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Resenha: Premiata Forneria Marconi - Jet Lag (1977)

Por: Márcio Chagas

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Album Cover
O rock progressivo italiano se encontra com o fusion americano
4
04/07/2019

Acho impressionante como determinados discos são excelentes, mas ainda assim passam despercebidos em meio a discografia de determinadas bandas. Isso acontece com “Jet Leg”, dos italianos do Premiata Forneria Marconi. 

Por Não possuir uma sonoridade demasiadamente progressiva, muitos admiradores do grupo se esquecem deste belíssimo trabalho, um dos mais sofisticados discos deste quinteto italiano, harmonicamente rebuscado e com múltiplas influências. 

No final de 1976, o Mauro Pagani resolve deixar a banda. A perda do eventual líder e compositor foi traumática para o grupo, que resolveu tirar um tempo para descansar repensar sua carreira. Tentado se renovar e estabelecer no cenário internacional, os integrantes do Premiata pensam numa série de modificações que poderiam melhorar sua sonoridade, como a inclusão de mais um guitarrista, a entrada de um novo saxofonista ou mesmo a demissão do vocalista Bernardo Lanzetti que havia entrado no ano anterior, uma vez que sua voz demasiadamente parecida com a de Peter Gabriel nunca fora unanimidade entre crítica e público.

Após inúmeras conversas e reuniões, resolveram prosseguir como quinteto, mantendo assim o vocalista. Partiram da Itália diretamente para Los Angeles nos EUA pra gravar aquele que seria seu quinto álbum.

A banda já havia feito uma turnê por aquele país e conhecido grandes expoentes do jazz rock como Miles Davis, Return To Forever, Jeff Beck e outros artistas que se consagrariam utilizando aquela nova sonoridade. Óbvio que aquele novo estilo acabou sendo incorporado no vocabulário musical dos italianos que o levaram para a gravação do novo disco.

Durante as agravações o grupo encontrou casualmente com o violinista Greg Bloch, que já havia tocando com o quinteto anteriormente. Após uma improvisada  jam session, o músico foi convidado a se unir a banda durante as gravações, substituindo o dissidente Mauro Pagani.

A sonoridade apresentada é distante daquele progressivo pastoral e sinfônico pelo qual o grupo foi conhecido. O jazz rock predomina em quase todas as faixas e os (poucos) vocais estão em inglês com exceção de "Cerco la Lingua", cantada em italiano, com o grupo se aproximando da sonoridade dos ingleses do Gentle Giant. Até os vocais de Bernardo estão diferentes, menos formais e mais livres sem tanta influência de Peter Gabriel como no disco anterior.

Após uma pequena introdução denominada "Peninsula", a faixa título abre o álbum com Lanzetti sobrepondo sua voz sobre os instrumentos numa clara influência de Gentle Giant, que perdura por toda canção. Esqueça o progressivo barroco e tradicional dos primeiros trabalhos. Aqui una gama maior de influência impera, com uma sonoridade sincopada e incessantes mudanças de andamento;

"Storia in"  É um tema instrumental  totalmente embasado  nos teclados de Premoli, que segue acompanhado de uma bateria jazzy e poucas inserções de guitarra e violino;
Já a curta "Break in", parece ter saído das sessões de gravações de Jean Luc Ponty,  mesmo após a entrada do vocal de Lanzetti;

"Cerco de Lingua" se inicia com um violino melódico de Bloch, emulando seu antecessor Pagani. Percussões minimalistas surgem lateralmente ate a entrada da bateria jazzística de Di Cioccio juntamente  com o baixo bem timbrado. Esta é a única canção do álbum cantada em italiano. Lanzetti coloca sua voz em cima do violino, ficando muito similar ao já citado Gentle Giant. Um tema homogêneo entre o fusion e o progressivo;

"Meridiani" se inicia em clima de jam session com guitarra e bateria comandando o  tema amparado pelo baixo onipresente de Djivas;
A sincopada "Left-Handed Theory" é baseada no piano elétrico de Premoli, que absorveu toda técnica de  Chick Corea e outros grandes pianistas. Com a entrada do vocal o tema se torna mais progressivo e linear;

"Traveler" é a única canção essencialmente progressiva. Muito influenciada pelo Genesis fase Nusery Crime,  com camas de teclados e violões líricos, onde o vocalista Bernardo pode exteriorizar todos os trejeitos herdados de seu ídolo Peter Gabriel.

Embora tenha sido lançado em janeiro de 1977 e angariado uma nova parcela de admiradores ávidos pelo fusion, "Jet Lag" marcou o fim da aventura do grupo, que decidiu voltar ao país de origem e utilizar novamente elementos de musica italiana para direcionar sua sonoridade progressiva, deixando inclusive de cantar em inglês.

Para a grande maioria este seria também o término da fase de ouro do grupo, que passaria a gravar trabalhos irregulares e orientados para a música pop. Apesar de não ter o devido reconhecimento, "Jet Lag" é um dos grandes álbuns do grupo, e uma prova de que se pode incorporar novas influências sem comprometer a qualidade musical.

