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Resenha: Yes - Magnification (2001)

Por: Tiago Meneses

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Um trabalho digno e soando de forma tradicional.
3
06/10/2017

Desde o álbum Drama de 1980, aqueles fãs mais exigentes da banda e que a viam como talvez a maior referência dentro do rock progressivo dos anos 70, e que ainda hoje é inspiração pra uma alta porcentagem de grupos que surgem pelo mundo todo ano, andavam meio desanimado com toda a produção basicamente pop (fora alguns lapsos de progressivo) produzida pelo Yes em um longo período. A chama começou a acender novamente só em 1999, quando o grupo desceu um pouco da inércia, pra se aventurar de novo mesmo que de maneira tímida por terrenos que a consagraram, fato que acorreu através do disco The Ladder. Mas sem dúvida alguma que com Magnification a banda reviveu, digamos assim. Quem não conhece o álbum também não precisa achar que vai de deparar com uma obra prima como outras lançadas em outrora, mas sem dúvida alguma é um disco de qualidade extremamente relevante. Uma curiosidade, eles não utilizaram um tecladista, mas sim, uma orquestra conduzida pelo compositor Larry Groupé, no geral mais conhecido em trabalhar em trilhas de filmes. 

A faixa de abertura e também homônima ao álbum, "Magnification", já define logo de cara todo o tom orquestral que se encontrará no disco. Também possui momentos suaves e acústicos junto de guitarras elétricas e uma batida sutil. Logo de cara também nota-se pela primeira vez de maneira mais clara que a voz de Anderson começa a dar indícios de desgaste, mas é totalmente compreensível, levando-se em conta os anos que ele esteve sempre impecável seja em estúdio ou no palco. Uma boa música e forte abertura para o álbum.

A segunda faixa, “Spirit of Survival” traz em mente um rock de arena que nos remete a época da banda, Anderson Bruford Wakeman Howe. Chris Squire faz uma linha de baixo de destaque. As cordas orquestrais também preenchem as lacunas muito bem, Alan White cadenciando a bateria de forma redonda e enérgica e Steve Howe mostrando um excelente trabalho de guitarra. Como ponto baixo acho que estão os backing vocals, eles poderiam ser dispensados.

“Don’t Go” é sem dúvida alguma a parte mais inexpressiva do álbum, tanto que não lembro quando foi a última vez que eu ouvi Magnification sem que eu a pulasse. Mas pra não dizer que é uma música de todo o mal, possui um refrão cativante principalmente na parte final por conta de um bom trabalho de guitarra de Steve Howe. Mas sem dúvida é um ponto baixo no disco.

"Give Love Each Day" é onde pela primeira vez o trabalho orquestral liderado por Larry Groupé é mostrado de maneira pura e significativa. Em uma introdução de mais de dois minutos, podemos ser transportado pra introdução de algum filme. Uma passagem simples mas perfeita do baixo de Squire é tocada antes que Anderson entre com as primeiras frases até que toda a banda comece de fato a música. O trabalho de guitarra de Howe é intrincado, lentamente construído junto com as cordas em uma composição majestosa e melódico. Sem dúvida que esse é o exemplo perfeito de um som mais acessível e maduro do Yes. Uma maneira de mostrar que evoluíram desde aquela última década e mesmo que de maneira menos rebuscada, poderia soar progressivo e agradar fãs antigos e os que ganharam em outras frases.

A próxima faixa é “Can You Imagine”. Na verdade trata-se de uma composição do XYZ, o infeliz projeto de Chris Squire e Alan White juntamente com Jimmy Page. É uma música curta, mas que você pode se maravilhar com o tom incrível dos vocais liderados por Squire. A orquestra acompanha muito bem a banda com um belo pano de fundo. Também conta com uma incrível performance de Anderson fazendo muito bem os backing vocals. Acho apenas que poderia ter uma duração maior, a música não chega nem a três minutos. 

" We Agree" é uma música do Yes que me faz lembrar do Genesis em seu álbum Wind & Wuthering. Começa com uma guitarra acústica agradável, uma linha de baixo pulsante e novamente um belo tapete sonoro criado pela orquestra. Uma música muito bem direcionada, de um início simples e que vai crescendo até atingir um final expansivo não apenas musicalmente, mas também liricamente.

