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Resenha: Yes - Fragile (1971)

Por: Márcio Chagas

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Album Cover
O Yes encontra sua sonoridade definitiva
5
10/06/2019

O estilo sinfônico do Yes começava a decolar com “The Yes Album”, lançado no ano anterior. Apesar de grandes canções e algumas músicas que seriam consideradas clássicas, o grupo ainda não havia encontrado sua sonoridade definitiva, e para tanto precisava resolver um problema crucial: substituir o tecladista Tony Kaye. Embora fosse um bom músico, o estilo de Kaye era mais roqueiro, portanto muito distante da sonoridade sinfônica perseguida pela banda.

Após a esperada demissão de Kaye, o vocalista Jon Anderson e o baixista Chris Squire foram atrás de um substituto mais adequado para o Yes. Varias indicações sugeriram o nome de Rick Wakeman, prodígio dos teclados que despontava no cenário mundial inglês por seus trabalhos ao lado de nomes como Lou Reed, David Bowie, entre outros.

Conta a lenda que o tecladista encontrou com os lideres Anderson e Squire em uma lanchonete e devorou dois hambúrgueres na frente da dupla durante a conversa, para horror dos músicos, ambos vegetarianos convictos. Porém, nem mesmo o apetite carnívoro voraz conseguiu se sobrepor ao talento do músico, que na semana seguinte, estava ensaiando com o grupo.

Para o futuro quarto disco, a banda recrutou novamente o inglês  Eddie Offord para produção, uma vez que a parceria havia dado certo no trabalho anterior. Então Offord  e o quinteto se reuniram em Setembro de 1971 no Advision Studios em Londres, para a gravação.

Além das músicas criadas pela banda, o Yes teve a ideia de colocar pequenas composições individuais que ressaltassem o virtuosismo de cada um dos integrantes entre as canções, como se fossem vinhetas, fato que agradou bastante os fãs do grupo e ajudou a definir a sonoridade do quinteto.

O álbum abre com "Roundabout", primeiro hit do grupo a tocar em rádios, graças a uma versão reduzida e editada. O tema exalta o primoroso trabalho da banda, principalmente de Squire, que criava linhas sofisticadas e pungentes, um avanço para a época. O estilo do baixista elevou seu nome na comunidade musical mundial, algo inusitado para um grupo de rock progressivo onde quem se sobressai geralmente é o guitarrista ou tecladista. E por falar em teclados, já na primeira faixa fica notório que Wakeman era a escolha certa para o grupo. Seu estilo grandiloquente aparece no belo solo de hammond no meio da canção e em suas camas de teclados amparando o tema. Era o Yes definindo de vez seu som;

A seguir vem "Cans And Brahms",  composição clássica do alemão Johannes Brahms, rearranjada por Wakeman, para durar pouco mais de um minuto e demonstrar sua veia clássica;

"We Have Heaven" é outra curta canção evidenciando os dotes de Jon Anderson, que cria várias harmonias vocais  sobrepostas, como se houvesse um coral presente;

A canção "South Side Of The Sky" embora seja uma composição de Anderson e Squire, quem se sobressai é o guitarrista Steve Howe, com seu estilo peculiar, se evidenciando por pequenas incursões ao longo da faixa. O trabalho de Wakeman também merece destaque, pois o músico sabe quando inserir pequenos trechos do instrumento ou então encher as melodias com seu enorme arsenal de teclados. Uma canção bela e sinfônica;

A jazzística "Five Per Cent For Nothing" é uma ideia do baterista Bruford. O músico trabalha uma linha sincopada de bateria em cima da guitarra de Howe. Um pequeno improviso que Bill desenvolveria futuramente no King Crimson;

A clássica "Long Distance Runaround" tem a letra de Anderson que fala sobre a despedida de sua eventual namorada. Aqui o vocalista brilha amparado pela banda que parece se desenvolver em torno de sua voz;  

"The Fish (Schindleria praematurus)" começa ritmicamente alternada no compasso 7/4, onde o autor Squire se utiliza de vários timbres diferentes de seu contrabaixo, amparado por guitarra e bateria até a chegada dos vocais em coro;

