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Resenha: Cream - Disraeli Gears (1967)

Por: Tiago Meneses

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Um som pincelado em cores vivas e vibrantes.
5
07/10/2017

Cream pode não ser vista como a única, mas sem dúvida alguma em muitas maneiras pode ser vista como uma banda perfeita. Um dos primeiros supergrupos da história em formato power trio, fundiram brilhantemente o potencial de três dos mais proeminentes músicos dos anos 60 pra criar algo incrível. 

Disraeli Gears é o segundo álbum da banda e talvez onde encontremos tudo o que eles podiam fazer de mais maravilhoso. Quaisquer resquícios de ponto fraco que o Cream pudesse ter exibido em sua estreia não foi trazido aqui, muito pelo contrário, seu som está mais pincelado e em cores mais vivas e vibrantes a colocando sem dúvida alguma como uma das mais importantes da época. Ancorado pelos valores de produção do grande Felix Pappalardi criou o seu indiscutivelmente melhor material na carreira. 

Eric Clapton está magistral com a sua Stratocaster de sonoridade amanteigada e que prendem o ouvinte em um encantamento e cativante atmosfera sonora. Estabelecendo riffs que se tornariam uns dos mais lendários de todos os tempos, parecia estar a frente do seu tempo e ao mesmo tempo extremamente contemporâneo. Jack Bruce faz um trabalho virtuoso no baixo nitidamente influenciado por James Jameson e Charles Mingus. Ginger Baker não precisa de muito pra executar a música do Cream, mas a faz nitidamente com paixão admirável, completando perfeitamente um dos casamentos a três mais bem sucedidos de todos da história da música.

"Strange Brew", o primeiro single do álbum e que também o abre, é um dos melhores exemplos do confronto harmonioso dos estilos de jazz e blues existentes no Cream. Os vocais oníricos de Bruce, juntamente com um forte riff de guitarra de Clapton são presos nas costuras da excelente bateria de Baker. "Strange Brew" continua a ser um dos melhores momentos da banda. Curiosamente, a música quase não existiu. Era originalmente conhecida como "Lawdy Mama" e, se não fosse pela influência do produtor Felix Pappalardi (que reescreveu as letras e guitarras), "Strange Brew" nunca teria visto a luz do dia, o que seria uma pena.

Ainda que tenha durado pouco tempo, o impacto criado pelo power trio foi algo realmente notável, onde a maior ilustração disso tudo está em “Sunshine of Your Love”, que misturou como poucas vezes visto o hard rock com aspectos da psicodelia tendo como resultado um efeito maravilhoso. A música se concentra em um riff de guitarra extremamente simples, porém um belo solo, excelentes vocais, o baixo é nervoso e a bateria cadencia-se como se estivesse em uma banda militar. Indiscutivelmente um dos maiores clássicos da história do rock. 

“World Of Pain” carrega uma mistura extremamente interessante. Uma amostragem precoce do rock progressivo que viria a se popularizar nos anos 70. Tanto que essa música é citada por muitos músicos de rock progressivo 70's como uma grande influência, direta e profunda essa balada tem vocal e coro maravilhoso, bateria sutilmente poderosa, linhas de baixo pulsante e guitarras muito bem harmonizadas. 

"Dance the Night Away" é uma faixa conduzida por um riff luxuriante de guitarra 12 cordas, juntamente com uma melodia influenciada por folk, vocais harmonizados e letras místicas. No que diz respeito ao seu núcleo de blues, essa com certeza a faixa que a coloca mais distante do mesmo. 

“Blue Condition” é um blues muito legal. Apesar de possuir uma musicalidade arrastada quase parando, todos os instrumentos marcam extremamente bem o território, transformando o que poderia ser um momento pálido do disco em algo dentro da qualidade elevada das demais faixas.

“Tales of Brave Ulysess” foi na verdade baseado em um poema escrito pelo artista australiano Martin Sharp (que também desenhou a capa de arte para Disraeli Gears). A balada centra-se nas interpretações seletivas da Mitologia Grega, que gira mais em torno do herói Ulysess e da deusa grega do amor Aphrodite. Cream conseguiu  transformar uma canção de dois minutos e quarenta e nove em uma obra-prima de proporções aparentemente épicas. Como em todo o álbum a psicodelia toma de conta. 

