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Resenha: Steven Wilson - Hand. Cannot. Erase. (2015)

Por: Tiago Meneses

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Sonoridade à sua maneira de ser distintiva e envolvente
4.5
06/10/2017

Que Steven Wilson é um músico mais do que consagrado pelas suas obras criadas e quase sempre bem aceitas ao longo dos anos não é segredo pra ninguém. Com uma carreira solo até o momento bastante rica, era inevitável que ao ter seu mais novo álbum em mãos, Hand. Cannot. Erase., minha expectativa por mais um ótimo trabalho fosse bastante grande, assim, claro, como o medo de me decepcionar. No fim das contas, uma expectativa exagerada e um medo desnecessário.

Hand. Cannot. Erase é um álbum conceitual onde o fio condutor é basicamente sobre a história verídica de uma mulher que quis se isolar do mundo em Londres até o dia de sua morte. Mas ninguém sente sua falta, apesar de possuir familiares e teoricamente, amigos. Mas como acontece com várias histórias verídicas, não existe uma versão 100% certa, então Steven Wilson quis criar uma ideia dele para a personagem, colocando inclusive seus sentimentos e emoções na mesma. O álbum possui alguns elementos pop bastante encantadores, na linha dos que podemos encontrar em In Absenia do Porcupine Tree, muito bem alinhado a algumas levadas de sonoridades eletrônicas e outras de metal. Um tipo de multiplicidade sonora que pode ser arriscada, fazendo com que no fim das contas o álbum soe de forma dissonante. Mas é algo com que o ouvinte não deve se preocupar, pois a maneira que a história é contada faz com que juntas, as faixas criem uma bela dinâmica entre elas.

"First Regret" dá início ao álbum com um bonito piano eletrônico. São somente dois minutos de duração e serve mais como uma ponte para que o álbum possa de fato começar.

Logo na segunda faixa, encontra-se uma das minhas canções favoritas. "3 Years Older" desenvolve-se gradualmente, varia entre instrumentais de belas e calmas passagens acústicas a outras executadas com mais furor. Porem em ambos os casos com o uso de riquíssimas melodias.

"Hand Cannot Erase" é uma canção puramente pop. Mas não é exatamente esse o motivo que a faz ser a faixa mais fraca do álbum (ainda que não a definisse como ruim). Mas é que não diz muita coisa, uma simples música de tocar em rádio que me faz questionar porque ser essa a que leva o nome do disco.

"Perfect Life", uma música de agradável atmosfera e que conta em seus dois primeiros minutos com a participação de uma narrativa feita pela atriz Katherine Jenkins. Depois é a vez do vocal de Steven Wilson mostrar-se na canção, onde é repetido inúmeras vezes somente, "we have got we have got the perfect life", mas pra que a faixa não fique maçante, há uma grande variação nas harmonias. Pode não ser uma faixa a agradar logo de cara, mas com o tempo pode cair nas graças do ouvinte.

"Routine" sem dúvida é outro dos pontos altos do álbum. Tem seu início através de um vocal triste e sereno de Steven Wilson, interpretando muito bem o sentimento do seu personagem que está preso a uma rotina constante de tarefas. A música em si é bastante densa e encaixa como uma luva nas letras. Conforme as coisas vão se cadenciando, ganham ritmo e energia até que Ninet Tayeb entra com seus vocais. Alcançando seu ápice através de uma sonoridade mais pesada unida a gritos de angustias. Uma faixa de instrumental forte e de letra que necessitava de alguém que tivesse bastante capacidade em expressar a gama complexa de emoções exigida. E foi o que de fato aconteceu.

Bom, se as pessoas estão prestando atenção em algo mais do que somente na música em si, já nota-se que a mulher se encontra em total isolamento, sem um reles contato com quem quer que seja. Quanto a próxima faixa, "Home Invasion", tem em sua sonoridade uma levada mais grosseira se comparada com boa parte do álbum, de introdução pesada com excelentes guitarras e teclados. Destaque também para os vocais. Para aqueles que adoraram o seu álbum anterior, aqui e na próxima faixa serão os momentos onde mais se notarão seus elementos presentes.

"Regret # 9" é uma música instrumental que possui a introdução através de um belo e introspectivo sintetizador. Mesmo sem nenhuma letra, a faixa é exatamente o que o álbum precisava no momento. Por mais que o álbum seja conceitual sobre a história de uma mulher, aqui o trabalho instrumental nos diz mais do que palavras. Possui também uma guitarra executada de maneira notável. E como dito, junto da anterior, faz o ouvinte relembrar o disco, “The Raven That Refused To Sing (And Other Stories)”.