"Soft of a Dove" é basicamente uma tranquila e agradável colaboração de Anderson e Howe. Contem também uma flauta que preenche muito bem a canção.

“Dreamtime” é maravilhosa. Tem uma bela introdução onde é lindo de ver como a guitarra funde com a orquestra. A música está cheia de estranhas melodias vocais, instrumentação agradável, lindas orquestrações, alem de possuir em alguns momentos riffs por parte de Squire que pode ser colocados como um dos seus melhores em todos os tempos. A faixa possui bastantes tempos diferentes, mas sempre se mantendo coerente e jamais se perdendo em seu caminho. A única parte negativa fica por conta do solo de orquestra em seu final que pra mim é completamente desnecessário e somente tira um pouco do brilho da composição. Ainda assim, uma música maravilhosa. 

A próxima faixa é “In the Presence of”, sem sombra de dúvida uma daquelas composições que já saem do estúdio com potencial de se tornar um clássico. Essa é a primeira vez desde a sua abordagem mais pop que a banda nos faz ter a sensação não somente de se reinventar e buscar uma boa sonoridade como no resto do álbum, mas a de literalmente está de volta aos anos 70. Começa com Anderson acompanhado unicamente por um piano, depois uma sutil e requintada linha de baixo de Squire se une a ambos. Steve Howe faz um trabalho de guitarra slide simplesmente soberbo e que também merece destaque. Possui excelentes coros e por mais que comece tímida, durante os seus mais 10 minutos de duração vai ganhando força e se abrilhantando. Um trabalho simplesmente exuberante. 

O álbum encerra com, “Time is Time”. Uma canção que é uma espécie de "tanto faz", sendo a mais curta de todas, possui uma melodia simples, sem muito a oferecer ou comprometer. Eu particularmente nem a teria colocado no álbum. Mas até que por outro lado a quem pode achar uma maneira sentimental e bonita de encerrá-lo.

Magnification com certeza é um trabalho extremamente digno e que soa de forma tradicional como não se via a muito tempo. Trata-se de uma obra prima? Longe disso, mas sem dúvida alguma foi o ressurgimento de um dos maiores dinossauros da história do rock progressivo.

Um trabalho digno e soando de forma tradicional.
3
06/10/2017

Desde o álbum Drama de 1980, aqueles fãs mais exigentes da banda e que a viam como talvez a maior referência dentro do rock progressivo dos anos 70, e que ainda hoje é inspiração pra uma alta porcentagem de grupos que surgem pelo mundo todo ano, andavam meio desanimado com toda a produção basicamente pop (fora alguns lapsos de progressivo) produzida pelo Yes em um longo período. A chama começou a acender novamente só em 1999, quando o grupo desceu um pouco da inércia, pra se aventurar de novo mesmo que de maneira tímida por terrenos que a consagraram, fato que acorreu através do disco The Ladder. Mas sem dúvida alguma que com Magnification a banda reviveu, digamos assim. Quem não conhece o álbum também não precisa achar que vai de deparar com uma obra prima como outras lançadas em outrora, mas sem dúvida alguma é um disco de qualidade extremamente relevante. Uma curiosidade, eles não utilizaram um tecladista, mas sim, uma orquestra conduzida pelo compositor Larry Groupé, no geral mais conhecido em trabalhar em trilhas de filmes. 

A faixa de abertura e também homônima ao álbum, "Magnification", já define logo de cara todo o tom orquestral que se encontrará no disco. Também possui momentos suaves e acústicos junto de guitarras elétricas e uma batida sutil. Logo de cara também nota-se pela primeira vez de maneira mais clara que a voz de Anderson começa a dar indícios de desgaste, mas é totalmente compreensível, levando-se em conta os anos que ele esteve sempre impecável seja em estúdio ou no palco. Uma boa música e forte abertura para o álbum.

A segunda faixa, “Spirit of Survival” traz em mente um rock de arena que nos remete a época da banda, Anderson Bruford Wakeman Howe. Chris Squire faz uma linha de baixo de destaque. As cordas orquestrais também preenchem as lacunas muito bem, Alan White cadenciando a bateria de forma redonda e enérgica e Steve Howe mostrando um excelente trabalho de guitarra. Como ponto baixo acho que estão os backing vocals, eles poderiam ser dispensados.