Em "Mood For A Day", temos o segundo tema solo de Steve Howe ao violão em um álbum do Yes. Porém, ao invés de trazer a tona suas influências de musica country (como ocorreu em “The Clap” no disco anterior), o músico optou por enaltecer seu lado clássico, criando um tema fortemente influenciado pela fase barroca, com pitadas de música flamenca;

O álbum encerra em alto nível, com "Heart Of The Sunrise", que pode ser considerada a síntese do som perseguido pelo grupo, pois é ao mesmo tempo sinfônica, pesada e com inúmeras variações em seu andamento. O tema começa sincopado, com o baixo cortante de Squire conduzindo a canção, amparado pelos teclados de Wakeman e uma linha simples de Brufford. O tema vai crescendo com a guitarra de Howe e ganha força até se silenciar por completo como que por respeito aos vocais líricos de Jon Anderson que se inicial. As variações passam por diversos estilos que nos remetem desde o jazz até a música clássica. Em algumas passagens fica difícil acreditar que apenas cinco músicos são responsáveis por toda a massa sonora apresentada. Essa formula se repete até seu final, encerrando o disco de maneira primorosa.

“Fragile” foi lançado em novembro de 1971 e alcançou o 7º lugar na Inglaterra e o 4º lugar na América onde o grupo se apresentou pela primeira vez como atração principal.
A capa foi marcante por apresentar o primeiro trabalho de Roger Dean ao lado do grupo. Squire e Anderson conseguiram uma verba melhor para a capa junto a Atlantic e chamaram Dean, famoso por suas capas lisérgicas apresentadas por inúmeras bandas. 

Apesar de ainda não conter o logotipo do grupo, a arte apresentada pelo artista se encaixava perfeitamente no som desenvolvido pelo quinteto, iniciando uma longa parceria entre Roger e o Yes que perdura até os dias de hoje.

O disco pode ser considerado uma obra-prima sinfônica que ajudou a definir a sonoridade da banda, amadurecendo sua estrutura musical e elevando o Yes ao patamar de banda do primeiro escalão do progressivo mundial.

O Yes encontra sua sonoridade definitiva
5
10/06/2019

O estilo sinfônico do Yes começava a decolar com “The Yes Album”, lançado no ano anterior. Apesar de grandes canções e algumas músicas que seriam consideradas clássicas, o grupo ainda não havia encontrado sua sonoridade definitiva, e para tanto precisava resolver um problema crucial: substituir o tecladista Tony Kaye. Embora fosse um bom músico, o estilo de Kaye era mais roqueiro, portanto muito distante da sonoridade sinfônica perseguida pela banda.

Após a esperada demissão de Kaye, o vocalista Jon Anderson e o baixista Chris Squire foram atrás de um substituto mais adequado para o Yes. Varias indicações sugeriram o nome de Rick Wakeman, prodígio dos teclados que despontava no cenário mundial inglês por seus trabalhos ao lado de nomes como Lou Reed, David Bowie, entre outros.

Conta a lenda que o tecladista encontrou com os lideres Anderson e Squire em uma lanchonete e devorou dois hambúrgueres na frente da dupla durante a conversa, para horror dos músicos, ambos vegetarianos convictos. Porém, nem mesmo o apetite carnívoro voraz conseguiu se sobrepor ao talento do músico, que na semana seguinte, estava ensaiando com o grupo.

Para o futuro quarto disco, a banda recrutou novamente o inglês  Eddie Offord para produção, uma vez que a parceria havia dado certo no trabalho anterior. Então Offord  e o quinteto se reuniram em Setembro de 1971 no Advision Studios em Londres, para a gravação.

Além das músicas criadas pela banda, o Yes teve a ideia de colocar pequenas composições individuais que ressaltassem o virtuosismo de cada um dos integrantes entre as canções, como se fossem vinhetas, fato que agradou bastante os fãs do grupo e ajudou a definir a sonoridade do quinteto.

