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Resenha: Yes - Drama (1980)

Por: Marcel Z. Dio

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Reciclado, mas sem perder a essência prog
4.5
11/06/2019

O primeiro disco sem Jon Anderson teve mudanças dramáticas em relação ao fracassado Tormato. Jon e Rick Wakeman queriam mais tempo para a carreira solo, e também seguir a linha clássica, enquanto o restante via aquilo como uma formula desgastada. No final a "panelinha" de Chris Squire ganhou a queda de braço, obrigando a dupla Anderson e Rick cantar em outro terreiro.
O tempo mostrou que Squire estava certo ao peitar a teimosia e o esoterismo brucutu do hippie Jon Anderson.
A mudança caiu como um sopro de vida ao Yes, um tiranossauro Rex do progressivo que alem do braço decepado pelos críticos, estava mancando, outro Tormato, ops, digo tombo, seria apenas a consagração de Jon Anderson e dos puristas chatos do art rock.
Com isso Trevor Horn e Geoff Downes - músicos do The Buggles que recentemente haviam obtido um hit número um na parada britânica com a patética "Video Killed the Radio Star", foram escolhidos para cumprir os setores. Digamos que os dois estavam na hora certa no lugar certo, por trabalharem em um estúdio vizinho e receber o convite. Sem esquecer que ambos eram fãs do Yes, principalmente Trevor Horn.

Drama apostou na modernidade sem perder a característica progressiva. De cara o peso de "Machine Messiah" entusiasmou, e o esforço de Trevor Horn para emular a voz de Anderson deu resultado. Geoff Downes surgia como um grande tecladista, criando mini solos durante todos os 10 minutos de Machine Messiah - uma das primeiras músicas a demonstrar uma sonoridade que mais tarde seria definida como metal progressivo.

Após a curta e orquestrada "White Car", "Does It Really Happen", vem como um espetáculo progressivo e imponente dos teclados e o estonteante baixo de Chris Squire. A essa altura a saudade de Rick Wakeman era coisa do passado, o Yes andava para frente, abandonando a carcaça erudita.

"Into the Lens" tem uma estranha introdução de tango progressivo (eu acho) seguindo por uma linha alternativa e ao mesmo tempo esquisita. Na realidade requer um tempo de "adaptação", não conquistando de cara como "Does It Really Happen" e "Tempus Fugit".
O único fator de desabono são os vocais robóticos e cafonas feitos por Geoff Downes, desnecessário.

"Run Through the Light" não chega a ser uma balada, embora seja bem soft em relação ao resto. Destaque para os vocais e o contrabaixo fletless tocado por Trevor Horn e também para Steve Howe, que mudou completamente sua forma de tocar, sem apostar tanto em sua manjada técnica de "ligado", uma adaptação a nova fase que logo chegaria com o grupo Asia.

"Tempus Fugit" encerra da melhor forma possível, com uma introdução que se não é a melhor do Yes, chega bem perto. A seção rítmica matou a pau!, tendo no astro principal as escalas rápidas e viciantes de Chris Squire atravessando os acordes da guitarra.
Seria de bom tom que fosse tocada em algumas turnês do Yes na fase seguinte, mas o ego de Anderson não permitiria esse presente aos fãs. Salvo engano foi apresentada com certa frequência na fase pós Anderson. Cheguei a conferir no youtube um show no State Theatre, Sydney numa "versão desidratada", sobretudo nas guitarras de Howe, parece que ele esqueceu de acionar a pedaleira, assim como faz propositalmente com Owner of a Lonely Heart.
A importância de Tempus Fugit é tanta, que deu nome até a uma conhecida banda carioca praticante do estilo.

Infelizmente a novidade e alegria de Drama duraram pouco tempo e apenas algumas turnês, pois Trevor Horn não aguentou a pressão dos fãs. Era demais substituir Jon Anderson, e com isso o Yes encerrou as atividades até 1983, quando remodelaram novamente sua história com um disco mais ligado ao pop, o conhecido 90125.

