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Resenha: Triumvirat - Old Loves Die Hard (1976)

Por: Rafael Lemos

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Um álbum da maturidade
4.5
07/05/2019

'Old loves die hard” compõe a última parte do que ficou conhecida como “A trilogia do rato”, onde os três álbuns possuem um rato na capa: “”Illusions on a Double dimple” mostra um rato branco saindo de uma casca de ovo (exceto na edição portuguesa que fugiu do tema, que só possui umas fichas desenhadas, sem animal nenhum); Spartacus tem um rato dentro de uma lâmpada” e “Old loves die hard” existe em duas versões. A Alemã, que é a mesma que saiu no Brasil, mostra o nome do grupo e do álbum em letras góticas, ao estilo de um afresco renascentista, sob um plano de fundo branco. Na letra “T” do nome Triumvirat ornamentada por flores, temos um anjo tocando flauta e, abaixo de tudo, um pequeno grupo de crianças tocando. Quase que imperceptível, há um rato na parte inferior, observando a isso tudo. Já a edição norte americana, temos um rato saindo de uma parede, visto por uma lupa.
'Old loves die hard” foi gravado em condições difíceis para a banda. Dois dias antes das gravações iniciarem, o baixista e vocalista Helmut Köllen (que era simplesmente o talento em pessoa) decidiu deixar a banda. Isso causou muita incerteza em quem seria o seu substituto, deixando o restante do grupo (Jürgen Fritz e Hans Bathelt) com dificuldades para achar quem entraria em seu lugar, que acabaram sendo duas pessoas:

Para o baixo, chamaram o membro original do Triumvirat, Dick Frangenberg. Ele havia tocado na banda antes dela gravar o seu primeiro disco, quando era um grupo instrumental que fazia versões de peças clássicas. E pra voz incluíram um vocalista britânico, Barry Palmer. Pela primeira vez, o grupo era um quarteto, gerando incompatibilidade com o nome. Fritz, o “chefão” da banda, resolveu preservar o nome mesmo assim, provavelmente por estes motivos: a fama que eles já possuíam (eram considerados superstars quando este disco saiu às lojas, em 1976) e a referência ao Triumvirato romano (Fritz era fanático por assuntos envolvendo História).

Dick Frangenberg mandou muito bem no baixo, mas Barry Palmer não era um substituto a altura de Helmut Köllen, com quem a banda atingiu o seu apogeu. Não que sua voz fosse feia, mas alguns excessos com ela deixavam a mesma a desejar. Seu ton é baixo e Palmer tentava atingir notas mais altas, as quais não alcançava, desafinando em todos esses momentos.

Por outro lado, “Old loves die hard” é o álbum melhor produzido da banda. As gravações, como de costume, ocorreram nos estúdios da EMI Electrola. A bateria é o destaque na parte da produção, pois ela dá a impressão de ter sido tocada dentro de uma caverna. Seu som ribomba em todas as faixas do disco, dando ecos que tornaram este trabalho especial.

Por se tratar de um disco da maturidade, ele tem composições totalmente coesas e bem estruturadas, em especial nos trechos de piano, que está esmerilhando aqui. Todos os integrantes concordam que foi o disco no qual tomaram mais cuidado com as composições, mostrando uma evolução na banda nesse sentido. Essa evolução foi reconhecida pela Academia Fonográfica Alemã, que concedeu a ele o prêmio de “Melhor orquestração nacional”. Sendo assim, vamos às faixas:

“I believe” abre o disco em grande estilo. Se trata do riff mais famoso da banda. O mesmo foi elogiado pela (ótima) banda brasileira Bacamarte que, em 1983, fez referência a ele na música “Último entardecer”, do álbum “Depois do fim”, onde a canção se inicia com o mesmo riff: uma bonita homenagem. “I believe” traz belas passagens de piano e órgão em um emocionante desfecho. O ponto fraco são os corais femininos que se encontram quase no final da música, um pouco enjoativos.

