sobre um homem chamado Harold, dono de um restaurante e que comete suicídio. Após decepar seus dedos e servir para as pessoas em um chá, fugiu, mas passou a ser procurado por todos da cidade. Sendo visto em cima de um parapeito, todos, inclusive a família de Harold tentaram convencê-lo a não pular, mas não foi o bastante. Gabriel faz uma ótima interpretação nesta canção.

Lembro até hoje quem em meus primeiros contatos com esse disco, eu achava que Phil Collins era quem fazia os vocais principais em “Harlequin”. Essa canção tem uma sonoridade onírica, flutuante, etérea e de letras que nos deslocam do mundo, estabelecendo um visual de calmaria em nossa mente. Também acústica, os vocais de Gabriel e Collins soam muito bem harmonizados. 

O álbum chega ao fim através de “Fountain of Salmacis”, sem dúvida alguma é um dos pelo menos três arranjos mais complicados que eles já fizeram. Aos interessados em mitologia grega já devem ter ouvido falar em Salmacis, uma ninfa aquática que vivia em um lago. Pois bem, certa vez o filho de Hermes e Afrodite, Hermafrodito, que inclusive era muito bonito, teve a sua beleza desejada por Salmacis, mas por sua vez, ele a rejeitou, tendo tempos depois, e enquanto tomava banho no mesmo rio, sofrido um ataque de Salmacis que se enroscou nele fazendo com que seus corpos se fundissem e eles se transformassem em um só corpo andrógino. Por sua vez, Hermafrodito lançou uma maldição no lago fazendo com quem ali banhasse também teriam o mesmo destino que ele. Possui uma excelente introdução de mellotron, ótimas melodias tanto de facetas obscuras quanto em partes mais edificantes. Um rock progressivo sinfônico na sua essência onde as linhas de baixo são bastante fortes, a bateria hiperativa, os teclados colorem a música magistralmente e a guitarra preenche bem toda a música onde o seu ápice se encontra no final criando uma atmosfera que encerra o disco lindamente. Gabriel interpreta a faixa com seu talento e teatralidade de sempre, além de acrescentar em alguns pontos uma contribuição tocando flauta. 

Pra finalizar, sem dúvida alguma que Nursery Cryme é um dos melhores álbuns de toda a história da cena de rock progressivo, um álbum onde a sua sonoridade é tão poderosa e evocativa que você não só pode ouvir, mas na verdade também "vê" as músicas, e onde as letras, no equilíbrio maravilhoso entre fantasia e realidade, certamente traz um valor agregado de importância incalculável. Não menos que uma verdadeira obra-prima. 

Disco de sonoridade poderosa e evocativa
5
08/10/2017

Em Nursery Cryme as substituições ocorridas na banda não foram situações simples com que os músicos remanescentes tiveram que conviver. Ao menos não como um todo. John Meyhew de fato já estava ficando pequeno demais pra banda, era um baterista muito dependente e não correspondia com a edição final das sessões. Ainda que na época foi dito a muitos que sua saída estava ligada a problemas de saúde, era uma desculpa que ficava muito a desejar a todos. Agora em relação a Anthony Phillips, sem sombra de dúvida a preocupação foi muito maior, primeiro porque ele era membro fundador do Genesis, segundo porque tinha bom relacionamento com todos os companheiros da banda, afinal, eram amigos de adolescência desde a época de escola na metade dos anos 60 e terceiro por causa do virtuosismo de Phillips que começava a se tornar cada vez mais gradual e complexo, sem contar no desenvolvimento musical criativo que o guitarrista possuía, aliás isso é comprovado na carreira solo dos trabalhos de Anthony Phillips. Phillips alegava que sua permanência na banda o deixou frustrado, além de desgastado com aquilo que estavam fazendo, mas confesso que é muito difícil de entender este motivo dele até hoje. Naquela altura do campeonato eles não acreditavam em jogar fora tudo aquilo que sonhavam desde os tempos de adolescentes, por isso vão à procura do que necessitavam. Primeiramente a procura foi a um baterista onde em meio à cerca de cinquenta candidatos surgiu Phil Collins, que na época era de uma banda chamada Flaming Youth e tinha gravado um disco intitulado, Ark II e lançado em 1969, além de dois compactos. Collins tinha muita precisão e ritmo na bateria e percussão, além de um vocal melodioso que no decorrer do tempo dividiria com Gabriel. Em relação ao guitarrista o trabalho foi um pouco mais difícil, chegaram a recrutar um chamado Mike Bernard, mas que ficou pouco tempo fazendo apenas ensaios, foi então que eles encontram um anúncio musical de um guitarrista que estava procurando uma banda que correspondesse o seus "instintos" e Peter Gabriel faz contato com este que era nada menos que Steve Hackett. Hackett tinha muito talento como guitarrista que variava desde o estilo clássico/erudito, folk, acústico também havia feito um álbum antes de se ingressar no Genesis numa banda chamada Quiet World intitulado como The Road e lançado no ano de 1970. 

