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Resenha: Triumvirat - Pompeii (1977)

Por: Rafael Lemos

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O progressivo final
3
07/05/2019

Após concluir a tour do álbum anterior, “Old loves die hard”, o líder do Triumvirat, Jürgen Fritz, e o baterista Hans Bathelt, retornam à Alemanha. Estavam há anos vivendo nos Estados Unidos e precisaram retornar ao país europeu devido a um problema que o baixista Dick Frengenberg estava causando. Frengenberg fez parte da primeira formação do grupo, saiu antes de gravar o primeiro álbum e retornou anos mais tarde pra gravar o citado álbum. Após um tempo, resolveu sair novamente da banda, mas alegou que o nome dela o pertencia. Para melhor solucionar essa questão, Fritz e Bathelt, que também faziam parte da formação original, decidiram mudar o nome da banda para New Triumvirat e foi usando esse nome que lançaram o álbum “Pompeii”, em 1977. Mas antes da gravação, outras mudanças ocorreriam.
Resolvida a questão do nome, surpreendentemente Hans Bathelt decidiu deixar a banda também. Alegou cansaço, queria mesmo era trabalhar como produtor. Bathelt era um dos membros originais e era muito ativo na banda, compondo grande parte do instrumental e letra (todas as letras de um dos principais discos do Triumvirat, “Spartacus”, foi composta por ele). Assim, antes das gravações do “Pompeii” se iniciarem, a banda se resumia a dois integrantes: Jürgen Fritz no piano e órgão e Barry Palmer nos vocais.
Acontece que, um ano antes, em 1976, Fritz gravou as partes de piano e órgão do álbum solo do antigo membro do Triumvirat, Helmut Köllen e lá conheceu um músico que estava gravando o álbum também, de forma contratada. Seu nome era Dieter Petereit. Ele era integrante de um grupo chamado Passport, com quem tocava com um excelente baterista chamado Curt Cress. Cress era formado em jazz e tinha o Rock Progressivo na veia, tendo também integrado uma obscura banda de Krautrock chamada Orange Peel. Ambos não viam muito futuro no Passport e integrar o famoso Triumvirat era uma oportunidade única. Assim, a formação do então New Triumvirat que fez as gravações do quinto álbum da banda, iniciada em 14 de janeiro de 1977, era: Jürgen Fritz no órgão e piano, Barry Palmer nos vocais, Dieter Petereit no baixo e Curt Cress na bateria. Além da mudança de formação, mudaram também o estúdio, abandonando a EMI/Harvest e partindo para o estúdio Cony.
Dieter Petereit é um baixista comedido, que não chegou a brilhar como os anteriores. O mesmo não se pode dizer de Curt Cress. Claro que é impossível não ouvir o disco sem prestar atenção na bateria e fazer as inevitáveis comparações entre o novo integrante e o baterista original, Hans Bathelt, que ficou oito anos na banda. O fato é que ambos têm estilos completamente diferentes e cada um deles enriqueceu muito o estilo do Triumvirat. Bathelt tem mais um estilo clássico, mestre em criar atmosferas e suspenses com a bateria. Cress é totalmente jazzista, capricha nas viradas e na velocidade. A própria equalização da bateria em “Pompeii”, mais seca, valorizou o estilo do novo integrante.
Este foi o último trabalho do grupo envolvendo temas históricos. Como já analisado em outras resenhas, o primeiro disco deles, “Mediterranean Tales”, contava em sua faixa título uma batalha traçada no mar Mediterrâneo. “Spartacus” abordava a vida do escravo e gladiador trácio Espártaco e, finalmente, “Pompeii”, dizia sobre a cidade que pertenceu ao império Romano que foi destruída pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 depois de Cristo. Assim como em “Spartacus”, a história é contada cronologicamente conforme vão sendo executadas as músicas.
Todavia, 1977 já era um ano onde o Rock Progressivo estava disputando espaço com outras tendências da música, como o Punk Rock que estava em alta (vamos levar em consideração que esse foi o ano em que muitas bandas punks lançaram os trabalhos que os fãs consideram os melhores) e, sobretudo, a Disco Music. Fritz sempre quis que o Triumvirat fosse reconhecido popularmente, tocasse em rádios, aparecesse na TV e, em “Pompeii”, colocou alguns elementos da Disco Music em algumas faixas. Era ainda um disco de Progressivo, mas a influência é sentida em alguns momentos e isso, ao meu ver, em nada acrescentou de positivo ao grupo.

