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Resenha: Weezer - Weezer (2018)

Por: Roberto Rillo Bíscaro

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Album Cover
Com respeito, sem sentido
2.5
01/06/2019

O Weezer está na luta desde o longínquo 1992 e seu álbum de estreia saiu, em 1994. Banda já velha e há muito passada de seu pico. Destarte, deve ter sido revigorante, quando a cover que fizeram para o sucesso oitentista Africa, do Toto, lhes angariou a mais alta posição na parada, em anos. Imaginada como cópia quase acorde-por-acorde, se os fãs remanescentes gostaram e exigiam mais, por que não pegar mais canções favoritas e regravá-las? Afinal, esta é a era em que o consumidor (pensa que) decide.

Dia 24 de janeiro, saiu o Teal Album, décimo-segundo do Weezer, com dezena de regravações. O ecletismo do repertório vai de standard sessentista da soul music (Stand By Me) ao pós-Jack Swing latinizado noventista das meninas do TLC (No Scrubs). Não há aparente coerência na escolha do repertório, a não ser satisfazer a voracidade de mais do mesmo de ouvintes casuais.

Esse apreço pela réplica clonada faz com que as regravações tentem reproduzir até detalhes e maneirismos dos originais. Então, no pastiche beatlemaníaco do ELO (Mr. Blue Sky), há transmissão de rádio e em Billie Jean, tentativa de dar gritinhos à Wacko Jacko. Mas, Rivers Cuomo não canta como Michael Jackson. Nem como Morten Harkett, por isso, os altíssimos agudos de Take On Me são alcançados com Auto-Tune. Então, não são alcançados.

O dilema do álbum é esse: jamais atingir o patamar do original. Covers são armadilhas, especialmente do material icônico escolhido pelo Weezer. Escolher imitá-lo nota por nota, geralmente fada à inocuidade, porque as canções tornaram-se standards precisamente por alguma característica de longevidade. Cuomo e amigos imitam (tentam...) direitinho os maneirismos sonoros e vocais do Eurythmics, de Anne Lennox, em Sweet Dreams (Are Made of This). Parece estar tudo lá, mas, não: a atual produção rolo-compressor aplasta a contradição de grande parte do synthpop, a saber, a luta entre a gelidez dos sintetizadores e a paixão quente dos vocais.

Goste-se ou não, versões de artistas como Marilyn Manson ou Nouvelle Vague trouxeram novas possibilidades à canção do duo inglês. A do Weezer replica até as vocalilzações de Lennox, daí abre-se para outra questão: se já temos originais significativos a ponto de serem homenageadas com covers, por que o ouvinte ficaria com o Everybody Wants to Rule The World, do Weezer e não com a do Tears For Fears? As duas parecem idênticas, mas a abordagem mais indie rock do Weezer, tira os espaços de respiro do arranjo original. Ouça com bons fones de ouvido e entenderá.

No final das contas, tudo parece feito com grande respeito pelos originais e isso deve ser louvado. Mas, também no final das contas, é tudo meio sem sentido.

Com respeito, sem sentido
2.5
01/06/2019

O Weezer está na luta desde o longínquo 1992 e seu álbum de estreia saiu, em 1994. Banda já velha e há muito passada de seu pico. Destarte, deve ter sido revigorante, quando a cover que fizeram para o sucesso oitentista Africa, do Toto, lhes angariou a mais alta posição na parada, em anos. Imaginada como cópia quase acorde-por-acorde, se os fãs remanescentes gostaram e exigiam mais, por que não pegar mais canções favoritas e regravá-las? Afinal, esta é a era em que o consumidor (pensa que) decide.

Dia 24 de janeiro, saiu o Teal Album, décimo-segundo do Weezer, com dezena de regravações. O ecletismo do repertório vai de standard sessentista da soul music (Stand By Me) ao pós-Jack Swing latinizado noventista das meninas do TLC (No Scrubs). Não há aparente coerência na escolha do repertório, a não ser satisfazer a voracidade de mais do mesmo de ouvintes casuais.

Esse apreço pela réplica clonada faz com que as regravações tentem reproduzir até detalhes e maneirismos dos originais. Então, no pastiche beatlemaníaco do ELO (Mr. Blue Sky), há transmissão de rádio e em Billie Jean, tentativa de dar gritinhos à Wacko Jacko. Mas, Rivers Cuomo não canta como Michael Jackson. Nem como Morten Harkett, por isso, os altíssimos agudos de Take On Me são alcançados com Auto-Tune. Então, não são alcançados.

O dilema do álbum é esse: jamais atingir o patamar do original. Covers são armadilhas, especialmente do material icônico escolhido pelo Weezer. Escolher imitá-lo nota por nota, geralmente fada à inocuidade, porque as canções tornaram-se standards precisamente por alguma característica de longevidade. Cuomo e amigos imitam (tentam...) direitinho os maneirismos sonoros e vocais do Eurythmics, de Anne Lennox, em Sweet Dreams (Are Made of This). Parece estar tudo lá, mas, não: a atual produção rolo-compressor aplasta a contradição de grande parte do synthpop, a saber, a luta entre a gelidez dos sintetizadores e a paixão quente dos vocais.

Goste-se ou não, versões de artistas como Marilyn Manson ou Nouvelle Vague trouxeram novas possibilidades à canção do duo inglês. A do Weezer replica até as vocalilzações de Lennox, daí abre-se para outra questão: se já temos originais significativos a ponto de serem homenageadas com covers, por que o ouvinte ficaria com o Everybody Wants to Rule The World, do Weezer e não com a do Tears For Fears? As duas parecem idênticas, mas a abordagem mais indie rock do Weezer, tira os espaços de respiro do arranjo original. Ouça com bons fones de ouvido e entenderá.

No final das contas, tudo parece feito com grande respeito pelos originais e isso deve ser louvado. Mas, também no final das contas, é tudo meio sem sentido.

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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