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Resenha: Iron Maiden - Fear Of The Dark (1992)

Por: Fábio Arthur

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Album Cover
Sem medo de se arriscar
2.5
07/06/2019

Em maio de 1992 o Iron Maiden trazia à luz um de seus discos mais controversos. Sim, eles deixaram nessa fase, muitos fãs surpresos e alguns tantos decepcionados. Em verdade, se formos analisar o grupo britânico no começo dos anos noventa, vamos observar a vontade de mudanças que permeavam as canções em produções novas. Desde o fim da turnê de "Seventh Son of a Seventh Son" em 1989, o Maiden havia colhido frutos em demasia: singles, concertos lotados, vendas em alta, uma gama enorme de faixas fabulosas e ainda por cima dois VHS - em época - bem sucedidos. Enfim, o Maiden era a nata do Heavy Metal, e assim, mantinha seu posto em alta como a melhor banda do cenário mundial, amada em todos locais imagináveis. Mas, após essa gloriosa fase, a banda começou a mudar sua visão, suas opções eram agora mais abertas e em seu leque de produção e composições, tudo havia sido replanejado. Para alguns, realmente, um declínio e atraso musical - e de fato era um pouco mesmo.

Chegando o começo de nova década, em 1990 o Maiden veio com um ideal em querer repetir a fase de 1981, ou seja de "Killers", era a vontade de soar como em começo de carreira, com canções mais rápidas, diretas e mais cruas. Para tal feito, a produção acabou sendo feita de forma mais "caseira" e a banda elaboraria shows em clubes e ginásios; assim máquina se mantinha, afinal eles eram o Iron Maiden! Mas alguns pontos negativos se agregaram ao grupo, e o primeiro fator foi existente fora a troca de guitarrista, sim, Adrian Smith, já desanimado com direcionamento havia algum tempo, o músico sai e em seguida se mantém em uma carreira solo, não muito promissora, para algum tempo depois se juntar com Bruce Dickinson para gravações e concertos - isso mais à frente. Enfim, Adrian saiu, deixou uma faixa para o disco, intitulada de "Hooks in You", da qual não soava mais que um Hard Rock e que não combinava em nada com o Maiden. Mais tarde, o disco de 90 saiu e pela arte de capa e vestimenta dos músicos, a impressão era a de que tudo seria muito pesado e sólido, mas o que se viu foi o reverso e, apesar de bons momentos, "No Prayer for the Dying" acabou sendo mal aproveitado e a banda sentiu isso não somente na pele como na carreira. A produção baixa contribuiu para o desgaste entre fãs e banda também, e apesar de serem adorados, acabaram por se desviarem e bem do caminho. 

Quando chegou o momento de um novo álbum, Steve Harris sabia que teria que redirecionar o grupo. Não poderia se manter na linha do disco antecessor e ele começou a trazer a banda ao posto de merecimento, mas, mesmo assim, em algum ponto a situação se perdeu novamente; Harris deixou a coisa toda se enrolar.

Com uma produção acertada, desta feita, mais ainda um pouco aquém do Maiden antigo, o grupo veio com faixas clássicas, baladas, canções bem ao estilo mais moderno, algo de Bruce em carreira solo e o tradicional; mesmo assim não funcionou muito bem. Martin Birch chegou e supervisionou o som em estúdio, mas algumas faixas não tinham a essência forte do Maiden e isso acabou por derrubar qualquer fonte de inspiração para terminar o álbum. 

A arte de capa, que agora trazia um Eddie com ar de Nosferatu. A árvore, ao mesmo tempo, detinha uma força diferenciada e também era a primeira vez que o genial Derek Riggs não trabalharia com o grupo; isso naquele momento não deturpou nada, a obra ficou muito legal e foi bem aceita, de fato. Melvyn Grant foi o desenhista.