Em seguida, temos um dos pontos altos, a suíte “A Day in a life”, dividida em três partes: a primeira mais contemplativa, em estilo “espacial”, a segunda é o auge, toda em piano onde, muitas vezes, o final de uma frase do instrumento é o início da outra, e a terceira já mais agitada e ritmada.

“The history of mystery” é bem interessante. Ela é dividida em duas músicas, semelhantes entre si. Após um inicio lento com piano e a voz de Palmer, inicia uma canção progressiva infantil que se estende até o seu final. Temos nela alguns solos de órgão onde Fritz eleva o valor de seu instrumento às alturas. É, com certeza, outro ponto alto do disco para, em seguida, termos o ponto mais baixo do mesmo:
“A cold old worried lady” é uma música bem chata. Seus pouco mais de cinco minutos, o que é um tempo comum, são intermináveis. Ela é toda executada no piano, com alguns toques de órgão, com a voz acima do instrumental. Barry Palmer, como foi dito, não é um cantor magnífico para se ter uma música onde se destaca a sua voz.

Todavia, outro ponto alto se segue, a destruidora “Panic on 5th Avenue”, que faz com que a fraca música anterior jamais seja executada pelo ouvinte. Nela, há uma reprodução do caos da 5ª Avenida, com sirenes e tudo mais, que dá o ritmo da canção. Piano, órgão, baixo e bateria se fundem em uma atmosfera maravilhosa, sendo uma das melhores canções instrumentais que a banda compôs.

A faixa título encerra o álbum em estilo brando. Nessa música regular, temos uma tentativa de composição bem popular e acessível, provavelmente objetivando a execução nas rádios.

A edição em CD de 2002 possui uma música do único single que saiu, “Take a break today”. Essa música, na verdade, já existia, chegando a ser gravada com Helmut Köllen anteriormente (nunca lançada em álbum). É uma música bastante acessível também.

Com algumas músicas ruins, outras regulares e a maioria excelentes, “Old loves die hard” fez bastante sucesso e, de uma forma geral, é um disco muito bom, com o qual o Triumvirat continuou a sua marcha triunfal.

Um álbum da maturidade
4.5
07/05/2019

'Old loves die hard” compõe a última parte do que ficou conhecida como “A trilogia do rato”, onde os três álbuns possuem um rato na capa: “”Illusions on a Double dimple” mostra um rato branco saindo de uma casca de ovo (exceto na edição portuguesa que fugiu do tema, que só possui umas fichas desenhadas, sem animal nenhum); Spartacus tem um rato dentro de uma lâmpada” e “Old loves die hard” existe em duas versões. A Alemã, que é a mesma que saiu no Brasil, mostra o nome do grupo e do álbum em letras góticas, ao estilo de um afresco renascentista, sob um plano de fundo branco. Na letra “T” do nome Triumvirat ornamentada por flores, temos um anjo tocando flauta e, abaixo de tudo, um pequeno grupo de crianças tocando. Quase que imperceptível, há um rato na parte inferior, observando a isso tudo. Já a edição norte americana, temos um rato saindo de uma parede, visto por uma lupa.
'Old loves die hard” foi gravado em condições difíceis para a banda. Dois dias antes das gravações iniciarem, o baixista e vocalista Helmut Köllen (que era simplesmente o talento em pessoa) decidiu deixar a banda. Isso causou muita incerteza em quem seria o seu substituto, deixando o restante do grupo (Jürgen Fritz e Hans Bathelt) com dificuldades para achar quem entraria em seu lugar, que acabaram sendo duas pessoas:

Para o baixo, chamaram o membro original do Triumvirat, Dick Frangenberg. Ele havia tocado na banda antes dela gravar o seu primeiro disco, quando era um grupo instrumental que fazia versões de peças clássicas. E pra voz incluíram um vocalista britânico, Barry Palmer. Pela primeira vez, o grupo era um quarteto, gerando incompatibilidade com o nome. Fritz, o “chefão” da banda, resolveu preservar o nome mesmo assim, provavelmente por estes motivos: a fama que eles já possuíam (eram considerados superstars quando este disco saiu às lojas, em 1976) e a referência ao Triumvirato romano (Fritz era fanático por assuntos envolvendo História).