Assim como ocorreu com o disco anterior, Trespass, e ocorreria com o posterior, Foxtrot, a arte da capa ficou por conta de Paul Whitehead. A ilustração que estampava Nursery Crime teve muita repercussão na época porque foi considerada muito ousada para um disco, contendo a ilustração de uma garotinha segurando um martelo de críquete e insinuando que as cabeças de outras crianças eram as bolas espalhadas no campo de jogo. 

O certo é que a partir deste trabalho eles começaram a ter uma presença forte em outros países europeus, incluindo a Itália onde as paradas musicais nas primeiras colocações os apontavam como os melhores e também pelo fato de que os artistas italianos de rock da época estavam se baseando em bandas inglesas do gênero, e no caso do Genesis, o próprio país de origem, a Inglaterra, não observava isto cautelosamente. Mais tarde Anthony Phillips elogiou o resultado do trabalho, embora devido as suas características, não seria este tipo de coisa que gravaria com o grupo, além de Keith Emerson, que os recomendavam a todo o público que gostava de rock progressivo. Enfim, a estreia deste line-up foi muito bem recebida tanto pelo público como pela crítica, com músicas muito bem elaboradas, criativas, originais, estruturadas, onde mesmo com os dois novatos no Genesis, a interação parecia está mais forte do que nunca.

A primeira faixa do disco é também a que ilustra a famosa capa, “The Musical Box”, uma das maiores obras prima da história do rock progressivo. A jovem Cynthia Blaise-William de nove anos através de uma martelada de críquete arranca a cabeça de Henry Hamilton-Smythe de oito. Passado duas semanas do acidente, Cynthia vai ao quarto de Henry onde encontra uma caixinha musical que quando abre toca uma música chamada “Old King Cole” e surge um "espectro fantasmagórico" do garotinho que vai ficando envelhecido conforme a musiquinha da caixa vai tocando e ele a vai desejando de maneira pervertida, então uma enfermeira ao notar algo estranho no quarto vai ver do que se tratava, ao ver a cena, arremessa uma caixinha de música no velho que se insinuava para Cynthia. Com isso, Henry e a caixinha são destruídos, mas apesar de um clima meio perturbador, Gabriel saber ser sutil como ninguém com suas letras. A faixa começa com algumas notas de guitarra acústica seguida pelas primeiras frases pronunciadas por Peter Gabriel. A flauta tocada de maneira suave, em dueto com a guitarra, dá à música um gosto antiquado. Essa faixa em si transmite uma sensação de um mundo infantil. A música então começa a ganhar mais força com bateria e baixo pulsante, riff e solo de guitarra além de um trabalho enérgico de órgão a fazendo entrar no seu momento mais progressivo. Em seguida tudo suaviza novamente por um instante antes de pela segunda vez a musicalidade ganhar paredes sonoras robustas. Seu final apresenta a catarse de toda a música, a famosa interpretação de Gabriel, "Por que você não me toca? Toque-me, toque-me, TOQUE-ME. Agora! Agora! Agora! Agora! AGORA!”. É impressionante como uma música de temática tão delicada como o abuso sexual pode ser tão boa. Sempre irei me questionar em relação a isso. 

“For Absent Friends” é a faixa mais curta do álbum. Simples e extremamente linda, além de ser a primeira música da banda em que a liderança vocal fica por conta de Phil Collins. Sonoridade acústica e edificante, dá ao ouvinte uma sensação de passeio no campo. 