“The Earthquacke” abre o disco, onde de cara Curt Cress disputa com Fritz qual o melhor integrante da banda naquele momento. Cress mostrou ser um baterista de primeira, com suas viradas rápidas (sua marca registrada). Os riffs do órgão estão esmagadores aqui. A letra inicia falando sobre Pompeia antes da erupção, uma cidade calma e com as atividades normais do Império. As pessoas nunca tinham ouvido falar sobre o que é um vulcão e não prestaram atenção aos sinais que ele dava, como os tremores de terra.
A música seguinte, “Journey of a fallen Angel” é um dos pontos altos, cadenciada e com bonitas melodias. Uma pena a voz de Barry Palmer não fazer jus a essas bonitas músicas. Por outro lado, o trabalho de piano do mestre Jürgen Fritz está lindo nela. O anjo da morte estende suas asas sobre Pompeia e não há outra escapatória para os moradores além de morrer.
“Viva Pompeii” é uma música instrumental. Ela tem alguns trechos de piano bem construídos e improvisados, mas é Curt Cress quem deu o show aqui em uma bateria com influência pesada de Jazz. Percebemos aqui alguns elementos mais modernos para aqueles tempos, como um órgão sintetizado.
Em seguida, temos os dois pontos mais baixos do disco. As músicas populares “The time of your life…?”, com uma influência disco nos backing vocals do refrão e a estranha e dançante “The rich man and the carpenter”. Além de ambas não terem nada a ver com o som desenvolvido no disco, possuem uma das piores interpretações de voz de Barry Palmer, que insiste em utilizar notas altas de voz (às quais não consegue alcançar). Em “The time of your life”, uma voz avisa os moradores para aproveitarem suas vidas enquanto elas não acabam, pois logo mais eles se depararão com uma luz ofuscante que irá mata-los. “The rich man and the capenter” nem mesmo aborda o assunto do histórico de Pompeia em sua letra, falando de um homem rico que encontra um pastor e pede a este que emoldure o seu coração de ouro. O pastor diz que não pode fazer isso e passa a dar uma lição de moral com a sua simplicidade em ver as coisas. “Dance on the volcano” é uma instrumental com uma boa linha de órgão. Não é das mais complexas da banda, é até simples se comparada com outras músicas do grupo, mas isso não significa que seja ruim. Pelo contrário: sua melodia foi muito bem construída.
“Vesuvius 79 a.D” narra a erupção vulcânica, a destruição da cidade e as mortes, com interpretações a altura de Barry Palmer. É uma das melhores do disco, onde todos os instrumentos dão um show à parte. Finalmente “The hymn” diz como ficou Pompeia poucos momentos após a erupção, apenas se ouviu o som da natureza, como o canto das aves e o barulho do mar. É uma bonita balada, embora um pouco atípica ao estilo da banda. Vale ser ouvida pois tem um piano tocado com esmero. Foi ela a música de trabalho do grupo, que rendeu um single com ela editada para as rádios (no caso, a música bônus que acompanhou a edição em CD de 2002).

O Triumvirat chegou a aparecer na TV com mais frequência com o lançamento de Pompeii. Exemplos foi quando se apresentaram no programa “Rockpop” e dublando “The hymn” e “Dance on the volcano” e no programa “Disco 78”, novamente com “The hymn”. A apresentação no Rockpop foi maravilhosa e a que ocorreu no Disco 78 foi mais morna. Na gravação que ocorreu para o programa Disco 78, quem estava na bateria não era mais Curt Cress mas sim o novo músico da banda, Matthias Holtmann (que gravaria o próximo trabalho, “À la carte”), baterista que dividiu as gravações do trabalho solo de Helmut Köllen com Hans Bathelt (provavelmente, foi nessas gravações que Fritz o conheceu).

