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Resenha: Roger Waters - Is This The Life We Really Want? (2017)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Um tratado mordaz sobre a condição humana atual
3.5
05/10/2017

Antes de mais nada queria deixar claro que sempre achei que os membros do Pink Floyd necessitam um do outro pra soar de maneira plena, logo, nenhum deles lançou algo que posso chamar de grandioso em carreira solo, apesar de terem bons momentos. Quase vinte e cinco anos após o lançamento de Amused the Death, Roger Waters está de volta com um disco de inéditas. 

Além do trabalho musical, não se deve deixar de mencionar o trabalho do produtor Nigel Godrich que trouxe camadas sonoras bastante carregadas e orientadas por teclados. Em termos de ser acessível, Is this the Life we Really Want? com certeza lidera esse quesito na discografia do músico. Uma destilação em muitos aspectos das mensagens anti-fascistas, anti-imperialistas e anti-ganância que ele transmitiu desde o Pink Floyd. Liricamente é bastante sutil, embora o momento em que vivemos, sutileza não tem sido a palavra chave pra nada e com certeza existam alguns recados para entender o contexto mais profundo de cada música. Mas uma coisa é bem clara, o disco trata-se (também) de um “foda-se” explícito para Donald Trump e qualquer pessoa que se aproveite do sofrimento humano.

O início do álbum com uma curta faixa, “When We Were Young”, é através de uns batimentos cardíacos e o tic tac de um relógio e que faz com que seja impossível de não lembrar de Dark Side of the Moon. Em “Déja vù”, Roger Waters avalia de maneira emotiva sob um violão e atmosfera criada por cordas, na abertura das três primeiras estrofes o que ele faria se tivesse sido Deus e logo em seguida após uma mudança de tom na música o questionamento é se ele tivesse sido um drone. Essa faixa tem reminiscências encontradas principalmente nas baladas do seu último disco com o Pink Floyd, The Final Cut. "The Last Refugee" é a terceira faixa e certamente um dos momentos mais belos do álbum, tanto musicalmente quanto liricamente. Novamente é possível imaginá-la em algum clássico do Pink Floyd, mais precisamente em The Wall, pelo seu ar melódico, sombrio, conversas de rádio e excelentes riffs de sintetizadores e piano que deslizam por toda a faixa.

Impossível também é ouvir o início de "Picture That" e não trazer em mente, "Sheep". Além disso, é possível notar até mesmo pedaços de “Shine on You Crazy Diamond Parts VI-XI". Apesar de novamente ser uma música com ar sombrio, dessa vez possui uma levada menos atmosférica e se cadencia de maneira mais pulsante com excelente cozinha e linhas psicodélicas de sintetizadores. "Broken Bones” começa com um violão acústico muito bem acentuado e vocal suave e ao mesmo tempo bastante forte, em seguida vai ganhando acompanhamento de leves toques de cordas. Mas há momentos em que tanto a parte vocal quanto a instrumental crescem, essa segunda em lindos e emocionantes arranjos orquestrais e linhas de guitarra.

A faixa título, “Is this the Life we Really Want?”, começa com uma breve fala de Donald Trump lamentando a cobertura de sua eleição, pra somente depois ganhar seu corpo musical. Roger Waters canta ao seu melhor estilo “sombrio” em uma levada musical simples, mas muito bem arranjada principalmente pelos teclados. “Bird In a Gale”, possui um vocal uivante e desesperado acoplado a adição de teclados maravilhosos. Aqui também facilmente nota-se reminiscências em "Sheep".

“The Most Beautiful Girl” é linda e pode ser vista até certo ponto, com um olhar oblíquo acerca do bombardeio na Síria. Como acontece em boa parte do álbum, o piano figura fortemente. O uso sutil de cordas equilibra-se bem com o vocal, e a música inclui uma grande entrega de Roger Waters onde a sua parte final mostra uma mistura bem equilibrada de tristeza e anseio. “Smell the Roses”é uma verdadeira cornucópia de músicas do Pink Floyd, possui uma melodia que incorpora elementos de “Have a Cigar”, batida encontradas em "Echoes", batimentos que lembram aos de "Dogs", elementos pulsantes e batimentos de relógio como em "Speak to Me/Breathe", latidos e um final que vem a mente “Shine on You Crazy Diamond".

As últimas faixas são uma espécie de “três em um” em um apelo sincero de amor e respeito, que é uma metáfora da fragilidade da paz e da cooperação em um sentido mais amplo (muito mais evidente no segmento final, "Part Of Me Died"). Musicalmente, alguns toques simples e maravilhosos de piano e teclados que deixam com que o disco tenha um final edificante.

Is this the Life we Really Want? entrega exatamente o que os fãs de Roger Waters (e os detratores) esperavam, ou seja, um tratado mordaz sobre a condição humana atual com letras afiadas, composições musicais inchadas e muitos efeitos sonoros. Mostra um Roger Waters em excelente forma, cheio de vigor e determinação para tentar abrir os olhos das pessoas para o que está acontecendo no mundo de hoje. Sua exploração de temas de amor também é uma jogada positiva. O álbum merece toda sua atenção e embora a política não seja para o gosto de algumas pessoas, deixe essa parte de lado e perceba apenas musicalmente Waters abraçando com confiança seu mais novo projeto.

