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Resenha: Helmut Kollen - You Won't See Me (1977)

Por: Rafael Lemos

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O legado do baixista do Triumvirat
4.5
05/05/2019

Helmut Köllen foi, no mínimo, um gênio da música. Na adolescência, trabalhou como mecânico, mas também estudou vários instrumentos, se tornando multi instrumentista. Passou a integrar alguns grupos da sua cidade (Colônia, na Alemanha), até que, aos 24 anos de idade, seu primo Jürgen Fritz o chamou para tocar baixo e cantar em sua banda, o Triumvirat. Lá, gravou dois álbuns, fez tour pela Alemanha e Estados Unidos ao lado do Fleetwood Mac e do Birth Control e chegou a se apresentar em um programa de TV no canal ABC, apresentado por Don E. Branker (existe a gravação dessa apresentação, presente no bootleg “Live tour 1974-1975”, mas o vídeo não existe mais).
Após a tour realizada do disco “Spartacus” ter se encerrado, Helmut Köllen decidiu deixar a banda no ano de 1975, alegando que ele tinha outras ideias musicais incompatíveis com as do grupo. No ano seguinte, em 1976, ele integrou uma banda chamada Jail como músico de apoio, que lançou o seu único trabalho, “You can help me” naquele ano. Nesse disco, Köllen tocou guitarra, além de ter cantado em uma música chamada “Julie”.
O Jail estava muito abaixo de suas aspirações musicais e, então, Köllen resolveu voltar ao Triumvirat, mas esse retorno não resultou em nada e, então, ele decidiu iniciar o seu projeto de lançar um álbum solo. As gravações ocorreram em 1976, mas Infelizmente, ele veio a falecer no ano seguinte, em 03 de maio de 1977, aos 27 anos de idade, antes mesmo de ver o seu disco lançado. Aliás, era pra esse magnífico trabalho nunca ter saído, pois os produtores não tinham interesse nele mais. Se não fosse por sua irmã, Elke Köllen, ter reunido os esforços para que o desejo do falecido irmão se tornasse realidade, provavelmente o público jamais viesse a tê-lo ouvido.
Além da música, sua outra paixão eram os carros. Gostava de correr e até chegou a fazer isso profissionalmente. E foi em um carro que ele encontrou a morte. Ele se trancou na garagem com o veículo ligado, se suicidando, enquanto ouvia a prévia do seu álbum no toca fitas. O que se sabe é que ele se encontrava em depressão e que esse foi também um dos fatores que o levou a deixar o Triumvirat quando ele saiu pela segunda vez. As letras do seu trabalho solo refletem o seu estado emocional.
O álbum “You won’t see me”, que saiu em 1977, foi o seu canto derradeiro, o desfecho de uma curta carreira. Com certeza, ele tinha muito mais a mostrar, pois era um excelente compositor, um excepcional músico e um fantástico cantor. É uma pena este disco nunca ter saído em CD, só existindo vinis da época, que ainda podem ser encontrados em alguns sebos ou em lojas especializadas em raridades, o que faz com que suas maravilhosas canções não atinjam um público maior. O vinil chegou a sair no Brasil na época, possuindo encarte com as letras em ambos os lados, uma pequena nota explicativa de quem foi Helmut Köllen e informações técnicas, além de um erro: bem na capa, se encontra a frase “Guitarrista e vocalista do grupo Triumvirat”. Tudo bem, ele tocava muitos instrumentos, inclusive guitarra, chegando a fazer algumas passagens com esse instrumento no Triumvirat, mas... poxa, era baixista, acima de tudo.
Os músicos do Triumvirat Jürgen Fritz (órgão e piano) e Hans Bathelt (bateria) tocaram no disco, além de outros músicos que estariam em formações futuras da banda: Dieter Petereit tocou baixo nas músicas em que Köllen tocou guitarra (poucas) e Matthias Holtmann bateria na maioria das canções. Jürgen Fritz também produziu o disco, que foi dedicado aos Pais de Köllen. Sua irmã, Elke Köllen e Brigitte Witt fizeram os backing vocals.