O rock progressivo italiano se encontra com o fusion americano
4
04/07/2019

Acho impressionante como determinados discos são excelentes, mas ainda assim passam despercebidos em meio a discografia de determinadas bandas. Isso acontece com “Jet Leg”, dos italianos do Premiata Forneria Marconi. 

Por Não possuir uma sonoridade demasiadamente progressiva, muitos admiradores do grupo se esquecem deste belíssimo trabalho, um dos mais sofisticados discos deste quinteto italiano, harmonicamente rebuscado e com múltiplas influências. 

No final de 1976, o Mauro Pagani resolve deixar a banda. A perda do eventual líder e compositor foi traumática para o grupo, que resolveu tirar um tempo para descansar repensar sua carreira. Tentado se renovar e estabelecer no cenário internacional, os integrantes do Premiata pensam numa série de modificações que poderiam melhorar sua sonoridade, como a inclusão de mais um guitarrista, a entrada de um novo saxofonista ou mesmo a demissão do vocalista Bernardo Lanzetti que havia entrado no ano anterior, uma vez que sua voz demasiadamente parecida com a de Peter Gabriel nunca fora unanimidade entre crítica e público.

Após inúmeras conversas e reuniões, resolveram prosseguir como quinteto, mantendo assim o vocalista. Partiram da Itália diretamente para Los Angeles nos EUA pra gravar aquele que seria seu quinto álbum.

A banda já havia feito uma turnê por aquele país e conhecido grandes expoentes do jazz rock como Miles Davis, Return To Forever, Jeff Beck e outros artistas que se consagrariam utilizando aquela nova sonoridade. Óbvio que aquele novo estilo acabou sendo incorporado no vocabulário musical dos italianos que o levaram para a gravação do novo disco.

Durante as agravações o grupo encontrou casualmente com o violinista Greg Bloch, que já havia tocando com o quinteto anteriormente. Após uma improvisada  jam session, o músico foi convidado a se unir a banda durante as gravações, substituindo o dissidente Mauro Pagani.

A sonoridade apresentada é distante daquele progressivo pastoral e sinfônico pelo qual o grupo foi conhecido. O jazz rock predomina em quase todas as faixas e os (poucos) vocais estão em inglês com exceção de "Cerco la Lingua", cantada em italiano, com o grupo se aproximando da sonoridade dos ingleses do Gentle Giant. Até os vocais de Bernardo estão diferentes, menos formais e mais livres sem tanta influência de Peter Gabriel como no disco anterior.

Após uma pequena introdução denominada "Peninsula", a faixa título abre o álbum com Lanzetti sobrepondo sua voz sobre os instrumentos numa clara influência de Gentle Giant, que perdura por toda canção. Esqueça o progressivo barroco e tradicional dos primeiros trabalhos. Aqui una gama maior de influência impera, com uma sonoridade sincopada e incessantes mudanças de andamento;

"Storia in"  É um tema instrumental  totalmente embasado  nos teclados de Premoli, que segue acompanhado de uma bateria jazzy e poucas inserções de guitarra e violino;
Já a curta "Break in", parece ter saído das sessões de gravações de Jean Luc Ponty,  mesmo após a entrada do vocal de Lanzetti;

"Cerco de Lingua" se inicia com um violino melódico de Bloch, emulando seu antecessor Pagani. Percussões minimalistas surgem lateralmente ate a entrada da bateria jazzística de Di Cioccio juntamente  com o baixo bem timbrado. Esta é a única canção do álbum cantada em italiano. Lanzetti coloca sua voz em cima do violino, ficando muito similar ao já citado Gentle Giant. Um tema homogêneo entre o fusion e o progressivo;

"Meridiani" se inicia em clima de jam session com guitarra e bateria comandando o  tema amparado pelo baixo onipresente de Djivas;
A sincopada "Left-Handed Theory" é baseada no piano elétrico de Premoli, que absorveu toda técnica de  Chick Corea e outros grandes pianistas. Com a entrada do vocal o tema se torna mais progressivo e linear;

"Traveler" é a única canção essencialmente progressiva. Muito influenciada pelo Genesis fase Nusery Crime,  com camas de teclados e violões líricos, onde o vocalista Bernardo pode exteriorizar todos os trejeitos herdados de seu ídolo Peter Gabriel.

Embora tenha sido lançado em janeiro de 1977 e angariado uma nova parcela de admiradores ávidos pelo fusion, "Jet Lag" marcou o fim da aventura do grupo, que decidiu voltar ao país de origem e utilizar novamente elementos de musica italiana para direcionar sua sonoridade progressiva, deixando inclusive de cantar em inglês.

Para a grande maioria este seria também o término da fase de ouro do grupo, que passaria a gravar trabalhos irregulares e orientados para a música pop. Apesar de não ter o devido reconhecimento, "Jet Lag" é um dos grandes álbuns do grupo, e uma prova de que se pode incorporar novas influências sem comprometer a qualidade musical.

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