O álbum abre com "Roundabout", primeiro hit do grupo a tocar em rádios, graças a uma versão reduzida e editada. O tema exalta o primoroso trabalho da banda, principalmente de Squire, que criava linhas sofisticadas e pungentes, um avanço para a época. O estilo do baixista elevou seu nome na comunidade musical mundial, algo inusitado para um grupo de rock progressivo onde quem se sobressai geralmente é o guitarrista ou tecladista. E por falar em teclados, já na primeira faixa fica notório que Wakeman era a escolha certa para o grupo. Seu estilo grandiloquente aparece no belo solo de hammond no meio da canção e em suas camas de teclados amparando o tema. Era o Yes definindo de vez seu som;

A seguir vem "Cans And Brahms",  composição clássica do alemão Johannes Brahms, rearranjada por Wakeman, para durar pouco mais de um minuto e demonstrar sua veia clássica;

"We Have Heaven" é outra curta canção evidenciando os dotes de Jon Anderson, que cria várias harmonias vocais  sobrepostas, como se houvesse um coral presente;

A canção "South Side Of The Sky" embora seja uma composição de Anderson e Squire, quem se sobressai é o guitarrista Steve Howe, com seu estilo peculiar, se evidenciando por pequenas incursões ao longo da faixa. O trabalho de Wakeman também merece destaque, pois o músico sabe quando inserir pequenos trechos do instrumento ou então encher as melodias com seu enorme arsenal de teclados. Uma canção bela e sinfônica;

A jazzística "Five Per Cent For Nothing" é uma ideia do baterista Bruford. O músico trabalha uma linha sincopada de bateria em cima da guitarra de Howe. Um pequeno improviso que Bill desenvolveria futuramente no King Crimson;

A clássica "Long Distance Runaround" tem a letra de Anderson que fala sobre a despedida de sua eventual namorada. Aqui o vocalista brilha amparado pela banda que parece se desenvolver em torno de sua voz;  

"The Fish (Schindleria praematurus)" começa ritmicamente alternada no compasso 7/4, onde o autor Squire se utiliza de vários timbres diferentes de seu contrabaixo, amparado por guitarra e bateria até a chegada dos vocais em coro;

Em "Mood For A Day", temos o segundo tema solo de Steve Howe ao violão em um álbum do Yes. Porém, ao invés de trazer a tona suas influências de musica country (como ocorreu em “The Clap” no disco anterior), o músico optou por enaltecer seu lado clássico, criando um tema fortemente influenciado pela fase barroca, com pitadas de música flamenca;

O álbum encerra em alto nível, com "Heart Of The Sunrise", que pode ser considerada a síntese do som perseguido pelo grupo, pois é ao mesmo tempo sinfônica, pesada e com inúmeras variações em seu andamento. O tema começa sincopado, com o baixo cortante de Squire conduzindo a canção, amparado pelos teclados de Wakeman e uma linha simples de Brufford. O tema vai crescendo com a guitarra de Howe e ganha força até se silenciar por completo como que por respeito aos vocais líricos de Jon Anderson que se inicial. As variações passam por diversos estilos que nos remetem desde o jazz até a música clássica. Em algumas passagens fica difícil acreditar que apenas cinco músicos são responsáveis por toda a massa sonora apresentada. Essa formula se repete até seu final, encerrando o disco de maneira primorosa.

“Fragile” foi lançado em novembro de 1971 e alcançou o 7º lugar na Inglaterra e o 4º lugar na América onde o grupo se apresentou pela primeira vez como atração principal.
A capa foi marcante por apresentar o primeiro trabalho de Roger Dean ao lado do grupo. Squire e Anderson conseguiram uma verba melhor para a capa junto a Atlantic e chamaram Dean, famoso por suas capas lisérgicas apresentadas por inúmeras bandas. 

Apesar de ainda não conter o logotipo do grupo, a arte apresentada pelo artista se encaixava perfeitamente no som desenvolvido pelo quinteto, iniciando uma longa parceria entre Roger e o Yes que perdura até os dias de hoje.

O disco pode ser considerado uma obra-prima sinfônica que ajudou a definir a sonoridade da banda, amadurecendo sua estrutura musical e elevando o Yes ao patamar de banda do primeiro escalão do progressivo mundial.

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