O primeiro soar do álbum é um riff surpreendente no baixo, que inicia a canção “It’s hard to love you”. Nem é preciso dizer que o trabalho inteiro é direcionado pelo baixo. Esse riff já é um dos melhores momentos do disco, onde ele demonstra uma técnica, precisão e criatividade fabulosa.
Como era de se esperar, outro destaque não só dessa música, mas de todo o álbum, é a voz de Helmut. Notamos que ela está muito mais madura do que quando cantava no Triumvirat, está parecendo mais seguro de si, cantando um pouco mais grave. Percebemos, também, que o disco não pertence ao gênero Progressivo que o consagrou, possuindo uma levada mais semelhante ao Rock feito naqueles tempos.
“I walk on the river” é uma música lenta que tem um belo piano e um refrão bem composto. Já “Station” é um Rock mais alegre e agitado. O grande destaque do disco vem em seguida, “Dear poor boy” (uma pequena introdução onde Köllen canta e toca violão) que dá início à inigualável “Playin’ this song together”. Esta música tem a melhor interpretação de voz que Köllen fez em toda sua carreira, onde canta de forma melodiosa o refrão. Sem desmerecer as demais, “Playin’ this song together” é o grande momento do álbum, uma canção cuja melodia elevou demais o status do disco como um todo.
“Listen Lady” é outro Rock de ritmo descontraído. Com pitadas de sax ao longo da canção, conta uma história de quando pegou um voo e conheceu uma senhora com o seu cachorro chamado Boo.
“Mainstreet” apresenta Helmut tocando guitarra em um Rock bastante simples e, em seguida, temos outro ponto alto do disco, “The story of life”, uma canção com letra introspectiva que revela uma parte do sentimento do músico. Ele diz sobre a falta de perspectiva em relação ao futuro, bebidas e tabagismo. Embora a letra mostre que está falando para alguém, fica evidente que, na verdade, fala de si mesmo.
O trabalho se encerra com a faixa-título, um cover para “You won’t see me” dos Beatles, cujo título (“Você não me verá mais”) parece ser bastante profético. Esta versão ficou muito melhor do que a original, tocada bastante lenta e com baixo marcado. No final, temos alguns violinos que encerra este esplendoroso álbum solo.

Já passou do tempo deste disco ter a sua edição em CD, com qualidade remasterizada e um encarte que faça jus a ele para que as demais gerações possam desfrutar de suas ótimas canções. O legado de Helmut Köllen não pode ser esquecido.

O legado do baixista do Triumvirat
4.5
05/05/2019

Helmut Köllen foi, no mínimo, um gênio da música. Na adolescência, trabalhou como mecânico, mas também estudou vários instrumentos, se tornando multi instrumentista. Passou a integrar alguns grupos da sua cidade (Colônia, na Alemanha), até que, aos 24 anos de idade, seu primo Jürgen Fritz o chamou para tocar baixo e cantar em sua banda, o Triumvirat. Lá, gravou dois álbuns, fez tour pela Alemanha e Estados Unidos ao lado do Fleetwood Mac e do Birth Control e chegou a se apresentar em um programa de TV no canal ABC, apresentado por Don E. Branker (existe a gravação dessa apresentação, presente no bootleg “Live tour 1974-1975”, mas o vídeo não existe mais).
Após a tour realizada do disco “Spartacus” ter se encerrado, Helmut Köllen decidiu deixar a banda no ano de 1975, alegando que ele tinha outras ideias musicais incompatíveis com as do grupo. No ano seguinte, em 1976, ele integrou uma banda chamada Jail como músico de apoio, que lançou o seu único trabalho, “You can help me” naquele ano. Nesse disco, Köllen tocou guitarra, além de ter cantado em uma música chamada “Julie”.
O Jail estava muito abaixo de suas aspirações musicais e, então, Köllen resolveu voltar ao Triumvirat, mas esse retorno não resultou em nada e, então, ele decidiu iniciar o seu projeto de lançar um álbum solo. As gravações ocorreram em 1976, mas Infelizmente, ele veio a falecer no ano seguinte, em 03 de maio de 1977, aos 27 anos de idade, antes mesmo de ver o seu disco lançado. Aliás, era pra esse magnífico trabalho nunca ter saído, pois os produtores não tinham interesse nele mais. Se não fosse por sua irmã, Elke Köllen, ter reunido os esforços para que o desejo do falecido irmão se tornasse realidade, provavelmente o público jamais viesse a tê-lo ouvido.
Além da música, sua outra paixão eram os carros. Gostava de correr e até chegou a fazer isso profissionalmente. E foi em um carro que ele encontrou a morte. Ele se trancou na garagem com o veículo ligado, se suicidando, enquanto ouvia a prévia do seu álbum no toca fitas. O que se sabe é que ele se encontrava em depressão e que esse foi também um dos fatores que o levou a deixar o Triumvirat quando ele saiu pela segunda vez. As letras do seu trabalho solo refletem o seu estado emocional.
O álbum “You won’t see me”, que saiu em 1977, foi o seu canto derradeiro, o desfecho de uma curta carreira. Com certeza, ele tinha muito mais a mostrar, pois era um excelente compositor, um excepcional músico e um fantástico cantor. É uma pena este disco nunca ter saído em CD, só existindo vinis da época, que ainda podem ser encontrados em alguns sebos ou em lojas especializadas em raridades, o que faz com que suas maravilhosas canções não atinjam um público maior. O vinil chegou a sair no Brasil na época, possuindo encarte com as letras em ambos os lados, uma pequena nota explicativa de quem foi Helmut Köllen e informações técnicas, além de um erro: bem na capa, se encontra a frase “Guitarrista e vocalista do grupo Triumvirat”. Tudo bem, ele tocava muitos instrumentos, inclusive guitarra, chegando a fazer algumas passagens com esse instrumento no Triumvirat, mas... poxa, era baixista, acima de tudo.
Os músicos do Triumvirat Jürgen Fritz (órgão e piano) e Hans Bathelt (bateria) tocaram no disco, além de outros músicos que estariam em formações futuras da banda: Dieter Petereit tocou baixo nas músicas em que Köllen tocou guitarra (poucas) e Matthias Holtmann bateria na maioria das canções. Jürgen Fritz também produziu o disco, que foi dedicado aos Pais de Köllen. Sua irmã, Elke Köllen e Brigitte Witt fizeram os backing vocals.