Um tratado mordaz sobre a condição humana atual
3.5
05/10/2017

Antes de mais nada queria deixar claro que sempre achei que os membros do Pink Floyd necessitam um do outro pra soar de maneira plena, logo, nenhum deles lançou algo que posso chamar de grandioso em carreira solo, apesar de terem bons momentos. Quase vinte e cinco anos após o lançamento de Amused the Death, Roger Waters está de volta com um disco de inéditas. 

Além do trabalho musical, não se deve deixar de mencionar o trabalho do produtor Nigel Godrich que trouxe camadas sonoras bastante carregadas e orientadas por teclados. Em termos de ser acessível, Is this the Life we Really Want? com certeza lidera esse quesito na discografia do músico. Uma destilação em muitos aspectos das mensagens anti-fascistas, anti-imperialistas e anti-ganância que ele transmitiu desde o Pink Floyd. Liricamente é bastante sutil, embora o momento em que vivemos, sutileza não tem sido a palavra chave pra nada e com certeza existam alguns recados para entender o contexto mais profundo de cada música. Mas uma coisa é bem clara, o disco trata-se (também) de um “foda-se” explícito para Donald Trump e qualquer pessoa que se aproveite do sofrimento humano.

O início do álbum com uma curta faixa, “When We Were Young”, é através de uns batimentos cardíacos e o tic tac de um relógio e que faz com que seja impossível de não lembrar de Dark Side of the Moon. Em “Déja vù”, Roger Waters avalia de maneira emotiva sob um violão e atmosfera criada por cordas, na abertura das três primeiras estrofes o que ele faria se tivesse sido Deus e logo em seguida após uma mudança de tom na música o questionamento é se ele tivesse sido um drone. Essa faixa tem reminiscências encontradas principalmente nas baladas do seu último disco com o Pink Floyd, The Final Cut. "The Last Refugee" é a terceira faixa e certamente um dos momentos mais belos do álbum, tanto musicalmente quanto liricamente. Novamente é possível imaginá-la em algum clássico do Pink Floyd, mais precisamente em The Wall, pelo seu ar melódico, sombrio, conversas de rádio e excelentes riffs de sintetizadores e piano que deslizam por toda a faixa.

Impossível também é ouvir o início de "Picture That" e não trazer em mente, "Sheep". Além disso, é possível notar até mesmo pedaços de “Shine on You Crazy Diamond Parts VI-XI". Apesar de novamente ser uma música com ar sombrio, dessa vez possui uma levada menos atmosférica e se cadencia de maneira mais pulsante com excelente cozinha e linhas psicodélicas de sintetizadores. "Broken Bones” começa com um violão acústico muito bem acentuado e vocal suave e ao mesmo tempo bastante forte, em seguida vai ganhando acompanhamento de leves toques de cordas. Mas há momentos em que tanto a parte vocal quanto a instrumental crescem, essa segunda em lindos e emocionantes arranjos orquestrais e linhas de guitarra.

A faixa título, “Is this the Life we Really Want?”, começa com uma breve fala de Donald Trump lamentando a cobertura de sua eleição, pra somente depois ganhar seu corpo musical. Roger Waters canta ao seu melhor estilo “sombrio” em uma levada musical simples, mas muito bem arranjada principalmente pelos teclados. “Bird In a Gale”, possui um vocal uivante e desesperado acoplado a adição de teclados maravilhosos. Aqui também facilmente nota-se reminiscências em "Sheep".

“The Most Beautiful Girl” é linda e pode ser vista até certo ponto, com um olhar oblíquo acerca do bombardeio na Síria. Como acontece em boa parte do álbum, o piano figura fortemente. O uso sutil de cordas equilibra-se bem com o vocal, e a música inclui uma grande entrega de Roger Waters onde a sua parte final mostra uma mistura bem equilibrada de tristeza e anseio. “Smell the Roses”é uma verdadeira cornucópia de músicas do Pink Floyd, possui uma melodia que incorpora elementos de “Have a Cigar”, batida encontradas em "Echoes", batimentos que lembram aos de "Dogs", elementos pulsantes e batimentos de relógio como em "Speak to Me/Breathe", latidos e um final que vem a mente “Shine on You Crazy Diamond".

As últimas faixas são uma espécie de “três em um” em um apelo sincero de amor e respeito, que é uma metáfora da fragilidade da paz e da cooperação em um sentido mais amplo (muito mais evidente no segmento final, "Part Of Me Died"). Musicalmente, alguns toques simples e maravilhosos de piano e teclados que deixam com que o disco tenha um final edificante.

Is this the Life we Really Want? entrega exatamente o que os fãs de Roger Waters (e os detratores) esperavam, ou seja, um tratado mordaz sobre a condição humana atual com letras afiadas, composições musicais inchadas e muitos efeitos sonoros. Mostra um Roger Waters em excelente forma, cheio de vigor e determinação para tentar abrir os olhos das pessoas para o que está acontecendo no mundo de hoje. Sua exploração de temas de amor também é uma jogada positiva. O álbum merece toda sua atenção e embora a política não seja para o gosto de algumas pessoas, deixe essa parte de lado e perceba apenas musicalmente Waters abraçando com confiança seu mais novo projeto.

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