Encerro minhas análises do Triumvirat por aqui, porque após Pompeii, o grupo abandonou o Rock Progressivo, se perdendo em meio a outros estilos, sempre na busca de mais visibilidade. Em 1978 sai “A La carte”. Fritz diz em uma entrevista, metaforicamente: “Quem quer comer hambúrgueres todos os dias quando variar é o tempero da vida? Você escolhe o que gosta e come”. Esse foi um trabalho totalmente voltado à Disco Music, dançante e simplista. Contou, alem de Fritz, com David Hanselmann nos vocais, Mathias Holtmann na bateria e Werner Kopal no baixo. Há um clip feito para TV, onde Fritz dubla a voz de Hanselmann, provavelmente por este ter deixado a banda logo após a gravação do álbum.

O pior estava por vir, o decadente “Russian Roullete”, de 1980, último disco da banda, uma bagunça sonora sem estilo definido. Pela primeira vez, a banda teve um guitarrista, Steve Lukather. Além dele e de Fritz, ela era composta por Arno Stefen nos vocais, Jeff Porcaro na bateria e David Hungate no baixo, além de mais seis músicos contratados que tocavam desde sax a maracas.

As mudanças de formação e no mercado musical desanimou Fritz, que encerrou as atividades da banda no início da década de 80. Algumas informações sobre os integrantes pós Triumvirat (exceto Hans Pape) podem ser encontradas em um site abandonado, que informa que Fritz foi se dedicar ao trabalho de produtor musical independente, diretor técnico de estúdio e publicitário de bandas musicais. Sua veia musical não findou, pois em 1983 foi convidado pelos antigos membros do Triumvirat Curt Cress e Petereit para tocar como participação especial no disco “Aublicke”, da banda Gansehaut. Além disso Fritz, no fim dos anos 80, passou a se dedicar à composição de trilhas sonoras para filmes alemães, onde conseguiu muito dinheiro, sendo “Es ist nicht Leicht ein gott zu Sein” (It’s hard to be a God em inglês) de 1989, a mais famosa – fez outras trilhas como para “A Woman For Certain Hours" de 1990 e “Dreams of Amadeus” de 1991. Hans Bathelt foi trabalhar como produtor musical da EMI em 1977, após ter saído do Triumvirat depois das gravações de “Old loves die hard”. Hoje em dia se dedica a desenvolver softwares pra computadores.

Como foi dito anteriormente em outras resenhas, Helmut Köllen ao sair do Triumvirat integrou o Jail, com quem gravou o único disco e lançou seu disco solo, falecendo pouco antes do seu lançamento. Mathias Holtman se tornou apresentador da rádio DR3 em Stuttgart, na Alemanha.

Barry Palmer cantou no álbum de Mike Oldfield, "Discovery", em 1984, que vendeu muito bem pela Europa; voltou a trabalhar com Fritz quando este produziu o álbum “Gaensehaut” e o single “Shimmering Gold”. Barry lançou seu álbum solo que levava o seu nome em 1986, que saiu somente no Reino Unido (seu local de origem) e, em 2001, trabalhou em um projeto em conjunto com o escocês David Duncan. Arno Stefen continuou seu trabalho como vocalista, e gravou com alguns grupos de Colônia, cidade da Triumvirat.

Para surpresa de todos, no início do século XXI, mais especificamente em 2002, o Triumvirat voltou às atividades. Fritz se reuniu com o vocalista Grant Stevens (que participou de seu primeiro disco de trilha sonora, em 1989, “It’s hard to be a God”) e outros músicos para iniciarem a gravação de um disco, na verdade uma trilogia conceitual chamada “The book of life”. A primeira parte da trilogia se chamaria “The website history”. Diferentemente de “Spartacus” e “Pompeii”, esse trabalho conceitual não seria voltado a fatos reais, e sim fictícios. Todavia, esses lançamentos não foram gravados e a volta do Triumvirat, por falta de incentivos financeiros, não aconteceu efetivamente. Somente uma música (que estaria presente na primeira parte da trilogia) chamada “The chips lay down to die” e um vídeo em forma de flash (“Just a face”) foram divulgados na Internet, nunca gravados. O estilo adotado nessa ocasião era o estilo Pop.

