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Resenha: Dream Theater - Train Of Thought (2003)

Por: Marcio Alexandre

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O lado mais sombrio e pesado do Dream Theater
4
01/06/2019

Dream Theater se consolidou de vez na cena Metal quando lançou o álbum conceitual “Metropolis Pt.2: Scenes From a Memory – (1999)” e deu seus primeiros passos para trocar de vez a sonoridade para algo mais pesado em “Six Degrees of Inner Turbulence – (2002)“, mas foi no disco seguinte que de fato eles se consolidaram com a sonoridade do metal e construindo algo realmente pesado, rápido e cheio de riffs, com influências como o Pantera.

A capa do disco é um tanto minimalista e traz a cor preta predominante com uma figura em escala cinza, mostrando que as coisas por ali seriam um tanto sombrias e diferentes, e logo que a coisa se inicia vemos que de fato vamos ter mudanças.

“As I Am” é quem surge para abrir os trabalhos, quando começa pensamos se tratar de algo mais brando, um baixo mais calmo de Myung, mas soturno surge e do nada a banda inteira aparece com uma nota cheia de peso e tudo vai ganhando forma. Quando tudo realmente engrena, se transforma numa locomotiva em pleno movimento e que prazer é ouvir isso aqui em funcionamento. Peso escancarado, um groove gigante da banda e LaBrie colocando sua voz muito bem. Que refrão maravilhoso, e que andamento senhores. Falar sobre o que cada um dos músicos realiza aqui é chover no molhado pois suas qualidades já são mais que conhecidas. Petrucci tira faísca das cordas no solo e Portnoy espanca a bateria com baquetas que parecem de aço e que timbre o moço usa em seu instrumento. Um dos melhores começos de um disco da banda.

Sem tempo a perder “This Dying Soul” já chega sem aliviar e que pedrada essa abertura. Fica difícil comentar algo sobre essa introdução tamanha cadencia de tudo. É incrível como tantos elementos se juntam para criar algo tão forte e brutal como o que é ouvido. Se trata da segunda parte da famosa “saga da cachaça” de Mike Portnoy, iniciada no disco anterior e que peça magnifica essa aqui. Durante seus mais de dez minutos somos levados à um vai e vem de ritmos e notas que viram de cabeça pra baixo e nos trazem de volta e lá pela sua metade há uma virada de ritmo que nos bate como um murro no queixo e que viagem é ouvir isso. A única parte que derrapa aqui é seu final que se torna desnecessário em ser tão esticado, mas ainda assim, uma grande faixa em todos os sentidos.

“Endless Sacrifice” da um pequeno respiro em seu início, trata de uma abertura bastante melancólica e lenta e como LaBrie domina com maestria esses momentos. Sua voz passa todo o sentimento que a canção pede e que conjunto magnífico isso compõe e aos poucos um crescendo vem chegando, até explodir num refrão pesado e cheio de raiva e de novo vale o destaque de como a banda estava afiada ao criar isso aqui e sabiam como conduzir cada detalhe mínimo ao estarem disposto a trabalhar esse lado mais dark. Em seu solo há umas pequenas bobagens como alguns barulhinhos dos teclados de Rudess que não havia necessidade, mas nada que estrague se não levado a sério.

Quer introdução de bateria? Então toma, “Honor Thy Father” começa parecendo um rolamento de trator por cima da gente. Portnoy gastou nessa abertura e a introdução continua agitada quando seus companheiros aparecem, que delicia tanta harmonia. A abertura é tão bem composta que anos mais tarde a banda Oficina G3, usaria de inspiração para uma de suas faixas, a “Diz“, do álbum “Histórias e Bicicletas” e que o baterista Alexandre Aposan se diz fã assumido de Mike e da banda. De volta a faixa, as coisas ficam realmente pesadas no andamento e tem uma passagem bastante sombria e pesada em sua metade aliada à samples de falas de alguns filmes que Portnoy tem como favoritos, como Magnolia. Sobre a letra forte da canção, o baterista afirma que queria escrever algo sobre ódio e daí surgiu o que ouvimos. Uma das melhores composições do DT.

“Vacant” é uma espécie de interlúdio sendo a menor canção do álbum com menos de três minutos. Faixa composta por LaBrie, apesar de seu andamento lento é muito bonita e acaba por marcar no meio de tanto peso e nota, mesmo simples ela consegue ocupar seu espaço. E já dando seguimento, temos a faixa instrumental “Stream of Consciousness” que segue a linha do disco, é pesada e bem levada, porém aqui mesmo a banda sendo afiada ao tratar desse tipo de canção, ela não se faz das mais inspiradas dentro do gênero ou da obra do DT, ela vai e volta sem acrescentar muita coisa ou de fato nos impressionar.

“In the Name of God” é quem encerra os trabalhos, começando bastante sombria, logo cai em peso e groove e segue cheia de cadencia. Tem um refrão muito forte e esbanja melodia e melancolia. A dobra de guitarra e teclado no solos é maravilhosa e enche os ouvidos e faz ver cada nota soada. Única coisa que quebra o clima aqui é de novo a insistência de Rudess em usar barulhinhos em uma passagem tirando o que foi construído até ali um pouco fora do rumo, não colocando em risco, mas sendo apenas chato. Mas logo se recupera e termina de forma apoteótica e cheia de drama. Muito belo encerramento.

“Train of Thought” é de fato um álbum de imensa importância na carreira do Dream Theater, para muitos se trata do melhor álbum e para um outra parcela de fãs, foi onde as coisas morreram e eles se perderam em sua própria sonoridade. Entre gregos e troianos o fato é que temos sim um belo trabalho aqui, um disco muito rico em vários aspectos e repleto de qualidade, não é perfeito com pequenos errinhos, mas o lado bom, há esse prevalece e o faz com maestria.