Para a crítica, a banda oscilava entre o bom e o mediano, mas nunca igual aos magníficos anos 80. Nessa fase do disco novo, intitulado de "Fear of the Dark", o grupo faria uma incursão pela segunda vez ao Brasil - a primeira fora em 1985, no Rock in Rio. 

A voz de Dickinson agora estava com muito drive, mais grave e Janick Gers ainda era substituto de Adrian, o que deixava a desejar e ainda divide fãs até os dias de hoje. Enfim, até mesmo a bateria de Nicko sofreu alterações. As batidas mais complexas deram lugar a andamentos comuns, tirando algumas faixas, mas Murray ainda se mantinha firme, isso se fez bem positivo nessa fase e ajudou muito. Pra ser sincero, era como se houvesse apenas um guitarrista.

O fato é que, "Fear of the Dark" não trouxe algo em que os fãs ardorosos queriam ouvir e sim algo em que metade do disco parece Maiden e outra metade lembra um apanhado de faixas, que poderiam figurar em singles ou terem sido elaboradas para a carreira solo de Bruce. 

Os temas forte do disco chegam com "Be Quick or be Dead", uma paulada boa; "Afraid to Shoot Strangers", com sua letra ótima; "Fear is the Key", com levada cadenciada, "Childhood´s End", ainda lembrando o Maiden da fase "7th Son"; "The Fugitive", "Judas be my Guide", em que o solo é fantástico, além do refrão e andamentos e a faixa-título, em que os fãs hoje ainda incansáveis fazem a banda ainda mantê-la no repertório, enfim, um disco que divide opiniões. 

Com esse álbum, Dickinson deixaria a banda em seguida, e também dois trabalhos ao vivo do grupo em turnê mundial. A banda sentiria o peso da falta de um vocalista à altura anos depois até a volta de Bruce. Esse foi um tiro no escuro, em que o Maiden mergulhou sem medo e encarou a mídia e os fãs, mas ainda assim foram caminhos difíceis e o álbum ainda é uma mistura de uma banda clássica com a modernidade.

Mas enfim, Up The Irons!

Sem medo de se arriscar
2.5
07/06/2019

Em maio de 1992 o Iron Maiden trazia à luz um de seus discos mais controversos. Sim, eles deixaram nessa fase, muitos fãs surpresos e alguns tantos decepcionados. Em verdade, se formos analisar o grupo britânico no começo dos anos noventa, vamos observar a vontade de mudanças que permeavam as canções em produções novas. Desde o fim da turnê de "Seventh Son of a Seventh Son" em 1989, o Maiden havia colhido frutos em demasia: singles, concertos lotados, vendas em alta, uma gama enorme de faixas fabulosas e ainda por cima dois VHS - em época - bem sucedidos. Enfim, o Maiden era a nata do Heavy Metal, e assim, mantinha seu posto em alta como a melhor banda do cenário mundial, amada em todos locais imagináveis. Mas, após essa gloriosa fase, a banda começou a mudar sua visão, suas opções eram agora mais abertas e em seu leque de produção e composições, tudo havia sido replanejado. Para alguns, realmente, um declínio e atraso musical - e de fato era um pouco mesmo.

Chegando o começo de nova década, em 1990 o Maiden veio com um ideal em querer repetir a fase de 1981, ou seja de "Killers", era a vontade de soar como em começo de carreira, com canções mais rápidas, diretas e mais cruas. Para tal feito, a produção acabou sendo feita de forma mais "caseira" e a banda elaboraria shows em clubes e ginásios; assim máquina se mantinha, afinal eles eram o Iron Maiden! Mas alguns pontos negativos se agregaram ao grupo, e o primeiro fator foi existente fora a troca de guitarrista, sim, Adrian Smith, já desanimado com direcionamento havia algum tempo, o músico sai e em seguida se mantém em uma carreira solo, não muito promissora, para algum tempo depois se juntar com Bruce Dickinson para gravações e concertos - isso mais à frente. Enfim, Adrian saiu, deixou uma faixa para o disco, intitulada de "Hooks in You", da qual não soava mais que um Hard Rock e que não combinava em nada com o Maiden. Mais tarde, o disco de 90 saiu e pela arte de capa e vestimenta dos músicos, a impressão era a de que tudo seria muito pesado e sólido, mas o que se viu foi o reverso e, apesar de bons momentos, "No Prayer for the Dying" acabou sendo mal aproveitado e a banda sentiu isso não somente na pele como na carreira. A produção baixa contribuiu para o desgaste entre fãs e banda também, e apesar de serem adorados, acabaram por se desviarem e bem do caminho. 

