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Resenha: King Crimson - Red (1974)

Por: Márcio Chagas

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Album Cover
Peso e agressividade no melhor trabalho do rei escarlate
4.5
08/07/2019

Um dos melhores trabalhos do King Crimson acontece em  meio a uma tremenda crise interna, que culminou com a saída de David Cross logo após a turnê que precedeu o inicio das gravações. Reduzido a um trio formado por John Wetton (Baixo e vocais)  Bill Brufford (Bateria e percussão) e o líder Robert Fripp (Guitarra e mellotron), o grupo entra em estúdio e conta com a ajuda de vários convidados e ex membros como o próprio Cross no violino e o seu primeiro saxofonista Ian Mcdonald;

O grupo opta por uma sonoridade mais suja e agressiva, com a bateria de Brufford soando menos intrincada, mas bem mais pesada. Wetton consegue um dos melhores sons para o seu baixo, pesado, porém cortante, similar ao que Chris Squire utilizava noi Yes, embora seus estilos fossem completamente diversos. Fripp continuava o mesmo de sempre, utilizando camadas de guitarras e experimentos para demonstrar sua técnica completamente pessoal, um marco dentro do estilo progressivo que surgia no inicio daquela década. A integração do trio, aliada a vários convidados competentes moldou uma sonoridade completamente diferente em “Red”, que encantou alguns fãs a assustou outros.
Se você não conhece o King Crimson, não espere aqui um álbum de rock progressivo tradicional. Alias, tradicional é a ultima coisa que você pode esperar do grupo, que apresenta um progressivo cheio de múltiplas tonalidades e texturas musicas, com forte influência de jazz, musica erudita, dodecafonias e muito improviso. 

A instrumental “Red” abre o álbum, é calcada na guitarra esquizóide de Fripp, que soa suja e repete o tema principal, quase como um ostinato. Brufford desenvolve uma linha simples e pesada de bateria. É um tema teoricamente mais direto em se tratando do Rei Escarlate;

“Fallen Angel” se inicia como violino do convidado David Cross seguido pela voz melódica de Wetton. Aqui o ouvinte pode escutar uma das raras vezes em que Fripp usa a guitarra acústica. Apesar de certa sutileza e da letra melancólica, a base soa bastante pesada, com viradas energéticas de bateria, principalmente após a entrada de cornetas e oboé, tocados respectivamente por Mark Charig e Robin Miller (Muitos atribuem os sopros a Mel Collins ou Ian Mcdonald, fato q não ocorreu);

“One More Red Nightmare” vem a seguir, segue uma linha sincopada de bateria, seguida por um vocal paranoico de Wetton, que faz um interessante contraponto com os tambores de Brufford. Fripp se mantém ativo, solando o tempo todo ao fundo tema ou indo a frente com dedilhados desconcertantes. Era perceptível o elo que ligava o trio, uma união sonora poucas vezes vistas. O sax de Ian Mcdonald aparece no meio do tema dando um colorido extra a canção;

“Providence” foi gravada ao vivo e se assemelha mais a uma jam session do que propriamente uma canção devido ao seu alto grau de experimentalismo, com o violino de David Cross dominando a canção, amparado pela guitarra suja e atonal de Fripp. É um tema mais livre e intuitivo, que demonstra bem como o Crimson improvisava ao vivo;

O hino “Starless” encerra o álbum com seus quase doze minutos de um progressivo mais denso e arrastado. O vocal de Wetton soa mais compassado, amparado pelo sax de Mel Collins. A canção atinge seu ápice do meio para o final, quando o sax de Collins chega ao primeiro plano da canção e o grupo descamba para passagens intricadas e jazzísticas com aquele toque atonal que o  Crimson sabia fazer;

“Red” foi lançado em agosto de 1974 e considerado por muitos como o melhor trabalho da banda.  Realmente o trio conseguiu agrupar e controlar o caos sonoro que marcava suas apresentações, conseguindo certa linearidade nas canções. Porém, Fripp odiaria a capa que trazia apenas o rosto dos três integrantes, numa analogia tola aos Beatles. 

O trio principal cairia na estrada levando consigo Ian Mcdonald. O grupo voltava ao ápice apenas para que o líder Fripp acabasse com tudo ao final da turnê, desmembrando um das melhores formações da banda e só voltando em atividade na década seguinte.

Muitos indicam este e o primeiro disco para quem quer começar a conhecer o trabalho do grupo, pois embora sejam diferentes, possuem uma certa coerência musical;

Quem quiser adquirir “Red” no formato digital, pode optar pela versão em DVDA com áudio digital 5.1, além varias faixas extras e vídeos da época. Garanto q vale a pena.

