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Resenha: Rush - Counterparts (1993)

Por: Márcio Chagas

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De volta às raízes musicais!
4.5
09/05/2019

Demorou exatos 12 anos para que os fãs pudessem novamente escutar o trio canadense na linha de frente do rock. Desde “Moving Pictures” eles não lançavam um disco com tanto impacto. 

Após a fase oitentista calcada no excesso de sintetizadores e constantes reclamações por parte do guitarrista Lifeson, todos concordaram que eles seriam  gradualmente eliminados. 

Porém o trio entra nos anos 90 procurando novamente encontrar sua identidade musical e lançam dois discos (Presto e Roll the Bones) com boas canções,  mas de conteúdo irregular . Os canadenses só viriam  a lançar um excelente disco em 93 com o nascimento de “Counterparts”  

O trio chamou novamente Peter Collins para a produção e voltou as suas origens, com canções majoritariamente orientadas para baixo, guitarra e bateria, voltando a utilizar os teclados de maneira esparsa e comedida. Essa volta as origens trouxe a tona o talento individual de cada integrante, mas também valorizou o elo quase palpável entre os músicos que na época tocavam juntos há 20 anos.

A palavra “Counterparts tem o significado de “contrapartida” ou “contraparte” em um sentido literal do termo. Mas em um inglês mais amplo, pode significar “oposto” ou mesmo “complemento”.  Tantas definições em uma única palavra traduz bem o momento do grupo, que buscava o oposto do som que faziam na década anterior, buscando na musicalidade de cada um o complemento para uma sonoridade mais pungente e atual.

O petardo já abre de maneira explosiva com “Animate”, calcada no baixo eficiente de Lee, que é amparado pela bateria cerebral de Neil, que volta a tocar como nos velhos tempos. Lifeson se sente em casa com paredes de guitarras “sujas” dando suporte à canção. Geddy está cantando como nunca!

O álbum segue inabalável  com “Stick it Out”, uma das canções mais pesadas do Rush com um riff  arrasa quarteirão de Alex. Como diria aquele manjado personagem televisivo vivido por José Wilker: “É felomenal!”

“Cut The Chase” mantém a pegada indo literalmente “direto ao assunto” e trazendo um rock básico e contagiante, cheio de guitarras e mudanças de andamento;
O clima dá uma suavizada em “Nobody´s Hero”, uma balada midi tempo orientada inicialmente por violões e que segue de maneira sincopada.  Sua letra emocional  fala sobre a AIDS, um dos maiores horrores daquela década. As orquestrações foram feitas pelo saudoso maestro Michael Kamen;

Em “Between Sun & Moon” o peso retorna, mas de maneira mais simplista, com Alex evidenciando suas influências rollingstoneanas. Um bom tema onde Lee canta em cima do riff de Lifeson, com aquela condução rítmica que só Neil sabe fazer;

“Alien Shore” é um tema com boas guitarras dedilhadas e uma condução magistral da cozinha Lee/Peart. O destaque é o oportuno questionamento de Neil sobre diferenças de raças e gênero. E Alex continua desfilando solos maravilhosos que se encaixam perfeitamente na condução de cada canção. É...o bom e velho Rush havia definitivamente voltado ao jogo;

Em “The Speed of Love” , talvez seja a mais fraca do álbum. Um tema eminentemente pop com uma letra descartável sobre “a velocidade do amor”.  Tá, a faixa soa meio fora do contesto do álbum, mas tem pontos positivos como o solo de Alex;

O clima melhora muito com “Double Agent”,  com a guitarra Lifeson completamente integrada nas batidas de Peart. A dupla realmente centraliza a canção com seus respectivos instrumentos em uma integração invejável. A  letra foi baseada em um conto de T.S. Eliot. E já comentei  que Alex Lifeson está tocando uma barbaridade?!?! Pois é...

E  para a alegria dos mais fanáticos, temos inclusive uma faixa instrumental com “Leave That Thing alone”,  onde os músicos demonstram seu virtuosismo e brincam com o fusion. O baixo sincopado de Lee e a bateria atrabiliária de Peart tomam conta da música;

“Cold Fire” fala sobre relacionamentos sob o ponto de vista das mulheres. Tem bons dedilhados de guitarra e seu refrão contagiante; 

Finalizando o álbum vem “Everyday Glory” e só aqui vemos uma pegada mais pop com sintetizadores abrindo o tema. Claro q a guitarra de Lifeson  chega logo atrás, cheia de reverb como usado por Andy Summers nos anos 80. É um tema que, a despeito da passional interpretação de Lee,  não empolga, mas  também  não compromete, finalizando o álbum de maneira digna;

O “disco do parafuso” foi lançado em outubro de 1993 e chegou ao segundo lugar no top 200 da Billboard, colocando o trio novamente de volta ao topo, pois conseguiu trazer de volta  os velhos  fãs roqueiros do trio e também a molecada mais nova,  empolgada com o som  sujo do grunge.  Não se sabe se essa guinada musical foi planejada  naturalmente pelo trio, ou se foi realmente oportunismo para figurar entre a moda grunge em alta na época. 

Mas é fato que o grupo voltou a despertar interesse de várias gerações ávidas pelo bom rock. Tanto que foi a partir da turnê deste disco que começaram as mega apresentações do grupo com mais de 3 horas de duração.