Dick Frangenberg mandou muito bem no baixo, mas Barry Palmer não era um substituto a altura de Helmut Köllen, com quem a banda atingiu o seu apogeu. Não que sua voz fosse feia, mas alguns excessos com ela deixavam a mesma a desejar. Seu ton é baixo e Palmer tentava atingir notas mais altas, as quais não alcançava, desafinando em todos esses momentos.

Por outro lado, “Old loves die hard” é o álbum melhor produzido da banda. As gravações, como de costume, ocorreram nos estúdios da EMI Electrola. A bateria é o destaque na parte da produção, pois ela dá a impressão de ter sido tocada dentro de uma caverna. Seu som ribomba em todas as faixas do disco, dando ecos que tornaram este trabalho especial.

Por se tratar de um disco da maturidade, ele tem composições totalmente coesas e bem estruturadas, em especial nos trechos de piano, que está esmerilhando aqui. Todos os integrantes concordam que foi o disco no qual tomaram mais cuidado com as composições, mostrando uma evolução na banda nesse sentido. Essa evolução foi reconhecida pela Academia Fonográfica Alemã, que concedeu a ele o prêmio de “Melhor orquestração nacional”. Sendo assim, vamos às faixas:

“I believe” abre o disco em grande estilo. Se trata do riff mais famoso da banda. O mesmo foi elogiado pela (ótima) banda brasileira Bacamarte que, em 1983, fez referência a ele na música “Último entardecer”, do álbum “Depois do fim”, onde a canção se inicia com o mesmo riff: uma bonita homenagem. “I believe” traz belas passagens de piano e órgão em um emocionante desfecho. O ponto fraco são os corais femininos que se encontram quase no final da música, um pouco enjoativos.

Em seguida, temos um dos pontos altos, a suíte “A Day in a life”, dividida em três partes: a primeira mais contemplativa, em estilo “espacial”, a segunda é o auge, toda em piano onde, muitas vezes, o final de uma frase do instrumento é o início da outra, e a terceira já mais agitada e ritmada.

“The history of mystery” é bem interessante. Ela é dividida em duas músicas, semelhantes entre si. Após um inicio lento com piano e a voz de Palmer, inicia uma canção progressiva infantil que se estende até o seu final. Temos nela alguns solos de órgão onde Fritz eleva o valor de seu instrumento às alturas. É, com certeza, outro ponto alto do disco para, em seguida, termos o ponto mais baixo do mesmo:
“A cold old worried lady” é uma música bem chata. Seus pouco mais de cinco minutos, o que é um tempo comum, são intermináveis. Ela é toda executada no piano, com alguns toques de órgão, com a voz acima do instrumental. Barry Palmer, como foi dito, não é um cantor magnífico para se ter uma música onde se destaca a sua voz.

Todavia, outro ponto alto se segue, a destruidora “Panic on 5th Avenue”, que faz com que a fraca música anterior jamais seja executada pelo ouvinte. Nela, há uma reprodução do caos da 5ª Avenida, com sirenes e tudo mais, que dá o ritmo da canção. Piano, órgão, baixo e bateria se fundem em uma atmosfera maravilhosa, sendo uma das melhores canções instrumentais que a banda compôs.

A faixa título encerra o álbum em estilo brando. Nessa música regular, temos uma tentativa de composição bem popular e acessível, provavelmente objetivando a execução nas rádios.

A edição em CD de 2002 possui uma música do único single que saiu, “Take a break today”. Essa música, na verdade, já existia, chegando a ser gravada com Helmut Köllen anteriormente (nunca lançada em álbum). É uma música bastante acessível também.

Com algumas músicas ruins, outras regulares e a maioria excelentes, “Old loves die hard” fez bastante sucesso e, de uma forma geral, é um disco muito bom, com o qual o Triumvirat continuou a sua marcha triunfal.

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