Peso e agressividade no melhor trabalho do rei escarlate
4.5
08/07/2019

Um dos melhores trabalhos do King Crimson acontece em  meio a uma tremenda crise interna, que culminou com a saída de David Cross logo após a turnê que precedeu o inicio das gravações. Reduzido a um trio formado por John Wetton (Baixo e vocais)  Bill Brufford (Bateria e percussão) e o líder Robert Fripp (Guitarra e mellotron), o grupo entra em estúdio e conta com a ajuda de vários convidados e ex membros como o próprio Cross no violino e o seu primeiro saxofonista Ian Mcdonald;

O grupo opta por uma sonoridade mais suja e agressiva, com a bateria de Brufford soando menos intrincada, mas bem mais pesada. Wetton consegue um dos melhores sons para o seu baixo, pesado, porém cortante, similar ao que Chris Squire utilizava noi Yes, embora seus estilos fossem completamente diversos. Fripp continuava o mesmo de sempre, utilizando camadas de guitarras e experimentos para demonstrar sua técnica completamente pessoal, um marco dentro do estilo progressivo que surgia no inicio daquela década. A integração do trio, aliada a vários convidados competentes moldou uma sonoridade completamente diferente em “Red”, que encantou alguns fãs a assustou outros.
Se você não conhece o King Crimson, não espere aqui um álbum de rock progressivo tradicional. Alias, tradicional é a ultima coisa que você pode esperar do grupo, que apresenta um progressivo cheio de múltiplas tonalidades e texturas musicas, com forte influência de jazz, musica erudita, dodecafonias e muito improviso. 

A instrumental “Red” abre o álbum, é calcada na guitarra esquizóide de Fripp, que soa suja e repete o tema principal, quase como um ostinato. Brufford desenvolve uma linha simples e pesada de bateria. É um tema teoricamente mais direto em se tratando do Rei Escarlate;

“Fallen Angel” se inicia como violino do convidado David Cross seguido pela voz melódica de Wetton. Aqui o ouvinte pode escutar uma das raras vezes em que Fripp usa a guitarra acústica. Apesar de certa sutileza e da letra melancólica, a base soa bastante pesada, com viradas energéticas de bateria, principalmente após a entrada de cornetas e oboé, tocados respectivamente por Mark Charig e Robin Miller (Muitos atribuem os sopros a Mel Collins ou Ian Mcdonald, fato q não ocorreu);

“One More Red Nightmare” vem a seguir, segue uma linha sincopada de bateria, seguida por um vocal paranoico de Wetton, que faz um interessante contraponto com os tambores de Brufford. Fripp se mantém ativo, solando o tempo todo ao fundo tema ou indo a frente com dedilhados desconcertantes. Era perceptível o elo que ligava o trio, uma união sonora poucas vezes vistas. O sax de Ian Mcdonald aparece no meio do tema dando um colorido extra a canção;

“Providence” foi gravada ao vivo e se assemelha mais a uma jam session do que propriamente uma canção devido ao seu alto grau de experimentalismo, com o violino de David Cross dominando a canção, amparado pela guitarra suja e atonal de Fripp. É um tema mais livre e intuitivo, que demonstra bem como o Crimson improvisava ao vivo;

O hino “Starless” encerra o álbum com seus quase doze minutos de um progressivo mais denso e arrastado. O vocal de Wetton soa mais compassado, amparado pelo sax de Mel Collins. A canção atinge seu ápice do meio para o final, quando o sax de Collins chega ao primeiro plano da canção e o grupo descamba para passagens intricadas e jazzísticas com aquele toque atonal que o  Crimson sabia fazer;

“Red” foi lançado em agosto de 1974 e considerado por muitos como o melhor trabalho da banda.  Realmente o trio conseguiu agrupar e controlar o caos sonoro que marcava suas apresentações, conseguindo certa linearidade nas canções. Porém, Fripp odiaria a capa que trazia apenas o rosto dos três integrantes, numa analogia tola aos Beatles. 

O trio principal cairia na estrada levando consigo Ian Mcdonald. O grupo voltava ao ápice apenas para que o líder Fripp acabasse com tudo ao final da turnê, desmembrando um das melhores formações da banda e só voltando em atividade na década seguinte.

Muitos indicam este e o primeiro disco para quem quer começar a conhecer o trabalho do grupo, pois embora sejam diferentes, possuem uma certa coerência musical;

Quem quiser adquirir “Red” no formato digital, pode optar pela versão em DVDA com áudio digital 5.1, além varias faixas extras e vídeos da época. Garanto q vale a pena.

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