“Swlabr” é um acrônimo para She Walks Like a Bearded Rainbow. Uma faixa bastante animada e de levada empolgante. Riffs e solos de guitarras matadores e uma cozinha com linhas cativante. Simplesmente Cream no seu melhor. 

Em "We're Going Wrong" eu gostaria de destacar a bateria de Ginger Baker. Seus padrões de precisão e capacidade de responder às dinâmicas variadas da música são prova de que ele impressiona mesmo sem virtuosismo, a princípio parecendo está apenas desconexo com o resto dos instrumentos. O vocal em falsete, mais linhas de baixo lentas e emocionais e guitarra bluesy e psicodélica completam essa excelente faixa. 

"Outside Woman Blues" é um blues composto originalmente em 1929 por Blind Joe Reynolds. Clapton é quem domina essa faixa, mas pouco se pode falar sobre seu vocal, afinal, seu brilho de fato está nos solos e riffs construídos durante a faixa. Seu estilo distinto aliado ao baixo e bateria de peso fazem desta música um verdadeiro petardo. 

“Take It Back” é uma música que já me conquista logo no seu riff inicial. Perfeitamente projetada para o alcance vocal, timbre e habilidade incrível de Jack Bruce para pregar o humor de cada palavra. Possui excelente atmosfera e swing nos dando até mesmo a impressão de que os membros da banda estão em um excelente clima e sem qualquer tipo de tensão, fato que passava longe de ser verdade. 

"Mother's Lament" que finaliza o álbum na verdade é uma narração entusiasmada do trio sobre um drama familiar. 

Disraeli Gears, é uma experiência maravilhosa para quem quer se familiarizar com uma das maiores influências da música moderna. Um marco do rock psicodélico onde a único lamento é que poderiam ter ido muito mais longe do que foram. De qualquer maneira, tudo na vida tem o seu propósito e o do Cream foi aparecer, criar uma discografia perfeita e chegar ao fim. 

Um som pincelado em cores vivas e vibrantes.
5
07/10/2017

Cream pode não ser vista como a única, mas sem dúvida alguma em muitas maneiras pode ser vista como uma banda perfeita. Um dos primeiros supergrupos da história em formato power trio, fundiram brilhantemente o potencial de três dos mais proeminentes músicos dos anos 60 pra criar algo incrível. 

Disraeli Gears é o segundo álbum da banda e talvez onde encontremos tudo o que eles podiam fazer de mais maravilhoso. Quaisquer resquícios de ponto fraco que o Cream pudesse ter exibido em sua estreia não foi trazido aqui, muito pelo contrário, seu som está mais pincelado e em cores mais vivas e vibrantes a colocando sem dúvida alguma como uma das mais importantes da época. Ancorado pelos valores de produção do grande Felix Pappalardi criou o seu indiscutivelmente melhor material na carreira. 

Eric Clapton está magistral com a sua Stratocaster de sonoridade amanteigada e que prendem o ouvinte em um encantamento e cativante atmosfera sonora. Estabelecendo riffs que se tornariam uns dos mais lendários de todos os tempos, parecia estar a frente do seu tempo e ao mesmo tempo extremamente contemporâneo. Jack Bruce faz um trabalho virtuoso no baixo nitidamente influenciado por James Jameson e Charles Mingus. Ginger Baker não precisa de muito pra executar a música do Cream, mas a faz nitidamente com paixão admirável, completando perfeitamente um dos casamentos a três mais bem sucedidos de todos da história da música.

"Strange Brew", o primeiro single do álbum e que também o abre, é um dos melhores exemplos do confronto harmonioso dos estilos de jazz e blues existentes no Cream. Os vocais oníricos de Bruce, juntamente com um forte riff de guitarra de Clapton são presos nas costuras da excelente bateria de Baker. "Strange Brew" continua a ser um dos melhores momentos da banda. Curiosamente, a música quase não existiu. Era originalmente conhecida como "Lawdy Mama" e, se não fosse pela influência do produtor Felix Pappalardi (que reescreveu as letras e guitarras), "Strange Brew" nunca teria visto a luz do dia, o que seria uma pena.