“Don’t Go” é sem dúvida alguma a parte mais inexpressiva do álbum, tanto que não lembro quando foi a última vez que eu ouvi Magnification sem que eu a pulasse. Mas pra não dizer que é uma música de todo o mal, possui um refrão cativante principalmente na parte final por conta de um bom trabalho de guitarra de Steve Howe. Mas sem dúvida é um ponto baixo no disco.

"Give Love Each Day" é onde pela primeira vez o trabalho orquestral liderado por Larry Groupé é mostrado de maneira pura e significativa. Em uma introdução de mais de dois minutos, podemos ser transportado pra introdução de algum filme. Uma passagem simples mas perfeita do baixo de Squire é tocada antes que Anderson entre com as primeiras frases até que toda a banda comece de fato a música. O trabalho de guitarra de Howe é intrincado, lentamente construído junto com as cordas em uma composição majestosa e melódico. Sem dúvida que esse é o exemplo perfeito de um som mais acessível e maduro do Yes. Uma maneira de mostrar que evoluíram desde aquela última década e mesmo que de maneira menos rebuscada, poderia soar progressivo e agradar fãs antigos e os que ganharam em outras frases.

A próxima faixa é “Can You Imagine”. Na verdade trata-se de uma composição do XYZ, o infeliz projeto de Chris Squire e Alan White juntamente com Jimmy Page. É uma música curta, mas que você pode se maravilhar com o tom incrível dos vocais liderados por Squire. A orquestra acompanha muito bem a banda com um belo pano de fundo. Também conta com uma incrível performance de Anderson fazendo muito bem os backing vocals. Acho apenas que poderia ter uma duração maior, a música não chega nem a três minutos. 

" We Agree" é uma música do Yes que me faz lembrar do Genesis em seu álbum Wind & Wuthering. Começa com uma guitarra acústica agradável, uma linha de baixo pulsante e novamente um belo tapete sonoro criado pela orquestra. Uma música muito bem direcionada, de um início simples e que vai crescendo até atingir um final expansivo não apenas musicalmente, mas também liricamente.

"Soft of a Dove" é basicamente uma tranquila e agradável colaboração de Anderson e Howe. Contem também uma flauta que preenche muito bem a canção.

“Dreamtime” é maravilhosa. Tem uma bela introdução onde é lindo de ver como a guitarra funde com a orquestra. A música está cheia de estranhas melodias vocais, instrumentação agradável, lindas orquestrações, alem de possuir em alguns momentos riffs por parte de Squire que pode ser colocados como um dos seus melhores em todos os tempos. A faixa possui bastantes tempos diferentes, mas sempre se mantendo coerente e jamais se perdendo em seu caminho. A única parte negativa fica por conta do solo de orquestra em seu final que pra mim é completamente desnecessário e somente tira um pouco do brilho da composição. Ainda assim, uma música maravilhosa. 

A próxima faixa é “In the Presence of”, sem sombra de dúvida uma daquelas composições que já saem do estúdio com potencial de se tornar um clássico. Essa é a primeira vez desde a sua abordagem mais pop que a banda nos faz ter a sensação não somente de se reinventar e buscar uma boa sonoridade como no resto do álbum, mas a de literalmente está de volta aos anos 70. Começa com Anderson acompanhado unicamente por um piano, depois uma sutil e requintada linha de baixo de Squire se une a ambos. Steve Howe faz um trabalho de guitarra slide simplesmente soberbo e que também merece destaque. Possui excelentes coros e por mais que comece tímida, durante os seus mais 10 minutos de duração vai ganhando força e se abrilhantando. Um trabalho simplesmente exuberante. 

O álbum encerra com, “Time is Time”. Uma canção que é uma espécie de "tanto faz", sendo a mais curta de todas, possui uma melodia simples, sem muito a oferecer ou comprometer. Eu particularmente nem a teria colocado no álbum. Mas até que por outro lado a quem pode achar uma maneira sentimental e bonita de encerrá-lo.

Magnification com certeza é um trabalho extremamente digno e que soa de forma tradicional como não se via a muito tempo. Trata-se de uma obra prima? Longe disso, mas sem dúvida alguma foi o ressurgimento de um dos maiores dinossauros da história do rock progressivo.

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