Reciclado, mas sem perder a essência prog
4.5
11/06/2019

O primeiro disco sem Jon Anderson teve mudanças dramáticas em relação ao fracassado Tormato. Jon e Rick Wakeman queriam mais tempo para a carreira solo, e também seguir a linha clássica, enquanto o restante via aquilo como uma formula desgastada. No final a "panelinha" de Chris Squire ganhou a queda de braço, obrigando a dupla Anderson e Rick cantar em outro terreiro.
O tempo mostrou que Squire estava certo ao peitar a teimosia e o esoterismo brucutu do hippie Jon Anderson.
A mudança caiu como um sopro de vida ao Yes, um tiranossauro Rex do progressivo que alem do braço decepado pelos críticos, estava mancando, outro Tormato, ops, digo tombo, seria apenas a consagração de Jon Anderson e dos puristas chatos do art rock.
Com isso Trevor Horn e Geoff Downes - músicos do The Buggles que recentemente haviam obtido um hit número um na parada britânica com a patética "Video Killed the Radio Star", foram escolhidos para cumprir os setores. Digamos que os dois estavam na hora certa no lugar certo, por trabalharem em um estúdio vizinho e receber o convite. Sem esquecer que ambos eram fãs do Yes, principalmente Trevor Horn.

Drama apostou na modernidade sem perder a característica progressiva. De cara o peso de "Machine Messiah" entusiasmou, e o esforço de Trevor Horn para emular a voz de Anderson deu resultado. Geoff Downes surgia como um grande tecladista, criando mini solos durante todos os 10 minutos de Machine Messiah - uma das primeiras músicas a demonstrar uma sonoridade que mais tarde seria definida como metal progressivo.

Após a curta e orquestrada "White Car", "Does It Really Happen", vem como um espetáculo progressivo e imponente dos teclados e o estonteante baixo de Chris Squire. A essa altura a saudade de Rick Wakeman era coisa do passado, o Yes andava para frente, abandonando a carcaça erudita.

"Into the Lens" tem uma estranha introdução de tango progressivo (eu acho) seguindo por uma linha alternativa e ao mesmo tempo esquisita. Na realidade requer um tempo de "adaptação", não conquistando de cara como "Does It Really Happen" e "Tempus Fugit".
O único fator de desabono são os vocais robóticos e cafonas feitos por Geoff Downes, desnecessário.

"Run Through the Light" não chega a ser uma balada, embora seja bem soft em relação ao resto. Destaque para os vocais e o contrabaixo fletless tocado por Trevor Horn e também para Steve Howe, que mudou completamente sua forma de tocar, sem apostar tanto em sua manjada técnica de "ligado", uma adaptação a nova fase que logo chegaria com o grupo Asia.

"Tempus Fugit" encerra da melhor forma possível, com uma introdução que se não é a melhor do Yes, chega bem perto. A seção rítmica matou a pau!, tendo no astro principal as escalas rápidas e viciantes de Chris Squire atravessando os acordes da guitarra.
Seria de bom tom que fosse tocada em algumas turnês do Yes na fase seguinte, mas o ego de Anderson não permitiria esse presente aos fãs. Salvo engano foi apresentada com certa frequência na fase pós Anderson. Cheguei a conferir no youtube um show no State Theatre, Sydney numa "versão desidratada", sobretudo nas guitarras de Howe, parece que ele esqueceu de acionar a pedaleira, assim como faz propositalmente com Owner of a Lonely Heart.
A importância de Tempus Fugit é tanta, que deu nome até a uma conhecida banda carioca praticante do estilo.

Infelizmente a novidade e alegria de Drama duraram pouco tempo e apenas algumas turnês, pois Trevor Horn não aguentou a pressão dos fãs. Era demais substituir Jon Anderson, e com isso o Yes encerrou as atividades até 1983, quando remodelaram novamente sua história com um disco mais ligado ao pop, o conhecido 90125.

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