Quando chegou o momento de um novo álbum, Steve Harris sabia que teria que redirecionar o grupo. Não poderia se manter na linha do disco antecessor e ele começou a trazer a banda ao posto de merecimento, mas, mesmo assim, em algum ponto a situação se perdeu novamente; Harris deixou a coisa toda se enrolar.

Com uma produção acertada, desta feita, mais ainda um pouco aquém do Maiden antigo, o grupo veio com faixas clássicas, baladas, canções bem ao estilo mais moderno, algo de Bruce em carreira solo e o tradicional; mesmo assim não funcionou muito bem. Martin Birch chegou e supervisionou o som em estúdio, mas algumas faixas não tinham a essência forte do Maiden e isso acabou por derrubar qualquer fonte de inspiração para terminar o álbum. 

A arte de capa, que agora trazia um Eddie com ar de Nosferatu. A árvore, ao mesmo tempo, detinha uma força diferenciada e também era a primeira vez que o genial Derek Riggs não trabalharia com o grupo; isso naquele momento não deturpou nada, a obra ficou muito legal e foi bem aceita, de fato. Melvyn Grant foi o desenhista.

Para a crítica, a banda oscilava entre o bom e o mediano, mas nunca igual aos magníficos anos 80. Nessa fase do disco novo, intitulado de "Fear of the Dark", o grupo faria uma incursão pela segunda vez ao Brasil - a primeira fora em 1985, no Rock in Rio. 

A voz de Dickinson agora estava com muito drive, mais grave e Janick Gers ainda era substituto de Adrian, o que deixava a desejar e ainda divide fãs até os dias de hoje. Enfim, até mesmo a bateria de Nicko sofreu alterações. As batidas mais complexas deram lugar a andamentos comuns, tirando algumas faixas, mas Murray ainda se mantinha firme, isso se fez bem positivo nessa fase e ajudou muito. Pra ser sincero, era como se houvesse apenas um guitarrista.

O fato é que, "Fear of the Dark" não trouxe algo em que os fãs ardorosos queriam ouvir e sim algo em que metade do disco parece Maiden e outra metade lembra um apanhado de faixas, que poderiam figurar em singles ou terem sido elaboradas para a carreira solo de Bruce. 

Os temas forte do disco chegam com "Be Quick or be Dead", uma paulada boa; "Afraid to Shoot Strangers", com sua letra ótima; "Fear is the Key", com levada cadenciada, "Childhood´s End", ainda lembrando o Maiden da fase "7th Son"; "The Fugitive", "Judas be my Guide", em que o solo é fantástico, além do refrão e andamentos e a faixa-título, em que os fãs hoje ainda incansáveis fazem a banda ainda mantê-la no repertório, enfim, um disco que divide opiniões. 

Com esse álbum, Dickinson deixaria a banda em seguida, e também dois trabalhos ao vivo do grupo em turnê mundial. A banda sentiria o peso da falta de um vocalista à altura anos depois até a volta de Bruce. Esse foi um tiro no escuro, em que o Maiden mergulhou sem medo e encarou a mídia e os fãs, mas ainda assim foram caminhos difíceis e o álbum ainda é uma mistura de uma banda clássica com a modernidade.

Mas enfim, Up The Irons!

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