"Transience" é uma música acústica bastante agradável em que ao mesmo tempo faz com que o álbum mude de direção em sua sonoridade, pode servir de interlúdio para o épico que está por vir.

"Ancestral" é o épico do álbum, desempenhando muito bem o seu papel. Começa de uma maneira obscura e cheia de efeitos eletrônicos. A música vai sendo construída gradualmente até um excelente dueto entre Wilson e Ninet. Então que a faixa é seguida pela parte instrumental mais longa do álbum (em torno de sete minutos minutos de duração). Esta seção talvez seja a mais pesada que Wilson fez em uma única canção desde criações no álbum "Fear Of A Blank Planet" da Porcupine Tree, mostrando inclusive que segue bastante afiado nessa arte. Não vou deixar de dizer que existe certa abundância musical nas voltas e mais voltas na instrumental, talvez um pouco menor a deixaria mais concisa. Mas também não chega a ser algo que tire o mérito alcançado na música.

"Happy Returns", essa música eu confesso que demorei até achá-la agradável. Inicialmente a via apenas como uma balada pop que nada me dizia, mas depois dentro de toda a história captei uma boa dose de emoção e uma instrumental que casa bastante com os vocais emotivos de Wilson e o coral de fundo. Conforme o álbum vai chegando em seu desfecho, nota-se que a tendência é terminá-lo com um estado de espírito muito mais esperançoso.

"Ascendant Here On." é mais uma faixa curta (a menor do álbum com menos de 2:00). Na verdade trata-se somente de uma atmosfera criada através de um teclado pra encerrá-lo.

Evitando comparações com qualquer uma criação de Steven Wilson até aqui, "Hand. Cannot. Erase." é sem dúvida alguma um grande registro. Cada canção tem a sua maneira de ser distintiva e envolvente. É um álbum com poucas falhas, alem de possuir ideias novas, modernas, enfim. Uma pena foi o músico não ter aproveitado mais a convidada de bela voz, a cantora israelense Ninet Tayeb. Com certeza, mais um grande trabalho de uma mente que mostra ainda ter muito a oferecer aos fãs.

Sonoridade à sua maneira de ser distintiva e envolvente
4.5
06/10/2017

Que Steven Wilson é um músico mais do que consagrado pelas suas obras criadas e quase sempre bem aceitas ao longo dos anos não é segredo pra ninguém. Com uma carreira solo até o momento bastante rica, era inevitável que ao ter seu mais novo álbum em mãos, Hand. Cannot. Erase., minha expectativa por mais um ótimo trabalho fosse bastante grande, assim, claro, como o medo de me decepcionar. No fim das contas, uma expectativa exagerada e um medo desnecessário.

Hand. Cannot. Erase é um álbum conceitual onde o fio condutor é basicamente sobre a história verídica de uma mulher que quis se isolar do mundo em Londres até o dia de sua morte. Mas ninguém sente sua falta, apesar de possuir familiares e teoricamente, amigos. Mas como acontece com várias histórias verídicas, não existe uma versão 100% certa, então Steven Wilson quis criar uma ideia dele para a personagem, colocando inclusive seus sentimentos e emoções na mesma. O álbum possui alguns elementos pop bastante encantadores, na linha dos que podemos encontrar em In Absenia do Porcupine Tree, muito bem alinhado a algumas levadas de sonoridades eletrônicas e outras de metal. Um tipo de multiplicidade sonora que pode ser arriscada, fazendo com que no fim das contas o álbum soe de forma dissonante. Mas é algo com que o ouvinte não deve se preocupar, pois a maneira que a história é contada faz com que juntas, as faixas criem uma bela dinâmica entre elas.

"First Regret" dá início ao álbum com um bonito piano eletrônico. São somente dois minutos de duração e serve mais como uma ponte para que o álbum possa de fato começar.

Logo na segunda faixa, encontra-se uma das minhas canções favoritas. "3 Years Older" desenvolve-se gradualmente, varia entre instrumentais de belas e calmas passagens acústicas a outras executadas com mais furor. Porem em ambos os casos com o uso de riquíssimas melodias.

"Hand Cannot Erase" é uma canção puramente pop. Mas não é exatamente esse o motivo que a faz ser a faixa mais fraca do álbum (ainda que não a definisse como ruim). Mas é que não diz muita coisa, uma simples música de tocar em rádio que me faz questionar porque ser essa a que leva o nome do disco.