Mesmo após tempos de encerramento, o Triumvirat é ainda relembrado dia após dia pelos fervorosos fãs, mesmo sem divulgação, devido aos seus dias de glória.

O progressivo final
3
07/05/2019

Após concluir a tour do álbum anterior, “Old loves die hard”, o líder do Triumvirat, Jürgen Fritz, e o baterista Hans Bathelt, retornam à Alemanha. Estavam há anos vivendo nos Estados Unidos e precisaram retornar ao país europeu devido a um problema que o baixista Dick Frengenberg estava causando. Frengenberg fez parte da primeira formação do grupo, saiu antes de gravar o primeiro álbum e retornou anos mais tarde pra gravar o citado álbum. Após um tempo, resolveu sair novamente da banda, mas alegou que o nome dela o pertencia. Para melhor solucionar essa questão, Fritz e Bathelt, que também faziam parte da formação original, decidiram mudar o nome da banda para New Triumvirat e foi usando esse nome que lançaram o álbum “Pompeii”, em 1977. Mas antes da gravação, outras mudanças ocorreriam.
Resolvida a questão do nome, surpreendentemente Hans Bathelt decidiu deixar a banda também. Alegou cansaço, queria mesmo era trabalhar como produtor. Bathelt era um dos membros originais e era muito ativo na banda, compondo grande parte do instrumental e letra (todas as letras de um dos principais discos do Triumvirat, “Spartacus”, foi composta por ele). Assim, antes das gravações do “Pompeii” se iniciarem, a banda se resumia a dois integrantes: Jürgen Fritz no piano e órgão e Barry Palmer nos vocais.
Acontece que, um ano antes, em 1976, Fritz gravou as partes de piano e órgão do álbum solo do antigo membro do Triumvirat, Helmut Köllen e lá conheceu um músico que estava gravando o álbum também, de forma contratada. Seu nome era Dieter Petereit. Ele era integrante de um grupo chamado Passport, com quem tocava com um excelente baterista chamado Curt Cress. Cress era formado em jazz e tinha o Rock Progressivo na veia, tendo também integrado uma obscura banda de Krautrock chamada Orange Peel. Ambos não viam muito futuro no Passport e integrar o famoso Triumvirat era uma oportunidade única. Assim, a formação do então New Triumvirat que fez as gravações do quinto álbum da banda, iniciada em 14 de janeiro de 1977, era: Jürgen Fritz no órgão e piano, Barry Palmer nos vocais, Dieter Petereit no baixo e Curt Cress na bateria. Além da mudança de formação, mudaram também o estúdio, abandonando a EMI/Harvest e partindo para o estúdio Cony.
Dieter Petereit é um baixista comedido, que não chegou a brilhar como os anteriores. O mesmo não se pode dizer de Curt Cress. Claro que é impossível não ouvir o disco sem prestar atenção na bateria e fazer as inevitáveis comparações entre o novo integrante e o baterista original, Hans Bathelt, que ficou oito anos na banda. O fato é que ambos têm estilos completamente diferentes e cada um deles enriqueceu muito o estilo do Triumvirat. Bathelt tem mais um estilo clássico, mestre em criar atmosferas e suspenses com a bateria. Cress é totalmente jazzista, capricha nas viradas e na velocidade. A própria equalização da bateria em “Pompeii”, mais seca, valorizou o estilo do novo integrante.
Este foi o último trabalho do grupo envolvendo temas históricos. Como já analisado em outras resenhas, o primeiro disco deles, “Mediterranean Tales”, contava em sua faixa título uma batalha traçada no mar Mediterrâneo. “Spartacus” abordava a vida do escravo e gladiador trácio Espártaco e, finalmente, “Pompeii”, dizia sobre a cidade que pertenceu ao império Romano que foi destruída pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 depois de Cristo. Assim como em “Spartacus”, a história é contada cronologicamente conforme vão sendo executadas as músicas.
Todavia, 1977 já era um ano onde o Rock Progressivo estava disputando espaço com outras tendências da música, como o Punk Rock que estava em alta (vamos levar em consideração que esse foi o ano em que muitas bandas punks lançaram os trabalhos que os fãs consideram os melhores) e, sobretudo, a Disco Music. Fritz sempre quis que o Triumvirat fosse reconhecido popularmente, tocasse em rádios, aparecesse na TV e, em “Pompeii”, colocou alguns elementos da Disco Music em algumas faixas. Era ainda um disco de Progressivo, mas a influência é sentida em alguns momentos e isso, ao meu ver, em nada acrescentou de positivo ao grupo.