“The Return of the Giant Hogweed" tem um conceito que eu definiria até mesmo como bobo, Peter Gabriel na perspectiva de um humano, narra sobre, Giant Hogweed, uma planta invasiva encontrada em morros da Rússia e trazida por um explorador britânico para o Kew Gardens, jardim botânico de Londres e que ameaça dominar a humanidade. Mas musicalmente é maravilhosa e onde Steve Hackett usa a técnica do “tapping” pela primeira vez na sua carreira. Carrega toda a carga obscura que é algo clássico do Genesis. O início é pesado (para os padrões da banda) em uníssono entre Hackett e Banks, tem ótimos vocais e uma cozinha consistente. Mas o destaque mesmo está na proeminência do teclado e belas linhas de guitarra. 

“Seven Stones” é uma faixa que admito não ter me atingido inicialmente, tendo crescido com o tempo e a sua sonoridade pacífica hoje simplesmente me hipnotiza cada vez que eu a escuto. Hoje considero inclusive subestimada, a melodia vocal de Peter Gabriel e as progressões acompanhantes soa dolorosas, o conceito gira em torno da lenda da terra perdida de Lyonesse, onde a letra é sobre um velho que provavelmente foi o único sobrevivente do ocorrido. Musicalmente é bastante emotiva, possui uma introdução de mellotron um tanto mística e requintada, além de uma orquestração por volta dos quatro minutos que é sublime. 

“Harold the Barrel” tem uma sonoridade bem Broadway, digamos assim, com um piano sendo tocado ao estilo honky-tonk. A princípio podemos encarar a música como se fosse o alívio “cômico” do álbum. O trabalho de guitarra de fundo apesar de sutil também é marcante. Mas voltando a sensação “cômica”, ela vai embora quando prestamos atenção na letra da canção, onde o tema é sobre um homem chamado Harold, dono de um restaurante e que comete suicídio. Após decepar seus dedos e servir para as pessoas em um chá, fugiu, mas passou a ser procurado por todos da cidade. Sendo visto em cima de um parapeito, todos, inclusive a família de Harold tentaram convencê-lo a não pular, mas não foi o bastante. Gabriel faz uma ótima interpretação nesta canção.

Lembro até hoje quem em meus primeiros contatos com esse disco, eu achava que Phil Collins era quem fazia os vocais principais em “Harlequin”. Essa canção tem uma sonoridade onírica, flutuante, etérea e de letras que nos deslocam do mundo, estabelecendo um visual de calmaria em nossa mente. Também acústica, os vocais de Gabriel e Collins soam muito bem harmonizados. 

O álbum chega ao fim através de “Fountain of Salmacis”, sem dúvida alguma é um dos pelo menos três arranjos mais complicados que eles já fizeram. Aos interessados em mitologia grega já devem ter ouvido falar em Salmacis, uma ninfa aquática que vivia em um lago. Pois bem, certa vez o filho de Hermes e Afrodite, Hermafrodito, que inclusive era muito bonito, teve a sua beleza desejada por Salmacis, mas por sua vez, ele a rejeitou, tendo tempos depois, e enquanto tomava banho no mesmo rio, sofrido um ataque de Salmacis que se enroscou nele fazendo com que seus corpos se fundissem e eles se transformassem em um só corpo andrógino. Por sua vez, Hermafrodito lançou uma maldição no lago fazendo com quem ali banhasse também teriam o mesmo destino que ele. Possui uma excelente introdução de mellotron, ótimas melodias tanto de facetas obscuras quanto em partes mais edificantes. Um rock progressivo sinfônico na sua essência onde as linhas de baixo são bastante fortes, a bateria hiperativa, os teclados colorem a música magistralmente e a guitarra preenche bem toda a música onde o seu ápice se encontra no final criando uma atmosfera que encerra o disco lindamente. Gabriel interpreta a faixa com seu talento e teatralidade de sempre, além de acrescentar em alguns pontos uma contribuição tocando flauta. 

Pra finalizar, sem dúvida alguma que Nursery Cryme é um dos melhores álbuns de toda a história da cena de rock progressivo, um álbum onde a sua sonoridade é tão poderosa e evocativa que você não só pode ouvir, mas na verdade também "vê" as músicas, e onde as letras, no equilíbrio maravilhoso entre fantasia e realidade, certamente traz um valor agregado de importância incalculável. Não menos que uma verdadeira obra-prima. 

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