"Perfect Life", uma música de agradável atmosfera e que conta em seus dois primeiros minutos com a participação de uma narrativa feita pela atriz Katherine Jenkins. Depois é a vez do vocal de Steven Wilson mostrar-se na canção, onde é repetido inúmeras vezes somente, "we have got we have got the perfect life", mas pra que a faixa não fique maçante, há uma grande variação nas harmonias. Pode não ser uma faixa a agradar logo de cara, mas com o tempo pode cair nas graças do ouvinte.

"Routine" sem dúvida é outro dos pontos altos do álbum. Tem seu início através de um vocal triste e sereno de Steven Wilson, interpretando muito bem o sentimento do seu personagem que está preso a uma rotina constante de tarefas. A música em si é bastante densa e encaixa como uma luva nas letras. Conforme as coisas vão se cadenciando, ganham ritmo e energia até que Ninet Tayeb entra com seus vocais. Alcançando seu ápice através de uma sonoridade mais pesada unida a gritos de angustias. Uma faixa de instrumental forte e de letra que necessitava de alguém que tivesse bastante capacidade em expressar a gama complexa de emoções exigida. E foi o que de fato aconteceu.

Bom, se as pessoas estão prestando atenção em algo mais do que somente na música em si, já nota-se que a mulher se encontra em total isolamento, sem um reles contato com quem quer que seja. Quanto a próxima faixa, "Home Invasion", tem em sua sonoridade uma levada mais grosseira se comparada com boa parte do álbum, de introdução pesada com excelentes guitarras e teclados. Destaque também para os vocais. Para aqueles que adoraram o seu álbum anterior, aqui e na próxima faixa serão os momentos onde mais se notarão seus elementos presentes.

"Regret # 9" é uma música instrumental que possui a introdução através de um belo e introspectivo sintetizador. Mesmo sem nenhuma letra, a faixa é exatamente o que o álbum precisava no momento. Por mais que o álbum seja conceitual sobre a história de uma mulher, aqui o trabalho instrumental nos diz mais do que palavras. Possui também uma guitarra executada de maneira notável. E como dito, junto da anterior, faz o ouvinte relembrar o disco, “The Raven That Refused To Sing (And Other Stories)”.

"Transience" é uma música acústica bastante agradável em que ao mesmo tempo faz com que o álbum mude de direção em sua sonoridade, pode servir de interlúdio para o épico que está por vir.

"Ancestral" é o épico do álbum, desempenhando muito bem o seu papel. Começa de uma maneira obscura e cheia de efeitos eletrônicos. A música vai sendo construída gradualmente até um excelente dueto entre Wilson e Ninet. Então que a faixa é seguida pela parte instrumental mais longa do álbum (em torno de sete minutos minutos de duração). Esta seção talvez seja a mais pesada que Wilson fez em uma única canção desde criações no álbum "Fear Of A Blank Planet" da Porcupine Tree, mostrando inclusive que segue bastante afiado nessa arte. Não vou deixar de dizer que existe certa abundância musical nas voltas e mais voltas na instrumental, talvez um pouco menor a deixaria mais concisa. Mas também não chega a ser algo que tire o mérito alcançado na música.

"Happy Returns", essa música eu confesso que demorei até achá-la agradável. Inicialmente a via apenas como uma balada pop que nada me dizia, mas depois dentro de toda a história captei uma boa dose de emoção e uma instrumental que casa bastante com os vocais emotivos de Wilson e o coral de fundo. Conforme o álbum vai chegando em seu desfecho, nota-se que a tendência é terminá-lo com um estado de espírito muito mais esperançoso.

"Ascendant Here On." é mais uma faixa curta (a menor do álbum com menos de 2:00). Na verdade trata-se somente de uma atmosfera criada através de um teclado pra encerrá-lo.

Evitando comparações com qualquer uma criação de Steven Wilson até aqui, "Hand. Cannot. Erase." é sem dúvida alguma um grande registro. Cada canção tem a sua maneira de ser distintiva e envolvente. É um álbum com poucas falhas, alem de possuir ideias novas, modernas, enfim. Uma pena foi o músico não ter aproveitado mais a convidada de bela voz, a cantora israelense Ninet Tayeb. Com certeza, mais um grande trabalho de uma mente que mostra ainda ter muito a oferecer aos fãs.

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