O primeiro soar do álbum é um riff surpreendente no baixo, que inicia a canção “It’s hard to love you”. Nem é preciso dizer que o trabalho inteiro é direcionado pelo baixo. Esse riff já é um dos melhores momentos do disco, onde ele demonstra uma técnica, precisão e criatividade fabulosa.
Como era de se esperar, outro destaque não só dessa música, mas de todo o álbum, é a voz de Helmut. Notamos que ela está muito mais madura do que quando cantava no Triumvirat, está parecendo mais seguro de si, cantando um pouco mais grave. Percebemos, também, que o disco não pertence ao gênero Progressivo que o consagrou, possuindo uma levada mais semelhante ao Rock feito naqueles tempos.
“I walk on the river” é uma música lenta que tem um belo piano e um refrão bem composto. Já “Station” é um Rock mais alegre e agitado. O grande destaque do disco vem em seguida, “Dear poor boy” (uma pequena introdução onde Köllen canta e toca violão) que dá início à inigualável “Playin’ this song together”. Esta música tem a melhor interpretação de voz que Köllen fez em toda sua carreira, onde canta de forma melodiosa o refrão. Sem desmerecer as demais, “Playin’ this song together” é o grande momento do álbum, uma canção cuja melodia elevou demais o status do disco como um todo.
“Listen Lady” é outro Rock de ritmo descontraído. Com pitadas de sax ao longo da canção, conta uma história de quando pegou um voo e conheceu uma senhora com o seu cachorro chamado Boo.
“Mainstreet” apresenta Helmut tocando guitarra em um Rock bastante simples e, em seguida, temos outro ponto alto do disco, “The story of life”, uma canção com letra introspectiva que revela uma parte do sentimento do músico. Ele diz sobre a falta de perspectiva em relação ao futuro, bebidas e tabagismo. Embora a letra mostre que está falando para alguém, fica evidente que, na verdade, fala de si mesmo.
O trabalho se encerra com a faixa-título, um cover para “You won’t see me” dos Beatles, cujo título (“Você não me verá mais”) parece ser bastante profético. Esta versão ficou muito melhor do que a original, tocada bastante lenta e com baixo marcado. No final, temos alguns violinos que encerra este esplendoroso álbum solo.

Já passou do tempo deste disco ter a sua edição em CD, com qualidade remasterizada e um encarte que faça jus a ele para que as demais gerações possam desfrutar de suas ótimas canções. O legado de Helmut Köllen não pode ser esquecido.

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