O lado mais sombrio e pesado do Dream Theater
4
01/06/2019

Dream Theater se consolidou de vez na cena Metal quando lançou o álbum conceitual “Metropolis Pt.2: Scenes From a Memory – (1999)” e deu seus primeiros passos para trocar de vez a sonoridade para algo mais pesado em “Six Degrees of Inner Turbulence – (2002)“, mas foi no disco seguinte que de fato eles se consolidaram com a sonoridade do metal e construindo algo realmente pesado, rápido e cheio de riffs, com influências como o Pantera.

A capa do disco é um tanto minimalista e traz a cor preta predominante com uma figura em escala cinza, mostrando que as coisas por ali seriam um tanto sombrias e diferentes, e logo que a coisa se inicia vemos que de fato vamos ter mudanças.

“As I Am” é quem surge para abrir os trabalhos, quando começa pensamos se tratar de algo mais brando, um baixo mais calmo de Myung, mas soturno surge e do nada a banda inteira aparece com uma nota cheia de peso e tudo vai ganhando forma. Quando tudo realmente engrena, se transforma numa locomotiva em pleno movimento e que prazer é ouvir isso aqui em funcionamento. Peso escancarado, um groove gigante da banda e LaBrie colocando sua voz muito bem. Que refrão maravilhoso, e que andamento senhores. Falar sobre o que cada um dos músicos realiza aqui é chover no molhado pois suas qualidades já são mais que conhecidas. Petrucci tira faísca das cordas no solo e Portnoy espanca a bateria com baquetas que parecem de aço e que timbre o moço usa em seu instrumento. Um dos melhores começos de um disco da banda.

Sem tempo a perder “This Dying Soul” já chega sem aliviar e que pedrada essa abertura. Fica difícil comentar algo sobre essa introdução tamanha cadencia de tudo. É incrível como tantos elementos se juntam para criar algo tão forte e brutal como o que é ouvido. Se trata da segunda parte da famosa “saga da cachaça” de Mike Portnoy, iniciada no disco anterior e que peça magnifica essa aqui. Durante seus mais de dez minutos somos levados à um vai e vem de ritmos e notas que viram de cabeça pra baixo e nos trazem de volta e lá pela sua metade há uma virada de ritmo que nos bate como um murro no queixo e que viagem é ouvir isso. A única parte que derrapa aqui é seu final que se torna desnecessário em ser tão esticado, mas ainda assim, uma grande faixa em todos os sentidos.

“Endless Sacrifice” da um pequeno respiro em seu início, trata de uma abertura bastante melancólica e lenta e como LaBrie domina com maestria esses momentos. Sua voz passa todo o sentimento que a canção pede e que conjunto magnífico isso compõe e aos poucos um crescendo vem chegando, até explodir num refrão pesado e cheio de raiva e de novo vale o destaque de como a banda estava afiada ao criar isso aqui e sabiam como conduzir cada detalhe mínimo ao estarem disposto a trabalhar esse lado mais dark. Em seu solo há umas pequenas bobagens como alguns barulhinhos dos teclados de Rudess que não havia necessidade, mas nada que estrague se não levado a sério.

Quer introdução de bateria? Então toma, “Honor Thy Father” começa parecendo um rolamento de trator por cima da gente. Portnoy gastou nessa abertura e a introdução continua agitada quando seus companheiros aparecem, que delicia tanta harmonia. A abertura é tão bem composta que anos mais tarde a banda Oficina G3, usaria de inspiração para uma de suas faixas, a “Diz“, do álbum “Histórias e Bicicletas” e que o baterista Alexandre Aposan se diz fã assumido de Mike e da banda. De volta a faixa, as coisas ficam realmente pesadas no andamento e tem uma passagem bastante sombria e pesada em sua metade aliada à samples de falas de alguns filmes que Portnoy tem como favoritos, como Magnolia. Sobre a letra forte da canção, o baterista afirma que queria escrever algo sobre ódio e daí surgiu o que ouvimos. Uma das melhores composições do DT.

“Vacant” é uma espécie de interlúdio sendo a menor canção do álbum com menos de três minutos. Faixa composta por LaBrie, apesar de seu andamento lento é muito bonita e acaba por marcar no meio de tanto peso e nota, mesmo simples ela consegue ocupar seu espaço. E já dando seguimento, temos a faixa instrumental “Stream of Consciousness” que segue a linha do disco, é pesada e bem levada, porém aqui mesmo a banda sendo afiada ao tratar desse tipo de canção, ela não se faz das mais inspiradas dentro do gênero ou da obra do DT, ela vai e volta sem acrescentar muita coisa ou de fato nos impressionar.

“In the Name of God” é quem encerra os trabalhos, começando bastante sombria, logo cai em peso e groove e segue cheia de cadencia. Tem um refrão muito forte e esbanja melodia e melancolia. A dobra de guitarra e teclado no solos é maravilhosa e enche os ouvidos e faz ver cada nota soada. Única coisa que quebra o clima aqui é de novo a insistência de Rudess em usar barulhinhos em uma passagem tirando o que foi construído até ali um pouco fora do rumo, não colocando em risco, mas sendo apenas chato. Mas logo se recupera e termina de forma apoteótica e cheia de drama. Muito belo encerramento.

“Train of Thought” é de fato um álbum de imensa importância na carreira do Dream Theater, para muitos se trata do melhor álbum e para um outra parcela de fãs, foi onde as coisas morreram e eles se perderam em sua própria sonoridade. Entre gregos e troianos o fato é que temos sim um belo trabalho aqui, um disco muito rico em vários aspectos e repleto de qualidade, não é perfeito com pequenos errinhos, mas o lado bom, há esse prevalece e o faz com maestria.

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