De volta às raízes musicais!
4.5
09/05/2019

Demorou exatos 12 anos para que os fãs pudessem novamente escutar o trio canadense na linha de frente do rock. Desde “Moving Pictures” eles não lançavam um disco com tanto impacto. 

Após a fase oitentista calcada no excesso de sintetizadores e constantes reclamações por parte do guitarrista Lifeson, todos concordaram que eles seriam  gradualmente eliminados. 

Porém o trio entra nos anos 90 procurando novamente encontrar sua identidade musical e lançam dois discos (Presto e Roll the Bones) com boas canções,  mas de conteúdo irregular . Os canadenses só viriam  a lançar um excelente disco em 93 com o nascimento de “Counterparts”  

O trio chamou novamente Peter Collins para a produção e voltou as suas origens, com canções majoritariamente orientadas para baixo, guitarra e bateria, voltando a utilizar os teclados de maneira esparsa e comedida. Essa volta as origens trouxe a tona o talento individual de cada integrante, mas também valorizou o elo quase palpável entre os músicos que na época tocavam juntos há 20 anos.

A palavra “Counterparts tem o significado de “contrapartida” ou “contraparte” em um sentido literal do termo. Mas em um inglês mais amplo, pode significar “oposto” ou mesmo “complemento”.  Tantas definições em uma única palavra traduz bem o momento do grupo, que buscava o oposto do som que faziam na década anterior, buscando na musicalidade de cada um o complemento para uma sonoridade mais pungente e atual.

O petardo já abre de maneira explosiva com “Animate”, calcada no baixo eficiente de Lee, que é amparado pela bateria cerebral de Neil, que volta a tocar como nos velhos tempos. Lifeson se sente em casa com paredes de guitarras “sujas” dando suporte à canção. Geddy está cantando como nunca!

O álbum segue inabalável  com “Stick it Out”, uma das canções mais pesadas do Rush com um riff  arrasa quarteirão de Alex. Como diria aquele manjado personagem televisivo vivido por José Wilker: “É felomenal!”

“Cut The Chase” mantém a pegada indo literalmente “direto ao assunto” e trazendo um rock básico e contagiante, cheio de guitarras e mudanças de andamento;
O clima dá uma suavizada em “Nobody´s Hero”, uma balada midi tempo orientada inicialmente por violões e que segue de maneira sincopada.  Sua letra emocional  fala sobre a AIDS, um dos maiores horrores daquela década. As orquestrações foram feitas pelo saudoso maestro Michael Kamen;

Em “Between Sun & Moon” o peso retorna, mas de maneira mais simplista, com Alex evidenciando suas influências rollingstoneanas. Um bom tema onde Lee canta em cima do riff de Lifeson, com aquela condução rítmica que só Neil sabe fazer;

“Alien Shore” é um tema com boas guitarras dedilhadas e uma condução magistral da cozinha Lee/Peart. O destaque é o oportuno questionamento de Neil sobre diferenças de raças e gênero. E Alex continua desfilando solos maravilhosos que se encaixam perfeitamente na condução de cada canção. É...o bom e velho Rush havia definitivamente voltado ao jogo;

Em “The Speed of Love” , talvez seja a mais fraca do álbum. Um tema eminentemente pop com uma letra descartável sobre “a velocidade do amor”.  Tá, a faixa soa meio fora do contesto do álbum, mas tem pontos positivos como o solo de Alex;

O clima melhora muito com “Double Agent”,  com a guitarra Lifeson completamente integrada nas batidas de Peart. A dupla realmente centraliza a canção com seus respectivos instrumentos em uma integração invejável. A  letra foi baseada em um conto de T.S. Eliot. E já comentei  que Alex Lifeson está tocando uma barbaridade?!?! Pois é...

E  para a alegria dos mais fanáticos, temos inclusive uma faixa instrumental com “Leave That Thing alone”,  onde os músicos demonstram seu virtuosismo e brincam com o fusion. O baixo sincopado de Lee e a bateria atrabiliária de Peart tomam conta da música;

“Cold Fire” fala sobre relacionamentos sob o ponto de vista das mulheres. Tem bons dedilhados de guitarra e seu refrão contagiante; 

Finalizando o álbum vem “Everyday Glory” e só aqui vemos uma pegada mais pop com sintetizadores abrindo o tema. Claro q a guitarra de Lifeson  chega logo atrás, cheia de reverb como usado por Andy Summers nos anos 80. É um tema que, a despeito da passional interpretação de Lee,  não empolga, mas  também  não compromete, finalizando o álbum de maneira digna;

O “disco do parafuso” foi lançado em outubro de 1993 e chegou ao segundo lugar no top 200 da Billboard, colocando o trio novamente de volta ao topo, pois conseguiu trazer de volta  os velhos  fãs roqueiros do trio e também a molecada mais nova,  empolgada com o som  sujo do grunge.  Não se sabe se essa guinada musical foi planejada  naturalmente pelo trio, ou se foi realmente oportunismo para figurar entre a moda grunge em alta na época. 

Mas é fato que o grupo voltou a despertar interesse de várias gerações ávidas pelo bom rock. Tanto que foi a partir da turnê deste disco que começaram as mega apresentações do grupo com mais de 3 horas de duração.

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