“The Earthquacke” abre o disco, onde de cara Curt Cress disputa com Fritz qual o melhor integrante da banda naquele momento. Cress mostrou ser um baterista de primeira, com suas viradas rápidas (sua marca registrada). Os riffs do órgão estão esmagadores aqui. A letra inicia falando sobre Pompeia antes da erupção, uma cidade calma e com as atividades normais do Império. As pessoas nunca tinham ouvido falar sobre o que é um vulcão e não prestaram atenção aos sinais que ele dava, como os tremores de terra.
A música seguinte, “Journey of a fallen Angel” é um dos pontos altos, cadenciada e com bonitas melodias. Uma pena a voz de Barry Palmer não fazer jus a essas bonitas músicas. Por outro lado, o trabalho de piano do mestre Jürgen Fritz está lindo nela. O anjo da morte estende suas asas sobre Pompeia e não há outra escapatória para os moradores além de morrer.
“Viva Pompeii” é uma música instrumental. Ela tem alguns trechos de piano bem construídos e improvisados, mas é Curt Cress quem deu o show aqui em uma bateria com influência pesada de Jazz. Percebemos aqui alguns elementos mais modernos para aqueles tempos, como um órgão sintetizado.
Em seguida, temos os dois pontos mais baixos do disco. As músicas populares “The time of your life…?”, com uma influência disco nos backing vocals do refrão e a estranha e dançante “The rich man and the carpenter”. Além de ambas não terem nada a ver com o som desenvolvido no disco, possuem uma das piores interpretações de voz de Barry Palmer, que insiste em utilizar notas altas de voz (às quais não consegue alcançar). Em “The time of your life”, uma voz avisa os moradores para aproveitarem suas vidas enquanto elas não acabam, pois logo mais eles se depararão com uma luz ofuscante que irá mata-los. “The rich man and the capenter” nem mesmo aborda o assunto do histórico de Pompeia em sua letra, falando de um homem rico que encontra um pastor e pede a este que emoldure o seu coração de ouro. O pastor diz que não pode fazer isso e passa a dar uma lição de moral com a sua simplicidade em ver as coisas. “Dance on the volcano” é uma instrumental com uma boa linha de órgão. Não é das mais complexas da banda, é até simples se comparada com outras músicas do grupo, mas isso não significa que seja ruim. Pelo contrário: sua melodia foi muito bem construída.
“Vesuvius 79 a.D” narra a erupção vulcânica, a destruição da cidade e as mortes, com interpretações a altura de Barry Palmer. É uma das melhores do disco, onde todos os instrumentos dão um show à parte. Finalmente “The hymn” diz como ficou Pompeia poucos momentos após a erupção, apenas se ouviu o som da natureza, como o canto das aves e o barulho do mar. É uma bonita balada, embora um pouco atípica ao estilo da banda. Vale ser ouvida pois tem um piano tocado com esmero. Foi ela a música de trabalho do grupo, que rendeu um single com ela editada para as rádios (no caso, a música bônus que acompanhou a edição em CD de 2002).

O Triumvirat chegou a aparecer na TV com mais frequência com o lançamento de Pompeii. Exemplos foi quando se apresentaram no programa “Rockpop” e dublando “The hymn” e “Dance on the volcano” e no programa “Disco 78”, novamente com “The hymn”. A apresentação no Rockpop foi maravilhosa e a que ocorreu no Disco 78 foi mais morna. Na gravação que ocorreu para o programa Disco 78, quem estava na bateria não era mais Curt Cress mas sim o novo músico da banda, Matthias Holtmann (que gravaria o próximo trabalho, “À la carte”), baterista que dividiu as gravações do trabalho solo de Helmut Köllen com Hans Bathelt (provavelmente, foi nessas gravações que Fritz o conheceu).