Ainda que tenha durado pouco tempo, o impacto criado pelo power trio foi algo realmente notável, onde a maior ilustração disso tudo está em “Sunshine of Your Love”, que misturou como poucas vezes visto o hard rock com aspectos da psicodelia tendo como resultado um efeito maravilhoso. A música se concentra em um riff de guitarra extremamente simples, porém um belo solo, excelentes vocais, o baixo é nervoso e a bateria cadencia-se como se estivesse em uma banda militar. Indiscutivelmente um dos maiores clássicos da história do rock. 

“World Of Pain” carrega uma mistura extremamente interessante. Uma amostragem precoce do rock progressivo que viria a se popularizar nos anos 70. Tanto que essa música é citada por muitos músicos de rock progressivo 70's como uma grande influência, direta e profunda essa balada tem vocal e coro maravilhoso, bateria sutilmente poderosa, linhas de baixo pulsante e guitarras muito bem harmonizadas. 

"Dance the Night Away" é uma faixa conduzida por um riff luxuriante de guitarra 12 cordas, juntamente com uma melodia influenciada por folk, vocais harmonizados e letras místicas. No que diz respeito ao seu núcleo de blues, essa com certeza a faixa que a coloca mais distante do mesmo. 

“Blue Condition” é um blues muito legal. Apesar de possuir uma musicalidade arrastada quase parando, todos os instrumentos marcam extremamente bem o território, transformando o que poderia ser um momento pálido do disco em algo dentro da qualidade elevada das demais faixas.

“Tales of Brave Ulysess” foi na verdade baseado em um poema escrito pelo artista australiano Martin Sharp (que também desenhou a capa de arte para Disraeli Gears). A balada centra-se nas interpretações seletivas da Mitologia Grega, que gira mais em torno do herói Ulysess e da deusa grega do amor Aphrodite. Cream conseguiu  transformar uma canção de dois minutos e quarenta e nove em uma obra-prima de proporções aparentemente épicas. Como em todo o álbum a psicodelia toma de conta. 

“Swlabr” é um acrônimo para She Walks Like a Bearded Rainbow. Uma faixa bastante animada e de levada empolgante. Riffs e solos de guitarras matadores e uma cozinha com linhas cativante. Simplesmente Cream no seu melhor. 

Em "We're Going Wrong" eu gostaria de destacar a bateria de Ginger Baker. Seus padrões de precisão e capacidade de responder às dinâmicas variadas da música são prova de que ele impressiona mesmo sem virtuosismo, a princípio parecendo está apenas desconexo com o resto dos instrumentos. O vocal em falsete, mais linhas de baixo lentas e emocionais e guitarra bluesy e psicodélica completam essa excelente faixa. 

"Outside Woman Blues" é um blues composto originalmente em 1929 por Blind Joe Reynolds. Clapton é quem domina essa faixa, mas pouco se pode falar sobre seu vocal, afinal, seu brilho de fato está nos solos e riffs construídos durante a faixa. Seu estilo distinto aliado ao baixo e bateria de peso fazem desta música um verdadeiro petardo. 

“Take It Back” é uma música que já me conquista logo no seu riff inicial. Perfeitamente projetada para o alcance vocal, timbre e habilidade incrível de Jack Bruce para pregar o humor de cada palavra. Possui excelente atmosfera e swing nos dando até mesmo a impressão de que os membros da banda estão em um excelente clima e sem qualquer tipo de tensão, fato que passava longe de ser verdade. 

"Mother's Lament" que finaliza o álbum na verdade é uma narração entusiasmada do trio sobre um drama familiar. 

Disraeli Gears, é uma experiência maravilhosa para quem quer se familiarizar com uma das maiores influências da música moderna. Um marco do rock psicodélico onde a único lamento é que poderiam ter ido muito mais longe do que foram. De qualquer maneira, tudo na vida tem o seu propósito e o do Cream foi aparecer, criar uma discografia perfeita e chegar ao fim. 

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