Encerro minhas análises do Triumvirat por aqui, porque após Pompeii, o grupo abandonou o Rock Progressivo, se perdendo em meio a outros estilos, sempre na busca de mais visibilidade. Em 1978 sai “A La carte”. Fritz diz em uma entrevista, metaforicamente: “Quem quer comer hambúrgueres todos os dias quando variar é o tempero da vida? Você escolhe o que gosta e come”. Esse foi um trabalho totalmente voltado à Disco Music, dançante e simplista. Contou, alem de Fritz, com David Hanselmann nos vocais, Mathias Holtmann na bateria e Werner Kopal no baixo. Há um clip feito para TV, onde Fritz dubla a voz de Hanselmann, provavelmente por este ter deixado a banda logo após a gravação do álbum.

O pior estava por vir, o decadente “Russian Roullete”, de 1980, último disco da banda, uma bagunça sonora sem estilo definido. Pela primeira vez, a banda teve um guitarrista, Steve Lukather. Além dele e de Fritz, ela era composta por Arno Stefen nos vocais, Jeff Porcaro na bateria e David Hungate no baixo, além de mais seis músicos contratados que tocavam desde sax a maracas.

As mudanças de formação e no mercado musical desanimou Fritz, que encerrou as atividades da banda no início da década de 80. Algumas informações sobre os integrantes pós Triumvirat (exceto Hans Pape) podem ser encontradas em um site abandonado, que informa que Fritz foi se dedicar ao trabalho de produtor musical independente, diretor técnico de estúdio e publicitário de bandas musicais. Sua veia musical não findou, pois em 1983 foi convidado pelos antigos membros do Triumvirat Curt Cress e Petereit para tocar como participação especial no disco “Aublicke”, da banda Gansehaut. Além disso Fritz, no fim dos anos 80, passou a se dedicar à composição de trilhas sonoras para filmes alemães, onde conseguiu muito dinheiro, sendo “Es ist nicht Leicht ein gott zu Sein” (It’s hard to be a God em inglês) de 1989, a mais famosa – fez outras trilhas como para “A Woman For Certain Hours" de 1990 e “Dreams of Amadeus” de 1991. Hans Bathelt foi trabalhar como produtor musical da EMI em 1977, após ter saído do Triumvirat depois das gravações de “Old loves die hard”. Hoje em dia se dedica a desenvolver softwares pra computadores.

Como foi dito anteriormente em outras resenhas, Helmut Köllen ao sair do Triumvirat integrou o Jail, com quem gravou o único disco e lançou seu disco solo, falecendo pouco antes do seu lançamento. Mathias Holtman se tornou apresentador da rádio DR3 em Stuttgart, na Alemanha.

Barry Palmer cantou no álbum de Mike Oldfield, "Discovery", em 1984, que vendeu muito bem pela Europa; voltou a trabalhar com Fritz quando este produziu o álbum “Gaensehaut” e o single “Shimmering Gold”. Barry lançou seu álbum solo que levava o seu nome em 1986, que saiu somente no Reino Unido (seu local de origem) e, em 2001, trabalhou em um projeto em conjunto com o escocês David Duncan. Arno Stefen continuou seu trabalho como vocalista, e gravou com alguns grupos de Colônia, cidade da Triumvirat.

Para surpresa de todos, no início do século XXI, mais especificamente em 2002, o Triumvirat voltou às atividades. Fritz se reuniu com o vocalista Grant Stevens (que participou de seu primeiro disco de trilha sonora, em 1989, “It’s hard to be a God”) e outros músicos para iniciarem a gravação de um disco, na verdade uma trilogia conceitual chamada “The book of life”. A primeira parte da trilogia se chamaria “The website history”. Diferentemente de “Spartacus” e “Pompeii”, esse trabalho conceitual não seria voltado a fatos reais, e sim fictícios. Todavia, esses lançamentos não foram gravados e a volta do Triumvirat, por falta de incentivos financeiros, não aconteceu efetivamente. Somente uma música (que estaria presente na primeira parte da trilogia) chamada “The chips lay down to die” e um vídeo em forma de flash (“Just a face”) foram divulgados na Internet, nunca gravados. O estilo adotado nessa ocasião era o estilo Pop.

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